Depois do almoço Carlos Daniel e Carlinhos vão para o hospital.

– Carlinhos, — Carlos Daniel olha seriamente para o filho – você não poderá falar alto ou correr pelo quarto. Sua mãe esta se recuperando e mesmo estando desacordada não podemos fazer barulho.

– Ta bom papai. – o menino reponde já na porta do quarto.

Carlos Daniel abre a porta e eles entram. A cama de Paulina esta inclinada de modo que ela fique meio sentada. Carlinhos caminha devagar ate ela e olha para o pai.

– Posso abraçá-la papai? – ele diz com os olhos cheios de água.

– Claro meu filho, mas com cuidado.

Carlinhos abraça a mãe delicadamente e chora.

– Mamãe, mãezinha. – ele diz entre soluços.

Carlos Daniel vai ate ele e o puxa sentando no sofá com o menino no colo.

– Não Carlinhos, — ele diz enquanto algumas lagrimas caem pelo seu rosto – se você chorar eu também vou, e nós dois temos que ser fortes.

– Eu sei papai, — ele diz soluçando e abraçando forte o pai – mas é que ela parece que só esta dormindo, mas não consegue acordar não é?

–É sim meu filho. – Carlos Daniel diz beijando a cabeça do filho – Mas ela vai acordar.

Carlinhos balança a cabeça confirmando enquanto a camiseta do pai vai ficando ensopada com suas lágrimas.

Carlos Daniel fica com o menino no colo abraçado a ele e balançando enquanto não tira os olhos da esposa.

Patrícia entra no quarto.

– Carlos Daniel, vim buscar o Carlinhos. – ela diz indo ate a cama e passando a mão no rosto de Paulina – Ela esta tão serena, parece que só esta dormindo.

– É Patrícia, mesmo assim ela consegue ser tranqüila, não imaginava que Paulina fosse tão forte.

– Paulina é mesmo uma mulher surpreendente Carlos Daniel, vai ficar tão feliz quando souber que esta grávida.

– Vai mesmo, espero que se recupere logo, não suporto mais vê-la assim, sem se mexer.

– Acho melhor levar o Carlinhos embora. – ela diz olhando o menino que olha vazio o chão.

– Carlinhos, — Carlos Daniel diz afastando o filho para olhá-lo – vá para casa com sua tia Patrícia, amanha você volta.

Carlinhos olha para o pai e para a tia, desce do colo de Carlos Daniel e vai ate a mãe, ele passa a mão pelo rosto de Paulina a abraça e diz:

– Acorde logo mamãe, eu te amo mais que tudo. – ele da um beijo no rosto da mãe – Thau papai.

– Thau meu filho, — Carlos Daniel diz abraçando o filho – peça para Pedro te trazer amanha.

– Vamos Carlinhos, — Patrícia diz pegando na mão do menino – thau Carlos Daniel.

– Thau Patrícia, obrigado por estar ajudando a vovó com as crianças.

– Não é nada Carlos Daniel, é o mínimo que posso fazer por você e Paulina. – ela diz e vão embora.

Algumas horas depois, Carlos Daniel esta segurando a mão de Paulina e sente um leve aperto, ele olha para a esposa e vê uma lagrima descendo pelo seu rosto, a boca dela se meche um pouquinho e ela tenta dizer algo.

– Car... Carlos Daniel... – ela balbucia quase inauditivel.

– Meu amor eu estou aqui. – Carlos Daniel diz segurando a mão da esposa que aperta levemente a dele.

E então ela começa a abrir os olhos, Carlos Daniel já não segura as lagrimas.

– Meu amor, eu estou aqui, minha vida, volte pra mim.

Ela abre os olhos e aperta a mão na sua, Carlos Daniel quase grita de alegria, mas se contem e apenas a chama.

– Paulina, meu amor, estou aqui, bem aqui.

Paulina vira a cabeça e olha para ele meio confusa e então sorri e fala baixinho.

– Eu te achei. – então desmaia novamente.

Carlos Daniel a chama desesperado.

– Não, não Paulina, fique comigo, não me deixe de novo. – ele tenta acordá-la e as lagrimas caem pelo seu rosto descontroladas, ele aperta a campainha ao lado da cama – Meu amor, volte pra mim, preciso de você, volte meu amor, minha vida.

Rapidamente a enfermeira Luzia entra no quarto.

– O que aconteceu senhor?

– Ela acordou, e depois desmaiou.

– Ela acordou? – ela pergunta caminhando ate Paulina e abrindo os olhos dela – Eu vou chamar o doutor Lucio senhor.

Algum tempo depois o doutor Lucio entra no quarto.

– A quanto tempo ela acordou?

– Faz uns três ou quatro minutos doutor, ela falou comigo.

O doutor Lucio vai ate ela, abre seus olhos e ilumina uma lanterninha, depois ouve seu coração e confere seu pulso.

– Temos que esperar ela acordar novamente, mas ela esta bem. Ela fez mais alguma coisa alem de falar com você?

– Ela apertou minha mão doutor, e sorriu.

– É um ótimo resultado senhor, e não se preocupe, é muito normal os desmaios depois de um coma. Qualquer movimento que ela fizer me chame por favor, tenho que examiná-la acordada. – ele diz saindo do quarto.

Carlos Daniel não desgruda os olhos de Paulina, e espera ansioso por qualquer sinal que ela possa fazer, ele liga para Rodrigo e conta a novidade, depois de duas horas Paulina acorda.

Ela pisca rápido se acostumando com a luz, Carlos Daniel a olha sorrindo, ela abre a boca devagar e Carlos Daniel se inclina para perto dela.

– Carlos Daniel? – ela diz com dificuldade.

– Estou aqui meu amor, — ele responde apertando a campainha e pegando a mão de Paulina – você esta bem?

– Carlos Daniel eu... – ela começa a falar mas a voz vai sumindo

Doutor Lucio entra no quarto e vai examiná-la, e olha os reflexos dos olhos dela que estão ótimos ela ate tenta levantar a mão para se proteger da luz. Depois de algum tempo examinando-a ele diz sorrindo.

– Ela esta bem Carlos Daniel, um pouco confusa mas muito bem, tente chamá-la para a realidade.

– Como assim doutor?

– Converse com ela, mas não a canse muito, ela não pode se estressar. Nada melhor que ouvir a voz da pessoa amada quando se sai de um coma. – ele diz e vai para a porta – Vou deixar você com ela, se desmaiar de novo não se preocupe é normal. Agora eu vou me preparar para fazer alguns exames nela. – e o doutor sai do quarto.

– Paulina, pode me ouvir? – Carlos Daniel pergunta segurando a mão dela.

Ela aperta com força a mão de Carlos Daniel, pisca rápido e diz baixinho.

–Carlos Daniel.

– Meu amor, você não sabe a alegria que esta me dando.

Paulina vira a cabeça e encontra Carlos Daniel com os olhos cheios de lagrimas, ela o olha confusa e sorri. Carlos Daniel a beija suavamente nos lábios, nos olhos, na face. Aos poucos ela vai conseguindo falar.

– O que aconteceu? Minha cabeça esta confusa, você esta chorando?

– Esta tudo bem meu amor, agora esta tudo bem.

– Eu te amo tanto Carlos Daniel. – ela diz olhando para ele e sorrindo.

– Eu também meu amor, te amo muito, — Carlos Daniel diz e a beija – minha vida, me deixando tão feliz.

– Onde eu estou?

– No hospital meu amor, você foi atropelada não se lembra?

A testa de Paulina se enruga e ela leva a mão ate a cabeça, então ela olha assustada para Carlos Daniel.

– Leda. – ela sussurra.

– Você a viu?

– Vi, ela tentou me matar. – ela fala e lagrimas caem pelo seu rosto.

– Calma meu amor, esta tudo bem agora, por favor não fique nervosa, — ele diz limpando o rosto da esposa – e agora temos que nos preocupa só com nosso bebê que esta vindo.

– Bebê? – ela pergunta confusa.

– Você esta grávida meu amor, — Carlos Daniel responde sorrindo – por isso os enjôos e desmaios.

Paulina olha espantada para ele e leva a mão ate a barriga, Carlos Daniel coloca a sua em cima da dela.

– Grávida! – ela exclama alegre.

– Isso mesmo meu amor. – Carlos Daniel diz a beijando com ternura e paixão – Estou tão feliz por você esta bem.

– Quanto tempo estou aqui Carlos Daniel? – ela pergunta confusa.

– Três longos dias meu amor. – ele diz segurando suas mãos.

– E as crianças, a vovó, a fabrica... – ela diz ficando nervosa e tentando se levantar.

– Calma minha vida, — ele diz a segurando na cama – estão todos bem, agora esta tudo bem.

– Esta tudo tão confuso Carlos Daniel.

– Eu sei meu amor, você ficou três dias desacordada, — ele diz afagando sua mão – mas não fique nervosa, por favor.

Ela coloca novamente a mão sobre a barriga e olha Carlos Daniel sorrindo enquanto algumas lagrimas caem pelo seu rosto.

– Eu vou ter um filho seu.

– Paulina, não imagina como estou feliz, você vai me dar um filho meu amor. – ele diz e a beija suavemente.

Na mansão Bracho.

– Casa da família Bracho. – Lalinha diz.

– Lalinha sou eu, Carlos Daniel. – ele diz alegre.

– Senhor, parece tão contente.

– É que Paulina acordou Lalinha.

– Que boa noticia senhor, eu vou chamar a vovó Piedade.

Lalinha sobe correndo as escadas com o telefone na mão.

– Vovó Piedade, é o senhor Carlos Daniel. – ela diz sorrindo.

– Carlos Daniel, algum problema? – ela pergunta assustada.

– Não vovó, pelo contrario, Paulina acordou. – Carlos Daniel diz contente.

– Graças à virgem santíssima. – vovó Piedade diz sorrindo – E como ela esta?

– Esta ótima vovó, um pouco confusa, mas bem. Ela esta olhando pra mim e sorrindo.

– Será que posso falar com ela?

– Claro que sim vovó. – ele diz e entrega o celular para Paulina.

– Vovó Piedade. – Paulina diz.

– Paulina que alegria poder ouvir sua voz, você nos deu um grande susto.

– Me desculpe vovó, não queria deixá-los preocupados.

– Não tem que se desculpar, você não teve culpa de nada. Como esta se sentindo?

– Confusa vovó, muito confusa, mas feliz. – ela diz colocando a mão na barriga.

– Isso é normal, você ficou muito tempo desacordada.

– É sim vovó.

– Bom eu não vou te deixar cansada falando comigo, me passa para Carlos Daniel minha filha e que a virgem te proteja.

– Ta bom vovó, thau.

Paulina entrega o celular para Carlos Daniel.

– Vovó. – ele diz.

– Carlos Daniel, será que podemos ir amanha visitá-la? As crianças vão ficar doidas para ver a mãe quando souberem que ela acordou.

– Claro que podem vovó.

– Então ate amanha, e me mantenha informada.

– Pode deixar vovó, ate amanha.

Paulina logo adormece e o doutor Lucio a leva para fazer novos exames.

– E então doutor? – Carlos Daniel pergunta se levantando quando o doutor entra no quarto empurrando a maca com a ajuda de dois enfermeiros que transferem Paulina para a cama que continua dormindo.

– Bom senhor Carlos Daniel, os exames mostraram que ela vem tendo uma recuperação fantástica deixando todos nós espantados, e com o bebê esta tudo bem também.

– Que bom doutor, — ele diz sorrindo – e quando ela vai poder ir pra casa?

– Bom, ela vai ter que ficar por mais dois ou três dias de observação. Agora ela esta dormindo por conta dos medicamentos que aplicamos nela e ela vai dormir a noite toda, então te aconselho a fazer o mesmo porque esta precisando. – o doutor Lucio diz dando um tapinha nas costas de Carlos Daniel.

– Eu vou tentar doutor. – ele diz sorrindo.

Paulina dorme a noite toda, já Carlos Daniel acorda sempre assustado com o menor ruído que ela faça. No dia seguinte Paulina acorda e Carlos Daniel esta dormindo no sofá, ela sorri ao vê-lo dormir numa posição tão estranha.

A enfermeira Luzia entra no quarto.

– Já acordou senhora? – ela pergunta baixinho vendo Carlos Daniel dormir – Como se sente?

– Bem. – Paulina diz – Posso tirar isso do nariz? Esta me incomodando.

­– Bom, a senhora vai ter que ficar com ele por enquanto.

– Esta bem então.

– Vou trocar seu soro. – ela diz trocando o soro e olha pra Carlos Daniel – Seu esposo gosta muito da senhora, não foi dormir nenhuma noite em casa.

– Ele esta muito cansado, coitado. – Paulina diz olhando para ele – Tenho que convencê-lo a ir para casa dormir um pouco.

– Acho que vai ser impossível senhora, vou inclinar sua cama um pouco para ficar sentada. – ele diz mexendo na cama. — Esta sentindo alguma coisa?

– Não, só alguns enjôos, mas é por causa da gravidez. – ela diz colocando a mão na barriga.

– Vou pedir para o doutor lhe passar um remédio para acabar com esse enjôos. – ela diz saindo – eu volto já.

– Obrigada.

A enfermeira sai do quarto e entram vovó Piedade, as crianças, Patrícia e Rodrigo.

– Mamãe! – Carlinhos e Lizete diz e vão correndo para a mãe.

Carlos Daniel acorda assustado.

– O que aconteceu? – ele diz se levantando depressa enquanto o irmão, a cunhada e a avó sorriem da atitude dele – Ah são vocês.

– Mamãe que saudades. – Carlinhos diz abraçando a mãe.

– Eu também mãezinha. – Lizete diz subindo na cama e abraçando a mãe.

– Eu também meus amores. – Paulina fala abraçando os dois.

– Lizete, — Carlos Daniel diz bravo – desce já daí, você vai machucar sua mãe.

– Que bobagem Carlos Daniel, ela não vai me machucar. – ela diz enquanto Lizete se deita ao lado dela.

Vovó Piedade, Patrícia e Rodrigo se aproximam.

– Paulina, — vovó diz dando um beijo na sua testa – que alegria em vê-la acordada.

– É Paulina, — Patrícia diz sorrindo – nos deu um grande susto.

– É sim Paulina, — Rodrigo diz e brinca – não faça mais isso com agente, não sabe o trabalhão que Carlos Daniel nos deu, não querendo comer ou dormir.

– Obrigada por ter cuidado dele Rodrigo, — Paulina diz sorrindo e olha para Carlos Daniel – e imagino o trabalho que ele deu sim, teimoso como é.

– É verdade Paulina, — vovó diz – tive medo dele também ficar doente.

– Deveria ter ido dormir em casa Carlos Daniel. – Paulina diz seria.

– Eu não podia deixar você aqui sozinha meu amor. – Carlos Daniel diz olhando a esposa.

– E como você esta Paulina? – Patrícia pergunta.

– Estou bem Patrícia, só estou sentindo alguns enjôos, mas é por causa da...

– Enjôos? – Carlos Daniel pergunta interrompendo Paulina – Porque não disse antes eu vou chamar o medico.

– Carlos Daniel, — Paulina diz sorrindo – não precisa ,eu estava dizendo que é por causa da gravidez, e, a enfermeira já foi buscar um remédio.

– Vejo que Carlos Daniel te dará muito trabalho durante a gravidez Paulina, — Rodrigo diz sorrindo – ele esta assim por causa de enjôos.

– Nem me fale Rodrigo. – Paulina sorri.

– Vai ser uma menina mãezinha? – Lizete pergunta.

– Ainda não sei meu amor. Você quer uma irmãzinha?

– Quero sim mamãe, pra poder brincar comigo. E você Carlinhos quer que seja um menino?

– O que eu quero é que a mamãe volte logo pra casa Lizete. – Carlinhos diz e abraça a mãe.

– Eu também Carlinhos. – Carlos Daniel diz sorrindo.

A enfermeira entra no quarto com um copo com água e um comprimido.

– Aqui esta seu remédio senhora, – ela diz entregando para Paulina que pega e coloca na boca — com ele vai se sentir melhor rapidamente.

– Obrigada Luzia.

– Qualquer coisa é só chamar. – ela diz saindo do quarto.

– Bom acho que devemos ir embora agora. – vovó Piedade diz olhando os bisnetos – A mãe de vocês precisa descansar para voltar logo pra casa.

– É verdade vovó, — Carlos Daniel fala – Paulina não pode se cansar muito.

– Vamos crianças, — vovó Piedade diz – amanha agente volta para visitar Paulina.

– Ate amanha mamãe. – Carlinhos diz dando um beijo na mãe.

– Thau Carlinhos.

– Se despeça da sua mãe Lizete. – Carlos Daniel diz pegando a menina.

– Thau mãezinha. – ela diz abraçando a mãe.

Carlos Daniel a coloca no chão.

– Carlos Daniel, porque não aproveita e vai para casa descansar um pouco, — Paulina diz puxando o braço dele – você esta precisando meu amor.

– Não vou deixa-la sozinha Paulina.

– Carlos Daniel, se quiser eu fico com Paulina. – Patrícia diz.

– É meu amor, Patrícia pode ficar comigo. – ela fala e sorri – Você já se olhou no espelho? Esta com olheiras enormes.

– Não acho que seja uma boa idéia meu amor.

– Carlos Daniel deixa de besteira e vamos logo. Agora que Paulina esta se recuperando é você que quer ficar doente? Se continuar assim vai parecer um zumbi. – vovó diz.

– Eu estou tão mal assim? – Carlos Daniel diz sorrindo.

– Pode apostar que sim meu irmão. – Rodrigo diz irônico.

– Bom vejo que não tenho escolha, — Carlos Daniel diz se inclinando para beijar Paulina – não pretendo demorar muito meu amor.

– Pode ficar o quanto quiser Carlos Daniel, eu vou ficar bem. Agora vá.

– Ta bom minha vida, — ele diz dando mais um beijo nela – ate mais tarde então.

Patrícia fica com Paulina e lhe conta tudo o que aconteceu nos últimos dias. Depois do almoço a enfermeira volta com uma seringa na mão.

– Hora da injeção, — ela diz – mas essa eu vou colocar direto no soro. Ela vai te dar sono e é bem provável que você durma a tarde inteira.

– Bom, é o que eu mais tenho feito. – Paulina diz sorrindo.

A enfermeira aplica a injeção no soro e sai do quarto, e pouco tempo depois Paulina dorme e Patrícia aproveita para ir ate a cantina comer alguma coisa.

Quando Patrícia volta para o quarto encontra Paulina delirando.

– Mãe, mamãe, não me deixe. – ela diz angustiada — Não mamãe, não vá.

– Paulina, — Patrícia diz indo ate ela e colocando a mão na sua testa – meu Deus Paulina, você esta queimando de febre.

Nesse momento Carlos Daniel chega.

– Patrícia, — ele diz assustado vendo Patrícia com a mão no rosto de Paulina – o que ela tem?

– Esta com muita febre Carlos Daniel.

Carlos Daniel vai ate a esposa e coloca a mão na sua testa que esta muito quente e escorrendo de suor.

– Meu amor, — ele diz e olha Patrícia – ela esta muito quente.

Patrícia aperta a campainha.

– Mamãe, volta, não vá mamãe. – Paulina diz delirando.

– Paulina meu amor, acorde. – Carlos Daniel diz tentando acordá-la.

Nesse momento doutor Lucio entra no quarto.

– Algum problema?

– Ela esta ardendo em febre doutor. – Patrícia diz.

Doutor a examina.

– Não é nada grave senhor, — ele diz pegando no ombro de Carlos Daniel – é uma febre emocional, acontece muito com quem acabou de sair de um coma. Vou buscar um remédio para abaixar a febre.

Ele sai do quarto.

– Mãe, mamãe... – Paulina continua delirando.

– Paulina deve sentir muita falta da mãe Carlos Daniel. – Patrícia diz – Ela me disse que eram muito apegadas.

– Eram sim Patrícia, — Carlos Daniel diz segurando a mão de Paulina – imagino o quanto deve ter sofrido durante o tempo que se passou como usurpadora, sem poder contar com ninguém.

– É mesmo Carlos Daniel, Paulina é uma mulher muito forte. Outra no lugar dela não teria suportado.

Doutor Lucio entra no quarto.

– Me ajuda Carlos Daniel. – ele diz.

– Claro doutor. – Carlos Daniel diz enquanto ergue a cabeça de Paulina e o doutor lhe da o remédio.

– A febre vai abaixar, — ele diz – qualquer coisa é só nos chamar.

– Obrigado doutor.

Carlos Daniel fica ao lado de Paulina que as vezes delira em sua febre que logo começa a baixar.

– Pelo menos ela parou de delirar. – Patrícia diz algum tempo depois.

– É, e a febre esta abaixando. – Carlos Daniel diz passando a mão no rosto de Paulina.

Ele se senta ao lado de Patrícia.

– Obrigado Patrícia, — ele diz gentil – você é mesmo uma grande amiga para Paulina.

– Não tem como não ser, Paulina é um amor de pessoa e sempre foi muito gentil comigo, desde quando chegou na mansão como Paola.

– É, — ele diz e olha para a esposa – Paulina chegou na nossa casa tão doce, gentil, compreensiva. Ainda me sinto culpado por ter duvidado dela.

– Você estava muito confuso Carlos Daniel, não tem que se sentir culpado.

– Ainda bem que você e vovó Piedade sempre estiveram ao lado dela. Obrigado mais uma vez Patrícia.

– Que isso Carlos Daniel, mas e você? Conseguiu descansar? Parece bem melhor.

– É eu dormi um pouco, e confesso que estava mesmo precisando.

Algum tempo depois Patrícia vai embora, Paulina já esta sem febre e Carlos Daniel a observa dormir.

Quando ela acorda Carlos Daniel a beija apaixonadamente ficando ambos sem ar.

– Me desculpe meu amor, — ele diz se afastando e vendo que ela esta sem fôlego – mas é que não consigo me controlar.

– Tudo bem meu amor, eu estou bem. – ela diz sorrindo – Eu tive um sonho estranho com minha mãe. Cadê Patrícia?

– Foi embora, — ele diz pegando a mão de Paulina – quer me contar sobre o sonho?

Paulina conta sobre o sonho que teve com a mãe, no sonho ela era criança e a mãe a deixava sozinha indo embora para longe no mar.

– Acho que o fato de estar grávida me fez pensar muito em minha mãe. – ela diz triste – Sinto muita falta dela. Quando ela morreu eu fiquei sozinha até Paola fazer eu...

– Eu sei meu amor, — ele a interrompe — não precisa falar disso agora, e você nunca mais vai estar sozinha.

Carlos Daniel a beija novamente, mas com mais cuidado. A enfermeira volta pro quarto com outro remédio e Paulina volta a dormir.

No dia seguinte vovó Piedade, as crianças e Patrícia visitam novamente Paulina, e no outro dia bem cedo.

– Paulina, — doutor Lucio diz entrando no quarto – tenho uma boa noticia para você.

– O que é doutor? – ela pergunta olhando para Carlos Daniel.

– Você já pode ir para casa.

– É serio doutor? – Carlos Daniel pergunta sorrindo.

– Claro que sim senhor, só vai ter que seguir algumas recomendações.

– Que recomendações doutor? – Carlos Daniel pergunta.

– Bom, primeiro de tudo devera ficar de repouso nos próximos dias, e nada de se esforçar ou pegar peso nas próximas duas semanas. – ele diz olhando para Paulina.

– Duas semanas doutor? – Paulina se queixa.

– E essas duas semanas é de repouso D. Paulina. – ele diz e olha sorrindo para Carlos Daniel – E quando digo repouso estou me referindo também a... bom você me entendeu não é Carlos Daniel?

– Ah! Entendi sim doutor — Carlos Daniel responde sorrindo enquanto o rosto de Paulina fica um pouco corado.

– E nos próximos dois meses você não devera se estressar nem se esforçar muito, sua gravidez esta no começo e os primeiros meses são os mais importantes.

– O bebê corre algum riso doutor? – ela pergunta assustada.

– Não senhora, esta tudo bem com ele, e você devera se alimentar bem, tomar sol por pelo menos 15 minutos no período da manha ou de tardezinha. E devera também seguir a risca os medicamentos que irei te passar.

– Não se preocupe doutor, eu vou fazer tudo para que ela siga todas as suas recomendações. – Carlos Daniel diz segurando a mão de Paulina.

– Bom, vou deixá-los a sós, podem ir para casa agora mesmo.

Carlos Daniel ajuda Paulina a se arrumar e recolhe suas coisas no quarto, ele liga para Pedro que não demora muito e chega para buscá-los.

– D. Paulina, — Pedro diz sorrindo – que bom que se recuperou.

– Obrigada Pedro. – ela diz sorrindo e vão para o carro.