A Varinha Da Feiticeira
10 Capítulo 10 - A floresta
Cap 10 – POV PAUL
Era uma idéia maluca. Sair no meio da floresta amazônica, com poucos mantimentos para procurar um objeto que não tinha nem trinta centímetros. Alice nos guiava fielmente com seu tablet e eu cuidava da retaguarda com o arco nas mãos. Conhecia bem a floresta, minha mãe adorava viajar para a Amazônia, mas aquela era uma mata fechada, bem diferente da trilhas que havia feito
- Porque aqui? – Diana perguntou – A varinha não tinha caído no mar junto com aquelas criaturas?
- A varinha se tele transporta quando está na mão de homens, sejam eles, mortais, semideuses ou até monstros, ela é programada pra isso. – Alice disse, ela era muito inteligente e talentosa, não posso negar, mas eu precisava perguntar.
- Como sabe disso tudo?
Seus olhos extremamente pretos me lançaram um olhar perigoso.
- Não é da sua conta – ela disse e continuou andando.
Não pude evitar de ficar curioso. Alice era uma semideusa filha de hefesto, bonita e alta. Nesses três anos no acampamento meio-sangue, eu nunca havia visto ela e mesmo assim, estava sã e salva. Eu nunca achei que um semideus podia sobreviver fora da proteção do acampamento. Na enfermaria ela havia dito que sua casa era segura, mais segura que a barreira mágica? Onde ficava essa casa?
Meus pensamentos foram interrompidos por um terrível guinchado, todos nós paramos congelados.
- Não se mexam – Percy disse e todos obedeceram.
Mas era tarde demais, saiu de dentro da mata, um escorpião de três metros de altura e veio direto em nossa direção. Demos meia volta e saímos correndo pela floresta não importando com o caminho e o escorpião veio atrás, não podíamos ficar correndo o tempo todo, a calda venenosa do bicho estava quase relando em Alice. Então tive uma idéia.
Olhei em volta e procurei por uma arvore que desse certo, eu havia treinado aquilo milhares de vezes no acampamento, mas agora qualquer erro mataria todos nós. Mas eu precisava tentar.Olhei para trás e peguei o olhar de Alice.
- Eu subo! Você atira! – ela gritou e entrou no meio da mata. Ela havia entendido o meu plano.
Entrei também na mata, fora do caminho do escorpião, de início a criatura ficou confusa, mas continuou correndo atrás de Percy e Diana. Eu os acompanhava ao mesmo tempo em que preparava a flecha no arco, e então mirei bem nos seus olhos. Soltei a corda e a flecha acertou bem no alvo.
O escorpião parou e guinchou mais uma vez. Era minha chance. Escalei a arvore mais próxima e preparei a minha maior flecha.
Foi quando vi Alice na arvore do lado oposto ao meu, ela pulou em cima do corpo do escorpião e cortou a calda com sua espada. Foi muito rápido, mas eu consegui soltar a flecha a tempo de pegar na rachadura de sua carapaça, bem no pescoço. O escorpião se dissolveu em pó dourado.
Desci da árvore, e fui até onde Alice estava caída no chão, seu cabelo cheio de pó dourado. Ofereci minha mão e ela pegou para se levantar.
Dei um sorriso torto.
- Isso foi demais! – eu disse e ela também sorriu, mas seu sorriso logo desapareceu.
- Cadê o Percy e a Diana? – ela disse e logo percebi que só nos dois estávamos lá quando o bicho se dissolveu.Olhamos para os lados e não vimos sinal deles.
Foi quando ouvi uma voz.
- Paul!! – olhei para trás e vi Diana numa fumaça branca, era uma mensagem de íris.
- Onde você está? – eu perguntei me aproximando, Alice fez o mesmo – Percy está ai?
- Ele ta aqui, fazendo o arco-íris.
Senti meus músculos relaxarem.
- Não faço a mínima idéia de onde estamos – Diana disse.
- Vamos nos encontrar na van – Alice disse – Pegue a bússola na sua mochila.
Enquanto Alice passava as coordenadas, peguei a barraca que havia ficado comigo e comecei a armá-la, estava escurecendo e um vento muito frio já estava se formando.
Montei a barraca em uma clareira cerca de dez metros do lugar onde explodimos o monstro. Alice voltou com seu tablet na mão.
- Notícia ruim... – ela disse chacoalhando o aparelho – Meu tablet quebrou.
Essa era uma notícia realmente muito ruim. O tablet era a nossa única chance de achar a varinha, mas eu não tinha dúvidas de que Alice poderia concertar.
Peguei alguns gravetos caídos no chão e comecei a armar uma fogueira, enquanto trabalhava no fogo, Alice pegou suas ferramentas na mochila, sentou-se no chão e começou a desmontar o Tablet.
Depois que a fogueira estava acesa, fui até a minha mochila dentro da barraca e tirei de lá um saco de biscoitos de chocolate. Sentei ao lado de Alice e começamos a comer.
- Desculpe pelo jeito que eu falei com você mais cedo – ela disse deixando as ferramentas de lado e pegando outro biscoito.
- Não tem importância – eu disse – Deve ser um assunto delicado.
Ela respirou fundo e fechou os olhos.
- Eu estava navegando com meus amigos pelo mar de monstro – ela olhou para o horizonte – estávamos ansiosos, era nossa primeira missão. Eu tinha acabado de fazer 14 anos e tínhamos que achar um bote com dois campistas no meio do oceano.
Ela parou e a mata ficou em silencio profundo.
- Eu era a única menina no barco – ela continuou – havia mais um filho de Hermes e um filho de ares. Estava ocorrendo tudo muito bem até que aconteceu um problema no barco. Nada grave. Eu podia concertar, desci até o maquinário, concertei e quando voltei, meus amigos não estavam mais lá. Olhei para todos os lados a procura de alguém e a única coisa que vi foi a costa de uma ilha.
- A ilha de Circe – eu disse, era uma afirmação.
- sim- ela suspirou – desci na ilha e logo fui recepcionada por mulheres elegantes, com roupas finas. Elas me disseram como aquela ilha era maravilhosa e me convidaram para ficar. Eu não podia, meus amigos estavam em perigo. Circe começou a me enfeitiçar e eu acabei virando sua serva. Enchia-me de jóias e maquiagem, ela me ensinou sobre tudo, inclusive sobre a varinha e acabei ficando lá por três anos inteiros. No final descobri que meus amigos estavam mortos e eu fugi pro mar. Mais era inútil nadar no mar de monstros, era suicídio, mas eu não desistia e continuava nadando e nadando e sempre voltava na ilha.
A lareira crepitou, o silencio reinava naquela floresta, coisa impossível na verdade, mas eu não parei de prestar atenção na historia que Alice me contava.
- Até que em uma manha – ela continuou – eu desisti, voltei à ilha e fui direto a sala de Circe pedir ajuda para voltar para casa. Quando entrei, lá estava meu pai. Sujo de graxa e com a barba mal feita.
Ela riu, mas era uma risada de sarcasmo.
- Ele negociou a minha vida e me levou de volta pra casa.
Eu podia ver em seu rosto uma lágrima caindo, levei as costas das mãos em seu rosto e a limpei.
- Não se culpe – eu disse – Você sabe que não é sua culpa que seus amigos morreram.
Agora ela estava chorando de verdade, nunca pensei que uma garota tão forte e corajosa pudesse ter uma historia tão triste, era por isso que ela não voltava mais ao acampamento meio sangue, tinha muitas lembranças.
Então de repente eu não tinha mais controle dos meus atos, Me aproximei, tirei o seu cabelo grudado nas lágrimas e a beijei, querendo tirar todas as tristezas dos seus olhos.
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