23 de novembro — Utah

A luz do sol refletia em seus grandes olhos castanhos escuros, que moviam-se freneticamente ao olhar por todas as extremidades do lugar. O evento mal havia começado e eram poucas as pessoas que estavam ali. Kennedy sabia que logo os formandos chegariam, e sabia que logo estariam jogando seus chapéus para o alto, com seus corações limpos e contagiados por alegria.

Jogar o chapéu..., ele pensou consigo mesmo, Eu prometo a mim mesmo que um dia terei a chance de fazer isso.

Kennedy era um rapaz pobre, deixado logo quando recém-nascido na porta de um mosteiro. Um lindo menino de cabelos pretos. O choro estridente, da criança sob o sereno, fez com que uma das freiras acordasse antes que suas cordas vocais se tornassem escassas. O coração da mesma encheu-se com amor assim que ela o pegou no colo e as lágrimas desapareceram em um sono profundo e tranquilo. De todo jeito convenceu suas irmãs para que a deixassem ficar com o menino até que se tornasse crescido o suficiente para tomar suas próprias decisões.

E ele ficou, ficou dezesseis anos com as freiras ajudando-as com suas tarefas. Kennedy cresceu em um lar simples, mas cercado pela bondade e pela palavra de Deus. Ele continuaria vivendo por lá se sua mãe não tivesse adoecido e, infelizmente, adormecido no sono da morte. Kennedy teve então de partir, não porquê fora expulso ou porquê ninguém mais o quisesse por lá, mas sim porquê ele quis aprender como era a vida.

– Senhor Erwin. — Alguém interrompeu Kennedy durante seus devaneios. Era Halford Mann, diretor da escola que organizava o evento. — Está tudo bem? — Sua preocupação foi indiferente para Kennedy, pois ele mesmo sabia que Halford se preocupava com tudo e todos.

– Ah, sim. Só me distraí um pouco. — Kennedy riu discretamente. — Obrigado.

– Se distraiu com o quê, jovem?

Kennedy estranhou a curiosidade do homem, Talvez seja mais uma das crises de preocupações, pensou.

– Com o passado. — Kennedy não tinha muita vontade de falar sobre o assunto, apenas disse a verdade junto de uma resposta vaga. Ou quase vaga.

– Entendo. Diga-me, jovem... Com que idade você está? — Perguntou ajeitando os óculos. — Foi você que montou o palco sozinho, não é mesmo?

– Tenho dezoito anos, senhor. — Kennedy não conseguia deixar de reparar na careca brilhante de Halford, brilhava tanto que parecia ter sido polida. — Sim, fui eu.

– Puxa, fez um bom trabalho, rapaz. — Halford deu dois tapinhas nas costas de Kennedy e saiu, indo á encontro com um par de coordenadores. Kennedy só conseguia olhar para a careca cada vez mais ofuscante do homem.

Vendo que seu trabalho já estava pronto por ali, foi sentar-se debaixo de uma árvore pra descansar e comer as fatias de um sanduíche que havia preparado pela manhã. Isso parecia mais bonito quando eu preparei, era o único comentário em mente após fazer a análise do sanduíche completamente destruído na suas mãos.

– Belo almoço. — Era uma garota, com toda certeza. Mas Kennedy não reconheceu pela voz, então deve de olhar em seu rosto. Nada adiantou, pois ele realmente não conhecia a jovem que sentava ao seu lado.

– Realmente. Mas eu juro que havia embrulhado com um plástico... — Kennedy e a garota riram simultaneamente.

O rapaz não deixou de perceber que ela era dona de linda bochechas rosadas e de um sorriso perfeito. Os cabelos eram castanhos escuros e sua pele era suavemente bronzeada. Kennedy reparou que ela estava sentada na grama usando seu vestido de formatura, azul turquesa.

– Como é seu nome? — A garota perguntou.

– Kennedy Erwin. E você?

– Anne — Ela sorriu novamente. Kennedy quase achou que fosse de propósito só pra que ela pudesse vê-lo com cara de bobo. — Anne Olsen...

Muito antes que Kennedy pudesse pensar em dizer outra coisa, alguém gritou por Anne. Ela se levantou e deu algumas batidas leves em seu vestido pra que a grama caísse.

– Te vejo outro dia, Ken.

O rapaz observou ela ir embora. Apesar de ter gostado da humilde companhia de Anne, ele também tinha achado esquisito. Kennedy olhou para baixo e encarou suas camiseta rasgada e manchada de o suor, a bermuda estava uma porquice, e provavelmente ele estava fedendo devido o trabalho de mais cedo... Então por quê ela falaria com ele? Eu realmente não faço a menor ideia, se auto respondeu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.