A Triste Felicidade
5 Capítulo 5: O encontro
Notas iniciais
Alan acordou assustado, ele ouviu o seu nome sendo chamado de longe. Anelice aparentemente não estava em casa, Alan pegou o celular e se espantou ao ver que horas eram, 12:58. Ele se arrumou rápido e foi em direção a porta da casa, em cima da mesa havia um bilhete mas Alan não o leu, pois estava atrasado. Quando saiu de casa Cat estava em frente ao seu portão, era ela que chamou por seu nome anteriormente:
—Apareceu!
—Desculpa, foi mal.
—O que aconteceu para você não ter ido para a aula ontem?
—Eu... Estava doente, tive que ir ao hospital.
—Ah bom, engraçado que o Mike faltou ontem também e ele me disse a mesma coisa, isso tem algo a ver?
—Não de jeito nenhum, e agora é melhor nós corrermos pois o sinal da aula está quase batendo!
Os dois saíram correndo no meio da rua até a escola, o céu estava cinza meio nublado, Alan percebeu isso. E percebeu também que Cat estava desconfiada dos acontecimentos do dia anterior, mesmo não sendo uma boa desculpa ele achou que tinha se safado dessa.
Triiiiiiim- o sinal de entrada bateu, Alan e Cat tinham acabado de chegar, eles conseguiram ver Mike entrando na sala. Quando entraram todos já estavam sentados e a professora Marília fazia a chamada, Ela olhou eles com uma cara séria e disse:
—Só dessa vez.
Alan ficou com tédio da aula de Marilha e quase dormiu, Cat prestava bastante atenção e tentava bajular a professora já que ela tinha livrado os dois de uma suspensão, Mike não estava prestando muita atenção na aula, ele sempre olhava para o teto e sorria pensando em algo. Depois dessas aulas o sinal do intervalo bateu, Alan, Cat e Mike sentaram-se em um banco e conversaram:
—Então, por que vocês quase chegaram atrasados hoje? Perguntou Mike.
—Eu fiquei esperando o Alan ele demorou muito para sair de casa hoje. Respondeu Cat.
—É que eu estava doente ontem tive que ir ao hospital, eles me deram um remédio para dormir e eu só acordei aquela hora. Disse Alan.
—Que estranho, eu também fiquei doente ontem e tive que ir ao hospital. Falou Mike.
—E vocês não se encontraram? Questionou Cat.
—Não de jeito nenhum! Respondeu Mike.
—Vocês devem ter ido em horários diferentes então, que inconveniente! Disse Cat.
O sinal bateu para o retorno, a situação entre os três estava estranha, por isso eles não se falaram durante o resto das aulas até a saída. Tudo continuou normal, Mike entrou em um carro e Alan e Cat foram caminhando. Por todo o caminho nada foi dito, até que Cat se despediu:
—Tchau Alan, te vejo hoje às 18:00 na pracinha!
—Tchau, te vejo lá.
Alan entrou em casa, Anelice já estava lá:
—Oi Alan, você leu o meu bilhete?
—Não, que bilhete?
—Essa que eu deixei em cima da mesa, sobre eu ter saído hoje de manhã, eu levei a cadelinha ao pet shop.
—Entendi, Anelice eu vou na pracinha com uma amiga, ok?
—Ok, se divirta!
Alan se arrumou bem, passou perfume, penteou o cabelo, estava até usando uma camiseta que deixava sua cicatriz a mostra. Ele saiu de casa 20 minutos antes para dar tempo de chegar. Quando chegou lá Cat ainda não tinha chegado, ele ficou observando o céu nublado até que um carro parou em frente a praça, Cat desceu daquele carro, ela estava diferente do convencional, estava com o cabelo solto, vestindo uma saia e uma blusa cinza, calçando uma rasteira e tudo:
—Oi Alan, tudo bom?
—Oi Cat, você tá diferente, tipo bem diferente!
—Aí diferente como, bom ou ruim?
—Calma é um diferente bom!
—Ah que bom! Você quer ir alí na Sorveteria que a gente vai amanhã?
—Eu não trouxe dinheiro, deixa para amanhã mesmo.
—Então, sobre você e o Mike terem faltado ontem, aquilo não passou de uma coincidência, né?
—Sim, apenas uma coincidência.
—Aí sei lá, mas de uns tempos para cá eu sinto que o Mike não tem contado tudo para mim, igual a você...
Um silêncio ficou entre a conversa, um silêncio que pouco a pouco foi preenchido com gotas de chuva:
—Mas, bem que se eu estou certa, você poderia me contar tudo agora!
Cat fechou os olhos e se aproximou de Alan, ela abriu a boca levemente enquanto segurava as mãos de Alan:
—Cat... Cat não é assim, eu acho que você entendeu tudo errado.
—Entendi errado? Respondeu Cat largando com força as mão de Alan.
—É, eu pensei que isso fosse apenas um encontro de amigos.
Os pingos de chuva começaram a aumentar aos poucos:
—NÃO, não você só pode ter entendido errado!
—An?
—Eu, eu tento fazer isso desde que a gente se conheceu, mas você nunca pareceu prestar atenção em mim. E a idiota aqui pensava que você era tímido, só precisava de um empurrão, e eu fui lá e dei para chegar aqui e você fazer isso?
—Cat não é bem assim você é inteligente é linda...
—NÃO venha com esse papo Alan, você mentiu para mim esse tempo todo, você tinha me dito que não era gay!
—Mas eu não tenho certeza disso.
—AH e você não poderia ter me falado, tinha que me fazer de palhaça por uma semana! Eu acreditei em todas as suas mentiras mesmo que tudo provasse o contrário, eu fui uma tonta!
—Mas tenta entender Cat, a culpa não é minha!
—Como não? É de quem então? Do Mike? Ele também tá envolvido nisso? Ontem vocês fizeram algo sem me convidar não foi? Você é um babaca Alan! Cat desabou em choro.
A chuva aumentou gratificantemente, o que eram lágrimas e o que eram gotas de chuva no rosto de Cat não dava para se dizer. Os dois ficaram sem reação enquanto a chuva os molhava por inteiro:
—Mas eu também não podia beijar alguém que eu conheço á apenas uma semana.
—Ok, eu entendi. Disse Cat parando de chorar.
Alan e Cat saíram correndo em meio a chuva. Alan olhava para Cat se sentindo mau por isso, todo o tempo que ela gastou para se arrumar para o encontro tinha sido desperdiçado pelo fora de Alan e pela Chuva. Perto da casa de Alan Cat disse:
—Eu passo aqui as 15:00 amanhã. Disse Cat sem ao menos se despedir.
Alan ficou parado do lado de fora da casa vendo Cat correndo na chuva e desaparecendo de sua vista.
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