A Trágica História De Um Homem Louco
3 ANASTÉSICO SÓDIO TIOPENTAL - big black boots
Notas iniciais
Há um momento na vida de todo ser humano que separa quem ele costumava ser de quem ele é agora, um flash passa por seus olhos e de repente você já não é mais o mesmo.
Algumas pessoas, aquelas mais abertas e mais livres mudam varias vezes, eu mudei apenas uma.
Para algumas delas é quando se casam, ou quando seu primeiro filho nasce, quando presenciam um crime ou quando cometem um, para mim foi quando vi Camille Roussel pela primeira vez.
Lembro-me com exatidão de uma ou duas coisas sobre aquele verão de 97, as memórias se confundem entre realidade e fantasia, mas recordo-me perfeitamente daquele dia, era meu aniversário de 18 anos, o último antes de tudo desmoronar.
Como presente meu pai resolvera me dar um carro, qualquer carro que eu resolvesse escolher da concessionária local, segundo o mesmo já estava na hora de eu chegar à escola com algo melhor do que a caminhonete velha que eu herdara dele.
Acabei por comprar um Camaro SS preto do fim dos anos 70 e foi com ele que dirigi até o aeroporto naquela mesma tarde para buscar a nossa mais nova hospede, uma garota que eu nunca vira na vida e de repente viria fazer parte do meu dia-a-dia e modificá-lo por completo.
Fitei o portão de desembarque sem saber o que esperar, segurando uma plaquinha de papelão com “Camille Roussel” escrito a fim de que ela soubesse quem procurar.
Distraia-me com o andar das pessoas indo e vindo de lugares inusitados, alguns apressados, outros passando por crises de pânico pré-voô, outros dormindo nas desconfortáveis cadeiras do saguão, sentia-me observado, sacudi meus ombros e ignorei a paranóia, mas hoje vejo que foi ali o começo de tudo.
– Sr. Walker? – A voz marcada por um leve sotaque que eu não reconheci tirou-me de meus devaneios e levaram alguns segundos para que eu notasse que ela estava a minha frente, me encarando com olhos grandes e famintos, esperando alguma reação mais apropriada do que a que eu estava tendo, me recompus e sorri agradavelmente.
– Sr. Walker é meu pai, a mim você pode chamar de Connor, prazer em conhecê-la. – Estendi minha mão e ela apertou-a de forma firme, admirei isso na garota. – Quer ajuda com a bagagem? – Ofereci.
– Não, obrigada, não há realmente esforço em puxar uma mala de rodinhas. – Deu de ombros.
– Tudo bem... – Concedi, se ela não queria cavalheirismo eu é que não iria me esforçar para que ela aceitasse. – O estacionamento é por ali. – Indiquei e ela virou-se de costas e começou a andar na direção indicada, fitei seu caminhar por alguns segundos e jamais poderia me esquecer da imagem de seus cabelos balançando com o movimento leve que ela fazia ao caminhar.
Sempre achei as ruivas demasiado más e as loiras demasiado fúteis, já as morenas, eram para mim criaturas decentes.
Os cabelos de Camille Roussel eram de um tom marrom singular, eram longos, brilhosos, ondulados e pareciam ter vida própria, ela manejou a cabeça para trás para ver se eu a acompanhava e me flagrou fitando suas madeixas.
– O que? – Perguntou ela com um sorriso constrangido nos lábios.
– Bem vinda a Twin Falls! – Sorri e comecei a caminhar, ela me seguiu confusa.
– Um Camaro! – Camille soltou um grito de animação que me fez querer rir quando viu meu carro.
– Não é o último lançamento... Mas eu sempre tive uma queda por velharias. – Dei de ombros, parado alguns passos atrás dela para poder observar seus cabelos – eis aí minha primeira obsessão.
– Ah, cale a boca. – Ela debochou. – É o carro mais lindo que já fizeram. – Disse a garota e aí eu achei mais um motivo para gostar dela enquanto a observava jogar sua única mala no banco de trás e sentar-se no banco do passageiro, cruzei o carro e assumi o posto de motorista logo iniciando nossa curta viagem.
Durante o trajeto observei algo no rosto de Camille, uma tristeza dolorosa de se ver, mas quando chegamos ao apartamento de meu pai, antes que eu pudesse perguntar qual era o problema ela já estava novamente sorridente e animada.
Meu pai nos aguardava na cozinha, onde ele tentava fazer uma mal sucedida refeição.
– Olá, querida. – Ele a cumprimentou com um abraço rápido, uma expressão de pena em seu olhar cansado. – Fiz ensopado de vitela, é seu favorito, certo?
– Oh. – Ela exclamou surpresa com os cuidados de meu pai, seus olhos cheios de gratidão ameaçaram marejar, mas ela não se permitiu. Eu observava a cena, extremamente perplexo, meu pai nunca cozinhava, em ocasião alguma, ele era muito ocupado para fazer algo assim, mas ali estava ele, cozinhando o jantar para essa garota. Por quê?
– Agora crianças, tenho que resolver algumas coisas na firma, apreciem a refeição, Connor seja simpático com nossa convidada. – Ele saiu pela porta despedindo-se e eu fui para o fogão averiguar o que ele tinha feito e Camille me seguiu, observei aquela gosma na panela com certo olhar de nojo.
– Parece...
– Delicioso! – Acrescentou Camille em toda sua compassividade. – Ah, vamos lá, parece que o Sr. Walker se esforçou para fazer uma boa refeição para nós, seria uma desfeita não apreciá-la. – Declarou ela sem me deixar protestar. – Eu arrumo a mesa e você apanha o vinho, ok? – Sorriu persuasiva e eu não pude dizer não, indiquei onde ficavam as coisas e a observei trabalhar, logo estávamos sentados na mesa degustando o ensopado, a carne estava demasiado crua e o molho muito apimentado o que nos fez tomar vinho em excesso e rir de assuntos aleatórios.
Mas quando dissemos boa noite e eu a conduzi para seu novo quarto vi em seus olhos aquela mesma tristeza, mas não tive coragem de questioná-la sobre tal.
Naquela noite eu não consegui dormir, revirei-me na cama oscilando entre sonhos nublados e momentos em que eu mal podia fechar meus olhos, os sonhos eram borrões, cenas de minha infância misturadas a alucinações, decidi levantar-me por fim e vagar pela casa.
Levantei-me da cama e caminhei em direção a porta, o quarto que agora pertencia a Camille ficava de frente para o meu, sua porta estava mal encostada e, guiado por instintos desconhecidos, arrisquei-me a abri-la, esperando encontrá-la adormecida, mas eu não era o único com insônia naquela noite.
Silenciosamente adentrei o quarto, o quarto de Camille era bem parecido com o meu, uma cama central encostada a parede, um guarda-roupa de um lado e uma mesa de estudos do outro e ao lado da mesma uma grande janela de onde podia-se observar toda a cidade, ali estava ela, debruçada sobre o batente da janela, vestia um conjunto de pijama de verão verde que se adequava perfeitamente ao seu corpo pequeno, seus cabelos caiam em camadas por suas costas a lua iluminava sua pele levemente brilhante de suor pela noite quente da Flórida, parecia um anjo, uma alucinação feita perfeitamente para mim, a garota de meus sonhos, se soubesse das consequências jamais teria cobiçado-a.
Ela virou seu rosto redondo e infantil em minha direção e eu tive a certeza que ela sabia que eu estava ali observando há um bom tempo, ela sorria me acusando de uma forma tão brincalhona que não me acanhei.
– Me espionando, garoto, sua mãe não te ensinou que isso é feio? – Caminhei até seu lado e pousei minhas mãos sobre o batente da janela, virei-me para ela com um sorriso, entrando em seu jogo.
– Minha mãe morreu antes que pudesse me ensinar muita coisa. – Observei seu rosto, sua face se contraiu, constrangida, só então notei que seu rosto estava marcado por lágrimas secas.
– Você está bem? – Fitei-a sinceramente preocupado. Ela precisou de um tempo para decidir se deveria me dar uma resposta sincera ou mudar de assunto, por fim ela virou seu olhar para os pontos de luz que era a cidade a baixo de nós a se pôs a falar.
– Eu sinto falta de casa. – Camille deu de ombros.
– Então por que você está aqui? – Perguntei, talvez sincero demais em minha curiosidade, ela me olhou acusatoriamente, como se eu tivesse cometido o pior dos crimes, olhei para baixo sem saber o que fazer. – Desculpe-me... – De repente eu já não sabia mais como agir ao redor de uma garota.
– Eu não tenho escolha, tenho? Com um pai que eu nunca conheci e uma mãe suicida eu tenho sorte de seu pai ter me acolhido! – Ela quase gritou a última parte, mas então se lembrou que era tarde e que não queria acordar seu hospedeiro.
– Desculpe-me – repeti – meu pai não me disse nada, me conte sua história. – Pedi, tentando ser mais gentil.
Ela virou-se de costas para janela e escorregou pela parede até estar sentada no chão, apoiou seus braços sobre os joelhos, parecendo ainda menor e indefessa e começou sua narrativa.
– Minha mãe sofria de transtorno bipolar, lembro-me de acordar rodeada de presentes e convites para passeios em lugares surpreendentes alguns dias e outros acordar sem saber se ela ia levantar da cama, boa parte de minha infância vi minha mãe entrar e sair de clinicas psiquiátricas até que ela finalmente começou a tomar um rumo certo em sua vida, minha avó foi de grande ajuda em minha criação, mas ela já era velha... – A garota pausou e fitou o quarto levemente iluminado pela luz da lua, procurando forças para continuar, sentei-me ao seu lado e apertei sua mão, ela sorriu para mim e eu notei que havia mais lágrimas silenciosas em seus olhos castanhos muito escuros.
– Ela faleceu há dois anos atrás e ficamos apenas eu e minha mãe desde então, mas sua doença já estava mais controlada, tudo parecia que ficaria bem, ela tinha um emprego agora e dinheiro para pagar seus remédios, tudo graças a uma amiga que fizera numa clinica há alguns anos atrás. – Seu olhar procurou o meu e ela sorriu sutilmente, de repente eu sabia quem era essa amiga. – A Srª. Walker era muito gentil e prometeu ajudar minha mãe.
– Lembro-me disso. – Falei de supetão, de repente lembrei-me de uma garotinha com quem eu brincara algumas vezes naquele semestre que passara em Paris.
– Mas então... – Sua voz ficou mais triste e eu sabia que estávamos chegando ao fim da história.
– Mas então minha mãe morreu. – Completei sua fala.
– Seu pai nos ajudou fielmente por cinco anos após isso, mas creio que ele tinha outras preocupações, às vezes os cheques chegavam, às vezes não... – Ela deu de ombros, vi em seu gesto que ela realmente não culpava meu pai por sua negligência. – As coisas começaram a ficar ruins outra vez. – Camille enxugou uma lagrima antes que a mesma rolasse por sua bochecha. – Minha avó faleceu e chegou um momento em que minha mãe não aguentava mais, então ela... – Houve um profundo soluço, um engasgar de lágrimas contidas e então ela estava em meus braços, lançara seus membros superiores em volta de meu pescoço e escondera seu rosto no vão do mesmo, molhando a camisa de meu pijama, seu choro era infantil e ela balbuciava frases que eu não pude compreender, parte porque ela as fala em meio ao choro e parte porque, pelo pouco que eu entendi, ela falava em francês, a principio fiquei sem reação, não sabia como tratá-la, o que dizer, então apenas afaguei-lhe os cabelos, aqueles cabelos tão belos que me fascinaram desde o primeiro momento, e só então notei como ela era pequena, como parecia frágil e quebrável quando encostada ao meu peito largo, ela chorou por um bom tempo, primeiro de saudades da mãe, de cansaço por tudo que já vivera em sua curta vida, e depois de vergonha por se mostrar tão vulnerável, fosse o que fosse, seus cabelos não deixei de afagar.
Por fim ela adormeceu em meu colo e eu a conduzi até sua cama, já quase amanhecia quando eu finalmente repousei sobre meu próprio leito e adormeci rapidamente, ciente de que minha vida jamais seria a mesma.
Muitas noites foram passadas assim, o fim do verão se aproximava e com ele o fim da tristeza de Camille, muitas noites acabavam com ela chorando até adormecer até que o choro foi trocado por risadas que já nem nos importávamos em conter, riamos alto e meu pai fingia ignorar nossa displicência em passar madrugadas acordados, creio que ele estava feliz, havia vida novamente naquela casa.
E numa dessas noites incontáveis, poucos dias antes das aulas voltarem, eu adentrei seu quarto e ela já me esperava, apoiada na parede de frente para a porta, me encarava provocativamente como uma criança que aprontara algo, observei-a por alguns segundos antes de explodir em risadas, Camille vestia aquele mesmo conjunto de roupas para dormir que vestira na primeira noite, mas seus pés, sempre nus pelo chão, estavam calçados com o mais ridículo par de botas negras de cano alto que eu já vira. A morena tentou conter uma careta, minha reação não fora a esperada, supus, e logo abandonei a risada e tentei me manter sério, mesmo que o pijama e as grandes botas pretas fizessem um conjunto demasiado bizarro.
– O que você está tentando provar com isso? – Perguntei, minha voz saindo estranha pela risada que eu continha, ela ignorou minha pergunta e caminhou até estarmos bem próximos, olhei em seus olhos, pela primeira vez sem ter que baixar a cabeça, ela estava quase da minha altura, notei o propósito, então.
– Viu?! Problema de altura resolvido. – Sorriu ela triunfante, nas últimas semanas eu desenvolvera um novo passatempo, atormentá-la por tudo que indicava sua idade, apenas dois anos a menos que a minha, divertido para mim, irritante para ela.
– Isso não muda muita coisa. – Debochei. – Você ainda tem essas bochechas gordas de criança que entregam sua menor idade. – Apertei suas bochechas para enfatizar minha fala, Camille corou levemente, mas logo se recompôs.
– E se eu cozinhar para você? – Sugeriu ela, pensativa.
– Talvez você ganhe alguns pontos por isso, é claro, se eu não tiver uma infecção alimentar depois. – Desdenhei e ela deu um tapinha em meu braço para me repreender, acabei por rir de sua irritação, das botas, só de felicidade, eu adorava a amizade de Camille, ela era doce e engraçada, imprevisível, inteligente, amável, tínhamos histórias de vida parecidas, me identificava com a francesa, eu me tornara mais próximo de Camille naquele mês do que jamais fora de outra pessoa.
Fomos até a cozinha e ela começou a cozinhar, às vezes tão concentrada que nem se lembrava de minha presença, estávamos em um silêncio confortável, ela acrescentava os ingredientes na panela e eu lia o jornal daquele dia, ou tentava, era simplesmente impossível ler mais do que uma frase sem que minha mente voasse para outro lugar, há algum tempo se tornara difícil me concentrar muito em qualquer coisa, até dormir já não era tão fácil, enquanto Camille adormecia logo após algumas horas de conversa, eu permanecia acordado zelando seu sono, ah, Camille, tão cheia de vida, sua presença tornara-se vital para mim, sentia-me grato por tê-la em minha vida, agradecido pela morte de seus familiares, um resquício de sanidade atingiu meu estomago fazendo com que eu me enojasse de meu próprio egoísmo, mas facilmente o ignorei.
Perguntei-me quanto duraria aquilo, eu estava tão feliz, mas eu podia ver dentro de minha mente, algo estava por vir, algo tiraria Camille de mim, eu não permitiria isso, não, ela era boa pra mim, era minha, tinha de escondê-la do mundo, o que fariam as pessoas quando se aproximassem de Camille? Encantariam-se por ela, obviamente e eu não a teria mais para mim, não, não podia aceitar isso, eu... Contrai-me instintivamente ao sentir uma mão pousar delicadamente sobre meu ombro.
– Connor? – Camille chamou, havia preocupação em seus doces olhos castanhos, ela não me perguntou como eu estava, era mais fácil para ela ignorarar que eu estava enlouquecendo aos poucos. – Meu ensopado de vitela está pronto. – Disfarçou ela com um sorriso no rosto.
– Espero que esteja melhor do o do meu pai. – Provoquei, entrando na dança, levantei-me e caminhamos até o fogão, ambos jogando “vamos ser normais”.
Mergulhei meu dedo indicador na panela e o levei a boca, o molho estava bem preparado, na medida certa, com o toque de alguma erva que eu não reconheci.
– Está delicioso. – Afirmei, nada surpreso, nunca duvidara dela e mergulhei meu dedo uma segunda vez, mas ao invés colocá-lo na boca limpei-o na bochecha de Camille, sorrindo sapeca.
– Connor! – Reclamou ela indo apanhar uma toalha, mas antes que ela pudesse fazer algo a segurei, ela era muito fraca para conseguir escapar, lambi sua bochecha e ri como uma criança quando ela tentou se livrar de mim, repugnada.
– Connor Walker, eu te odeio! – Gritou ela enfurecida, tentando enxugar o rosto com a mão.
– Heei. – A parei e ela olhou para mim ao notar meu tom sério. – Você me odeia? – Perguntei.
– Às vezes. – Grunhiu ela, baixinho, respirou fundo e piscou demoradamente, tentando se acalmar. – Não, eu não te odeio, garoto idiota. – Declarou ela, por fim e eu sorri contente.
– Isso é bom. – Conclui. – Espere que não me odeie depois disso.
– Depois do quê? – Ela mal terminou sua sentença e meus lábios tocaram os dela, de forma pura e inocente, beijei-a por um motivo bobo, admito, para assegurá-la que ela era minha, que só eu podia fazer isso, mas quando meus lábios tocaram os dela, esqueci-me de minhas loucuras, dei-lhe um bom beijo francês, puxei-a pela cintura e acariciei seus cabelos, ela respondeu meio incerta a principio, mas então deixou-se conduzir pelo momento, o beijo acabou muito brevemente e ficamos nos encarando, num silêncio inquebrável onde milhares de palavras eram trocadas através de nossos olhares, poderíamos ter ficado assim por um longo tempo se não fosse pela voz de meu pai nos interrompendo.
– Ainda acordados? – Ele nos olhou e nós nos afastamos imediatamente, constrangidos com a interrupção.
– Sim senhor, estávamos indo jantar. – Disse Camille, tentando agir normalmente e falhando. – Gostaria de nos acompanhar? – Nossa sorte foi que meu pai sempre fora uma pessoa demasiado desligada, então não notou todo aquele estranhamento, comemos os três e fomos cada um para seu respectivo quarto, mais tarde, quando fui visitar Camille, ela dormia, então voltei para o meu quarto e tentei inutilmente fazer o mesmo.
Notas finais
Reviews, eu imploro! *se afoga nas lágrimas*
Particularmente odiei o fim do capitulo, perdão, ficou tosco e sem um bom fechamento, mas não sabia mais o que escrever...
Queria dedicar este capitulo à Gabi, minha primeira leitora, Feliz Natal atrasado, flor!
Beijos, D.M.
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