A Thousand Years
2 II
Notas iniciais
Não é o melhor,mais é o que há.
Ao sair de casa, Carlos não fazia idéia por onde começar a busca por sua noiva. Andou apressado as várias quadras que distanciava a sua casa da de Lediane e ao chegar lá, notou que havia muitas pessoas na casa, a julgar pela movimentação. Quando entrou, John, o menor dos Telesco veio ao seu encontro.
— Ela sumiu, minha irmã sumiu! – era apenas o que dizia o pequeno.
— Sim, eu sei John, onde estão seus pais? – Carlos disse, procurando com os olhos os pais do garoto.
— Estão na cozinha, Jeff está aqui. – o garoto se referiu ao seu irmão mais velho.
— Ele não estava em treinamento? – Carlos perguntou, segurando a mão do garotinho e o seguindo até a cozinha.
— Papai mandou recado que ele viesse, ele ainda não estava em treinamento.
Ao entrar na cozinha, Carlos observou que uma pequena base de buscas havia se formado e além de alguns membros da família, tinha algumas autoridades locais.
— Olá, sinto muito pelo que aconteceu. – ele não sabia o que dizer, mas queria dizer algo que confortasse a família de sua noiva.
— Carlos! Como é bom te ver, pena que o momento não é muito propício a comemorações. – Jeffrey Telesco, sempre divertido e amigável.
— Obrigado Jeff, como andam as buscas? – ele perguntou se aproximando da mesa, os outros membros apenas o cumprimentaram com a cabeça e voltaram ao que estavam fazendo.
— Nada foi feito ainda, pois a única pista do rapto de Lediane foi um bilhete sem sentido algum.
Jeffrey contou o que tinha no bilhete e pediu que ele se sentasse, depois de alguns minutos de conversa e opiniões trocadas os dois em segredo prometeram se encontrar na praça principal à tarde, a fim de fazer uma busca pessoal. As autoridades locais já estavam em buscas, mas Carlos não queria ficar sentado esperando, muito menos o irmão da desaparecida.
(...)
Em seu cativeiro, Lediane despertava com o sol do meio dia esquentando seu rosto, ela assustou-se com o seqüestrador que a olhava fixamente, havia passado horas naquele estado, estava se estabelecendo uma ligação única entre os dois, mas isso era apenas para Christopher, pois Lediane não conseguia pensar em nada que não fosse seu resgate.
— Está na hora do seu almoço, você passará à tarde sozinha Telesco. Vou fazer uma visita à cidade, ver como anda sua busca. Coma isso. – ele disse, estendendo um pão velho e puído que ela negaria se a ocasião fosse um tanto diferente. Ele alternou o pão com a água que trazia na outra mão.
Embora aquilo não fosse muita coisa, ela satisfeita, não queria mais. Então dispensou os últimos pedaços de pão aceitando a água para que descesse o restante de sua boca.
— Quando irá pedir o meu resgate? – era a primeira vez que falara desde que acordou, sua voz estava fraca e diminuta.
— Faço as coisas de acordo meus planos. Na hora certa saberás quando será resgatada, ou não.
Um sorriso de canto apareceu nos lábios de Christopher, era carregado de maldade.
— Você tem família? – ela havia pensado muito antes de perguntar, tinha medo de uma reação explosiva vindo dele.
— Isso não importa Telesco, fique a vontade e logo voltarei. – ele disse, levantando-se e saindo do galpão, trancando-o.
Lediane ficou pensando por muito tempo no seu raptor, o que o levara a ser o que era? Seria ele um ser humano bom por dentro? Ela gostava de pensar assim das pessoas, mesmo sendo ruim por fora, dentro de si haveria algo a ser salvo, algo bom não descoberto.
Por fim seus pensamentos se desviaram ao ponto que evitara sua família e seu noivo. Doía pensar neles, porque no fundo de sua mente a ideia de que não sairia viva estava evidente. Tinha de pensar positivamente, mas algumas vezes era difícil. Estaria Carlos a sua procura? Ou já teria desistido como um cidadão sensato daquela cidade faria? Porque o rapto de uma moça jovem e saudável não implicava somente seu resgate, mas também as condições físicas e mentais que a mesma voltaria.
Onde estaria Carlos realmente?
(...)
Christopher Hill havia tomado banho e trocado de roupa e agora se parecia um cidadão da velha cidade vestido com roupas normais, já estava na cidade, aliás, já estava próximo da casa de sua refém. Não tinha nada de diferente, por isso voltou para a praça principal, sabia de cor quem eram os Telesco, por isso reconheceu Jeffrey. Aproximou-se o suficiente para ouvir o que o irmão mais velho da garota falava para um rapaz de pele morena.
— ...não sei por onde começar, Carlos. – dizia o Telesco.
Carlos. Ele sabia quem era mas não estava lembrando.
Lembrou-se então que Carlos era o noivo de Lediane. Se havia entendido corretamente, eles estavam à procura da garota. Carlos Stone, um rapaz de família importante e muito rica.
Os rapazes conversaram por algum tempo e saíram, olharam para Christopher que se fazia de disperso fumando.
Então estavam a procura da garota, Christopher decidiu que era hora de voltar, pois seu mais novo objeto de fixação estava só e ele queria estar com ela.
Quando chegou ao galpão, Lediane espiava os últimos raios de sol que entravam por uma fresta na parede. Ele sorriu internamente ao vê-la.
— Uma notícia para você, seus familiares estão a sua procura. Então agora é só esperar pelo momento adequado para agir.
— Você não os deixará chegar perto se por acaso eles conseguirem pistas sobre mim, não é? – ela disse, tristemente.
— Se eles forem inteligentes o suficiente eu deixarei que eles pelo menos tentem. Apenas isso, você quer saber mais alguma coisa? Estou disposto a responder uma pergunta sua, só uma.
— Qual seu nome? – ela poderia ter perguntado qualquer coisa, mas no momento essa foi a primeira pergunta que veio à sua mente.
— Christopher Hill. Não pense em dizer isso para as autoridades, eu saberei se você disser. – ele disse sentando-se encostado em cima do feno.
— Pretende me deixar sair viva? Por favor, responda-me. – ela suplicou com o olhar.
— Era apenas uma pergunta, mas para a sua sorte estou me sentindo generoso. Pensava que sim, mas ando pensando o inverso.
— Por que mudou de opinião? – perguntou ela, com medo da resposta.
— Porque não seria certo matar um anjo como você. – ele disse, olhando baixo. – Quer algo para comer?
A mente de Lediane fervilhou e tomando coragem ela disse algo que veio em sua mente, coragem era o que não lhe faltava.
— Você se arrepende do que faz não é? Você já fez isso muitas vezes pelo visto. – os olhos de ambos se cruzando e ela viu um lapso de culpa, magoa e tristeza.
Christopher Hill tinha algo de si para ser salvo, pensou ela.
Notas finais
x
Fale com o autor