A Thousand Years
1 I
Notas iniciais
Primeiro capítulo. Alguns acontecimentos.
Londres, 1940.
Era apenas uma noite escura de um dezembro frio. Uma criatura que se movimentava como uma sombra, esquadrinhou minuciosamente a cidade. Ele estava apenas escolhendo a sua próxima vítima,e, como escolha, ele teve a família Telesco. Não havia escapatória para todos que habitavam a casa de dois andares no topo da colina.
Os próprios Telesco sentiam que a noite sem luar não seria boa para se contar histórias de terror, costume que os mais velhos possuíam.
O próprio terror rondava sua casa, procurando um lugar para entrar. Ele não se detivera com a porta trancada, mas precisava não chamar atenção.
Ao entrar furtivamente no casarão, ele constatou que todos dormiam no andar de cima, menos o cachorro da família, que ao notar a presença da criatura, soltou um ganido e correu para algum cômodo distante da casa.
Avançando a passos rápidos e precisos, ele chegou até o quarto de quem procurava. A garota adormecida não notou a criatura, até que, rudemente tampou-lhe a boca, sufocando o grito na garganta. Ele amordaçou-a e como se fosse um saco qualquer, a jogou nos ombros. Antes de sair deixou um recado para os familiares da vítima.
Lediane Telesco estava aterrorizada e se debatia, e a criatura apenas a ignorou e saiu rapidamente da casa que não havia ao menos notado que uma pessoa desconhecida havia entrado ali.
O frio cortante balançava os cabelos de Lediane, e ela ainda não entendia o que estava acontecendo. A criatura apenas a jogou no lombo do cavalo e depois ele mesmo montou e partiu a galopes.
Ao amanhecer, a família, como de costume, estava reunida em volta da mesa de café da manhã. A sra. Audrey Telesco notou a ausência da sua filha, que não costumava se atrasar para as refeições e os compromissos diários.
– John, onde está sua irmã? – a mulher, de feições severas, perguntou ao mais novo.
– Desculpe, mamãe, mas não sei onde ela está. – mesmo ainda sendo uma criança de nove anos, John possuía uma educação digna de um Telesco.
– Vá procurá-la. – disse a mulher, preocupada com sua filha do meio.
– Sim, mamãe. Já estou indo.
O garotinho subiu as escadas rapidamente, seguindo a direção ao quarto da irmã, que era em frente ao seu. Ao entrar no quarto da mesma constatou o óbvio. Ela não estava lá.
Saiu correndo e chamando os pais, sua mãe foi rapidamente ao seu encontro e o deteve antes que pudesse cair das escadas.
–Mamãe, Lediane não está lá!– exclamou.
– E por que todo esse alvoroço? Ela deve estar em outro cômodo.
Jackson Telesco, o patriarca da família, ao ouvir a pequena discussão entre mãe e filho foi verificar o que estava acontecendo.
– O que se passa aqui? – perguntou o homem sério e de poucas palavras.
– Lediane sumiu, papai!– respondeu o menino
– Como sumiu?
– Fui ao quarto dela e não a encontrei. – o garotinho estava assustado, pois tinha apego a sua irmã.
Jackson queria ter certeza do que estava sendo dito ali e foi até o quarto da filha, e ao chegar constatou o que seu filho afirmava.
Mas somente ele viu que havia ali sob a cama desarrumada da garota um bilhete.
“Vocês sabem quem é.”
(...)
Lediane, em seus dezesseis anos, nunca havia vivenciado algo remotamente parecido com aquilo que estava acontecendo.
Perdeu a noção do tempo, enquanto estava jogada sobre o lombo do animal. A criatura que a raptara não havia falado nada. Estava ficando nauseada de tanto olhar para o chão e ver a neve que cobria tudo, por isso, fechou os olhos.
Quando os abriu, viu que a criatura havia parado, e ao descer do animal, a garota, pela primeira vez, viu quem a raptara. Um homem de aproximadamente trinta e poucos anos, barba por fazer, cabelos escuros e olhos negros. Ele não era de todo feio, como observou Lediane aos primeiros raios da manhã, mas havia algo nele e no seu comportamento que exalava medo e terror.
Ele pegou-a novamente e jogou-a nos ombros, dessa vez Lediane não se debateu, como observou, os dois estavam no meio do nada. Ninguém a salvaria.
Ao entrarem no galpão ele a colocou no chão e ordenou que se sentasse. Sua voz possuía um sotaque desconhecido para a garota. Ela não objetaria o pedido de seu raptor, não poderia. Quando ela sentou-se, ele amarrou seus braços atrás de si, na pilastra de madeira, e como cortesia, retirou a mordaça.
– Por quê? – era tanta a aflição da garota que ela não formulara a pergunta corretamente, então havia saído algo débil e sem sentido.
– Não faça perguntas do que não quer saber, Telesco.
Como ele poderia saber o sobrenome dela? Havia tantas coisas que ela não sabia e que sentia enorme desejo de entender.
– Minha família virá atrás de mim! Não importa o que você queira. – Lediane disse, com obstinação.
– Shh, não diga o que não sabe, Telesco. Eles virãose equando eu quiser. Enquanto isso, você pode dormir. – ele falou, batendo com força na face da garota, deixando-a inconsciente.
(...)
Christopher Hill gostava do que fazia. Era mais por diversão aquilo, não pensava como um psicótico, mas beirava a ser um. Ao raptar um membro da família Telesco, ele sabia que o dinheiro seria fácil. Então, ao deixar o bilhete ele quis dificultar dizendo aquilo. Porque, claro, eles não sabiam quem era. E então a diversão seria prolongada. E se Lediane tivesse sorte o suficiente, sairia viva desse jogo.
Enquanto a garota estava adormecida, ele pôs a observar os delicados traços do rosto pálido, seus longos cabelos negros estavam caídos em volta do belo rosto, e seus lábios perfeitos e rosados. Uma bela garota. Seria um desperdiço a sua morte.
Em uma parte da cidade, o jovem Carlos ainda despertava para um dia que ele não imaginava o quanto seria péssimo.
Enquanto descia para tomar café, ouviu a porta ser fechada. Sua mãe tinha uma expressão apreensiva no rosto, o que de início assustou o rapaz.
– Algo errado, mamãe? – indagou ele, dirigindo-se ao lado de sua mãe.
– Sim, Carlos, sente-se, por favor.
Ele obedeceu-a.
– É algo relacionado ao papai? Diga-me logo, mamãe! – Carlos lembrara do pai, que estava viajando à negóciosfazia dias.
– Por favor, mantenha-se calmo. Lediane foi raptada, os Telesco não fazem a mínima ideia de quem fez isso.
Carlos, automaticamente, pôs as mãos nas têmporas. Aquilo era demais para uma fria manhã de dezembro.
– Preciso fazer algo, mamãe. Depressa.
– Carlos, não! Você não pode fazer nada. E dentre alguns dias nós arranjaremos outra noiva para você. – a mulher disse detendo o filho que já levantara.
– Mãe, não é dessa forma! Vou encontrá-la.– sua voz alterou-se–Sabe por quê?Porque sei que encontrei um lar para o meu coração quando a conheci. E não irei deixá-la escapar tão fácil.
Notas finais
Comente se sentir necessidade.
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