O fogo se alastrava sobre a madeira, as vozes a sua volta eram baixas como as de quem queria se esconder, mas ao mesmo tempo a fogueira quebrava toda a simplicidade do momento. A brasa dançava em direção ao céu estrelado, porém a cena só se tornava emocionante para poucos dali.

Um ato de coragem, pelo o que parecia, fez um dos jovens aproximar a mão do fogo. Nenhum dali o interrompeu. E no final, quando puxou sua mão de volta com tranquilidade e lentidão, manipulou a pequena chama numa belíssima valsa.

Do outro lado da fogueira, um movimento com as mãos também era feito em direção ao solo fértil onde pisavam. Gentilmente fazendo uma margarida delicada brotar em frações de segundos. Arrancou-a e entregou para a criança em seu lado, finalmente tirando-lhe um dos sorrisos mais puros da face da Terra.

As pessoas tinham a felicidade estampada no rosto, mas também tinham a agonia cravada no coração. Apenas um deles mostrava suas feições de dentro á fora, com um olhar vazio para o nada. Um homem idoso.

– Estamos aqui há pelo menos uma hora... — Tomou a frente para falar. Sua voz era envolvida pela rouquidão da idade. — Nenhum de vocês se preocupa com o que pode acontecer conosco?

Ele deixou uma resposta vaga pelo clima, ninguém teve a coragem de responder a verdade. Realmente haviam se dispersado do perigo, e esqueceram de que o inimigo pudesse estar perto.

– Pois bem. — O velho suspirou, ainda olhando para o nada. — Partiremos pela manhã, pra evitar qualquer tipo de desastre por aqui. — E se levantou, jogando quase todo o peso no cajado que estava segurando. Uma mulher ao seu lado ajudou, levando-o para sua barraca.

A cada passo singelo que o velho dava, uma brisa forte balançava as árvores aos redores do grupo. O silêncio predominou as almas que antes estavam 'felizes', e num instante o assunto acabou... Mais ninguém tinha vontade de conversar, o único desejo era ir embora.