A Traição de Ariel Clowns
3 Capítulo 3
Não sabia muito bem como minha maquiagem e cabelo estavam pois as garotas não haviam me deixado olhar no espelho ainda, e as conhecendo como conheço, nem deixariam até que eu esteja completamente pronta. Portanto, tive de confiar que atenderam ao meu pedido de algo simples, mas elegante para que eu escolhesse um vestido que fosse combinar completamente.
Escolhi um longo vestido de pano branco, com bordados vermelhos de algumas rosas e caracóis na barra da frente, que começavas na altura aproximada do meu joelho e terminavam apenas no meu calcanhar, começando como um feixe de bordados que depois se divide em três, um vai em direção ao chão, um para a esquerda e outro para a direita, todos delicadamente bordados à mão. O dorso do vestido também tinha como fundo branco, mas possuía também fitas vermelhas na vertical, que acentuava as curas do meu corpo, formando pequenos corredores que haviam sido preenchidos com o mesmo bordado da saia. As alças eram rosa vermelhas muito belas e delicadas. Que ficavam em meu antebraço, caídas do ombro, na horizontal.
Mas antes de pega-lo, fui até os sapatos, para fazer suspense. O sapato era bem simples, vermelho com um salto razoável, uma tira que subia pelo peito do pé se encontrando a outra no tornozelo onde a sandália tinha um fecho prendendo o sapato a mim, e um laço delicado na frente.
Peguei o sapato e o mostrei as garotas, pude ver pelas feições delas que algumas haviam aprovado a minha escolha, outras fizeram cara de dúvida, e Isabel, que passava muito mais tempo comigo e, portanto me conhecia muito melhor, sorriu em aprovação já sabendo o vestido que eu iria escolher.
Quando peguei o vestido, todas o olharam encantado e logo me puseram dentro dele.
–Hora de escolhermos as joias agora alteza. – disse Isabel.
–Sim, vamos. – disse uma das criadas, a criada Mor, Josiane, se dirigido a todas as outras, levando-as para fora.
Não que não confiássemos nelas, mas era uma das regras que eu pretendia deixar sob o castelo como forma de segurança, embora elas já conhecessem cada uma das joias da coroa devido aos seus anos de trabalho aqui. Portanto, somente o rei e a rainha, e os dono das joias que deveriam saber a senha do cofre. Nem mesmo Isabel estava autorizada a obter tal conhecimento. Mas como minha dama, ela era a única que se mantinha no quarto. Ela saiu do closet e fechou as portas trancando-as como de costume, se mantendo lá fora de costas para a mesma, a fim de não permitir que ninguém entre, ou se quer tente entrar.
Assim que ouvi a porta sendo trancada me dirigi ao local onde o cofre se escondia. Apertei um discreto botão em formato de rosa, que mais parecia um ornamento da prateleira. Logo uma pequena porta se abriu pela metade. Empurrei o resto e adentrei ao pequeno quartinho azul de formato quadriculado.
Tinha o mesmo piso do closet, estantes em mármore e apenas uma pequena mesa e cadeira no meio. Dois passos depois, me deparei com o cofre, após destrancá-lo. passei os olhos sobre os brincos, e escolhi pequenos e discretos diamantes, um colar de cordão de prata, com um pingente de rubi em formato de coração e encrustado de diamantes ao seu redor.
A coroa que escolhi foi uma que ganhei como presente anos atrás de um antigo rei indiano muito simpático, divertido e meio gorduchinho. Era a coroa Glamorous India, possuía arcos indianos pontudos incrustados de brilhantes, e dentro de cada um deles uma espécie de flor, cujo miolo possuía um rubí. Entre cada arco, erguia-se um pequeno broto da flor, com três pétalas, cobertos de cristais.
Por não saber com que penteado estava não poderia colocar a coroa sozinha, portanto, peguei-a e logo pude sentir o seu peso, o peso do que representava. Saí do quartinho, tranquei o cofre e lacrei a porta. Deixaria para por a pesada coroa antes de adentrar no salão. Antes de ser milimetricamente analisada e julgada por cada um dos nobres, e admirada e respeitada pelo povo.
Assim que saí utilizando a minha própria chave, Isabel se virou pra mim e sorriu.
–Você está magnífica Ariel.
–Obrigada Isabel. Vejo que ainda não se arrumou. – disse-lhe.
–Estava a sua espera. O que deseja que eu use? – respondeu-me.
–O que achares melhor minha querida. Vá, e volte apenas quando precisarmos ir, gostaria de ficar um pouco só. –suspirei, quando enfim estava só.
Fui em direção ao espelho, e devo confessar que estava encantada com meu próprio reflexo.
Meu cabelo estava preso em um belo coque, fazendo com que cachos que pendiam do topo delicadamente emoldurassem meu rosto, estava muito bonito. Minha pele parecia incrivelmente sedosa, delicada e macia. Estava realmente linda, com o magnifico vestido, o rosado delicado nas minhas bochechas, meus olhos que pareciam maiores e mais brilhantes.
Logo Isabel estava de volta e me acompanhou pelos corredores do palácio até a porta que usaríamos para adentrar o salão. Minha família já estava lá, todos vestidos esplendorosamente, por ser o baile de troca de estações e não algo mais formal entramos todos juntos logo após sermos anunciados.
No meio do baile, todos já dançavam animadamente e meus irmãos haviam se separado e mim e de nossos pais. Desistindo que algo emocionante realmente aconteça esta noite, segui para o jardim dos fundos, onde podia ouvir o som abafado das vozes e da musica animada que soava na casa. Fui para o lado noroeste do jardim, onde havia muitas flores e um belo chafariz, e era impossível de ser visto pelo palácio, assim não seria flagrada fugindo da festa ou se quer incomodada. Ou era o que eu pensava.
Logo que me sentei no banco de madeira Edmund se aproximou. Um suspiro pesado escapou de minha boca. Não conseguiria mesmo ficar sozinha.
–Majestade. – disse cordialmente. – Me daria á honra de uma dança?
–Oh! Bom, desculpe-me, mas entenderá que os meus pés doem demais para realizar tal tarefa no momento. – é claro que meus pés estavam ótimos, mas ele não precisava saber disso.
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