A Sombra da Vida

2 Capítulo 02 - Sombra


1º de Março de 2000

O tempo, ele passa como se não fosse nada. Um minuto pode decidir muitas coisas, assim como pode destruir outras, nem é preciso de um minuto, uma única fração de segundo, basta um momento para que vidas sejam jogadas fora, um acontecimento solo para mudar a vida de alguém, que mudará a vida de outro alguém, um fluxo caótico, o mundo era tomado pelo tempo, de fato, era o que sempre diziam, pensou Denílson cerrando suas unhas contra a palma de sua mão. Se o tempo era tão relativo como aquelas teorias de algum senhor importante, então o que fazia ele, ali, parado no espaço curvo, preso na escuridão que parecia não se mover? Se os ponteiros, em algum lugar, corriam para frente, desde o dia em que abriu seus olhos e olhou para aquele teto braço, ele só conseguiu ver ruínas caindo em sua direção, elas apenas caíam, lentamente, mas nunca o atingiam. O homem se negou a acreditar que tudo havia terminado, assim como começa, o ponto de partida era uma ficção que ele construiu, um roteiro elaborado, sua mente vazia era recipiente para o total sofrimento incansável em que se submetia em seu quarto escuro e úmido. Dois meses haviam se passado desde que o homem recobrará seus sentidos de ser humano, ou pode-se dizer, desde que ele pisou para fora do hospital. Durante o primeiro mês, Denílson soube que a lesão em seu ombro era mais grave do que o médico lhe informou, um cirurgião experiente que havia errado em uma simples análise de fratura óssea primária, tudo bem que vivemos no Brasil, Denílson imaginou, mas aquilo era cúmulo da incompetência. Quando soube do falecimento de sua esposa e filha, o rapaz apenas ficou deitado na cama do hospital, durante um dia todo, sem reação, apenas com os olhos fixos e mortos em um único ponto, no relógio que ficara de frente para si. Do seu lado, havia um crucifixo com a imagem de Jesus, o médico devia ter se perguntado, para qual dos dois Denílson estava olhando. Eles tentaram de tudo para reanimar o homem, mas ele não dizia nada, não respondia a ninguém, apenas vivia submerso em um lugar onde ninguém era capaz de alcança-lo e nem bem-vindo. Denílson, naquela primeira noite depois do fim do mundo, havia pensado consigo mesmo: Por que o tempo parou? Por que sou o único vivo? Ele continuava, incansável, fitando aquela direção da parede, pensando como ele poderia continuar sua ‘vida’, durou pouco, mas ele conseguiu respirar, os momentos com sua esposa e sua filha, foram anos em que, pela primeira vez, o rapaz se sentiu realizado, antes disso, ele era apenas mais um ser vagante que não tentava compreender nada ao seu redor, apenas aceitava ser um assalariado, aceitava todas as desgraças que via. Cansado, naquela noite, Denílson fechou os olhos e ouviu uma voz lhe chamando. De onde ela vinha? Aquela voz rouca, sua própria voz, que dizia para ele desistir do sonho, pois as luzes haviam sido, definitivamente, apagadas.

Capítulo II – Sombra

Denílson se encontrava sentado na sua poltrona, sua casa estava totalmente bagunçada, ou em termos mais concretos, destruída, ele não recebia visitas nem atendia ligações desde que saíra do hospital, se não fosse pelas irmãs de Laura, ele havia ficado sem energia elétrica, pois ele não havia pisado para fora de sua casa desde que chegou, tudo que ele fazia era dormir, chorar, xingar o falso Deus que ele não acreditava mas odiava, ele comia apenas o que encontrava, bolachas velhas no seu armário, macarrão vencido, tomates podres, pra ele tanto fazia, comer ou não, nada disso iria acender as luzes novamente, nesse período de tempo, Denílson estava fedendo, sua barba havia crescido consideravelmente cobrindo todo seu rosto sujo, seus olhos afundados em seu rosto com enormes manchas escuras, as caixas de cigarros jogadas pela casa, ele havia perdido 5 quilos, estava doente, em várias noites a febre lhe atacava e ele tomava os remédios que encontrava, sem se preocupar, inconscientemente, o homem tentava acabar aos poucos com sua vida, mas mesmo comendo comida estragada, mesmo se dopando com sabe-se lá o que, ele continuava a respirar, sua casa estava completamente trancada, vários familiares, até mesmo de outros estados, tentavam incansavelmente falar com o homem, mas ele apenas ignorava, havia fechado todas as cortinas, reforçado onde ele via que entrava o mínimo que fosse de raios solares, não queria que nada entrasse lá, nem um inseto qualquer, ele pertencia àquela caixa, ao calabouço em que sugava sua alma partida a cada segundo. Tudo que ele fazia era ficar sentado encarando o relógio, vários móveis da casa eram quebrados todos os dias por seus súbitos ataques de fúria, todas as televisões foram partidas ao meio, na cozinha não havia mais pratos ou copos, em cada canto podia-se ver um tipo diferente de destruição, e nada disso saciava o desejo do homem em ver o mundo todo queimando, se fosse pra ser assim, se a vida fosse pra ser um mar de sofrimento, por que não acabar logo com tudo? Denílson pensou que se tivesse a chance, explodiria tudo, sem nem piscar, não somente pelo que aconteceu com ele, mas a cada noite, Denílson sonhava com seus pacientes, com tudo que eles haviam sofrido, e lá fora, haviam pessoas piores, pessoas que não tinham condições de pagar um psiquiatra ou até mesmo de comer. Certamente ele já não era mais um profissional, não pensava mais em trabalhar, queria que aquelas pessoas que, às vezes, lhe imploravam por ajuda, sucumbissem na dor, afinal, era daquilo que o mundo era criado.

O homem, em certa noite, enquanto ouvia o som do vento bater em sua janela, resolveu, mais uma vez, pegar uma foto que ficara junto do seu criado mudo, ela permanecia em uma pequena moldura, uma das únicas coisas em sua casa que ele não havia quebrado, na foto estavam ele, sua amada e sua filha. Eles haviam tirado aquela foto no primeiro aniversário de Liliane, o dia em que Denílson prometeu que todos os anos, até ela sair de casa, eles tirariam uma foto, todos juntos, no seu aniversário. Ele queria que ela realmente nunca saísse de casa, era isso que ele pensava enquanto a irmã de Laura batia a foto. Ele esperava, no fundo, que Liliane se casasse com um homem bom, alguém que ele não odiasse tanto, é claro que sentia ciúmes demais de sua única filha, queria ela sempre ao seu lado, mas prezava, mais do que tudo, por sua felicidade. Imaginou ela se formando, ele chorando sentado em uma daquelas poltronas duras em um salão nobre que cheirava a coisas velhas, vendo sua filha com um diploma na mão, imaginou ela em um altar enquanto ele e sua esposa, na faixa dos cinquenta anos de idade, se preparavam para viver sozinhos em sua casa, pensando na aposentadoria, em adotar algum cachorro, ele havia criado vários planos para o futuro, olhava para as duas na foto, pensava, em todos, todos os planos que foram colocados no papel, mas que agora, eram linhas riscadas. — ‘Quais meus planos? Qual meu objetivo? Por que eu estou com essa merda na mão!?’ – Tomado por fúria, ele arremessou o retrato contra a janela, fazendo o vidro trincar. Ele levou suas duas mãos em seu rosto enquanto chorava, não havia mais nada, pensou... Era hora de criar coragem.

Se levantando rapidamente da cama, o homem foi em direção ao seu guarda roupas, jogou várias sacolas e caixas vazias contra o chão, colocou um de seus braços na última porta do alto, e de lá, tirou uma pequena caixa preta, a colocou rapidamente em cima da cama, e ao abri-la, havia um revólver prateado com 5 balas colocadas ao seu lado. Aquela caixa quase nunca foi aberta, parecia que ele havia comprado a arma hoje mesmo. O som do ponteiro do relógio ecoava na mente de Denílson. O tempo acaba com tudo, pensou enquanto carregava o revólver. O vento lá fora ficara mais forte, ele olhou para a fotografia jogada no chão, viu o sorriso de Laura, o quanto ela cuidava de si, todos os dias, e o quanto ele não deu valor suficiente para aquela família, o quanto ele achou que, aquilo, era indestrutível. A culpa não era o sentimento que impregnava o rapaz, mas sim, a impotência. Ele tinha sobrevivido, mas por que? Perguntar isso para quem? Era sua questão, pois ninguém o ouvia, nem ele mesmo.

Denílson se levantou e foi em direção a um espelho enorme que ficava na entrada do corredor que levava até o banheiro. Apenas a luz da sala, bem fraca, clareava metade do local estreito, ele podia ver apenas metade do seu rosto, seu coração batia acelerado, ele não pensava em mais nada, parecia que o espaço que percorria seu universo fora tomado pelo vácuo, ao encostar o cano gelado da arma em sua testa, ele olhou fixamente para sua imagem opaca no espelho, seus olhos ainda estavam vivos, foi a primeira vez que o homem pensou depois de ouvir ecos do silêncio.

“O que Liliane pensaria de mim, caso eu fizesse isso? Eu sei que sou fraco, sempre fui, mesmo parecendo ser responsável, aquela imagem de homem de família nada mais era do que uma farsa pouco aparente, acho que até Laura já sabia minha verdadeira identidade. Eu pensava que estava um passo à frente de toda sociedade, mas eu estava no mesmo lugar. Aquilo foi quando mesmo...?” – Denílson lembrou de uma paciente que atendeu em 1998, era uma terça feira fria, ele estava prestes a fechar seu consultório, quando aquela garotinha em uma cadeira de rodas entrou acompanhada de sua secretaria. Ele nunca havia visto um sorriso resplandecente em toda sua vida. Mesmo Liliane, que era seu maior tesouro não tinha aquela aura tão viva. Mesmo em uma cadeira de rodas, Denílson pensou, ela demonstra estar feliz, não tinha como aquilo ser fingimento. Sendo assim, por que ela está aqui? Não fazia sentido, o homem olhou para a garota enquanto ela dizia seu nome sorrindo em sua direção, não fazia o menor sentido, se fosse eu, pensou, ao estar em uma cadeira de rodas, eu preferiria estar morto! Denílson jamais pensou em viver com alguma deficiência ou debilitado, ele não desejava isso pra ninguém também, foram raros os casos de pessoas com algum tipo de problema físico que ele consultou, mas aquela garota cujo nome era Carla, foi o caso mais especial que ele se deparou. Carla havia perdido sua mãe e seu pai em um acidente, ela foi a única sobrevivente, mas com a consequência de se tornar paraplégica. Ela vivia com uma tia, havia se mudado de cidade, se afastado de todos os seus amigos, nem ir à escola ela podia mais, mas mesmo assim, contou ela ao homem perplexo sentado em sua frente, mesmo assim, ela queria lutar, até o fim, para honrar a vida que seu pai e sua mãe haviam lhe dado. Ela contou que eles sempre fizeram tudo para ela, e que se ela desanimasse, como eles se sentiriam no céu? Quando ela mencionou a palavra céu, Denílson começou a suar frio, ele pensou que aquela garotinha era mais uma criatura iludida na vida, tentando lutar, seguindo em frente baseada na ficção que lhe impuseram, mas de algum modo, naquele momento, ela parecia mais feliz, do que o rapaz estava, vivendo com sua esposa, com sua filha, ganhando bem, com a saúde em dia. Ela disse que estava lá porque sua tia insistiu, disse que ele poderia recomendar alguns remédios para sua insônia. O mais engraçado foi que a tia da garota não chegou a entrar no consultório, mesmo ela tendo apenas doze anos, o que era contra suas normas, mas mesmo assim resolveu consulta-la, e chegou à conclusão de que ela não precisaria de remédio, naquele dia, era Denílson quem havia sido ‘consultado’ e aprendido uma lição que foi como um choque em seu peito. Depois daquele dia, Carla nunca mais apareceu, ele tentou ligar para o número que ela havia deixado no cadastro com sua secretária, mas ele parecia não existir. Durante esses anos Denílson pensou que aquele dia, não havia sido nada mais que um sonho. Olhando novamente para o espelho em sua frente, Denílson abaixou o revólver. Ele se encarou, e com raiva, deu um soco no espelho, o quebrando. Naquele momento, o rapaz se preparou para finalmente pisar para fora de sua casa.

A luz do sol quase o cegou, demorou cerca de dois minutos para ele se acostumar, tanto com o sol, quanto com o ar puro, ele estava vivendo confinado, mal conseguia caminhar, suas pernas doíam, ele não se lembrava ao certo a direção em que as ruas o levariam. Ao pisar na esquina, ouviu um carro passar com a música ‘The End’, do The Doors. As pessoas o olhavam assombradas, ele tentava ignorar isso, mas querendo ou não, ficou famoso em seu bairro depois do ocorrido, vários vizinhos tentaram ajuda-lo mas foram todos ignorados, por conta disso, a maioria havia adquirido certo desprezo pelo homem que caminhava olhando para o chão, com os olhos semi fechados, uma camisa de manga comprida e uma calça de moletom, seus sapatos cor de chumbo velhos pareciam largos em seus pés finos, ele caminhava, mas não sabia ao certo onde estava indo. Denílson andou, andou até que encontrou uma praça, ele se lembrou rapidamente que levava sua filha para brincar ali quando ela era bem pequena, havia um espaço com areia e alguns brinquedos, algo raro naquela cidade, estranhamente, o local estava vazio, assim como toda região em que Denílson percorreu, tudo estava estranho, ou era ele mesmo que não havia percebido que tudo estava normal devido ao tempo que ficou trancafiado? Denílson se sentou em um banco de concreto todo rachado, e em sua frente, havia uma igreja católica. Durante todos os anos em que o homem levou sua filha para brincar ali, aquele templo lhe passou despercebido, mas no momento em que o rapaz se sentou e olhou para frente, ele sentiu um enorme aperto em seu coração, ele olhou em câmera lenta pra cima, até ver a imagem da pomba branca que representava o espírito santo. Por que, nesse momento, pela primeira vez, Denílson vislumbrou a beleza daquela igreja? O rapaz se lembrou do seu casamento, foi em uma igreja em Jundiaí, quando saiu de lá com sua mulher, decidiu que a levaria rumo à felicidade, mas tudo que fez, foi leva-la à morte. O rapaz começou a chorar impulsivamente, quando um senhor de bicicleta passou sua frente com um rádio de mão em seu bolso, ele estava sintonizado em alguma rádio local, e pode ouvir algumas poucas palavras do locutor que dizia; ‘O número de mortos chegou a 120 essa manhã...’ “Número de mortos? Aconteceu alguma coisa? Denílson havia parado de chorar, a tristeza em seu peito havia se tornado em angústia, uma melancolia que ele não podia explicar. Ele havia pegado uns trocados antes de sair e enfiado em seu bolso, mesmo fedendo a peixe morto, sem tomar banho a semanas, ele decidiu ir até uma padaria, querendo ou não, estava com fome de algo que não fosse miojo ou porcarias aleatórias que encontrava em sua casa. Quando sentou no banco da primeira padaria que encontrou, os clientes todos se afastaram do rapaz devido ao mal cheiro, mas quando ele retirou uma nota de 50 do bolso para pagar o pão de queijo, a maioria olhou espantava, pensava que o rapaz era um mendigo qualquer, até mesmo o atendente ficou o encarando. Na televisão do local, enquanto Denílson devorava o pão de queijo feito um animal selvagem que não comia a anos, o noticiário repetia o que ele havia ouvido anteriormente, ele pôde ler na legenda: ‘124 mortos no terremoto em Belo Horizonte, tragédia foi seguida dos outros 7 terremotos de fevereiro, o total de mortos já soma 1400’. O homem parou de mastigar naquele instante e perguntou ao atendente.

– Isso é sério? 1400 mortos?

– Oi? Você não vê televisão?

– Eu andei um pouco doente, não estive vivendo até o momento...não sabia disso.

– Amigo, a coisa tá feia. Não só terremotos, duas tsunamis detonaram o Japão e o Hawaii. Entra na internet e vê o estrago. – Denílson voltou a questionar, naquele instante, o todo poderoso ‘Deus’ que governava o mundo. Não contente em tirar a vida de sua filha e esposa, ele agora matava em massa, ele estava em modo sádico, pensou, ou, ele sempre foi assim? No instante em que o rapaz pensou em se levantar, uma mulher de meia idade segurou a manga de sua camisa.

– Denílson? Doutor Denílson? – Todos olharam ainda mais espantados ao ouvirem da mulher a palavra ‘doutor’. O homem olhou assustado para trás e viu um rosto que não conhecia. Uma senhora de aproximadamente 50 anos, cabelos grisalhos, só o osso, mas parecia bem forte apesar de sua magreza.

– Você é o psiquiatra né? O que atendeu minha sobrinha? – Denílson tentou se lembrar, mas não conseguia. Ele tinha atendido tantos pacientes, que não podia nem se quisesse, se lembrar da maioria. E naquele estado, pensou, como ela me reconheceu? O homem a olhou atentamente e se desculpou.

– Desculpe, mas você é...

– AH, sim, é claro que você não se lembraria, minha sobrinha insistiu em entrar sozinha em seu consultório, ela era bem orgulhosa.

– Sobrinha? E quem ela seria? – Naquele momento, o homem sentiu seu coração bater violentamente.

– Carla, ela era cadeirante, você se lembra dela? – Parecia brincadeira. A garota que, horas atrás, havia feito Denílson poupar sua vida mais um pouco, estava de volta, nas palavras daquela senhora desconhecida.

– Claro que me lembro, lembro sim! Como ela está? Depois daquele dia nunca mais a vi... – Denílson se sentiu feliz, não era um sonho, afinal. Mas logo sua felicidade voltaria para o fundo do poço coberto com lava que ele nunca havia saído.

– Bom... a Carla morreu naquele mesmo ano doutor, ela se matou, pensei que o senhor soubesse, depois da sua consulta, ela disse que sabia que não precisava de mais nada, ela estava feliz, e que só queria encontrar seus pais de novo... Ela me pediu pra algum dia, quando te encontrasse, que agradecesse. Não pensei que isso seria possível. – Denílson ficou paralisado, por alguns segundos, ele cambaleou. A menina do sorriso vívido, da aura pura, a menina que ele invejava, havia se matado, com doze anos de idade. O rapaz não respondeu a mulher, deixou a nota de cinquenta como pagamento o pão de queijo no balcão da padaria enquanto o atendente gritava tentando fazê-lo voltar, mas ele caminhou até sua casa, caminhou sem vida, definitivamente, disposto a desistir daquele mundo. Ele entrou no corredor e se jogou no chão, mal conseguia andar, ele se arrastou até o local onde havia deixado sua arma, naquele momento, a foto de sua esposa e filha estavam do lado da mesma. Ele a pegou e rasgou com desprezo, segurou o revólver com decisão, e apontando para sua boca, ele pode ouvir uma voz lhe chamando:

– Denílson. – Assustado, ele jogou a arma para longe, se levantou e olhou para os arredores e ouviu mais uma vez.

– Denílson. – Ele olhou mais uma vez, foi na sala, no banheiro, no seu quarto, não havia nada, era a voz de um homem, uma voz que parecia com a sua, foi então que, ao olhar para a parede em sua frente, ouviu mais uma vez.

– Denílson, você está pronto? – Ele percebeu, naquele momento, que sua sombra era quem falava consigo.