Notas iniciais
E quem é que disse que só voltava no ano que vem? Pois é. Voltei aqui, mas dessa vez é a última do ano. Essa semana eu vou me dedicar a escrever para poder voltar com tudo em 2016. Dedicando novamente a Gabriela, porque eu travei em uma cena e ela me ajudou, como sempre ajuda ♥ Espero que gostem!

#3

Eu faço o bem, não o mal

– Oi, K. – Disse Melanie ao ver Kurt aparecer em seu quarto. – Na outra noite quando eu acordei você tinha sumido, eu pensei que uma pessoa ruim tivesse pegado você.

– Mel, me desculpa, mas você sabe que eu só fico aqui até você dormir. – Disse o castanho dando um beijo na testa da pequena.

– Aquele moço ele não é um anjo, né? – Perguntou a criança.

– Não, ele não é. – Kurt disse um pouco triste ao pensar no moreno.

– Mas ele cuida de mim. Você sempre vem aqui três vezes na semana e, quando você não vem, ele vem cuidar de mim. – Ela disse sorrindo.

– Ele cuida de você? – Ele perguntou confuso.

– Cuida. Ele conta historinhas para eu dormir, as vezes canta para mim, assiste filmes comigo e fica aqui até eu dormir. Ele sempre me faz ter o mesmo sonho. Um sonho legal onde eu sou filha de dois anjos, e esses anjos se parecem muito com você e o tio B. Um deles tem olhinhos da cor do céu que nem você e o outro tem cabelo preto e com cacho igual do papai. – Ela disse e colocou a mão sobre a boca. Ela não deveria ter dito aquilo.

– Papai? – Ele perguntou ainda mais confuso.

– Ain, eu estou com um soninho. Eu vou mimir, tio K. – Ela disse dengosa, se virando para o lado, logo tendo os braços de Kurt a envolvendo. – Eu te amo, anjo.

– Boa noite, minha pequena. – Ele disse dando um beijo de boa noite nela.

Quando Melanie pegou no sono, Kurt se permitiu ir embora, indo para outro lugar onde uma de suas crianças ainda estivesse acordada.

Assim que o castanho saiu do quarto, Melanie se virou para cima e procurou pelo quarto para ver se ele ainda estava ali.

– Ele já foi embora, Mel. – Blaine disse aparecendo ao lado da criança.

– Papai, me desculpa ter dito “papai” na frente dele. Eu juro que não foi de propósito. – Ela disse cabisbaixa.

– Filha, você não precisa me pedir desculpas. Você tem apenas cinco anos e guarda mais segredos do que muitos adultos. – O moreno disse sorrindo para a pequena.

– Eu te amo, papai. – Ela disse sorrindo para o pai.

– Eu também te amo, minha pequena. – Ele disse depositando um beijo na testa da filha.

– Por que o papai Kurt não me ama como você? – Melanie perguntou com certa tristeza na voz.

– Ele ama você, meu amor. Ele só precisa lembrar disso. – Blaine disse pensativo. – Eu vou resolver isso, eu prometo.

– Pode me contar um pouco sobre vocês? – Pediu a pequena.

– Claro que sim. – Ele disse dando um sorriso.

*FLASHBACK ON*

– Ela é tão linda. – Kurt disse com a filha em seus braços.

– Assim como você. – Blaine disse dando um rápido beijo no marido. – Precisamos dar um nome a ela.

– Melanie. – Kurt disse sem nem pensar.

– É um belo nome. – Disse o moreno. – Algum motivo especial?

– Sim. – O Hummel disse sorrindo. – O apelido dela provavelmente será Mel e isso me lembrará da cor dos olhos do homem que eu tanto amo.

– Você é o anjo mais perfeito desse mundo. – Disse Blaine. – Eu te amo muito, Kurtie.

– Não, eu não sou o anjo mais perfeito. Você é. E esse anjinho aqui em meus braços, é o fruto do nosso amor. – Kurt disse sorrindo mais ainda.

*FLASHBACK ON*

– Vocês eram tão felizes. – Disse Melanie.

– O dia em que você nasceu foi o mais feliz da nossa vida. – Blaine disse com os olhos cheios de lágrimas.

– E por que o papai não sabe disso? – Ela perguntou tristonha.

– Porque eu cometi muitos erros. Talvez nem tantos, mas para o mundo dos anjos o que eu fiz foi muito grave. Se Kurt lembrasse e ouvisse a história inteira, ele não teria feito Sebastian apagar a memória dele e nós ainda estaríamos com você. Os três juntos. – Blaine explicou.

– E o que você fez de tão mal, papai? Você é tão bonzinho. – Ela perguntou ainda triste.

– Bom, eu... – Blaine foi bruscamente interrompido.

– O que você está fazendo no quarto dela? – Kurt perguntou bravo, com os braços cruzados.

– Eu só estava falando com ela. – Blaine disse na defensiva.

– Falando o que? Provavelmente você estava envenenando o pensamento dela, não é? – Blaine revirou os olhos ao ouvir aquilo. – Não revire os olhos para mim.

– Para um anjo, você julga demais. – Disse Blaine.

– Sai do lado dela. Agora. – Ele pediu e o moreno levantou de má vontade, revirando os olhos novamente.

– Amanhã eu volto! Dorme bem, princesa! – Blaine disse depositando um beijo na testa da pequena.

– Até amanhã. – Ela iria complementar aquela frase e Blaine sabia, por isso mandou um sorriso para ela antes de sair do quarto.

Enquanto Blaine caminhava pelas ruas sem saber o que fazer, ele lembrou-se de como ele era um bom anjo e de como a escuridão o domou. Ele sucumbiu ao mal tão rápido quanto o dia se torna noite, ou os segundos se tornam minutos.

O moreno apenas continuava a andar lembrando que agora a escuridão o dominava e ele não podia fazer nada para mudar. Não sozinho. Ele precisava de Kurt, mas o castanho nunca o perdoaria.

Se ele ao menos soubesse que o moreno não fez nada de errado. Ele apenas queria agradar, não planejava fugir. Não planejava fazer mal algum.

As palavras de Kurt ficariam para sempre atormentando a cabeça de Blaine. O castanho dizendo que havia confiado nele, amado ele, para ele traí-lo de uma maneira tão cruel.

Blaine ficou desolado com o término, foi expulso do cargo de anjo, se tornando assim um anjo caído. Ou um demônio, como preferirem determinar.

O Anderson só queria uma chance para se explicar, mas ele não consegue tomar uma iniciativa. A escuridão domina ele quase o tempo todo e, quando ela não domina, Blaine vai passar um tempo com Melanie. Ela é a única alegria que ainda não foi tirada dele. Ainda.

[...]

Alguns dias se passaram, mas tudo permanecia do mesmo jeito.

Blaine sempre visitava Melanie ao ver Kurt sair de seu quarto e ficava ao lado da pequena até ela dormir. Normalmente Kurt voltava para expulsar Blaine do quarto, até que chegou o dia em que ele não teve coragem de fazer isso.

Não era o dia de Kurt estar ali, mas ele precisava manter Melanie a salvo, assim como fazia com todas as crianças pelas quais era responsável.

Quando o castanho chegou ao quarto, ele se manteve invisível, pois Melanie e Blaine estavam sorrindo enquanto brincavam de algo que Kurt não conseguia decifrar. Quando chegou a hora de dormir, Blaine colocou a pequena na cama e colocou as cobertas sobre ela, as prendendo para a garotinha não passar frio durante a noite.

– Eu não quero mimir. – Ela disse dengosa.

– Ah, como eu me derreto por você, minha princesa. – Ele disse e sentou ao lado dela na cama. – Se você não quer dormir, eu acho que minha mão vai ter que encher você de cócegas. É isso o que você quer?

– Não, mas eu não quero mimir também. – Ela disse ainda mais dengosa.

– Você que pediu! – Ele disse e começou a encher a pequena de cócegas.

– Ain, papai, para! – Ela pediu e ele continuou a fazer as cócegas.

Foi nesse momento em que o mundo de Kurt simplesmente desabou. Que história era aquela? Blaine é pai? E pai da criança mais adorável que Kurt já conheceu? Aquilo não fazia sentido algum.

Sem nem perceber, Kurt ficou visível, dando um susto em Blaine e Melanie. O castanho estava chorando sem parar.

– Kurt?! O que houve? – Blaine perguntou preocupado. – Você está bem?

– Será que nós podemos conversar? – Perguntou o castanho.

– Claro. – Blaine disse e levantou da cama. – Dorme bem, meu amor.

– Você também. – Disse a pequena.

Os dois garotos foram para o pátio do orfanato e sentaram nos balanços das crianças, onde Kurt fitava o chão e Blaine fitava Kurt.

– O que houve? – Blaine perguntou novamente.

– Ela é sua filha? – Perguntou Kurt sem saber se realmente queria ouvir a resposta.

– Sim. – Blaine disse um pouco baixo.

– Por que não me contou? Se eu soubesse disso não teria te expulsado do quarto dela. – Kurt disse finalmente olhando nos olhos castanhos do moreno.

– Eu prefiro que você me expulse. Não posso ficar perto por muito tempo. – Blaine disse triste.

– Por que não? – Perguntou Kurt.

– Olha, eu não posso te explicar. Não ainda. – Blaine disse se levantando do balanço. – Mas se você aceitar, podemos ser amigos.

– Eu não sou como você. Eu faço o bem, não o mal. – Kurt disse e viu Blaine se agachar em sua frente.

– Kurt, a vida é feita de escolhas, não acha? Você escolhe se faz o bem ou o mal, não vai ser por minha influência que você vai mudar. Você pode viver ao meu lado, ver o que eu faço e continuar sendo esse anjo maravilhoso que é, protegendo inúmeras crianças, consertando os meus erros, transformando em sonhos os meus pesadelos. – Blaine disse olhando profundamente nos olhos de Kurt. – Eu sou um pesadelo e eu só passo isso para as crianças, mas você é o anjo que pode consertar tudo isso... pode me consertar. Eu só preciso de tempo. Se você me der uma chance, eu poderei te explicar tudo. Então, o que você escolhe?

Notas finais
Gostaram? Me deixem saber! Bom ano novo para vocês, meus amores ♥ Vejo vocês em 2016. Beijão ♥