A Triste Felicidade

6 Capítulo 6: Amor e luar


Notas iniciais
A chuva de meteoros, um evento que ficaria para sempre na memória de Alan

Alan não dormiu essa noite, estava sentido pelo dia anterior, o que havia acontecido com Cat não saía da sua cabeça, as lágrima dela pareciam eram as lágrimas dele quando pensava nela. Alan já tinha se machucado muito com o acidente e machucar alguém não era algo que ele gostaria de fazer com outras pessoas.

Mesmo assim Alan ainda estava feliz, ele pensava que hoje poderia ser bom dia para todos, ele se desculpados com Cat, esqueceria o acidente e a chuva de meteoros seria um dia inesquecível em sua vida. Ele então foi se arrumar.

A casa estava um total silêncio quando Alan saiu do banho, às 07:00. Ele se olhou no espelho, e pela primeira vez não via a cicatriz daquela noite, mas sim uma nova pessoa com a chance de recomeçar tudo novamente. Alan foi para o seu quarto e sentou na cama, ele olhava fixamente os minutos passarem em seu celular. Eram perto das 09:40 quando Alan ouviu um barulho na cozinha, então ele foi lá ver:

—Anelice?

—Alan, que susto. O que faz acordado essa hora?

—Estava me arrumando para sair com os meus amigos!

—Sair?

—Sim, Hoje é a chuva de meteoros!

—Ah é verdade.

—E você o que veio fazer aqui?

—Vim colocar comida para a cadelinha.

—A Cotton!

—Quem?

—Cotton Candy, foi o nome que a minha amiga deu para a cadela.

—Essa sua amiga é a que você saiu ontem?

—Essa mesmo.

—Entendi. Olha Alan eu vou no centro, volto perto do 12:00 com a comida, ok?

—Ok.

Alan então pegou Cotton e a levou para o quarto. Ele estava entediado, então decidiu vasculhar o seu armário e acabou achando um livro, uma das poucas coisas que ele salvou do acidente. O livro ainda estava em perfeito estado, a não ser pelas lágrimas que Alan acabará de derramar em cima dele. O livro em questão contava a história de um sapo que se perde da sua família, mas no final ele não os acha novamente. Alan releu o livro pelo menos umas 50 vezes até a hora em que Anelice chegou, "O almoço está na mesa" dizia ela, Alan foi até lá:

—Alan, que cara é essa?

Alan mostrou o livro e disse:

—Foi a única coisa que sobrou.

—Não fique assim, aquilo foi uma tragédia. Coma vai te fazer bem.

Depois do almoço Alan levou Cotton para passear e ainda voltou á tempo de encontrar Cat em frente a sua casa:

—Oi Cat.

—Olá.

—Cade aquele seu visual diferente de ontem?

—A chuva estragou, e você também.

—Então, você não está melhor?

—Não, há coisas que o tempo não cura.

—Mas faz pouco tempo, então talvez você me desculpe algum dia.

Cat ficou calada. Eles foram caminhando até a sorveteria, Alan analisava novamente Cat, seu rabo de cavalo, seu suéter colorido com estampa de gatinho, seu óculos branco, sua calça jeans, nada remetia a Cat que ele conhecia, talvez Alan tivesse mudado-a e ele não se sentiu feliz com isso.

Estavam quase perto da sorveteria, Mike já os esperava sentado em uma cadeira debaixo do toldo azul e branco na parte externa dá sorveteria. Quando Cat e Alan chegaram mais perto Mike se levantou:

—Oi amores!

—Oi Mike! Respondeu Alan.

—Oi. Disse Cat

—Nossa que "Deprê" é essa Cat? Perguntou Mike.

Cat não o respondeu, mas apenas lançou um olhar mortal:

—Por que a gente não vai escolhendo os sorvetes? Perguntou Alan.

—Vamos sim, você vai adorar a Sorveteria Crystal, é a melhor da região. Respondeu Mike.

Os três entraram na sorveteria e escolheram seus sabores de sorvete, Mike pegou chocolate e morango, Cat escolheu banana e mel e Alan apenas menta. Eles se sentaram na parte externa da sorveteria debaixo do toldo azul e branco, ninguém falava nada até que Alan perguntou:

—O que a gente vai fazer depois?

—Vamos ao cinema. Respondeu Cat.

—Mas os filmes vão ser grandes assim? Porque agora que são 16:37.

—Não hora a gente vê os maiores filmes! Respondeu Mike.

Depois, o trio foi caminhando até o cinema. Lá estavam em cartaz os filmes de vampiro, lobisomens e zumbis. Ouve uma pequena discussão para decidirem que filme iriam assistir:

—Eu queria ver o filme de vampiros. Disse Cat.

—Eu prefiro o filme de zumbis. Disse Alan.

—O que Alan quiser eu também quero! Disse Mike indo até a bilheteria.

Mike estava quase comprando os ingressos quando Alan viu a decepção no rosto de Cat:

—Mike! Pensando melhor vamos de vampiros.

—Se é o que você quer!

—E eu pago os ingressos. Disse Alan entregando o dinheiro na mão de Mike.

Cat sorriu para Alan como quem diz "valeu aí". Mike voltou e deu os ingressos na mão de cada um e ainda disse:

—Então eu pago a pipoca!

—E eu o refrigerante. Disse Cat.

O filme já estava quase começando, eles se sentaram na 5° fileira, estando Cat á direita, Mike no meio e Alan á esquerda. Já pelo meio do filme, Alan sentiu um leve toque em suas mãos, era Mike sobrepondo sua mão por cima da de Alan e ainda encostando a cabeça nos ombros do mesmo, Cat via tudo pelo canto dos olhos mesmo tentando prestar atenção no filme.

Quando saíram, Mike e Alan estavam de mãos dadas, e Cat logo atrás observando. O clima entre os dois e Cat estava meio estranho, então Mike disse:

—Nós já poderíamos ir até o parque, né?

—Que horas são? Perguntou Alan.

—Já são 20:23. Disse Cat.

—Então, até chegarmos lá vai demorar no mínimo meia hora. Falou Mike.

Assim os três foram caminhando até o parque para verem a chuva de meteoros. Eles passaram perto de fachada de um um bar, e Mike disse:

—Esperem aqui, vou comprar bebida.

—Bebida? Perguntou Alan.

—Sim. Mike o respondeu.

—Mas que tipo de bebida?

—Álcool. Disse Mike entrando dentro do bar.

—A quanto tempo ele bebe? Perguntou Alan á Cat.

—Já faz um tempo. Mas não esquenta eu também não bebo.

Mike chegou com uma lata em suas mãos:

—Meu cadarço desamarrou, segura a lata para mim Alan. Disse Mike entregando a lata para Alan.

Ele segurou a lata com apenas uma mão, olhava fixamente para o conteúdo da lata, seu corpo inteiro tremia, enquanto vários pensamentos passavam por sua cabeça "é só uma lata, não vai fazer mal", "não irei lembra daquela noite do acidente". É um pensamento conturbado ainda ecoava em sua cabeça "isso é a culpa de tudo":

—Obrigado Alan. Disse Mike retirando a lata da mão de Alan.

Pelo resto do caminho Alan tentou se recompor. Quando chegaram lá já estava perto das 21:00 horas. Mike estava usando suas redes sociais, Cat jogava um viciante jogo músical e Alan olhava para o céu e as estrelas.

Perto das 23:30 Mike sugeriu que eles brincassem de algo:

—A gente poderia brincar de eu nunca né?

—Eu nunca? Perguntou Alan interessado.

—É assim, eu vou dizer uma coisa que eu nunca fiz, e se você já fez perde 1 ponto sendo que todos tem 10 pontos. Por exemplo eu nunca tive uma cicatriz daí você perderia 1 ponto. Explicou Mike.

—Cicatriz? Perguntou Cat.

—Sim. Disse Alan mostrando-a cicatriz.

—Ah, eu nunca tinha reparado. Mas por mim façamos qualquer coisa que me faça esquecer que a Helena está vindo daqui a pouco. Respondeu Cat.

—Pode começar Alan. Disse Mike.

—Ok... Então eu nunca beijei.

—Você nunca beijou, hahaha. Falou Cat debochando da situação.

—Isso não vale. Disse Mike.

—Mas porq...

Antes que Alan pudesse terminar sua frase Mike se aproximou, segurou em seu rosto e o beijou, Alan sentiu-se no espaço em meio a chuva de meteoros, como se uma explosão de sentimentos estivesse acontecendo dentro de sua boca. Quando Alan abriu os olhos Helena, Martin e Cat estavam olhando o beijo deles:

—Aí sim, Mike e menino que eu não conheço! Disse ela aos berros para que todos do parque soubessem.

Cat ficou totalmente sem reação. Mike estava envergonhado mas aparentava ter gostado do beijo. Martin desviava o olhar com desdém. E Helena embora estivesse rindo aprovava a situação.

Os cinco sentar-se na grama e assistiram a chuva de meteoros. E por mais que a noite tenha sido feliz para alguns, lágrima ainda rolavam no rosto de outros.

Notas finais
Finalmente o beijo entre Mike e Alan aconteceu. Muito obrigado e espero que tenham gostado.