A Sogra

12 Pós-paraíso


Notas iniciais
O úncio da fic que será em PDV GERAL :)

Ele abriu os olhos e checou Sam, virada de costas, dormindo tranquilamente. Já deviapassar da meia noite. Ele precisava dar o fora dali.

Rapidamente, pegou a camisa e a calça social, escorregando-as pelo corpo. Os sapatos também não foram difíceis de serem calçados. Freddie tateava as paredes em busca de um interruptor de luz e o achou, ligando-a e se olhando no espelho. Cabelo bagunçado, olhos pequenos, blusa amassada. Mas gostou mais do que vira lá atras.

Sam estava nua e roncando na cama. Ele deixou um leve sorriso escapar enquanto passava os dedos por sua barriga e suas coxas. Parecia adorável. Como um anjo. Freddie não conseguiu segurar mais o sorriso, agora estava sentado ao seu lado, apenas observando suas curvas e o curto movimento de sua respiração compassada.

Ele a pegou no colo, uma das mãos nas pernas e a outra nas costas, e ainda assim a garota continuou a dormir. Foi fácil achar seu quarto, bem ao lado. Ele a colocou na cama, cobriu-a com seu cobertor branco e preto e desceu as escadas, despreocupado.

Entrou no carro e foi para casa terminar seu sono.

Sam's POV.

O cheiro forte de algo queimando me fez abrir os olhos e sentar na cama rudemente. Quê? Isso era desperdício de bacon?! Não, não de jeito nenhum! Ninguém pode nem pensar em queimar bacon!

Depois do susto, chacoalhei os cabelos cheios de laquê da festa de ontem e espreguicei as costas. Estava completamente quebrada. Meu celular, na mesinha onde apontava a hora, mascavam exatas 9 chamadas perdidas de Bonnie. Ah, não tô nem aí, depois ligo para ela.

Mas foi só quando levantei a coberta que percebi o pequeno detalhe: eu estava pelada. PELADA. Por quê?? E memórias intensas da noite passada atingiram de certeiro minha mente. Freddie sugando meu corpo, mordendo minha coxa, lambendo o pescoço, acariciando minha intimidade, gemendo de leve meu nome perto de meu ouvido. Não era possível. Isso realmente aconteceu?! Quer dizer, eu não sou mais virgem?!?!

–Samantha, desça! — minha mãe gritou do andar de baixo, mas tudo o que eu fiz foi abrir a janela e respirar uma longa dose de ar puro.

Tudo o que eu queria era gritar para todos mas, infelizmente (1) minha mãe estava em casa e (2) qualquer um poderia ver meus peitos lá de baixo. Então, depois de alguns segundos, fechei a janela novamente e pulei na cama.

Já tinha posto uma roupa confortavelmente bonita e o suficiente para dizer "não sou mais uma garotinha" quando finalmente desci e encontrei minha mãe sentada no sofá enquanto fazia cara de nojo para o prato em cima de seu colo. Ela virou a cabeça quando me viu, dizendo um fino bom dia.

–E aí? — disse, olhando a panela discretamente. O bacon estava totalmente preto, dei de ombros. Minha mãe riu.

–Parece que culinária deve ficar só para Margareth mesmo — apontou para o prato de novo, voltando a olhar para a televisão. Margareth era a nossa última empregada, demitida por roubar todos os dias um litro de leite para sua dúzia de filhos. Pobre mulher. — A propósito, Bonnie veio aqui mais cedo.

–Ah, veio?

–Sim. Ela disse que volta daqui a... — deu uma olhada no relógio. — Uma hora, mas eu tratei de dizer que você não vai estar.

–E eu posso saber o porquê?

–Claro. Hoje nós iremos ao almoço na casa de sua madrinha Carly — disse, com naturalidade. — Almoço de casamento. Bom, se você quiser convidá-la para ir eu não vejo problema. Mas você com certeza estará lá.

Não era isso o que eu tinha planejado para hoje. Minha ideia incial era ficar com o Freddie transando o dia todo! Não, não é um almoço ridículo que vai me tirar dessa. Eu estava prestes a falar qualquer coisa que me viesse à cabeça quando a campainha fez um toque irritantemente. Minha mãe sorriu, levando o copo de café puro à boca.

–Convide-a. Bonnie irá adorar. Ela gosta dessa coisas, sabe? Com classe. — irônica.

Revirei os olhos, indo até a porta. Assim que a abri, vi Bonnie com seu estilo inconfundível e os olhos arregalados. A pele super branca agora estava mais ainda. Os lábios, pela primeira vez em meses, não tinham nenhum batom. Eu sempre conheci Bonnie por usar as roupas extravagantes, shorts curtos e regatas indiscretas, porém hoje ela estava apresentável. Bonnie tentou sorrir, ainda paralisada.

–Oi, querida — minha mãe disse lá atrás. Hm, cínica. — Que bom que voltou.

–Olá, sra. P. — respondeu, entredentes. Depois voltou a me encarar. — Amiga, vamos dar uma volta?

De novo o "código amiga". Nós o criamos há uns três anos quando Bonnie estava passando por seu primeiro término de namoro. Eu tinha que criar uma frase para ser usada nas ocasiões de urgência que nós precisaríamos conversar sozinhas. Logo, dei uma disfarçada, sabendo que minha mãe estaria ouvindo tudo atentamente lá atras. Precisava despistá-la, e isso só ia acontecer se eu fizesse algo que ela queria.

–Claro. Mas antes, Bonnie, quer nos acompanhar a um almoço hoje na casa da minha madrinha? Vai ser legal. — fiz uma careta, negando minha própria afirmação. Bonnie pegou as "entrelinhas", ainda pálida.

–Eu iria adorar. Estaremos de volta em meia hora, sra. P — mal acabou de dizer a frase e me puxou para fora de casa, fechando a porta.

Bonnie só abriu a boca novamente quando estávamos a quase três quadras de casa. Caminhávamos pela calçada olhando a área rural ao nosso lado a caminho da sorveteria.

–Sam, você não tem ideia.

–O que é? — perguntei, já nervosa por toda essa cerimônia. Bonnie se calou por instantes. — Desembucha, e eu acho melhor desembuchar logo. Você ainda tem uma festa pra ir hoje.

–Onde você esteve na noite passada? Todos nós estávamos te procurando! — ela fez uma careta confusa, mas depois sorriu como se tivesse entendido alguma coisa. Olhei pra baixo. — AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH AGORA ENTENDI!

–Cala a boca, Bonnie.

–Finalmente! Eu nem tô acreditando! Sério que o Freddie fodeu com você?!

–Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! — praticamente cuspi na cara dela, e Bonnie só parou de rir quando eu segurei com força sua boca, tapando-a com minha mão. Ela suspirou, ainda rindo.

–Ai, eu não acredito. Enfim, eu vou contar o que aconteceu. Todos nós, inclusive sua mãe, estávamos procurando por você. Claro que Jeremy procurou também, mas nós ficamos fazendo algo mais interessante depois disso.

–Hm, vocês transaram, e daí? — disse, indiferente. Ela engoliu em seco, terminando a história.

–Foi demais. Mano, aquele cara é muito gostoso. Depois disso, eu voltei para a festa. E adivinha quem estava lá? Sim, Megan, a megera do 3º B. Ela disse que era uma sobrinha distante da Shay, sei lá, tanto faz. Mas e aí, adivinha o que aconteceu?

–Eu não sei, Bonnie. Não estava lá.

–Isso mesmo! Ela me viu beijando Jeremy enquanto ele sorrateiramente colocava aquela mão boba na minha bunda! E você sabe muito bem que Megan é a ex-atual dele!Ela deu um show, aquela vaca falante! E o idiota do Jeremy ainda teve a coragem de dizer que eu era quem estava dando em cima dele o dia inteiro! — Bonnie só faltava cuspir fogo das narinas antes que nós chegássemos a sorveteria.

–Tá, mas e daí? Você não liga pra essas fofoquinhas. — continuava indiferente, pegando o picolé dentro do freezer e colocando no balcão. O homem me deu o troco e nós fomos sentar na mesa do lado de fora. — Não quer nada, não? Aqui tem os melhores picolés da cidade.

–Puckett, eu estou tendo uma crise existencial! Você acredita que eu fui entrar inocentemente hoje no 'feice' e tinha uma foto minha lá? Lambendo a bochecha dele?!

–Eca.

–É montagem!! Eu juro! Aquela ridícula tá espalhando essa foto por toda a escola! Como eu vou entrar lá amanhã?! — Bonnie deu seu último grito, colocando os cabelos escuros e lisos para trás da orelha e suspirando. Eu dei mais uma lambida no picolé de uva.

–Ignora isso, uma hora passa.

–Não, não vai passar! Ela colocou a legenda "tem a coragem de roubar o namorado dos outros e ainda paga o mico de virar tamanduá". Ela não tem cérebro ou é impressão minha?

Apenas assenti, finalmente acabando de chupá-lo. Meu tempo recorde, três minutos. Bonnie se levantou de má vontade e voltou para casa comigo. Lá, minha mãe já estava arrumada com uma calça preta e camisa social.

–Cara, ela é TÃO brega — ouvi Bonnie dizer baixinho em meu ouvido depois de minha mãe entrar no carro.

Como eu já previa, a viagem até a casa de Carly foi um pouco demorada. A casa, não. A mansão. Agora tudo aquilo pareceu normal pra mim. Os seguranças terminaram de estacionar o carro quando Carly apareceu na porta, fazendo um gesto para que entrássemos.

A sala estava com a decoração diferente hoje: tudo florido. Carly cumprimentou minha mãe, Bonnie e, por fim, eu. E assim que nós nos distanciamos, Carly fez um gesto apontando para as escadas. Eu sorri, puxando Bonnie e subindo-as.

–Onde nós vamos? — ela perguntou.

–Pro quarto do David, ué.

–Que David?? — eu puxava seu braço desesperadamente antes que minha mãe pudesse nos ver, ignorando sua pergunta.

Se é que eu me lembrava, era a quinta e última porta do corredor. Eu puxei o braço de Bonnie para mais perto e nós duas nos esgueiramos para lá dentro, e fechei a porta atrás de nós. Foram menos de cinquenta metros mas parecia que nós tínhamos corrido uma maratona inteira, pelo jeito que Bonnie respirava, ofegante. Eu coloquei as mãos nos joelhos e me acalmei também, aliviada.

–Meu Santo Jesus Cristo do céu!! — ouvi a voz de David, e em seguida a porta do banheiro fechou com força. — Vocês não sabem bater, não?!

Eu olhei para Bonnie ainda cansada e ela ergueu os ombros.

–Foi mal, cara, a gente estava desesperada. Minha mãe daqui a pouco já me obriga a voltar. E digamos que eu não queira voltar lá pra baixo — falei, alto o suficiente para ele escutar no banheiro.

–Eu sou a Bonnie — disse, ao meu lado. David logo saiu do banheiro com uma toalha nos ombros, nos olhando de olhos arregalados.

–Da próxima vez, batam. — ri, sentando na cama. — E olá, Bonnie. Eu lembro de você da festa de ontem.

Bonnie ergueu os olhos, sorrindo em seguida.

–Sim, e eu também lembro de você. Galã de olhos azuis.

Por um momento breve, olhei para os dois. David mantinha o olhar em Bonnie, mas desviou e jogou a toalha perto de mim, colocando a camiseta. Provavelmente teria acabado de sair do banho. Bonnie estava de pé, ao lado da cama, assistindo a tudo silenciosa.

–Tem... alguma coisa que eu deva saber?

–Não — David respondeu, rapidamente. Bonnie abaixou o olhar com um sorrisinho suspeita. Eu ergui as sobrancelhas, depois ri de novo.

–Certo.

–Na verdade... — ela começou, recebendo um olhar de David a repreendendo, mas não parou. — As coisas ficaram calientes depois que você saiu.

–Ah, então você realmente saiu da festa ontem? Pra onde foi? — ele se virou para mim, e eu fiquei vermelha, olhando para baixo.

–Ela foi comida pelo Benson.

–Bennett!! — gritei, batendo as mãos na cama na hora. Ela riu.

–Pelo jeito a noite foi sensacional pra você, né virgenzinha? Sem problemas, depois você me conta. — eu não acreditava que ela estava dizendo aquilo tão abertamente. Deitei na cama, colocando o travesseiro na cara e ouvindo as risadinhas dos dois.

–O Benson? Quer dizer, ele até é legal, mas... O Benson? — David disse, e Bonnie riu.

–Cala a boca. — sussurrei. — Me falem sobre o que aconteceu ontem.

–Bem, digamos que — Bonnie começou — estava tudo extremamente chato depois que o panaca do Jeremy me acusou de ser a megera da história para Megan. Eu estava no tédio e achei um simples jeito de nos tirar dele. Verdade ou consequência.

Tirei o travesseiro da cara e me sentei de novo. Agora Bonnie sorria abertamente para David, que se divertia arrumando alguns livros na estante.

–E aí?! Me contem!

–Ah, aí tudo foi rolando, ué. — ele respondeu, fazendo uma pilha de literatura inglesa e outra, americana. — Uns se beijaram, outros se declararam homossexuais. Coisa boba.

–E outros fizeram confissões mais cabulosas, não é mesmo, Galã de Olhos Azuis?

David corou, colocando as pilhas de volta no lugar e sem dizer mais nada. Resolvi não insistir mais no assunto, já que ele não diria e, também, não ia deixá-lo envergonhado por nada. Virei de costas pousando a cabeça levemente no travesseiro branco, quando senti o celular vibrando no bolso. O coração parou quando vi o nome de Freddie.

"Quero te ver hoje. Vamos nos encontrar no parque?"

Dei um sorriso involuntário, me apressando para responder.

"Sem chance. Só amanhã."

"Ah, qual é. Não vai me deixar te morder de novo embaixo de sua orelha? Eu adorei a noite passada." sorri de novo.

"Foi tudo fantástico, mas hoje não dá. Talvez amanhã, quem sabe."

"Eu posso esperar. Talvez."

Estava acabando de digitar a mensagem quando Bonnie puxou meus pés com força e me derrubou da cama. Ela ria, descontroladamente, enquanto David assistia a tudo enquanto fingia estar lendo "O Lado Bom da Vida".

–Com quem está teclando, hein?!

–Não vou falar, é capaz de você contar a toda a América no segundo seguinte!

–Hmmmm, vai dizer que não é o Freddie Benson?

–Sem comentários, Bonnie.

–Eu, hein. Pelo menos ele ligou no dia seguinte, ele geralmente não faz isso com as outras garotas.

–Eu disse "sem comentários", Bonnie.

Notas finais
:)