Notas iniciais
espero que tenham gostado do capítulo anterior e que gostem mais ainda deste!

No grande salão, o mesmo que haviam usado no café da manhã, estava impecavelmente limpo, com a grande mesa já posta, e o nosso convidado sentado em seu lugar sendo devidamente entretido por meu pai e irmão. Minha mãe apenas sorria e acenava com a cabeça às vezes, sem, no entanto, dizer uma palavra se quer. Entretanto, ao notar a minha presença, seu sorriso cresceu tanto que seria capaz de rasgar seu belo e alvo rosto. O homem, de pele clara e cabelo loiro quase que acinzentado, levantou-se de imediato. Seu rosto era fino e cumprido, tinha um porte atlético e seus músculos e força eram notáveis mesmo dentro daquelas roupas que deveriam, acho eu, serem meio largas, mas que quase modelavam o seu corpo. Estava trajado com as roubas de um oficial de alta patente, fardado e com três medalhas pendendo em seu peito. Coragem, lealdade e honra. Ele parecia meio assustador, apesar de não dar medo. Olhou em minha direção e sorriu delicadamente mostrando seus dentes brancos. Certamente jamais passaria despercebido na multidão, mesmo se o quisesse, especialmente se fosse uma multidão de garotas.

Meu pai o acompanhou no movimento, e parou ao meu lado. Colocou suas mãos em minhas costas e me guiou na direção de seu amigo.

–Meu amigo, esta é Ariel, minha filha. – disse papai sorrindo. –Minha filha, este é Edmundo da família de Just.

Just. Família intima da minha, e também da qual não me interesso e prefiro manter-me distante. Sempre foram chamativos, indiscretos, e simplesmente adoram gastar fortunas em festas e bailes sem sentido com o único fim de ostentar, sua usura costuma ser ilimitada, e dava um verdadeiro significado para a frase “o céu é o limite”, embora suspeitasse de que nem mesmo o céu colocasse um fim a sua fome de poder e dinheiro. Em uma palavra, os definiria como esnobes ou mesquinhos. Não se misturam com gente inferior por serem muitíssimo ricos. Como se fosse grande coisa. Esses alpinistas sociais provavelmente eram amigos de minha família por interesse, embora não me importasse se assim o fosse ou não.

O brasão da família Just, no entanto era bem simples. Um escudo prateado com uma águia azul aberta, cujas pontas das penas de suas asas abertas em pleno voo tocavam as extremidades do escudo preenchendo-o com o belo animal.

–É uma honra conhece-lo, sendo você de tanta importância para meu pai.

–A honra é toda minha por poder conhecê-la Alteza. – respondeu ele se curvando, pegando minha mão e depositando um beijo singelo e delicado sobre ela.

Admirável o seu gesto, não tão comum nos dias de hoje. No entanto, não tirava dele a culpa por seus pecados e de sua família, e certamente não o tornava mais amigável ou diminuía sua má influencia. Entretanto, mantive o meu sorriso imaculado em meus lábios que, surpreendentemente, era sincero. Não o conhecia, portanto o que ele havia feito era indiferente para mim contanto que se mantivesse distante. E era exatamente isso o que faríamos.

O jantar se desenrolou de forma tediosa, ao menos para mim. Já meu irmão e meu pai, estavam quase que a cair de suas cadeiras de tanto rir. Às vezes eu sorria ou dava risadinhas de algo que eles diziam, no entanto, não prestei muita atenção na conversa que se desenrolava naquela mesa, estava concentrada em comer o meu pato assado. Perto das dez, o jantar foi encerrado e fomos todos à sala onde os suntuosos sofás foram ocupados rapidamente, a conversa se manteve animada por mais algumas horas. Horas estas que pareceram infinitas.

Quando Edmundo foi embora, pude em fim suspirar aliviada. Poderia em fim me deitar e retirar o pesado vestido. E foi exatamente o que fiz. Ao sentir meu corpo contra o delicioso colchão da cama e meu rosto tocar o macio travesseiro, imediatamente adormeci.

Semas depois...

A tarde estava quente, o sol estava brilhando. O dia perfeito para o Baile da Primavera, festa realizada pela realeza para comemorar a virada da estação e o inicio da primavera e do verão, onde todos, incluindo o povo, poderiam participar.

Logo pela manha, fui à casa de banho real, onde as empregadas me deram um banho de espumas com essência de rosas, pintaram minhas unhas, esfoliaram minha pele, me massagearam até que eu relaxasse tanto que me sentia mole como uma gelatina. Muitos tratamentos — tediosos a meu ver, porém necessários para que eu me fizesse apresentável no grande baile de acordo com as ideologias de minha amada mãe-, consegui algum tempo para ler alguns de meus livros preferidos e alguns sermões do padre local.

Ao meio dia, o almoço foi servido, como de costume, ouve muita fartura a mesa e várias possibilidades de escolha. Optei por alo leve já que teria de me equilibrar em um salto durante toda a noite, e teria de me manter acordada madrugada adentro.

Após a refeição que durou aproximadamente uma hora, voltei com Isabel ao meu quarto. Faltando sete horas para o inicio da festa, Isabel já me empurrou para outro “rito” de embelezamento que parece ter durado uma eternidade, embora admito que tenha sido bem agradável conversar com as garotas durante todo o processo. Cinco horas depois, já estava quase pronta. Era a hora preferida de todas, inclusive a minha e de Isabel, o momento em que eu escolheria o vestido. Amava esse momento porque era um dos poucos em que eu realmente poderia escolher algo, e era muito interessante ver a reação das criadas que ficavam aguardando em uma espécie de fila, uma ao lado da outra atrás de mim.

Logo Isabel trouxe uma arara dos vestidos preferidos da rainha, olhei todos rapidamente, mas nenhum me agradou, todos eram pesados, grandes ou espalhafatosos de mais para mim. Não combinavam em nada comigo e com a ocasião embora fossem todos de muito bom gosto. Segui para o closet, com todas as garotas atrás de mim, cochichando coisas como o possível motivo de eu não ter escolhido nenhum e qual elas achavam que eu teria escolhido e seus vestidos preferidos.

Ao entrar no grande e luminoso cômodo, pude ouvir as vozes se calarem. Provavelmente de deslumbramento, eu mesma me deslumbrava de tempos em tempos pela beleza do closet mesmo tendo de entrar aqui todos os dias a anos. Ele era claro, espaçoso, quase do tamanho do meu quarto. Era dividido em corredores, e cada um tinha apenas um tipo de vestimenta. O piso brilhava, era de uma pedra clara, tão clara como a madeira de cor marfim perolada das estantes que emolduravam as roupas.

Notas finais
Feliz natal queridos leitores!