A Sombra da Vida
1 Capítulo 1 - O Primeiro Fim do Mundo
- Papai, onde você acha que o Tobi está agora? Ele está nos vendo aqui? – Denílson olhou para Liliane, sua única filha, uma garota saudável de sete anos de idade, ele sempre dizia que ela era bem avançada para sua idade, com cabelos longos cacheados na cor dourada, sua pele tão clara como a neve era capaz de transmitir de longe a pureza que emanava. Denílson nunca havia visto uma criança tão boa quanto ela, dizem que olhamos para nossos filhos de maneira diferente, mas nesse caso, ele havia feito muitas comparações, tanto com os filhos da vizinha, dois gêmeos pestinhas da mesma idade de Liliane, ambos só pensavam em aprontar para chamar atenção, tinha também o seu sobrinho Michael, um garoto calado e meio frio, com seis anos, ele se perguntava como alguém poderia ser assim logo cedo, e no colégio de Liliane, haviam outras várias crianças que não se comparavam com o que sua filha era, por mais que a olhasse todos os dias, ele nunca se cansava, achou que aquilo era um milagre, mas logo riu de si mesmo, afinal, Denílson não acreditava em nada que não fosse físico e que tivesse uma explicação plausível. Milagres não existem, para ele, aquilo era uma grande bobagem criada pela massa para se agarrar em falsas esperanças, como por exemplo, acreditar que um ente querido vai se salvar de um câncer fatal, apenas porque eles creem em algo maior, isso os dá força, eles acreditam até o fim, e isso acaba gerando mais sofrimento do que apenas aceitar a realidade. Não é difícil ver as coisas como elas são, pensava Denílson. Enquanto fitava o céu azul, seus olhos cor de mel se fechavam aos poucos, a claridade dizia que aquele verão seria bem quente, ele estava parado junto de sua filha depois de ter enterrado Tobi, o gato de estimação que ele havia dado para Liliane a dois anos, ele havia sido atropelado por um caminhão, Denílson pensou que devia, inicialmente, ter mentido para a garota, dizendo que o bichano fugiu ou foi morar com sua namorada, mas ele não achava certo isso, falar em papai noel, em coelho da páscoa, iludir sua filha, a coisa que mais amava no mundo, para ele, encher as pessoas de esperança é o mesmo que armar uma bomba relógio, ou o mesmo que ir comendo fast food todos os dias. No começo, tudo seria ótimo, muito bom, lanches gostosos, o marketing vencendo, mas o futuro reservaria uma obesidade mórbida, bullying escolar além de problemas cardiovasculares e solidão. Denílson não queria sua filha sozinha, ele a fitou novamente, e pensou na possibilidade do ‘tal milagre’, ele sorriu e disse que a evolução é que estava correta, os filhos eram o que os pais ensinavam, e se Liliane era uma garota pura, aquilo era graças ao tratamento que ela recebia de si e de sua esposa, que também era uma pessoa boa. É claro que deveria existir mais crianças como ela por aí, poucas, afinal, o mundo de hoje não permite com que os pais deem a melhor educação para seus filhos, a maioria deles está ocupado fazendo dinheiro ou saindo com os amigos, as crianças são deixadas às custas de babás, babysisters ou domésticas, tanto faz os termos, a realidade era que, crianças como os gêmeos que moravam ao lado de sua casa, cresciam sem a sombra de um pai, tudo que eles iriam ver daqui pra frente era conteúdo de toda espécie na internet, as crianças são criadas hoje em dia vendo o lixo da tv aberta e participando de fóruns em alguma rede social do momento, essa não era a educação que ele queria dar para sua filha, definitivamente, Denílson achava que sua família era totalmente oposta à sociedade, ele estava um patamar acima, e nada nem ninguém poderia mudar aquilo, quebrar o paradigma que ele mesmo criou, Liliane iria crescer sendo uma bela garota como sua mãe, ele então, quando estivesse velho, se orgulharia de todo esforço estabelecido durante esses longos anos em que batalhou para que sua filha fosse alguém diferente do gado que apenas vagava sem rumo na humanidade. Pensando assim, o homem respondeu à pergunta de sua filha com um sorriso no rosto:
- Filha, Tobi está descansando agora, ele foi pra um lugar melhor que esse mundo, com certeza, ainda nos lembraremos dele, não importa o que aconteça. – Essa resposta curta e fria foi a sinceridade de Denílson desafiando seu amor paterno, ele prometeu para si mesmo que não iludiria as pessoas que amava, mesmo vendo a expressão abatida de sua filha com sua resposta, ele pensou que ela iria crescer melhor desse jeito, sem acreditar que anjos vão descer do céu trazendo seu gato no colo. Liliane olhou mais uma vez para o túmulo do felino, era uma cova simples, na verdade, o gato nem estava lá, o caminhão havia o partido no meio, não tinha sobrado muita coisa, então o rapaz apenas fez uma encenação para a garota, nisso ele não via problemas em mentir, afinal, não queria que sua filha soubesse da forma horrível que seu animal morreu. Mas afinal, ele estava morto, todos morrem, pensou Denílson, que diferença fazia a forma? Quando enterrados, tudo acabou, dor, alegria, sofrimento. Ele olhou novamente para o céu, e dessa vez, uma nuvem escura cobria todo seu quintal retangular, ele pensou novamente no que disse para Liliane, lembrando de todo mal que jaz naquele mundo.
- Pensando bem, filha, Tobi está muito melhor agora, pode acreditar.
O Primeiro Fim do Mundo – Capítulo 01
25 de Dezembro de 1999 – São Paulo – SP
Denílson achava cômico o fato de sua filha ter nascido no dia 25 de dezembro. Para ele, só uma data, um dia qualquer, mas para a grande maioria, natal, uma época pra se comemorar o nascimento de ‘Jesus’, quem nascesse nesse dia será que ganharia super poderes? Era o que o homem imaginava em sua adolescência, alguns conhecidos diziam que Liliane tinha sorte, que era abençoada. De novo veio a sua mente o tal do milagre, sempre é algo assim, ninguém nunca pensou no fato dele ter transado com sua esposa exatamente em um período que resultasse que Liliane nascesse exatamente naquele dia, como milhões de pessoas naquele mundo. Mas quem ligava pra menino Jesus, os carneirinhos, os reis magos e etc? O capitalismo precisava de fachadas, e essa era uma bem milenar, gastar desenfreadamente enquanto se comemora o nascimento de um ser que nem se quer existiu, pensava Denílson enquanto tomava uma taça de champagne sentado na poltrona preta e antiquada de sua sala enquanto observava Liliane abrir um presente enorme que havia ganhado de sua avó que tanto a mimava.
- Olha papai, um Pooh! Ele é enorme. – A criança que fazia oito anos se aproximou de seu pai com a pelúcia agarrada junto de seu peito, seu sorriso branco fez com que Denílson esquecesse a hipocrisia que transcorria aquela data, afinal, podia ser uma fachada, mas as pessoas estavam felizes, havia comida boa e presentes, acho que a religião pode ter lá seus lados bons, pensou o homem enquanto olhava para sua esposa que trazia um enorme peru até a mesa que se encontrava no centro daquela sala.
- Acabei de tirar do forno, do jeito que você gosta mãe. – Laura era uma mulher e 34 anos, professora de antropologia na universidade paulista, ela era uma mulher com uma aura vívida, seus olhos negros enormes juntos de seu sorriso sempre aberto contagiavam todos ao seu redor, ela realmente conquistou Denílson à primeira vista, o homem lembra até hoje, foi naquele cinema antigo no Viaduto do Chá, ele já tinha 17, mas ainda assim nunca havia beijado uma garota. Laura sentou do seu lado, e ele começou a puxar conversa com ela, não esperando nada romântico, na época, ele era um garoto de família que nem se quer pensava em arrumar uma namorada, mesmo tendo sentimentos pelo sexo oposto e vontades de um adolescente em puberdade. Ele começou a falar sobre o filme, afinal, Alien era um filme aguardado pela maioria que era fã de ficção, ele estava ansioso demais por aquilo, e meio a isso, pôde conhecer o amor de sua vida, para ele, nada poderia ser mais propício, conhecer uma pessoa que se adquiri afinidade em um local que ambos possuem o gosto em comum, diferente da irmã de Laura que dizia que o destino sempre fazia as coisas corretamente. Mais uma maldita desculpa pra explicar coisas simples. Denílson era grato ao alienígena, ele conheceu a mulher mais perfeita do mundo graças a ele e àquela sala de cinema que hoje nada mais é que um puteiro de baixa categoria.
Enquanto todos estavam sentados naquela mesa toda enfeitada, Denílson percebeu que os anos haviam se passado rapidamente, e nada havia mudado. Sua família estava ali, feliz, sua filha crescendo, aprendendo coisas novas, sua sogra sempre paparicando Liliane, as duas irmãs de Laura fofocando como sempre, as coisas podiam parecer tediosas do ponto de vista dos mais críticos, mas ele queria que essa paz durasse por um longo tempo, por mais que lá fora, o mundo que conhecia era totalmente sobreposto ao seu, Denílson era psiquiatra a mais de 15 anos. Com seus quase 45 anos de idade, o homem lidava com todo tipo de pessoas com traumas e pessoas desmotivadas a continuarem vivendo, ele ouvia relatos que tentava descartar quando pisava para fora do seu consultório, todos os dias, ele tentava resetar sua mente, tentando imaginar que aquelas coisas que ouvia faziam parte somente do seu âmbito profissional, afinal, o mundo estava cheio disso. Pessoas que sofriam por serem gordas, homossexuais com medo de apanhar na rua, crianças perturbadas pela separação dos pais, tudo aquilo para ele era mais do que normal, a sociedade tinha coisas boas e ruins, não dava pra viver sem esse equilíbrio.
- Papai, vamos mesmo pra Ubatuba no ano novo? Mamãe já foi comprar um biquíni novo pra mim! – Liliane dizia isso com um sorriso empolgado em seu rosto enquanto comia um pedaço de lombo defumado.
- Mas você já foi abri a boca Laura! – Denílson queria manter surpresa, mas sua esposa nunca aguentava ficar calada.
- Eu tive que dizer, ela ficou o tempo todo me perguntando o que tínhamos discutido naquela noite depois do jantar, e você sabe como a Lili é persistente. – Lili era o apelido que Laura havia dado para sua filha, e erguendo as sobrancelhas enquanto olhava para a pequena, Denílson balançava sua cabeça gesticulando para a garotinha, fazendo ela sorrir de maneira travessa.
- Por Jesus Laura, não esqueça de passar protetor solar nessa menina de hora em hora, você lembra o que aconteceu da última vez não é? – A mãe de Laura sempre achava algum motivo para se preocupar com a pequena Liliane, ela tomava fartos goles de vinho branco enquanto dava os sermões em sua filha.
- Quem manda ela ser branquela desse jeito? Haha – Denílson parecia ter deixado Liliane emburrada, a menina fitou seu pai com certa malevolência.
Aquele natal, para Denílson, era apenas o aniversário de Liliane. Aquele natal, era o que ele sempre queria.
31 de Dezembro de 1999 – São Paulo – SP
- Denílson, não acha que tá na hora de ouvir outros tipos de música? Estamos ouvindo Paralamas do Sucesso desde que saímos da capital, eu não aguento mais a voz do professor Xavier. – Denílson havia sorrido com a referência cômica de sua mulher para com o vocalista de sua banda favorita, mas ele achou certo que ela agora escolhesse alguma outra banda ou estilo musical, mesmo que para ele, ela tenha um péssimo gosto.
- Só não colocar aquelas músicas de corno que pra mim tudo bem. – Denílson se concentrava na estrada em sua frente, ele, junto de sua esposa e filha, estavam indo passar o ano novo em Ubatuba, uma viagem planejada a meses, eles ficariam uma semana por lá, a primeira viagem ao litoral depois de 4 anos, Denílson já estava com saudade daquela brisa refrescante do mar, apesar de não gostar muito da lotação que essa época proporcionava.
- Eu não sei como a Lili dorme com o som ligado, essa menina tem mesmo sono pesado, puxou pra certo alguém. – Laura olhou de relance para Denílson que deu de ombros. Ele então olhou rapidamente para a menina no banco de trás. Ela estava dormindo profundamente, devia ter ficado acordada de ansiedade na noite passada, ela parecia realmente um ser de outro mundo, pensou Denílson olhando novamente para frente. Foi nesse momento que Denílson se lembrou de um acontecimento de dias atrás. Voltando do seu trabalho, Denílson viu um senhor que andava de bicicleta ser atropelado, isso bem em sua frente. Mas ele pensou: Isso acontece todos os dias, pessoas morrem em casa, no trânsito, em qualquer lugar. Porém, isso o incomodou por alguns dias. Sempre que se deitava, o rapaz pensava naquele senhor. Será que ele tinha família? Será que ele deixou filhos pra trás, ou morreu sendo solitário? Denílson não possuía aquilo que chamavam de empataria, ele tentava ver as coisas com frieza e da maneira que elas ‘eram’, mas aquele homem havia lhe incomodado. Ele não parecia ser alguém que merecia morrer, era esse ponto que batia na testa de Denílson. Havia muitas pessoas pelo mundo que mereciam morrer, assassinos, estupradores, mas todos eles, na maioria, nem presos eram, viviam vidas comuns, gozavam de saúde e bem estar, foi então que ele riu da ironia que chamavam de Deus, a justiça divina era falha assim como a justiça na terra, a pessoa que atropelou aquele senhor no máximo foi multada, e voltando à realidade, ele viu uma carreta enorme em sua frente, o homem odiava quando alguma scannia bloqueava sua visão.
- Tem sempre um filho da puta desses. – Denílson jogou o carro para o lado esquerdo, tentando ver se vinha vindo algum outro veículo, ele então voltou rapidamente para sua faixa quando um corsa passou acelerado no outro canto.
- Ei, cuidado! – Disse Laura enquanto arrumava seus cílios no espelho. Denílson tentou mais uma vez, jogou o caro para o lado, e dessa vez viu um único gol a uma distância considerável, ele vinha acelerado, mas o rapaz pensou que se pisasse fundo daria tempo de passar o caminhão. Ele então jogou o seu Renault para a outra pista e acelerou, chegando a colocar seu carro a 140km/h, porém, naquele momento, ele percebeu que já estavam em uma descida, e que um caminhão em uma descida ia bem mais rápido que um carro comum. Naquele momento Laura já começou a ficar inquieta, ambos viam o gol se aproximando e Denílson ainda não conseguiria apodar o caminhão. Ele começou a buzinar, mas parece que o motorista do caminhão estava pouco se lixando, Denílson olhou para o lado na estrada, havia uma placa enorme dizendo: ‘Venha comemorar o fim do mundo em nossa estância, porque o mundo não vai esperar por nada’. Ele então pisou o mais fundo que podia no acelerador, e poucos segundos antes do gol passar naquela pista, ele havia jogado o carro na frente do caminhão, conseguindo a ultrapassagem enquanto ouvia xingos e buzinadas do motorista do gol.
- Denílson! Da próxima vez perceba que é uma descida. – Denílson ficou tão empolgado com a ultrapassagem que se esqueceu que ainda estava na descida, e que mais adiante, havia um trevo, ele devia ter reduzido a velocidade, mas quando tirou o pé do acelerador, havia um ônibus que veio do lado esquerdo e atingiu seu carro em cheio, o veículo devia estar a mais de 140km/h, era um ônibus de um excursão escolar, naquele momento, a vida de Denílson parecia que havia entrado em um modo de câmera lenta. Ele apenas viu os faróis do ônibus atingindo a lateral do carro, onde ele se encontrava, pensou rapidamente que iria morrer, mas pediu, pra alguém, pra alguma força, pra algo que ele não acreditava, que salvasse sua filha e sua esposa, parecia que o tempo havia parado, que Denílson estava na rota entre a vida e a morte, e que a lentidão se estendia para que ele pudesse sentir o desespero, pouco a pouco, foi quando, antes da colisão, ele olhou para sua esposa, e viu nos olhos dela alguém que o havia salvado anos atrás, alguém que tinha lhe dado sua coisa mais preciosa na vida, um motivo para continuar vivendo, uma válvula de escape dos seus dias no consultório psiquiátrico, o remédio que ele recebia pelas infecções diárias, aquilo tudo passou em sua mente em uma fração de segundos, e a última coisa que ele pensou, foi naquele homem atropelado. Quando ele se lembrou do que era mais importante em sua vida, ele sentiu um forte impacto e fechou os olhos esperando a conclusão daquilo tudo, o carro foi arremessado para a ribanceira lateral da pista, em uma velocidade, incrível, ele capotou oito vezes antes de finalmente parar de ponta cabeça, Denílson ainda estava acordado, mas só conseguia enxergar pequenos vultos ao seu redor, ele sentia cheiro de gasolina e sangue, não sentia dor, mas somente frio, sua consciência estava sendo tomada aos poucos, ele tentou olhar para o lado, mas não conseguia, foi então que se entregou ao cansaço e finalmente desmaiou.
Denílson teve um longo sonho, um sonho com aquele senhor que havia morrido atropelado. Assim como Tobi, assim como várias outras pessoas. A morte para Denílson era algo natural, que todos teriam que enfrentar, e de algum modo, ele não tinha medo, o senhor naquele sonho pegou sua mão e sorriu, ele parecia tranquilo. O homem olhou para todos os lados e queria encontrar sua filha e esposa, mas tudo que podia ver era um deserto, coberto com nada.
1 de Janeiro de 2000 – Hospital da Consolação – SP
Denílson foi abrindo seus olhos lentamente, ele parecia ter acordado de um profundo sono de décadas, ele observava o teto branco do hospital, um clima úmido ao seu redor, cheiro de soro, seu corpo todo dolorido o fazia estremecer, ele então percebia a situação em que estava e abria seus dois olhos rapidamente. O homem tentou inclinar sua coluna para frente, mas a dor era maior, foi então que ele percebeu que não havia mais ninguém naquele quarto, a janela estava aberta do lado de sua cama, o dia estava chuvosos, era o primeiro dia do ano, assim como marcava o calendário pendurado na parede ao lado da tv. Ele pensou em Liliane e Laura rapidamente. Com um grito, uma enfermeira veio correndo até o quarto.
- Então você acordou, pelo visto consegue se mover um pouco. – A enfermeira era uma senhora simpática por volta dos 50 anos, ela não parecia muito contente com o despertar do seu paciente, foi o que percebeu Denílson.
- O que aconteceu?
- Você sabe, um ônibus bateu contra seu carro. – Denílson olhou para o seu corpo, apesar de cortes e hematomas, não havia quebrado nenhum osso, nenhum ferimento interno. Ele se aliviou, pensou que a batida não havia sido tão grave, afinal, ele viu várias batidas na televisão, quase sempre as pessoas eram só hospitalizadas.
- E onde estão minha mulher e minha filha? Elas estão bem? – Foi naquele momento, que um médico entrou no quarto, ele tinha a mesma idade da enfermeira, parecia um senhor sábio e calmo.
- Denílson, felizmente você não teve nenhum ferimento grave, apenas suas costelas ficaram fraturadas e você deslocou o ombro, mas nada mais. – Denílson percebeu no mesmo instante que havia algo errado nos olhos daquele médico.
- Tá mas e minha filha? E minha mulher? Elas sofreram danos maiores? – O médico ficou calado por um instante. Ele viu os olhos do homem em sua frente se encherem com lágrimas, então, se desculpou com Denílson levando uma de suas mãos até seu ombro direito.
- Fizemos tudo que podíamos filho, eu sinto muito. Elas não aguentaram. – Naquele instante, Denílson olhou para o céu nublado lá fora. Havia alguém mesmo fazendo tudo isso? As lágrimas caíam de seus olhos enquanto ele soltava um grito aterrorizador que ecoava por todo hospital. O mundo havia acabado dia 31 de dezembro de 1999.
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