Notas iniciais
Título retirado da música: Are you gonna be my girl? - Jet

O despertador tocou, mas meus olhos já estavam abertos, fixados num ponto qualquer do teto de meu quarto, desliguei-o e me levantei pronto para assumir a rotina que eu abandonara no período das férias, caminhei até o banheiro e acabei por esbarrar com Camille no meio do caminho, havíamos conversado muito nos últimos dias, como de costume, mas nada falamos sobre aquele único beijo que trocamos. Vendo que sua intenção era a mesma que a minha declarei que usaria o banheiro de meu pai e rumei para o lado oposto do corredor, o Sr. Walker, por sua vez, saíra cedo para o trabalho, deixando a casa livre para nós. Entrei em seu banheiro e me dirigi para a ducha quente que me aguardava, banhei-me rapidamente, apenas por habito, parei na pia e escovei meus dentes e quase já saia, sem me importar com outros cuidados quando a imagem no espelho chamou minha atenção, pisquei algumas vezes e fitei meu próprio rosto, havia algo de estranho, algo que não era meu.

Minha pele estava mais pálida que o usual e havia grandes olheiras sob meus olhos, resultado da insônia que me perseguira todo aquele mês e a falta de sol, minha barba estava por fazer e meus cabelos, louros e lisos como palha, haviam crescido mais do que eu me lembrava, a franja ameaçando tampar minha visão, o comprimento quase a baixo do pescoço, balancei-os sem vontade de usar um pente e continuei a olhar fixamente para o espelho, para aquele meu eu doentio, pisquei algumas vezes, em minha mente eu me perguntava quando eu parara de me importar com minha aparência, mas fui incapaz de achar uma reposta ou uma razão para voltar a me importar, dirigi-me para meu quarto e vesti um jeans e uma camiseta qualquer, sentei-me no sofá e fiquei a esperar Camille, logo ela apareceu, mais linda do que eu já vira, usava um vestidinho bege de verão e sapatilhas que combinavam, seus cabelos escuros caiam molhados pelas costas e havia algo diferente em seu rosto, algo que lhe dava um ar de maior idade, demorei alguns segundos para notar que era a maquiagem que lhe dava aquele ar de mulher.

Ela sorriu para mim, deliciada com meu olhar embasbacado.

– Vamos? – Camille chamou e eu me limitei a assentir e sair do apartamento em direção ao elevador, o caminho até a escola foi de certo modo tenso, ao menos ao meu ponto de vista, no carro reinava um silêncio incomodo, eu queria dizer algo a ela, queria explicar que gostava dela, que aquele nosso beijo não fora só um lapso de sanidade, não é? Mais do que tudo queria assegurá-la de que ela significava algo para mim, mas me faltavam palavras, não existiam padrões aos quais eu poderia comparar aquela exótica francesa, não havia como saber a forma correta de agir perto de Camille.

Estacionei na minha vaga usual e sai do carro, o sol já brilhava sobre os jovens da TF High, fitei aqueles rostos familiares e subitamente senti-me como um intruso em meio aquelas expressões sorridentes, havia me esquecido como me portar socialmente, como cumprimentar com tapinhas nas costas e papear sobre o tempo, notei então que algo mudara, pela primeira vez em um mês percebi que meu comportamento ímpar nada mais era do que estranho, notei então que eu já não era a mesma pessoa de antes. Em qualquer outro dia eu teria corrido para perto de meus amigos, aqueles que eu ignorara o mês inteiro para passar apenas tempo com Camille, teria feito piadas e divertido a turma, como era de meu feitio, eu era o garoto animado, o palhaço da turma, mas uma olhada rápida no espelho retrovisor foi o suficiente para frisar que eu não era mais aquele garoto.

– Você pode me mostrar onde fica minha sala? – Camille se achegou para perto de mim, havia me esquecido dela em minha crise existencial, fitei-a com pura curiosidade, tentando achar sentido em minhas realizações recentes, ali estava Camille, parecendo puramente comum enquanto olhava para os alunos que se dirigiam a entrada, seus olhos brilhavam levemente em animação, havia um sorriso contido em seus lábios rubros pelo batom e eu tive que me controlar para não jogá-la dentro do carro e fugir dali enquanto podia. Num estalo de sanidade me recompus e ofereci meu braço para que ela o segurasse, Camille o aceitou, aparentemente sem notar nada de errado comigo.

Mais do que logo eu estava entregando-a a sua nova sala de aula, tentando achar motivos para não deixá-la entrar tão rápido. Estávamos parados a porta, ela mexia em seus longos cabelos castanhos, tomada de uma timidez que não lhe era comum, olhava para todas as direções com seus enormes olhos curiosos, olhando para todos os lados, exceto para mim, que a observava, tomado de uma fascinação tamanha.

– Camille? – Chamei-a quando soou o sinal, eu teria que correr para chegar a minha sala a tempo.

– O quê, Connor? – Perguntou-me ela, encarando-me toda inocente.

– Cuide-se. – Murmurei, embora ambos soubéssemos que não havia real perigo em uma aula de inglês, acariciei sua bochecha levemente e beijei sua testa, me virei e fui embora sem esperar para ver sua reação.

Ao chegar a minha sala me deparei com mais rostos familiares, algumas pessoas acenaram para mim, mas eu não me incomodei em correspondê-las, não estava com cabeça para aquilo, sentei-me na carteira mais solitária que pude encontrar e me coloquei a pensar sem conseguir prestar atenção na voz anasalada da velha professora de história.

Foi necessário que eu fizesse um grande esforço para simplesmente não levantar e ir ao encontro de Camille, invadir sua sala e exigir sua atenção, porque ela me pertencia, afinal, ela viera como um presente para mim, o destino se encarregara de colocar a francesinha em minha vida, como se tudo não passasse de um grande plano arquitetado por Deus, Camille viera para ser minha, então era minha responsabilidade protegê-la de todos os outros. Ela era demasiado frágil e pequena, cheia de encanto e doçura, como uma rara chuva fina em meio ao verão, que nos trás alegria com seu mero toque, eu quase podia sentir o calor de seu corpo em meu peito, já havia decorado a sensação de niná-la, sua presença ficara gravada em mim e eu jamais poderia me esquecer de seu toque, eu já não me lembrava como era a vida além Camille Roussel.

A cada passo que eu dava em sua direção me distanciava um da sociedade.

Quem eu fora antes dela? Empaquei nessa duvida tentando me lembrar do que eu estava fazendo há pouco mais de um mês e me lembrei com exatidão do dia antes de meu aniversário, eu e meus amigos saímos para comemorar, Sean e Julian, dois grandalhões do time de futebol que costumavam andar comigo, me arrastaram para um velho bar na saída da cidade, o lugar tinha um ar de liberdade que adorávamos, entre bebidas e flertes com garçonetes mais velhas que facilmente acreditavam que tínhamos idade suficiente para beber passamos a noite, o lugar tinha música ao vivo, só uma garota com seu violão, mas nós não poderíamos querer mais, nos divertíamos com as coisas mais simples e eu acabei cheio de saudades dessas nossas noites.

Quando o sinal bateu, eu saí imediatamente da sala com a intenção de procurar meus velhos amigos, avistei-os perto do bebedouro, fazendo piadas e rindo alto, pensei em me aproximar, mas simplesmente não pude, não saberia o que dizer, não me sentia mais parte desse estilo tão leve de vida, eu havia sido tomado por sombras inexplicáveis, fora condenado ao isolamento social, nada disso me pertencia mais.

Acabei por fugir como um covarde, quando vi que eles notaram minha presença e faziam menção de se aproximar, virei-me como se não tivesse passado os últimos minutos os encarando e corri, esbarrando em uma ou duas pessoas pelo caminho, mas não me importei, corri como um menino assustado o que era meio irônico dado ao fato que eu, com todo meu tamanho, era quem deveria meter medo nas pessoas.

Só parei ao notar onde havia chegado, estava no campo poliesportivo, eu poderia mentir para mim mesmo e dizer que acabara ali a procura de ar fresco, mas no fundo da minha mente eu sabia que estava procurando Camille, eu me lembrava de ter visto em seu quadro de horários que ela teria dois tempos de educação física antes do almoço então ela só poderia estar ali e eu precisava vê-la, era tudo que eu precisava fazer para que nada mais importasse.

Faltavam ainda alguns minutos para o inicio de sua aula então resolvi surpreendê-la, seu vestido havia sido trocado por um short preto e uma regata vermelha, ela estava inclinada amarrando seu tênis que substituíra as sapatilhas, completamente alheia a minha presença quando cutuquei seu ombro, ela se assustou com o toque e virou-se para ver quem chamava sua atenção, ela sorriu imediatamente ao perceber quem era seu perturbador.

– Connor, o que faz aqui? – Perguntou ela, mas eu hesitei em responder, demasiado distraído com sua aparência atual, seu cabelo que eu me acostumara a ver solto estava agora num rabo de cavalo, achei-a ainda mais bonita deste modo, se isso fosse possível, seu pescoço me tentando.

– Gostaria de falar com você, por um minuto. – Pedi, quando me lembrei que ela esperava uma resposta.

Camille olhou em volta, poucos eram os alunos que já estavam prontos como ela, a maioria ainda enrolava nos vestiários e não havia sinal algum do treinador então ela consentiu e me seguiu para trás das arquibancadas.

– Diga, Connor. – Incentivou ela, inocentemente.

– Você fica muito bonita assim. – Sorri, evitando o assunto e aproveitei para colocar uma madeixa solta de seu cabelo atrás da orelha, ela pareceu sofrer um calafrio, ficamos em silêncio por um tempo que me pareceu muito longo, nossos olhos presos um no outro, havia tanto em seus olhos famintos, eu me arriscava a dizer, tanto que eu não compreendia e me fascinava, ficamos presos nisso por minutos intermináveis até que ela quebrou o contato, embaraçada.

– Eu deveria ir. – Murmurou ela.

– Não ainda. – Pedi e me aproximei mais um pouco, encurralando-a contra a parede. Não existiam palavras que eu pudesse usar, não havia explicações coerentes, apenas a necessidade insistente em meu peito que eu a tocasse, sem mesmo que eu tivesse consciência do que fazia envolvi sua cintura curvilínea e a acariciei.

– Connor. – Sussurrou ela, como um chamado, um convite, ou assim decidi interpretar, então eu me inclinei instintivamente para frente e ela, subindo à ponta dos pés, beijou-me.

Seus lábios se entreabriram de forma acanhada, a princípio. Insisti gentilmente até que ela se entregou, nossas línguas travavam uma dança ritmada e quente, cheia de desespero, não era como nosso primeiro beijo, aquele que não passou de um toque de lábios e não teve significado algum, dessa vez eu sabia bem o que eu queria, queria a garota em meus braços, pelo maximo tempo que eu pudesse ter, subitamente percebi, eu estava me apaixonando por Camille, esse era o sentimento que me confundira até agora. Ou ao menos rezei para que assim o fosse, que não passasse disso a sensação de anormalidade.

Puxei seu corpo de encontro ao meu, quebrando a pouca distância, todo pequeno espaço parecia-me demasiado grande entre nós, ela envolveu meu pescoço, tomada do mesmo sentimento que eu, quando nossos beijos tornavam-se mais intensos e provocativos, misturados a mordidas leves, separei nossas bocas e passei a trabalhar em seu pescoço, preocupando-me em não lhe causar marcas permanentes, mas também em agradá-la, coisa que eu sabia que estava fazendo bem pelos seus murmúrios baixos em meu ouvido.

– Connor, pare. – Pediu ela, a voz tão fraca e descontrolada que embora eu não quisesse eu tive que parar para rir.

– Ah, Camille. – Murmurei sorridente, ela bufou, mas não conseguiu manter a expressão séria por muito tempo, logo sorria como eu, nossos olhos novamente conectados e quando eu ameacei beijá-la novamente ela pousou sua mão em meu peito para me conter.

– Não. Eu preciso ir, devo estar atrasada já. – E como em como em confirmação à suas palavras a voz do treinador ecoou em nossos ouvidos dando ordens aos seus alunos. Eu sabia que ela não mataria aula em seu primeiro dia em uma escola nova. Suspiramos em conjunto.

– Vai lá. – Murmurei descontente, embora meus olhos implorassem pelo contrario, Camille soltou um resmungo em desistência e avançou sobre mim e entre risadas nossos beijos retomaram a mesma voracidade até que ela me empurrou insistentemente e saiu correndo, mas se virou, com o sorriso mais puro nos lábios, só para gritar sobre os ombros:

– Te vejo na hora do almoço!

Com as mãos nos bolsos e uma paz no peito caminhei na direção oposta da menina, minha menina, quis gritar, mas me contive, não seria bom ser flagrado matando aula, me esgueirei para o topo das arquibancadas, próximo a alguns alunos que tinham período livre e se aproveitavam do sol e da visão dos esportistas mais a baixo, mas para mim apenas uma era interessante, me concentrei em observar Camille em seu treino, ela fazia uma audição a fim de se juntar as líderes de torcida e na frente delas se exercitava, exibindo movimentos os quais eu não sabia que ela era capaz de executar.

Camille Roussel parecia-me sobrenatural demais perto das outras garotas, a forma como se movimentava e sorria, como arrumava aquela madeixa que lhe insistia em perturbar a visão e até como umedecia os lábios e batia as pestanas concentrada antes de fazer algum movimento particularmente elaborado, assombrava-me a forma que ninguém mais parecia notar isso, ou talvez Camille fosse nada a mais do que uma garota comum que aos meus olhos tornava-se tão tentadora quanto Lolita era para Humbert Humbert.

A morena se afastou, dando espaço para a próxima aspirante a líder de torcida, aproveitando para tomar um ar e soltar o cabelo, ao passo que os fios marrons caiam-lhe sobre os ombros ela se metamorfoseava na mais linda das ninfas.

Sua pele assumira um tom prateado, uma deusa metálica dos cabelos negros, tão brilhosos a luz solar, castanhos vivos que subitamente passavam das costas e alcançavam os pés, a cada centímetro que seu cabelo descia o resto da imagem também mudava. Seu corpo outrora vestido ordinariamente agora era coberto por flores silvestres, cores fortes como amarelo, vermelho e verde misturavam e borravam-se, confundindo minha visão, tornando tudo misturado, brilhoso e confuso demais.

Seu rosto exibia uma beleza etérea, a pele prateada destacava os orbes castanhos e puros e sobre eles os cílios mais longos e grossos que eu já vira, piscando dissimuladamente, seus lábios sorriam de forma demoníaca, um perfeito contraste em seu rosto entre o pecaminoso e o divino, isso bastou para que eu notasse que não havia apenas bondade em Camille, não naquela sua versão, pelo menos, onde um lado seu que ou não existia ou ela escondia muito bem, transparecia tão facilmente, fiz uma nota mental para procurar por mais sinais disso futuramente, mas me distrai facilmente da ideia quando desci meus olhos para seus pés, onde o vento balançava as pontas de longos cabelos castanhos.

Subi o olhar lentamente, gravando em minha mente cada tom de cada flor que tocava sua pele platinada, como as mechas de seu cabelo ondulado caiam sobre seu corpo, como sobrenaturais pareciam sua boca e seu nariz naquele tom de prata e por fim me deparei com seus magnéticos olhos, que concentrava mais beleza e mistério naquele momento do que eu jamais vira, até que ela piscou e então a magia havia sido desfeita.

Camille notara minha presença e acenava, parecendo-me estupidamente comum com os cabelos medianos, a vestimenta de ginástica e a pele levemente corada pelo sol e suor, antes de prender o cabelo e voltar para junto de suas companheiras, embasbacado observei-a, procurando por mais da deusa que eu admirava ainda há pouco, olhei em volta, ninguém parecia ter visto o mesmo que eu, ninguém que tivesse visto aquilo poderia estar agindo tão indiferentemente como todos a minha volta faziam.

Estava tudo em minha cabeça, uma alucinação, a ideia me atemorizou, eu não estava louco, não podia, não agora que eu a tinha, – louco agora que eu a tinha – associei em minha mente, seria Camille o motivo de tudo? Procurei-a entre as outras garotas, não podia, não com aquele sorriso tão puro que ela ostentava na face, qualquer vestígio de maldade que havia na deusa desaparecidos, então ignorei a ideia, era absurdo que Camille pudesse causar mal a alguém.

O sinal soou e eu me dirigi até Camille só para me deparar com ela batendo um papo animado Sean, encostados na mesma parede onde há pouco tempo eu e Camille nos beijávamos, enquanto caminhava tentei pegar o assunto da conversa.

– Então, ouvi dizer que você entrou pras líderes de torcida. – Dizia ele, virado na direção da garota, mais perto do que uma conversa normal exigia, sorrindo aquele velho sorriso de predador que eu bem conhecia, armado com sua jaqueta do time de futebol americano que era o sonho de toda garota.

– Pois é. – Camille deu trela, sorrindo de uma forma tão inocente que me irritou.

– Parabéns. – Ela a congratulou, arrumando a mexa que caia sobre os olhos da garota. Não pude suportar isso, vê-lo repetir o mesmo ato que eu, como Camille podia sorrir para aquilo?

– Sean. – Grunhi, para me fazer ser notado, funcionou, ambos me olhavam com sorrisos falsos no rosto.

– Cara, quando tempo, como você...

– Fique longe dela. – O interrompi, entrando na frente de Camille, que me encarava perplexa.

– O quê? – Perguntou ele abobalhado, como se há segundos a trás não estivesse flertando descaradamente com a minha francesinha.

– Está avisado. – Ameacei olhando-o profundamente nos olhos, fiquei grato pela minha alta estatura naquele momento que me proporcionava ser uma das poucas pessoas que podia meter medo no jogador.

– Você mudou, Walker. – Disse ele balançando a cabeça. – Não vou mais mexer com a sua garota. – Declarou, levantando as mãos como quem se rende e saiu.

– Vamos Camille. – Chamei, puxando-a pelo pulso, ainda exasperado por ela ter permitido aquilo.

– Não. – Disse ela, seus olhos tomados de irritação. – Você não pode mandar em mim, não sou sua propriedade. – Camille se controlava para não gritar em sua indignação.

– Claro que é. – Disse eu, preenchido de certeza.

– Não, Connor, não sou. – Disse ela pausadamente e tão grosseira que mal a reconheci, ela se virara contra mim afinal, agora que ela podia ter outros adoradores, muito mais bem dotados, por que ela iria querer a mim?

– Ela não precisa mais de você. – Alguma garota próxima debochou e riu musicalmente.

– Claro que precisa. – Gritei, olhando em volta, procurando quem me provocava, mas não havia ninguém no meu campo de visão além de Camille que me olhava num misto de horror e compreensão.

– Oh, Connor. – Murmurou ela sua mão vindo em direção ao meu rosto, afastei-a com um movimento brusco, sem entender sua repentina mudança de comportamento.

– Vai vir comigo, não vai? – Pedi, mais calmo e dócil, o monstro dentro de mim contido.

– Desculpe-me, Conn, mas preciso resolver umas coisas com a capitã das líderes de torcida, sobre minha entrada e tal... – Desconversou ela e após hesitar se inclinou o maximo que pode para beijar meus lábios, por alguns segundos apenas ficou olhando para mim, ameaçando dizer algo mas ficando calada ao invés, fungou e então saiu, o passo apressado, indo em direção as outras meninas.

Rodei sobre os calcanhares e fui à direção oposta, caminhando pelos fundos solitários da escola, tomado de ódio.

Por que Camille estava fazendo isso comigo? Eu que a cuidara dela quando estava perdida e carente, eu que fora tudo que ela precisara pelo último mês, tão curto e tão longo ao mesmo tempo, eu, eu que perdera minha própria identidade para me tornar tudo o que ela precisava. Não havia mais Connor Walker, o rapaz, apenas Connor de Camille, eu voltara minha existência para ela e agora ela me apunhalava pelas costas. Eu não era mais necessário, dissera alguém.

Sentei-me sob uma arvore qualquer, esmagando a terra com meus dedos e meus pensamentos com as palavras de Sean, eu havia mudado e a culpada era uma só, a exótica francesa Camille Roussel.

Com seus sorrisos cativantes, olhos grandes e carentes, corpo pequeno tão necessitado de proteção, Camille toda feita para mim, para me enlouquecer.

E foi então, longe de todas as pessoas, que eu ouvi novamente aquela mesma voz, reconheci o timbre e intensidade da voz musical e quase cantada que se projetava em minha mente, apresentando a solução para todos os meus problemas:

– Você tem que matá-la. – A voz disse e eu não me preocupei em responder minha própria mente perturbada.

Notas finais
Olá, fantasminhas!
Devo dizer que é imperdoável minha demora em escrever esse capítulo, mas sinceramente espero que encontrem no fundo de seus corações a bondade e a compreensão para me perdoar... T_T
Quero que entendam que, A Trágica História de um Homem Louco (porra, que titulo longo --), é meu bebê, sabe, tem que estar tudo perfeito, cada linha se não, não posto e pronto, é demorei dois meses pra escrever um capítulo, mas gostei do resultado final e espero, de todo meu coração, que vocês gostem também.
Devo confessar que um dos motivos da minha demora foi a completa ausência de reviews no último capítulo, é, eu sei como os originais são pouco reconhecidos e blá, blá, blá, mas sou uma escritora carente que tem a necessidade de pelo menos saber que está agradando um leitor, é, só um, ao menos, se não qual é o sentido de tornar isso público se ninguém vai ler?
Não digo que vou abandonar o conto se não tiverem reviews, também não sou dramática assim, mas deixo claro que, é verdade o que dizem, reviews aceleram a capacidade criativa do escritor.
Sem mais, beijos enormes aos meus queridos fantasminhas e até a próxima.
PS: Sinceramente espero que a próxima chegue logo. Rs
PS²: Critiquem-me, por favor.