Notas iniciais
Heyyyy Desculpem a demora, eu estava cheia de coisas para fazer, então tive que deixar essa história um pouco de lado, mas não se preocupem, não irei abandoná-la. Tenham uma boa leitura.

Eu sou o sentimento que aniquila. Que destrói aquilo que toca e a quem toca. Instalo-me em seu interior como uma praga. Inconsciente. Vou aniquilando tudo aquilo de bom que possa ter existido em sua vida, cada sentimento bom, ou lembrança. E assim como a ferrugem corrói o ferro, eu corroo seu interior, te deixando podre, com sede de vingança. Eu sego os seus olhos, e assim você só enxerga o que eu quero que enxergue. Eu faço de você o meu brinquedo, a minha marionete... Prazer, eu sou o Ódio.

Já teve aquela sensação de poder quando surge à ira? Aquela vontade de deixar o bicho pegar? Isso se dá a grandeza que o ódio te proporciona. Ficar com raiva, experimentar o ódio, parece bom. Sob o efeito da ilusão profunda, sentimos prazer no aumento da pressão sanguínea, batida cardíaca e adrenalina que acompanha o surto de ódio. Ao invés de servir de alerta que vamos perder o controle e fazer loucuras, estas sensações animam e despertam o animal adormecido dentro de nós, e consequentemente a ira desse “animal” gera confrontos mortais. Um exemplo dessa grandeza e poder que você sente quando é consumido pelo ódio é o famoso governo Nazista, que com seu tamanho ódio para com as raças que não eram consideradas de sangue azul, estima-se que pelo menos 1,5 milhões de pessoas – em sua maioria Judeus – morreram nas câmaras de gás, de fome ou por doenças.

Um outro exemplo de como a existência do ódio muitas vezes pode levar a episódios violentos, ocorre nas grandes guerras entre as Nações, os governos muitas vezes lançam campanhas de propaganda para promover o ódio contra as tropas inimigas e cidadãos, para que eles passem os ataques armados. Mesmo que seja um sentimento bastante comum, o ódio é algo indesejável devido a suas consequências desastrosas.

O ódio está relacionado com a inimizade e a repulsão. As pessoas tentam evitar ou destruir aquilo que odeiam. No caso do ódio, relativamente a outro ser humano, o sentimento pode refletir-se através de insultos ou de agressões físicas. Muitos consideram o ódio como o oposto do amor. Há quem acredite, no entanto, que do amor ao ódio é apenas um passo – e vice-versa –, uma vez que o ódio está sempre dirigido a alguém que se considera importante e que mobiliza o indivíduo. Mas neste sentido, o contrário do amor não seria o ódio, e sim a indiferença.

Sou um sentimento perspicaz e voraz, de desgosto extremo, que traz infelicidade e que é caracterizado pela dureza e aspereza que traz para a vida de quem odeia. Também estou presente em todas as formas de vida humana, independente do tipo de civilização. Também estou presente em todas as classes sociais, em todos os bairros, em todas as vielas, cidades e países do mundo. Eu sou a energia que impulsiona para a destruição, para a guerra, e tenho como base a competição, o egoísmo, a raiva, inveja, mágoa, cobiça, desunião. Estes são os meus principais pilares. Tudo o que é construído com ódio tem menos valor, porque eu sou raivoso, porque contamino relações e as transformo em doentias. Eu sou a fonte que desgoverna a vida, que empobrece e rebaixa o ser humano, o fazendo indigno de viver no único planeta do sistema solar que oferece condições de vida física.

Estou geralmente associado a ilusões amorosas, a feridas profundas instaladas na alma, a traumas ou abusos geralmente gerados na infância. Tudo isso acumulado com os problemas que normalmente a Vida os impõe, é que surge o Ódio. Muitos até acreditam que o Ódio surgiu do Amor, e de fato, isto é verdade, mas não completamente. Eu existo desde que o mundo é mundo. Eu estive lá quando Caim matou Abel. Eu estive lá quando Jesus foi crucificado. Eu estive lá, em todas as guerras. Eu estive lá, quando o terrorismo surgiu. Eu sempre estive presente, e a cada evento o meu poder evoluía mais, contudo, eu me tornei essa potência, esse sentimento tão corrosivo, quando o Amor surgiu em meu caminho. Ele não foi meu criador, mas foi o responsável por eu ter me tornar o que sou hoje.

Isso mesmo, nem mesmo eu, o Ódio, esse ser tão poderoso, tão temido, fui capaz de escapar dos encantos do Amor. Ele surgiu em minha vida como o sol surge após uma tempestade. Ele iluminou os meus dias frios e sombrios. Mostrou-me que até mesmo um ser como eu, era digno de conhecer a felicidade. E assim como a rapidez de um piscar de olhos, eu me vi caído a seus pés. Eu o amei com tudo o que eu tinha e com o que eu não tinha também. A sua beleza era incomparável, o seu sorriso era sempre iluminado, a sua gentileza era impressionante, assim como suas palavras sempre reconfortantes. Vi-me completamente preso em seu olhar tão penetrante. Mas diferente do que eu acreditava, todos os abraços, todos os momentos de carinho e amor, não eram dirigidos somente para mim. Essa era uma qualidade, ou maldição que tanto o Amor, como a Paixão carregavam. Eles jamais seriam capazes de amar somente uma pessoa.

Eu havia dado tudo de mim ao Amor, eu passei praticamente a viver a sua função, porque para mim éramos um só. Mas foi em um triste dia que passei a ver que os carinhos, e principalmente o seu amor, não era direcionado somente para mim, mas também para os demais seres que habitam a terra. Naquele dia eu vi todo o meu mundo desmoronar. Eu me senti traído. Senti raiva, angústia, mágoa, dor e... ódio. Foi ali, naquela constante de sentimentos que eu, o Ódio, adquiri todo o meu poder, toda a minha fúria.

A gente acha que sabe tudo sobre o amor, não é mesmo? Mas foi naquele dia que realmente descobri o que é amor. Doeu mais do que qualquer corte que eu tivesse sofrido no rosto, mas eu o amava demais, então pedi a ele que se afastasse de mim. Mas sempre que nos encontramos, as brigas são inevitáveis. Não por iniciativa do Amor, é claro, mas sim por mim. Mesmo tendo se passado muitos anos, simplesmente não consigo evitar. Sempre que o encontro, toda a raiva e mágoa que senti na época, veem com força total.

— Por que você me odeia tanto? — perguntou-me o Amor, com seus belos olhos marejados.

— Porque um dia eu já te amei demais. — respondi dando-lhe as costas, pondo fim a nossa discutição. E mesmo já estando a alguns metros de distancia, pude ouvir nitidamente o som do seu choro.

Aquele som destroçou meu coração. Saber que seu amor não era direcionado somente para mim doeu, mas saber que ele estava sofrendo doeu muito mais. Era uma droga, mas eu tinha que admitir, eu ainda o amava. Mesmo sendo completamente opostos, como água e vinho, como noite e dia, a minha sina seria sempre amá-lo. Eu estava destinado a sofrer por toda a eternidade.

Eu odeio te amar.— sussurro para mim mesmo, tentando inutilmente segurar as minhas próprias lágrimas.

O ódio nunca desaparece, não enquanto sentimentos de mágoas forem alimentados na mente. Esse sou eu, forte, atraente e poderoso, mas com o coração completamente quebrado pelo Amor.

“Quando uma pessoa conhece o amor... Também assume o risco de conhecer o ódio.”

— Sasuke Uchiha

Notas finais
E então, gostaram? Espero que sim. Beijão e espero que tenham tido um ótimo natal e uma passagem de ano incrível. Beijão e até.