Paulina entra no taxi e vai para casa de Patrícia, mas decide descer um pouco antes para caminhar um pouco.

Leda estava saindo de uma loja quando vê Paulina descendo do taxi, e tem uma idéia terrível.

Paulina vai andando calmamente pela calçada enquanto Leda entra no seu carro e acelera com toda força, quando Paulina olha pra trás vê Leda com o carro vindo pra cima dela e a pega em cheio a jogando para longe, Paulina cai inconsciente, a alguns metros da casa de Patrícia.

Leda ao perceber o que acabou de fazer se desespera e sai correndo dali.

No mesmo instante começa a juntar uma multidão em volta de Paulina, e uma das pessoas é a empregada de Patrícia, Neide, que ao reconhecer Paulina vai correndo avisar a patroa.

Chegando na casa, Patrícia pergunta assustada.

– Neide o que aconteceu? Você esta pálida.

– Senhora... é a D. Paulina... parece que esta morta. – Neide fala sem ar – Ela foi atropelada aqui na frente.

Patrícia fica em choque e diz com os olhos cheios de lagrimas.

– Neide avisa o Carlos Daniel na fabrica vou pedir para leva-la para o Hospital central. – ela diz pegando a bolsa.

– Sim senhora.

Quando chega no local Patrícia vai passando entre as pessoas e então, vê Paulina caída no chão com um ferimento na cabeça. A ambulância se aproxima, Patrícia se ajoelha ao lado de Paulina e lagrimas descem pelo seu rosto.

– Paulina... – ela diz inconformada.

Rapidamente tiram a maca da ambulância e transferem Paulina para ela, Patrícia vê que o ferimento na cabeça da cunhada esta sangrando muito e chora ao perceber que ela corre risco de vida. Ela entra na ambulância com Paulina e vão para o Hospital Central.

Na fabrica Bracho.

– Carlos Daniel você tem que assinar aqui e aqui. – Rodrigo diz mostrando ao irmão onde assinar.

Carlos Daniel esta terminando de assinar quando o telefone toca.

– Fabrica Bracho. – Carlos Daniel atende.

– Senhor Carlos Daniel?

– Sim.

– Aqui é a Neide, aconteceu uma coisa terrível. – Neide fala nervosa.

– O que foi? Aconteceu algo com Patrícia? – Carlos Daniel pergunta e Rodrigo olha seriamente pra ele.

– Não senhor, foi a D. Paulina ela foi atropelada aqui na frente, e a levaram para Hospital Central.

Carlos Daniel desliga o telefone pálido e em choque.

– Carlos Daniel, — Rodrigo pergunta assustado – o que aconteceu?

– Paulina Rodrigo, foi atropelada. – ele diz se levantando e indo em direção a porta –

Levaram ela para o Hospital Central.

– Calma meu irmão, eu vou com você, — Rodrigo diz indo atrás dele – não esta em condições de dirigir.

No Hospital...

– Senhora, precisa preencher a ficha dela.

– Claro, me dê aqui. – Patrícia fala pegando os papeis e preenchendo a ficha.

Dez minutos depois Carlos Daniel e Rodrigo chegam.

– Patrícia, onde ela esta? – Carlos Daniel pergunta nervoso.

– Levaram ela para fazer alguns exames, eu não sei de nada ainda Carlos Daniel. – Patrícia fala chorando enquanto Rodrigo a abraça.

– Como isso foi acontecer Patrícia? – Rodrigo pergunta a abraçando mais forte.

– Não sei Rodrigo, ela não quis que eu a buscasse em casa e estava indo de taxi, quando cheguei la ela estava na calçada desmaiada. – Patrícia diz chorando – Testemunhas disseram ter visto um carro ir em direção a ela.

– Então foi um atentado. – Rodrigo diz olhando para Carlos Daniel.

– Não acredito nisso Rodrigo, quem iria querer fazer algum mal a Paulina. – Carlos Daniel diz com os olhos cheios de lagrimas – E como ela estava Patrícia, muito machucada?

– Ela veio desacordada Carlos Daniel, e tinha um ferimento na cabeça.

– Na cabeça... – Carlos Daniel diz se sentando enquanto as lagrimas descem pelo rosto – meu Deus não posso perde-la.

– Acalme-se Carlos Daniel, Paulina é muito forte, ela vai ficar bem. – Rodrigo diz tentando acalma-lo.

– Ela sentiu que iria acontecer algo Rodrigo, por isso ontem estava daquele jeito, — Carlos Daniel diz apoiando o cotovelo no joelho e colocando a mão na cabeça – eu devia ter deixado ela ir a fabrica comigo, ela insistiu nisso. Eu não posso perde-la.

– Não Carlos Daniel, você não vai perde-la, Paulina é forte. – Rodrigo diz enquanto se senta ao lado do irmão e o abraça – Tente se acalmar.

Carlos Daniel se levanta e anda de um lado para o outro.

– Porque ninguém vem da noticias. – ele diz impaciente.

– Disseram que iria examiná-la, e, assim que terminassem falariam com a família. – Patrícia fala olhando o cunhado.

– Quem fez isso com ela Rodrigo? – Carlos Daniel diz chorando – Eu juro que mato quem fez isso com Paulina.

– Acalme-se Carlos Daniel. – Rodrigo diz olhando o irmão.

– Como posso me acalmar Rodrigo se nem sei se ela esta viva? – Carlos Daniel diz chorando muito.

Rodrigo se levanta e abraça o irmão.

– Vai ficar tudo bem Carlos Daniel, vai ficar tudo bem.

– Carlos Daniel o medico esta vindo. – Patrícia diz se levantando.

– Vocês são parentes de Paulina Bracho?

– Sim Doutor, sou o marido dela.

– Sou o Doutor Lucio. Bom acho melhor se sentar. – o medico diz se sentando e acenando para fazerem o mesmo.

– Como ela esta Doutor? – Carlos Daniel pergunta enquanto se senta.

– Bom, ela não quebrou nada, e acho que por algum milagre, o bebê esta bem.

– Bebê? – Carlos Daniel pergunta confuso.

– Ela esta grávida, não sabiam? Esta de quase dois meses, e como disse é um milagre não ter o perdido. – o medico diz, e olha seriamente para Carlos Daniel – Mas o estado dela é bastante grave.

– O que ela tem Doutor? – Carlos Daniel pergunta chorando.

– Ela sofreu uma pancada muito forte na cabeça, o que a levou a ter um pequeno traumatismo, mais muito grave.

– Traumatismo Doutor, vai precisar operá-la? – Rodrigo pergunta.

– Será necessário, a pancada que ela levou foi muito forte, e bom senhor, — ele diz olhando para Carlos Daniel – tudo leva a crer que ela esteja em coma.

– Em coma? – Carlos Daniel pergunta em choque – Por quanto tempo Doutor?

– Esses casos são difíceis de dizer, alguns ficam por horas, outros dias, semanas e ate anos.

– Ela vai morrer Doutor? – Carlos Daniel pergunta chorando muito.

– Infelizmente ela corre risco de vida sim, mas estamos fazendo o necessário para que fique bem, e os exames que fizemos nela mostrou que sua esposa tem uma saúde ótima, e mesmo estando grávida não apresentou nem uma anemia e nem outro problema. – ele diz e se levanta – Bom vou me preparar para a cirurgia, com licença.

– Toda Doutor. – Rodrigo diz.

Carlos Daniel chorando, olha para Rodrigo e Patrícia e diz sem esperança.

– Então é isso Rodrigo, eu fui o homem mais feliz do mundo nesses últimos meses e agora vou perde-la para sempre?

– Não diga isso Carlos Daniel. – Patrícia vai ate ele se sentando ao seu lado e o abraçando – Paulina vai sair dessa, você vai ver.

– Claro que vai meu irmão, — Rodrigo diz se sentando ao lado de Patrícia e abraçando os dois – Ate parece que não conhece a mulher que tem, ela nunca vai deixar você.

Carlos Daniel não diz nada apenas chora abraçado ao irmão e a cunhada.

Rodrigo liga na mansão para avisar vovó Piedade que chora ao receber a noticia e pede para a virgem de Guadalupe proteger a neta. A cirurgia demora duas horas e o Doutor Lucio vai falar com Carlos Daniel que esta sentado ao lado de Patrícia e Rodrigo.

– E então Doutor? Como ela esta? – ele pergunta com os olhos inchados.

– Bom a cirurgia foi um sucesso, mas agora temos que esperar as próximas horas para ver como ela ira reagir.

–Onde ela esta? Eu posso vê-la Doutor? – Carlos Daniel pergunta se levantando.

– A transferimos para a UTI, você pode ir vê-la só por alguns minutos, ela precisa de muitos cuidados agora. – ele diz e entrega uma mascara para Carlos Daniel – Você terá que usar.

– Me leve para vê-la Doutor. – Carlos Daniel diz pegando a mascara.

– Claro senhor, vamos.

E os dois somem no corredor do hospital.

– Tenho medo do pior acontecer Patrícia e meu irmão não suportar. – Rodrigo diz.

– Não diga isso Rodrigo, — Patrícia fala com os olhos cheio de lagrimas – ela vai ficar bem, tem que ficar.

– Espero que tenha razão meu amor, seria uma dor muito grande para meu irmão. – Rodrigo diz abraçando Patrícia.

Quando entra na UTI, Carlos Daniel vê Paulina cheia de aparelhos ligados a ela e com a cabeça enfaixada, lagrimas caem pelo seu rosto enquanto ele vai ate o lado dela.

– Meu amor, minha vida... – ele diz olhando Paulina – volta para mim, não me deixe.

Enquanto fica no quarto Carlos Daniel se ajoelha ao lado da esposa e não consegue fazer outra coisa ao não ser sussurrar o nome de Paulina.

– Paulina, Paulina, Paulina minha vida, Paulina, minha Paulina...

Doutor Lucio diz para Carlos Daniel.

– Senhor, tem que sair agora.

– Quero ficar com ela Doutor.

– Desculpe senhor, mas não pode ficar aqui, vá para casa e tente descansar, ela esta instável agora.

– Doutor, não posso deixá-la. – Carlos Daniel diz segurando a mão de Paulina.

– Não tem nada que possa fazer aqui senhor, tem que deixá-la se recuperar.

– Eu vou mas eu volto meu amor. – Carlos Daniel diz soltando a mão de Paulina e saindo da UTI.

Rodrigo e Patrícia se levantam ao ver Carlos Daniel se aproximar.

– E então, como ela esta? – Rodrigo pergunta.

– Estou com medo Rodrigo, com muito medo. – Carlos Daniel diz abraçando o irmão e chorando.

– Carlos Daniel acho melhor você ir para casa, — Patrícia diz – não vai ajudar nada ficando aqui.

– Não sei se consigo sair daqui sem ela Patrícia.

– Carlos Daniel, Patrícia tem razão,vamos para casa nós te levamos, você toma um banho e descansa um pouco, depois eu volto com você. – Rodrigo diz segurando os ombros do irmão e olhando para ele.

– Ta bom Rodrigo, mas não vou ficar lá, só vou tomar um banho e volto.

– Claro Carlos Daniel. Vamos?

Eles vão para casa em silencio, quando chegam vovó Piedade vem abraçar o neto.

– Carlos Daniel, eu rezei para a virgem proteger Paulina, ela vai sair dessa.

– Vovó, não consigo viver sem ela, não posso perdê-la agora. – Carlos Daniel diz chorando abraçado à avó.

– Calma meu filho, Paulina é uma mulher muito forte, vai se recuperar logo você vai ver.

– Eu vou tomar um banho vovó, e depois volto para o hospital, não quero deixá-la sozinha. –Carlos Daniel sobe as escadas.

– Como ela esta Rodrigo? – vovó Piedade pergunta preocupada.

– Ah vovó, — Rodrigo diz pegando a mão da avó e indo se sentarem no sofá – o estado dela é muito grave.

Rodrigo e Patrícia contam tudo para vovó Piedade e nem percebem que Carlinhos esta ouvindo tudo.

– Tio Rodrigo, minha mãe vai morrer? – o menino pergunta chorando.

– Meu Deus Carlinhos, — vovó Piedade diz estendendo os braços pra o bisneto – você estava ai escutando tudo?

– Não quero que ela morra bisvovó – ele diz abraçando a bisavó e chorando muito.

– E quem falou que ela vai morrer Carlinhos, ate parece que não conhece sua mãe. – vovó Piedade diz tentando acalmar o menino

– Sua mãe vai ficar bem Carlinhos, — Patrícia diz tentando ajudar a acalmar o menino – ainda mais agora que você e Lizete vão ganhar um irmãozinho.

– Um irmãozinho? – vovó Piedade e Carlinhos pergunta.

– Paulina esta grávida vovó. – Patrícia diz sorrindo um pouco.

– É verdade vovó, havia me esquecido de te contar, o Doutor Lucio disse que foi um milagre ela não ter perdido o bebê. – Rodrigo diz.

– A virgem esta protegendo ela e essa criança, tenho certeza disso. – vovó Piedade diz sorrindo.

– Tia Patrícia, — Carlinhos fala chorando – eu quero ir ver minha mãe.

– Meu amor, a sua mãe não pode receber visitas, mas assim que puder te levo para ver ela. – ela diz enquanto Carlinhos vai ate ela e a abraça.

– Promete tia?

– Prometo meu amor.

– Eu vou voltar para o hospital vovó Piedade, — Carlos Daniel diz se aproximando.

– Papai, — Carlinhos corre ate ele e o abraça chorando – eu estou com medo papai, não quero que a mamãe morra.

– Carlinhos, — Carlos Daniel diz abraçando o filho e olhando para os outros – não era para contarem pra ele.

– Ninguém contou papai, eu escutei sem querer, eu posso ir com você?

– Agora você não pode Carlinhos, sua mãe não iria gostar nada se soubesse que você estava la. – ele diz e beija o rosto do menino – Não se preocupe meu filho, sua mãe vai ficar bem.

– Carlos Daniel você tem que comer alguma coisa. – vovó Piedade diz.

– Não consigo comer nada vovó, eu vou para o hospital ficar perto de Paulina.

– Eu vou com você Carlos Daniel, — Rodrigo diz se levantando e dando um beijo em Patrícia – peça para Pedro te levar em casa meu amor.

– Vão com Deus meus netos. – vovó Piedade diz.

Rodrigo e Carlos Daniel passam a noite na sala de espera do hospital, Rodrigo ainda consegue dormir boa parte do tempo mas Carlos Daniel não prega o olho a noite toda.

No dia seguinte...

– Desculpe por ter dormido Carlos Daniel, alguma novidade? – Rodrigo pergunta bocejando.

– Nenhuma Rodrigo, — Carlos Daniel responde cansado – continua na mesma.

– Vamos ate a cantina, você tem que comer alguma coisa.

– Não quero comer Rodrigo.

– Mas tem que se alimentar, imagina se fica doente? – Rodrigo diz puxando o irmão para a cantina.

Carlos Daniel não come quase nada, e depois voltam à recepção e encontram o Doutor Lucio.

– Eu estava mesmo te procurando senhor Carlos Daniel.

– Alguma novidade Doutor.

– Paulina esta se recuperando muito bem, e teve uma pequena melhora.

– Ela acordou?

– Não, mas estamos bastante esperançosos.

– Posso ir vê-la de novo Doutor?

– Pode sim, só não vai poder demorar muito.

E ele vai com o medico.

Por volta das 10:00 horas, a policia entra em contato com a fabrica.

– Fabrica Bracho. – Verônica atende.

– Gostaria de falar com Carlos Daniel Bracho.

– Ele não esta, quem gostaria?

– Aqui é o Delegado Gomez, é sobre o atropelamento de Paulina Martins Bracho.

– A sim senhor, ele esta no hospital central, quer o telefone?

– Quero sim, pode falar.

No hospital Carlos Daniel volta para a sala de espera.

– Ligação para o senhor Carlos Daniel Bracho na recepção.

Rodrigo se levanta e diz.

– Fica ai Carlos Daniel, vou atender.

Na recepção.

– Alo.

– Senhor Carlos Daniel Bracho?

– Não, aqui é o irmão dele, Rodrigo Bracho, no momento ele não pode atender, quem gostaria?

–Aqui é o Delegado Gomez, é sobre o caso da esposa dele a senhora Paulina Martins Bracho.

– Alguma novidade?

– Uma testemunha anotou a placa do carro, pertence à senhorita Leda Duran, vocês a conhecem?

– Leda Duran, tem certeza? Ela é nossa prima.

– Bom o carro era dela, e a testemunha disse que era uma mulher que estava dirigindo, o que nos leva a crer que ela atropelou a senhora Paulina Bracho. Estamos atrás dela, mas parece que fugiu da cidade, mas não se preocupe vamos pega-la.

– Obrigado por nos avisar delegado.

– Ate mais senhor.

Rodrigo coloca o telefone e gancho e volta para a sala de espera.

– Era a policia Carlos Daniel. – ele diz se aproximando do irmão.

– O que queriam Rodrigo? Pegaram o desgraçado?

– O carro que atropelou Paulina era o carro da Leda. Aquela mulherzinha tentou matar Paulina.

Carlos Daniel levanta com fúria nos olhos e com as mãos cerradas.

– Eu vou matar a Leda Rodrigo...

– Calma Carlos Daniel, a policia esta atrás dela e é questão de dias para pegarem.

– Como ela pode fazer isso com Paulina, o que ela esta querendo Rodrigo?

– Não é obvio Carlos Daniel, Leda sempre foi louca por você, e você, se casou com Paulina. Ela deve ter muito ódio dela.

– Eu juro que a mato Rodrigo, eu mato a Leda. – Carlos Daniel diz com fúria nos olhos.

As horas passam devagar no hospital, Rodrigo obriga Carlos Daniel a almoçar, e depois de ver que ele comeu um pouco se levanta e diz:

– Bom Carlos Daniel, vou ir em casa ver como esta Patrícia e Raimundinho e depois passo na fabrica.

– Claro Rodrigo, vá ver sua esposa, e obrigado por tudo.

– Não tem o que agradecer Carlos Daniel. ­– ele diz dando um abraço no irmão.

Na mansão Bracho.

– Casa da Família Bracho. – Lalinha diz.

– Lalinha, sou eu Carlos Daniel, a vovó Piedade esta?

– Esta sim senhor. Como esta a D. Paulina?

– Um pouco melhor Lalinha.

– Que bom senhor, vou chamar a vovó Piedade.

Vovó Piedade ao telefone.

– Carlos Daniel, alguma novidade?

– Ela ainda não acordou vovó, mas teve uma melhora. E as crianças?

– Não foram para a escola hoje, não achei justo obrigá-los a ir. Carlinhos esta muito triste e teve pesadelos com a mãe.

– Carlinhos é muito apegado a mãe, deve esta sofrendo muito.

– E você meu filho, como esta?

– Ah vovó, é muito difícil ver Paulina numa cama de hospital sem se mexer e com tantos aparelhos. – ele diz começando a chorar.

– Carlos Daniel, você não pode ficar assim, porque não vem pra casa e descansa um pouco?

– Eu não quero deixá-la vovó.

– Eu sei meu filho, mas não vai ajudar em nada se ficar doente também, e seus filhos também precisam de você. Venha conversar com Carlinhos.

– Ta bom vovó, assim que Rodrigo chegar eu irei.

– Isso mesmo meu neto, ate mais tarde então.

– Ate mais vovó.

Carlos Daniel fica na sala de espera andando de um lado para o outro e rezando muito, as 16:00 horas Rodrigo chega e os dois vão para a mansão.

– Paizinho, — Lizete diz correndo para o pai – cadê a mãezinha?

– Ainda esta no hospital meu amor. – ele responde pegando a menina nos braços.

– Quando ela vai voltar? Eu to com saudades. – ela pergunta começando a chorar.

– Eu não sei meu amor. — Carlos Daniel reponde abraçando a filha e segurando as lagrimas – Agora deixa o papai ir tomar um banho.

– Ta bom paizinho.

– Cadê o Carlinhos, meu amor. – ele pergunta colocando a menina no chão.

– Ta no quarto dele paizinho. – ela diz.

Carlos Daniel sobe as escadas e Rodrigo pega a menina no colo.

– Lizete, não precisa ficar assim, sua mãe vai voltar logo.

Carlos Daniel vai ate o quarto de Carlinhos, ele esta sentado na cama com uma foto na mão e chorando muito.

– Carlinhos, — Carlos Daniel pergunta assustado – o que você tem?

– Papai, — ele diz soluçando – sinto tanta falta da mamãe, e tenho medo que vocês estejam me escondendo alguma coisa.

Carlos Daniel se senta ao lado do menino e o abraça, ele pega a foto que o menino não desgruda os olhos. É da viagem que fizeram a Disney, enfrente ao castelo da Cinderela, Carlos Daniel esta com Lizete nos braços enquanto Paulina esta abraçada com Carlinhos, todos muito felizes.

– Meu filho, não estamos te escondendo nada.

– Mas porque não me levam para vê-la?

– Carlinhos, sua mãe esta se recuperando num lugar muito especial, eu mesmo quase não a vejo.

– Não esta mentindo pra mim?

– Claro que não Carlinhos, prometo que quando ela estiver melhor levo você para vê-la.

– Promete mesmo papai? – ele diz sorrindo um pouquinho.

– Claro que prometo, agora vou tomar um banho. – ele diz dando um beijo na cabeça do menino e se levantando.

Carlos Daniel toma banho e se deita um pouco, logo ele adormece e sonha com Paulina. No sonho ela esta com um vestido branco num jardim cheio de rosas vermelhas, e, chama desesperadamente por ele.

Carlos Daniel acorda assustado, olha no relógio e vê que dormiu por três horas, se arruma e desce correndo as escadas.

– Já vai Carlos Daniel? – vovó Piedade pergunta – Não vai esperar para jantar?

– Não vovó, eu tenho que ver Paulina.

– Papai, — Carlinhos diz vindo da biblioteca – fiz um desenho pra você levar pra mamãe. Lizete me ajudou.

– Ficou lindo meu filho, sua mãe vai adorar. – ele diz dando um beijo na cabeça no menino e saindo.

Quando chega no hospital Doutor Lucio vem ao seu encontro.

– Estava indo ligar pra você agora Carlos Daniel.

– Aconteceu alguma coisa Doutor? – ele pergunta assustado.

– Sua esposa esta se recuperando muito bem, estou começando a acreditar em milagre senhor, nunca vi alguém se recuperar tão rápido.

– Ela acordou Doutor?

– Infelizmente não, ela esta mesmo em coma, mas não corre mais risco de vida. E se continuar como esta, amanha vamos transferi-la para o quarto.

– Eu posso vê-la? – ele pergunta com os olhos cheios de esperança.

– Pode sim, mas como já sabe, só por alguns minutos.

– Claro doutor, eu só quero vê-la.

Carlos Daniel passa outra vez a noite no sofá da sala de espera, ele tem uns breves chochilos, não conseguindo pegar no sono.

Rodrigo chega bem cedo com Patrícia.

– Bom dia Carlos Daniel. – Patrícia diz o abraçando – Como esta?

– Bom dia Patrícia, estou levando como posso.

– E Paulina? – Rodrigo pergunta.

– Bom, ontem o Doutor disse que ela esta se recuperando bem e que não corre mais risco de vida.

– Que boa noticia Carlos Daniel. – Patrícia diz sorrindo – E ela acordou?

– Não Patrícia, continua em coma. – Carlos Daniel diz triste.

– Você já tomou café? – Rodrigo pergunta e vendo a cara que o irmão fez – Então vamos ate a cantina, viemos tomar café com você, e não quero que Paulina pense que deixamos você passar fome.

Patrícia e Rodrigo ficam com Carlos Daniel ate à hora do almoço, e depois Rodrigo vai para a fabrica e Patrícia para a mansão ajudar a vovó com as crianças.

Na mansão todos se enchem de esperanças com a recuperação de Paulina, vovó Piedade aproveita que Patrícia esta com as crianças e pede para Pedro levá-la ate o hospital.

No hospital.

– Carlos Daniel. — Doutor Lucio diz se aproximando.

– O que aconteceu Doutor? – Carlos Daniel pergunta se levantando.

– Paulina já esta no quarto, não corre mais risco de vida. Vim te avisar que você pode ficar com ela no quarto, não precisa mais ficar aqui.

– É serio doutor? – ele pergunta com os olhos cheios de água.

– Sua esposa é muito forte, tenho esperança que logo ela saia do coma.

– E o bebê?

– Foi mesmo um milagre não ter acontecido nada com a criança, o bebê esta muito bem, não se preocupe.

– Me leva ate ela?

– Claro, me acompanhe.

Quando entra no quarto ele vê Paulina deitada na cama, ela esta com um curativo na testa e com um soro no braço esquerdo. O doutor Lucio o deixa sozinho e Carlos Daniel vai ate ela, ele a olha e se inclina, e a beija suavemente. Carlos Daniel tira o desenho das crianças do bolso e coloca na mesa ao lado da cama.

– Acorde meu amor, — ele sussurra – precisamos de você, minha vida.

Ele puxa uma cadeira para o lado da cama, se senta e encosta sua cabeça ao lado da de Paulina. Seus olhos já estão cheios de água novamente, ele passa os braços em volta dela e fica assim um bom tempo, e é assim que vovó Piedade o encontra.

Vovó Piedade vai ate o neto e o abraça, ela olha Paulina e diz:

– Você vai ficar bem minha filha, eu sei que vai.

Ela se senta no sofá bem próximo de onde Carlos Daniel esta, pega a mão do neto e ficam em silencio apenas olhando Paulina. Carlos Daniel chora olhando a amada e vovó Piedade o consola.

Depois de algum tempo vovó Piedade se levanta e diz:

– Vou voltar para casa meu filho, as crianças estão muito tristes, principalmente Carlinhos.

– Claro vovó, — Carlos Daniel diz se levantando e abraçando a avo – peça para Pedro trazer o Carlinhos amanha, a Lizete não porque é muito pequena e não vai entender porque a mãe não acorda. Eu não vou pra casa hoje.

– Ta bom Carlos Daniel, eu vou dizer pra trazer o menino, fica com Deus meu filho.

– Thau vovó. – ele diz levando a avó ate a porta.

Carlos Daniel fica o tempo todo ao lado de Paulina e dorme encostado a ela, no dia seguinte Patrícia e Rodrigo chegam bem cedo.

– Carlos Daniel, bom dia. – Rodrigo diz entrando

– Bom dia Rodrigo, Patrícia. – ele responde se levantando.

– Bom dia Carlos Daniel, como ela esta? – Patrícia pergunta.

– Ela ainda não acordou Patrícia, não teve nenhuma reação. – ele diz triste e preocupado.

Nisso o doutor Lucio entra no quarto com a enfermeira Luzia.

– Carlos Daniel, por que não vai comer alguma coisa, vamos levar Paulina para fazer alguns exames e ver como esta o bebê, pode aproveitar e ir em casa descansar.

– Claro Carlos Daniel, vamos ate em casa, as crianças sentem sua falta também, já não e fácil ficar longe da mãe, elas precisam de você.

– Escute seu irmão Carlos Daniel, sua esposa esta bem agora.

– Mas ela não acorda doutor, e não tem nenhuma reação. – Carlos Daniel diz sem vida na voz.

– Esses casos de coma são um mistério para todos nós Carlos Daniel, a casos de pessoas que acordam depois de horas e outras depois de muitos anos.

– Acha que ela vai demorar para acordar doutor? – Carlos Daniel fala com lagrimas no rosto.

– Bom Carlos Daniel, não da pra te dizer quando ela vai acordar, mas o importante agora é que ela esta bem e não corre mais risco.

– Vamos pra casa Carlos Daniel, — Patrícia diz – quanto mais rápido for mais rápido ira voltar.

– Tem razão Patrícia, vamos então. – sua voz sai sem vida.

Na mansão.

– Bisvovó é hoje que o Pedro vai me levar pra ver minha mãe? – Carlinhos pergunta.

– É sim Carlinhos, seu pai disse que você pode ir hoje a tarde.

– Será que ela já acordou bisvovó?

– Acho que não meu bem, senão seu pai já teria nos avisado.

Carlos Daniel, Patrícia e Rodrigo entram na mansão.

– Papai, — Carlinhos corre ate ele e o abraça – como esta a mamãe? Ela acordou?

– Não meu filho, — Carlos Daniel responde – ela ainda não acordou.

– Quando vou vê-la?

– Depois do almoço eu vou voltar e você vai comigo, mas só poderá ficar um pouquinho, hospital não é lugar de criança.

– Ta bom papai, — Carlinhos diz começando chorar – o que eu quero é ver a mamãe.

– Mas não fique assim, você tem que ser forte pra ver sua mãe, ela não iria gostar de te ver triste.

– Ta bom, eu vou ser forte. – ele diz abraçando apertado o pai.

– E a Lizete?

– Esta com Lalinha, ela esta contando historias para a menina. Lizete é muito pequena e não entende o que esta acontecendo, só esta sentindo muita falta de Paulina. – vovó Piedade diz para o neto.

– Acho que ninguém sente mais do que eu vovó, não imagina como esta sendo difícil. – Carlos Daniel fala enquanto Carlinhos sobe as escadas – Paulina não merecia isso vovó, se eu pegar a Leda eu juro que a mato.

– Não diga isso meu filho, deixe que a policia cuide dessa mulherzinha, — vovó diz com raiva – já tem alguma noticia sobre onde ela possa estar?

– Não vovó nenhuma, — Rodrigo diz e olha para o irmão – fui ontem na delegacia Carlos Daniel, o delegado não tem nenhuma pista sobre onde ela possa estar.

– Tomara que eu não a encontre Rodrigo, eu não seria capaz de me conter e a estrangularia com minhas mãos. – Carlos Daniel diz com ódio.

– Acho que Leda fugiu do país. – Patrícia comenta.

– Não Patrícia, a policia verificou nos aeroportos e terminais, ela não saiu.

– Mas então deve esta por ai se escondendo como um rato. – vovó Piedade fala.

–É verdade vovó, acredito que ela deva estar escondida.

– Mas onde Rodrigo? – Carlos Daniel pergunta.

– Não sei Carlos Daniel, mas a policia vai achá-la.

– Bom Carlos Daniel, suba e descanse um pouco, você esta muito abatido. – vovó Piedade diz.

– Vou subir vovó, depois do almoço vou voltar para o hospital. – ele diz dando um beijo na avó e subindo as escadas.