Notas iniciais
Sim, demorei de novo. Céus, eu realmente preciso melhorar com essa questão de prazo. Sério mesmo. Mas bem, está aqui, o último dessa história, espero que gostem. E rapidinho, antes que vão lá, tenho dois pedidos. Se alguém já leu ou viu, um doujin ou uma fanfiction bem legal de AkaKuro, pelo amor, me passem? Eu sou louco por esse ship, mas nunca encontro coisas legais. E a outra é uma recomendação: Uma leitora minha que é super divertida e sempre comenta, está escrevendo uma fanfic de Kuroko e que se passa em um internato. A escritora é a Ohh Trakinas, e a fanfic é Young Folks (https://fanfiction.com.br/historia/618712/Young_Folks/) Se vocês não leram, deem uma conferida. É super engraçada, de um modo que eu nunca conseguirei ser, e fofa também. Além de ser uma construção diferente, mais natural eu diria na parte do romance mesmo.

“Soles occidere et redire possunt:

Nobis, cum semel occidit brevis lux,

Nox est perpetua uma dormienda.

Sóis podem morrer ou renascer, mas nós

Quando breve morrer a nossa luz,

perpétua noite dormiremos, só.”

Catulo

Kagami achava que histórias deveriam ser contadas.

Não que elas construíssem prédios, fortificassem a economia ou acabassem com grandes pragas históricas. Mas havia peso em vidas, ou mesmo em pedaços de vidas, serem narradas. Havia aprendizado, dor, empatia, felicidade... Havia vida em si.

Eram experiências, visões de mundo, sentimentos, que se tornavam possíveis em serem aprendidos em uma simples narrativa.

Ele nunca esqueceria, quando ainda morava no Japão, de todos aqueles filmes que assistira. Ele continuara um adolescente após os ter assistido, assim como continuava virgem após ver um filme pornô, mas eram experiências que o mudaram.

Lembrava-se de ter assistido a um filme que começava do fim e ia até o começo. Enquanto assistia, seu único pensamento era de que aquela construção de roteiro não fazia absoluto nenhum sentido, mas quando viu a última, e consequentemente primeira cena, ele entendeu.

Faz sentido em ver algo sabendo o final, porque se entende o produto, e logo, as motivações, os objetivos e a visão se torna mais analítica.

Mais tarde, ele descobriria que não fazia muita diferença qual parte se focar, porque tudo era parte de uma grande história. A vida dele era um fragmento, uma seção, um corte, uma lâmina de microscópio de uma história que era enorme, de uma história que começava com o primordial momento, a condensação de calor em um ponto pequeno e na explosão de uma coisa chamada Big Bang, que criava uma variedade enorme de matéria, de pó de estrela, de planetas; uma história que a própria biogênese é apenas uma vírgula entre éons, alguns segundos na idade dos deuses antigos, até chegar ao derradeiro final.

Fazia lá diferença a ordem que a história é contada? Fazia lá diferença a história?

Por isso que quando se lembrava do seu último dia na Sacrée Notre Dame — Assim, em francês, como toda a instituição fundamentalista e antiga é —, lembrava-se do dia dividido em dois.

O dia e todos os seus acontecimentos vindo primeiro, ainda que cronologicamente depois; e as primeiras horas à parte, uma experiência vulgar e banal que ele nunca esqueceria e o que seria a cena final.

Então, em sua memória, aquele dia começava com ele já de olhos abertos.

Se havia luz em algum lugar, ele não se lembrava. Lembrava-se do vento soprando lá fora, gelado, o dormitório inteiro rangendo e crepitando em sua velhice estrutural. O sono de Aomine tinha som, o amigo era uma banda inteira quando dormia.

Todo o quarto tinha contorno, mais por lembrança do que por qualquer coisa. Ele lembrava-se que deixaram — Aomine e ele — as malas prontas em um canto do quarto, a bola de basquete, laranja, estava em baixo da cama como sempre, e ele lembrava-se das manchas escuras na tinta da parede.

Ele teve dó do Michael sentindo frio lá fora e dó do marasmo das árvores.

O som do despertador rasgou aquele clima de sonho e Kagami acordou de verdade. Era o despertador de Aomine, mais alto que todos os despertadores da terra, já que o viciado em basquete tinha um sério problema em voltar para o mundo real.

Eles diziam que Aomine não sonhava, e sim se projetava para mundos paralelos e por isso demorava tanto para voltar.

— Que... Porra... — Kagami ouviu o outro dizer, enquanto o som surdo de alguém se mexendo entre os lençóis o envolvia.

Ouviu o impacto de um corpo se levantar da cama e um mini abalo sísmico tremer no chão. Passos, lentos, preguiçosos, sonolentos... Um clique, e uma estrela elétrica queimava seus olhos.

— Caralho, Kagami! Que susto. — E só então Kagami lembrou que estava sentado na própria cama, os olhos abertos observando minuciosamente o mundo. — Já não basta ter que acordar cedo e você ainda fica encenando Annabel.

Sua resposta demorou demais, mesmo para o normal de um Kagami recém acordado. — Desculpa.

As sobrancelhas, que encimavam olhos repletos de remela onírica, se franziram. — Está tudo bem?

Por que tudo estava tão estranho? Era tudo tão vivo, mas ao mesmo tempo tão imaterial. Sentia-se depois de ter assistido o terceiro filme de Matrix; ou após o término de Evangelion.

Tudo aquilo, desde as manchas, até o cheiro das meias sujas de Aomine brilhavam em uma sucessão de cores leves, como se fossem memórias. Cores nostálgicas.

— Estou. — Assentiu, os cabelos que tinham crescido durante meses caindo sobre os olhos. —Só estranho.

Aomine suspirou. — Odeio quando você acorda na TPM.

Kagami apenas agiu como o protocolo pedia e mostrou ao outro o dedo do meio, fazendo-o rir. O garoto de cabelos azulados espreguiçou-se longamente e andou até a pequena varanda que tinham para dar bom dia a Michael.

Dentro do prédio, já organismo vivo, as camas começavam a ranger com pessoas se mexendo, luzes eram acesas e era possível ouvir uma conversa líquida, que vazava pelos vãos das portas: Habituais, mas diferentes pelo dia em que estavam.

O resto dos alunos do andar deveriam ter acordado com o despertador de Aomine — era alto, consenso geral — e todos começavam a se aprontar para tomar banho e partirem para a viagem.

Eram quatro horas da madrugada e alguns poucos minutos juntos, ainda que o tempo não existisse e fosse criação humana.

Hoje eles viajariam, dois dias fora em uma viagem “didática” e quando voltassem aquele semestre teria acabado.

Só então ele percebeu porque tudo tinha consistência de memória, tinha gosto de algo que não iria voltar. Porque tudo aquilo que vivera e sentira acabara, ele entrara pelo portão velho de entrada de um jeito e saía um pouquinho diferente.

Ele sentia que nunca iria voltar para essa exata escola que experiênciara.

Naquele momento vivia no futuro, como às vezes acontece quando pensamos demais ou desejamos demais e saímos do nosso corpo.

Era tudo memória.

In memoriam.

xXx

Após ter tomado seu banho — Um homem não come e nem se banha em ideias, para isso é preciso matéria, mesmo —, ele ainda sentia-se estranho. Resolveu por ignorar o sentimento e dar bom dia aos amigos.

Faltavam alguns minutos para cinco horas, e todos já se encontravam lá fora, o vento frio e úmido do pântano arranhando a seus rostos e os sorrisos de sonos de todos lhe presenteando felicidade. Agrupavam-se para entrar nos ônibus, cachecóis envoltos nos pescoços e esperando tons claros pintarem os céus.

Um detalhe que ele se negava a aceitar por mais tempo em sua vida em comum com os amigos era o relacionamento que Aomine e Kise dividiam naquele momento.

Tudo que envolvia os dois tornara-se constrangimento. E absolutamente nenhum dos dois tinha vergonha na cara e coragem suficiente para resolver a situação, então claro, Kagami resolveu adentrar a bolha pessoal dos dois e intervir junto com Himuro.

Todos adentraram o ônibus velho em passos lentos e cuidadosos, ninguém queria ter o pé preso entre as ferrugens seculares daquele ônibus, que era, provavelmente, o ancestral comum de todos os ônibus modernos. Midorima e Akashi foram primeiro, depois Murasakibara, que iria ir sozinho porque ninguém tinha paciência para ficar horas na estrada com uma versão reduzida da torre de babel que vive mastigando; seguindo iam Himuro e Kise e logo após, Kagami e Aomine.

Himuro fez Kise sentar-se, o que não era difícil, já que o loiro saiu correndo na frente dizendo: “Eu quero ficar na janela, eu quero ficar na janela” e Himuro disse para o outro o esperar pois iria dar para Murasakibara alguns doces que ficaram com ele. Kise assentiu enquanto olhava pela janela.

Aí entrava a participação do Kagami, enquanto lentamente passavam pelo banco de Kise, o falso ruivo notando o quanto o garoto de cabelos azul escuro e o loiro fugiam um dos olhos do outro, como se fossem mais pecado que o fruto da árvore proibida, como se fossem mais pecado que a própria cobra falante do conto antigo. Kagami suavemente, honrando sua qualidade de ogro e provável ascendência orc, empurrou Aomine para o banco.

— Eu estou cansado de vocês dois assim, conversem, se acertem, ou até mesmo se odeiem e se matem logo, mas desse jeito não dá. — E saiu reclamando como se fosse um velho.

Ainda conseguiu ver pelo rabo do olho Aomine se ajeitando meio emburrado e Kise envergonhado, mas não muito feliz, também.

Sentou-se do lado de Himuro no banco de trás ao dos amigos enrolados. O moreno com o olhar mais diplomata já visto antes ergueu os polegares em um gesto de joinha.

Demorou dez segundos antes que falasse.

— Ei, Himuro.

— Hum?

— Posso te pedir uma coisa?

Himuro arqueou as sobrancelhas.

— Se for algo sexual ou romântico, não.

O grandão rolou os olhos.

Bem...

Não que fosse algo impensável. Himuro era bonito, mas em todo seu tempo na escola, fora o que mais o ajudara e a relação que construíram não tinha nada de sexual. Certa vez até pensara nele como seu irmão, mas o pensamento o pareceu ridículo. Não faziam seis meses que se conheciam, a escola tinha dessas coisas: Intensificava tudo. De qualquer forma, não era uma relação de irmãos, irmãos se provocam e Himuro era mais paz que a religião Budista.

Himuro era mais mãe, mesmo.

— Não, Okaa-san... Digo, Himuro. — Sorte que o moreno não dava a mínima para as raízes japonesas e nem falava o idioma. — Posso sentar na janela?

O moreno rolou os olhos, um sorriso se forçando para fora da fronteira dos seus lábios. — Sinceramente! Essas crianças de hoje em dia.

E protagonizaram aquela cena de trocarem de acentos que mais parecia uma dança contemporânea ou um jogo de twist; em algum ponto, Himuro, velho como era, reclamara de dor nas costas e da mão de Kagami em locais sensíveis. Pelo bem de sua dignidade, o falso ruivo decidira ignorar a última parte.

Ele sentou-se, finalmente, e observou o ônibus com alguns estudantes ainda se ajeitando. No banco da frente havia um silêncio denso que não parecia que se dissiparia em algum momento breve.

“Que climão”, ele pensou.

A aurora se derramava sobre os céus, primeiro em gotículas, até calmamente o ambiente ficar mais claro, sem nenhum padrão, apenas se derramando. Ele quase conseguia imaginar um bebê aurora brincando com tintas de tons rosa, e seus dedos pintando o céu do mundo que viviam.

As árvores seriam as mesmas por muito tempo... Não eram de caráter volúvel como ele próprio ou o céu eram, quer dizer, se os humanos não acabassem com ela.

A escola parecia que iria continuar ali por muito tempo, com suas pedras sobre pedras, parecendo um maldito forte medieval. Mas para ele, colégios tinham cara de cemitério. Quantas vidas jovens não terminaram ali? Quantos adolescentes entraram e saíram adolescentes-adultos de acordo com a sociedade?

Ah... Ele suspirou.

Era daí que vinha todo esse clima etéreo que sentia?

Da sua morte ali?

Certa vez ouvira que para melhorarmos, crescermos, temos que nos matar, para nascermos diferentes. Que tínhamos que matar amigos e influências para crescermos.

Eram todas essas lápides que se alinhavam na entrada?

Era meio duro deixar uma parte dele para trás. Deixar aquele Kagami que achava que a maioria das coisas era culpa do pai. Daquele Kagami que tinha medo de falar com garotos bonitos ou de sair sozinho para ir ao cinema ao invés de só esperar sair o filme em algum site de torrents.

Nem estava tão diferente. Às vezes ele era um dramático.

Estava feliz. Feliz de ter mudado ao menos um pouco.

— Até, A Sociedade.

xXx

Era uma manhã plasmática.

Sim, de plasma. Aomine não achava melhor jeito de definir a aquele nascimento de aurora quase dolorido. Aquele nascimento quase por cesariana.

De plasma porque até hoje Aomine nunca entendera muito bem o que era plasma. Diziam que estava junto com o sólido, o líquido... Mas sério, quem já sentiu o plasma nas mãos? Alguém já mordeu plasma? Sentiram o cheiro? Ninguém entendia o que era aquela merda, mas todo mundo a aceitava nas suas televisões.

Por isso aquela manhã era de plasma, porque o garoto não entendia muito bem sua consistência, seu cheiro... Sua essência. Era uma manhã que se perdia entre manhãs, porque era só manhã, mas ter Kise do seu lado, o ignorando com os fones no ouvido e os seus cabelos de ouro em temperatura de fusão, faziam-no pensar se era uma manhã que valia a pena ser vivida, ainda que fosse ignorado.

Ele encostou a cabeça no encosto do banco, observando tudo correr lá fora, enquanto ele parecia estar parado.

Voltou a pensar em Kise.

Os dois não eram os amigos mais pacíficos do mundo, então eles viviam com pequenas discussões. Aomine as começava muito mais do que Kise.

Caso é: Ambos viviam com pequenas brigas, mas nada que os deixassem sem se falar por tanto tempo. Era, literalmente, no máximo, até algumas horas. Não mais que cinco. Aí Ryouta lhe mandava uma mensagem no Whatsapp com o vídeo de algum Youtuber com sotaque engraçado que ele queria casar e constituir uma família de sotaque engraçado e eles estavam bem.

Não era isso que estava acontecendo agora.

Se ele não tivesse auto controle suficiente, ele teria suspirado naquele momento.

Lembrou-se que uma vez, em uma de suas férias da escola de nome francês que ele mal sabia pronunciar, encontrara um amigo de ensino fundamental. Desses que ele até conversava, tinha um relacionamento razoável, jogavam basquete juntos, mas não mantinha contato.

E o antigo amigo disse: “Há quanto tempo”.

Sabe epifanias? Então...

Acontece que para Aomine não era há quanto tempo. Ele lembrava-se do amigo toda vez que iria jogar, porque o mesmo o dissera para tomar cuidado com as faltas uma vez, conselho que o acompanhara e ainda o acompanha.

Para ele, não fazia tanto tempo que se viam porque o amigo estava na sua cabeça, estava ali ainda. Para Daiki o tempo e as pessoas que se relacionam com ele não era algo tão seccionado como presente, passado e futuro. Para ele o tempo não era um rio, com nascente, leito e deságue no mar. Para ele o tempo era um jato d’água em que o presente, o passado e o futuro estavam todos juntos, nesse jato d’água.

Para explicar melhor: O tempo era uma gozada, um único jato de prazer. Depois de algumas semanas sem gozar, assim que se alcança o ápice não há distinção entre quem se é, onde estamos, sobre o milhar de guerras no oriente médio... Tudo que se sabe é da gozada.

Para ele o tempo era um jorro de material genético, nutrientes e consistência pegajosa.

Espero que tenha sido didático.

Acontece que ele não queria Kise só nesse tempo. Só nessa memória.

Ele queria Kise ali, com o corpo molhado de chuva, mas pegando fogo, como se tivesse sido feito em forja. Ele queria sentir os lábios se tocando e o choque de energia passando por sua pele, como se o simples contato de seus lábios fosse suficiente para uma fusão nuclear.

Ele não queria aquele Kise de sua memória, que era radiante e lindo, claro, mas que era só névoa porque não era palpável. Ele queria o Kise Sol, brilhando e quente, e ele tocando-o como corpo físico, se abrasando em calor, cheirando cheiros e sentindo sensível e queimando a ponta dos dedos.

E isso não era ser viado. Isso era estar apaixonado, e para se estar apaixonado basta ser humano e não psicopata.

Era isso que a mente cheia de basquete, mas que guardava um lugarzinho especial para alguém com sorriso grande demais, pensava.

Ele olhou ao redor, e todo o ônibus parecia estar dormindo. Menos o motorista claro, se ele estivesse dormindo seria perigoso.

Respirou fundo. — Kise? — O loiro parecia compenetrado na música. — Hey, Kise.

Nada.

— Kise! — Ele exclamou meio sussurrando porque não queria ninguém acordando, mas ficou sem resposta. Recostou-se no banco, a coragem fraquejando até sentir um impacto no seu banco.

— Chama ele direito. — Kagami disse.

— ‘Cê não ‘tava dormindo?

— É... É... Acordei de repente, e vou magicamente cair no sono assim que Kise prestar atenção. — Kagami fez uma cara concentrada, os punhos cerrados em um gesto de torcida. — Força, amigo.

— Seu filho da puta! — Nessa altura Kagami voltara a dormir (fingir, né?). — Pelo menos tem a decência de fingir bem.

Voltou a respirar fundo, dessa vez obstinando-se a falar logo com o outro. Apertou o antebraço de Kise e o chamou. O loiro pareceu sair de seu mundo pessoal, mas apontou para os fones quando o moreno tentou dizer algo e fez um gesto relaxado com a mão, como se dizendo: “Não consigo te ouvir, melhor deixar para outra hora”.

Foi o suficiente para que a pressão sanguínea de Daiki aumentasse, uma veia latejasse forte na sua testa, a visão tornasse-se magenta e focada em um ângulo de 60 graus como de um predador. Queria socar aquela cara bonita e chutar aquela bochecha acostumada com sorrisos.

O maldito o beijava e não tomava responsabilidade pelos próprios atos.

Aomine projetou a mão para os fios dos fones e os puxou com força desnecessária, o rosto à sua frente espantado.

— Seu grande desgraçado filho da puta! Escuta aqui, desculpe incomodar, mas preciso de uma audiência com vossa majestade. — Procurou se acalmar injetando oxigênio nos pulmões. Vale ressaltar que a fala era toda dita em uma língua que Aomine era fluente: Cochichos gritados. — Não precisa falar nada, só me ouve, okay? — Agora mais calmo, ajeitara a postura e uma estranha vergonha tomava conta de si.

Ele nunca fora muito bom com declarações. Nem em recebê-las, nem em dá-las.

— Eu realmente não sei porque você me beijou aquele dia e depois saiu correndo, se negando a trocar qualquer palavra comigo. — Ele colocou a mão direita na nuca, em um gesto que o lembrava Naruto, mas que era puramente ansiedade. — Você sabe o problema que me colocou quando tudo que ficou na minha cabeça era isso? Sabe o estresse que eu passei porque eu queria me masturbar, uma mísera punheta, e não podia porque você me vinha na cabeça... Nas duas! — Ele tinha que ser alguém que Michael Jordan se orgulharia de jogar contra, um homem, e segurar a cabeça quando se declarava para alguém. — Os problemas para eu descobrir e aceitar que talvez eu estivesse gostando de um menino? Você é detestável, Kise. Um maldito garoto mimado e bonito demais, que eu jurei estar sempre do lado por ser meu amigo e que me deixou sozinho quando eu precisava... Então escuta, caralho, e responde direito! [...] Há alguma possibilidade de você voltar a falar comigo minimamente como era antes, ou de, sei lá, assistir Mad Max comigo quando sairmos de férias?

Terminou com uma afiada inspirada de ar. Sua última frase nem tivera entonação de pergunta, parecia uma ordem, talvez porque ele quisesse que o outro não tivesse alternativa. Ryouta o encarava com aquela cara de idiota que às vezes ele tinha, mas que, por motivos ainda a serem estudados pela medicina moderna, era bela. Nunca deixava de ser.

Um sorriso quebrou aquela figura, era um sorriso meio choro, mas que Aomine sabia que não era choro de lamento. E seu coração se quebrou em uma corrida estranha, um ritmo que ele não estava acostumado. A densidade do ar pareceu mudar, um mundo gelatinoso, uma sopa de dopamina, ocitocina e feniletilamina.

Kise deu de ombros suavemente, e desviando o olhar disse: — Mad Max parece legal.

Assim, do nada, manter o olhar pareceu difícil demais; ainda que aqueles olhos de mel parecessem atrativos, era difícil demais. — É... Beleza, então.

— Uhum, beleza.

— Okay.

Quando Aomine iria se virar para se sentar e os dois prosseguirem a viagem fingindo que aquilo era normal e que Aomine não se declarara para o outro e o chamara para sair, ele sentiu o quente doentio da palma da mão do loiro sobre seu braço, e logo um fone sendo estendido.

— Um pouquinho de David Bowie?

Sorriu, porque fazia tempo que não ouviam música juntos. E quando colocou o fone no ouvido teve vontade de rir, porque as Moiras tinham dessas ironias com Afrodite junto.

Modern Love pareceu certa demais para o momento.

xXx

Kagami saiu do banheiro com o cabelo ainda molhado; a toalha nos ombros nus, sem camiseta.

Tinham chegado ao hotel, em que ficariam por mais dois dias, há pouco menos de uma hora, todos sonolentos, porque não se sabe a magia que há em viagens de carro ou ônibus, provavelmente algo que lembra inconscientemente o balanço no ventre da mãe ou algo assim, mas quando viajava por mais de duas horas em um automóvel, entrava em coma.

E aparentemente não era o único. Todos tinham tirado boas sonecas. Talvez tenha relação com todos acordando mais cedo que o normal, também.

E a primeira coisa que fez foi ir direto para o banheiro do quarto que dividiria com Aomine para tomar um banho.

Ele nunca notara o quanto um banheiro particular, com só ele usando, fazia tanta falta. Sem pessoas conversando sobre a última prova de matemática, sem pintos balançando a esmo por aí, sem pessoas. Ele acabou ficando mais de quarenta minutos no banho, era bom que Kise, sendo tão ecológico, não descobrisse isso, mas ele não se arrependia nem um pouco.

— Porra, graças a deus, hein! Já ia mandar chamar os bombeiros — Disse Aomine, sentado na própria cama enquanto mexia no celular. Os olhos desviaram da tela para olhar o amigo. — Delícia, ainda sai sem camisa… É para tentar me seduzir?

O falso ruivo riu, negando com a cabeça. — Nem se eu quisesse ia fazer efeito. Parece que você já foi laçado, mesmo.

O outro nada disse, e apenas voltou a mexer no celular como se nada tivesse acontecido. Aparentemente ainda não querendo conversar sobre aquilo, coisa que Kagami entendeu e aceitou. Cada pessoa tem um limite até onde gosta de se abrir, e o de Daiki era tão baixo como o seu.

Não faria diferença mesmo, depois ele falaria com Ryouta que era bem mais aberto que o outro.

Sentou-se na cama, só então notando a televisão ligada. — Se não está assistindo, ligou para que?

— Vai começar o noticiário de esportes daqui a pouco. Deixa aí. — E adicionou em um falso tom de choro. — Sinto tanta falta dos noticiários de esportes e de ver os Celtics perdendo.

— É só uma fase, okay?

— Uma fase de vinte anos? Porra!

— Dezenove! — Corrigiu fazendo o outro gargalhar.

Ele se jogou na cama, notando a maciez do travesseiro e a falta de cheiro velho no colchão. Apesar de tudo — Kuroko —, estar longe da escola era bom.

As coisas só desandaram e ficaram estranhas quando o jornal da tarde começou.

Geralmente jornais da tarde não têm muita coisa a dizer, mas havia uma notícia que se destacara. Aparentemente, após uma grande matéria ter sido publicada aquela manhã e forças policiais terem agido, um diretor de escola era preso por acusações de tráfico de drogas e de armas.

Quando o nome Sacrée Notre Dame foi ouvido, foi o suficiente para fazer os dois garotos prestarem atenção.

Minutos na notícia e o toque de telefone dos instrutores que os acompanhavam foi ouvido. Os pais queriam saber o que acontecia e ir buscar os filhos. Uma hora depois todos voltavam aos ônibus sem saber o que acontecia direito.

Tudo estranho, menos Akashi, que parecia quase solene.

Tiveram que voltar no ônibus sem conseguir dormir, sem explicações. Foi uma viagem silenciosa demais.

Ele não veria Kuroko durantes meses após esse dia.

xXx

Voltando a primeira parte daquele dia, que quase constituía um dia inteiro, mas era feita só de algumas horas.

Antes dessa primeira parte começar, Kagami dormia. Não aquele dormir meio de choque da segunda parte, não aquele dormir de olhos abertos que era um dormir de meditação.

Dormia biológico, mesmo.

O toque de mensagens apitou. E ele nunca entenderia porque diabos ele foi ver a mensagem. Geralmente, nem acordaria. Era madrugada, cedo demais, três horas da manhã, ele tinha sono pesado, ele estava cansado e ele geralmente ignorava as mensagens recebidas enquanto sonhava.

Naquele dia, no entanto, olhou. E foi o suficiente para acordar.

3 horas da manhã... O horário perfeito para devotarmos nossa vida a deus”.

A mensagem vinha do contato Fantasma, que metade do mundo já sabia que era o Kuroko, mas que ele preferira manter assim por um belo capricho de uma nostalgia de um passado que fazia pouquíssimo tempo que era passado.

O professor não era religioso, isso estava na cara, só pelo fato do maldito escrever “Deus” com letras minúsculas isso era visível. Demorou alguns minutos para que seu cérebro moldado em sono entendesse o que aquilo dizia.

Levantou-se com cuidado para não fazer as ancestrais camas rangerem. O que funcionou de certa forma, elas não rangeram... Elas gritaram, fizeram uma rave e maldizeram na velha língua dos Ents de Senhor dos Anéis.

O que tendo Aomine, o cara com sono mais pesado da face da terra, como companheiro de quarto não fez tanta diferença. O moreno continuou a dormir e ele procurou algumas roupas decentes para sair.

Depois disso teve cuidado de abrir a porta com cuidado, e de fazer seu caminho até o quarto de Akashi com pés de dançarino. Caso é: Ele dançava muito mal, então fora um esforço meio inútil a final de contas. Bateu fracamente na porta do baixinho, que tinha porte de herdeiro de Hades, o suficientemente forte para que o outro apenas acordasse.

Quando a porta abriu e os olhos heterocromáticos analisaram-no ele teve vontade de sair correndo.

— Você tem que estar zombando da minha cara, Kagami. — Akashi falou com um tom tão firme, que o falso ruivo quase assentiu dizendo ser, de fato, uma prank só para fugir dali.

— Por favor, Akashi. — Implorou com um tom suplício e as mãos se juntando.

— Tenho certeza que meu pai já suspeita de mim, se você sair pela janela e for pego, eu estou ferrado. — Disse sem se alterar. — Isso foi ideia de Tetsuya, certo? Eu já falei que eu não sou gay, por que ele continua tentando me FODER?

[...]

Kagami nunca pensou que demandaria tanto esforço para não rir da cara de Akashi.

— Se eu for pego, juro que falo que vim por outra rota. — Ele deu uma pausa, adicionando com tom de obséquio. — Akashi...

Um suspirou.

— Okay. Mas volte logo. Se o pessoal começar a acordar e você estiver fora, eu não vou te ajudar.

Kagami assentiu, preferindo não dizer nada para não irritar o ego instável do ruivo. Seijuuro calmamente foi à sua janela e a abriu com cuidado. A janela não rangeu, tudo era silencioso. Sinceramente, Akashi dava a aparência de ser da nobreza Europeia com toda aquela delicadeza.

O pensamento o contrariou de imediato. A nobreza Europeia não era mais nada que um bando de ricos que transavam com os próprios primos durantes séculos e se orgulhavam disso. A imagem de Kuroko e do pequeno Imperador se comendo não fizeram nada bem a seus olhos.

Sua percepção foi tão afetada que sua curta caminhada até a janela resultou em ele tropeçando e derrubando artefatos de um pequeno criado mudo.

Ele não pôde fazer nada além de receber o olhar de desdém de Akashi. — Eu agradeceria se você não acordasse meu companheiro de quarto. — O menor disse com a voz soprada em um sussurro, e ainda assim com cerca de trezentas vezes mais dignidade do que o falso ruivo alguma vez teria na vida.

Observou ao redor para ter certeza que não havia ninguém por perto e só então pulou a janela. Com facilidade o suficiente para se passar por um ladrão experiente. Céus... Que tipo de conhecimento tinha ganhado naquela escolha: Pular janelas.

— Kagami, quando voltar bata duas vezes na minha janela. — Disse ainda em sussurros e frisou: — Duas. E eu saberei que é você. Se eu não te atender, se vira. Entendidos?

Taiga assentiu como um bom menino, e então finalmente pôde sair por aquele microcosmo em busca de sua nebulosa favorita.

Saiu pela madrugada clara de estrelas, deixando Akashi para traz, o observando, como uma donzela observa seu príncipe indo embora.

[...]

Uma donzela super feminista, que pode matar um exército do tamanho da Rússia com um olhar e que era imortal.

Ele nunca negaria, temia Akashi como as velhinhas temem os comunistas comedores de criancinhas. Como os homens brancos cisgêneros e héteros temem qualquer variação desse modelo. Como os adolescentes temem a falta de internet. Ou como um escritor teme a falta de inspiração.

Temia Akashi porque não o entendia.

Pela mesma razão temia Kuroko.

A diferença é que se atraía por Kuroko.

Talvez se o professor de cabelos cor de céu não existisse, ele teria se apaixonado por Akashi. Talvez.

Ele tomou cuidado para não ser detectado por ninguém enquanto enveredava pela escola. Tentara contato com o professor por dias, sem sucesso. Kuroko o enrolava, dizia-se ocupado ou simplesmente o ignorava. Ele contava mais de uma dezena de vezes que tentou contato pelo Whatsapp com o outro.

Todas com os sinais de correto brilhando em azul e mesmo assim sem nenhuma resposta.

Agora que ele finalmente teria a chance de conversar, não queria estragar a oportunidade sendo pego.

Andou o mais rápido possível, no limiar da caminhada e da corrida. Procurando sempre pisar na terra fofa para abafar seus passos. Lembrou-se do dia em que fora obrigado a encostar os pés nus na terra fresca.

O contato úmido e biológico, o a delicadeza de um afago da terra, quase como se enraizando-se... Os pés de Kuroko...

Por que infernos ele tinha que ter fetiche por pés? Esse não era o momento para se excitar.

Continuou, sua marcha, em direção à igreja. O local que quando tiveram que correr dos guardas se acharam e acabaram se beijando. Era simbólico o ponto de encontro ser lá. Irônico por ser uma igreja, mas simbólico.

Contornou a escola buscando fugir dos guardas, sabendo que provavelmente estariam mais alertas depois de A Sociedade ter sido descoberta.

Avistou, finalmente, a cruz se destacando no topo da construção de pedra. Pura, uma marca negra no céu estrelado. Imaginou que o interior da pequena igreja estivesse amedrontador agora, como todas as igrejas à noite o são.

Coisa que o fez sempre pensar que Deus era assustador sem alguma luz por perto. E de fato era, Deus era assustador quando visto por mentes escurecidas e pontos de vistas em trevas.

Foi para trás da construção e nem precisou procurar muito para encontrar Kuroko sentado no mesmo lugar que sentava quando se beijaram, os pés nus em contato com a terra, olhando o chão.

Bonito demais para ser apenas mais um alguém. Os olhos brilhavam naquele azul de constelações. Duas estrelas que por fusões nucleares eram quentes em seu interior, mas vistas por fora, depois de anos-luz de distância, eram frias.

Kagami sorriu. O ar úmido da manhã. Os dois secos e quentes, tão quanto era possível, diferente daquela vez.

Mas ambos molhados, encharcados em brilho de estrelas.

— Seu herege, se estivéssemos na época da Inquisição aquela mensagem seria o suficiente para te torturar.

O homem de cabelos azulados sorriu, mas não desviou o olhar do chão. — Não se sinta excluído, dois homens se beijando era o suficiente, também, Kagami-kun.

Lá estava a ironia sincera do outro. Avermelhou-se, e não era arrebol para se acostumar com o vermelho o tingindo.

— Foi aqui que fizemos aquilo e é o suficiente para termos nossa passagem para o inferno cristão.

Tetsuya deu de ombros, ele de fato não se importava. A mão delicada de leitor de livros bateu no cão ao seu lado, o indicando para sentar-se. — Diga por você. A única bíblia que acredito é o Evangelion de Shinji e Kaworu. — Kagami riu, mas sentou-se. — Hey, Kagami... Decifra-me ou te devoro.

Suas sobrancelhas se arqueiam para o baixinho e é logo respondido com um riso fraco.

— Relaxa, que não é tão ruim ser comido por mim. Até agora ninguém reclamou. — E adicionou: — Além disso, é bem melhor que o destino de Édipo. — Kuroko tornou o olhar que vertia poesia e era fecundo de filosofia para o céu. — O que é que não faz a mínima ideia do que fazer, pois não sabe como será o amanhã?

Kagami sentiu o coração falhar algumas batidas, a voz oscilou. — É você me dando um fora.

— Não! Kagami, escute. — Um suspiro veio daqueles lábios. — Eu não sei quando iremos nos ver de novo.

— Eu, literalmente, saio de férias daqui a alguns dias e possivelmente não voltarei à escola. Eu terei completa disponibilidade para te ver.

— É mais complexo do que isso, Kagami.

Os olhos de Kagami se arregalaram, olhando para si para achar a resposta. — É por que eu tenho quinze anos?

Kuroko o segurou pelos braços. — Me ouça, droga. Eu estou te afirmando que não estou te dando um fora.

— Então da onde vem essa fala de não sei quando nos veremos.

— Não vou falar mais do que isso. — O tom veio duro demais para aquela voz, o suficiente para o falso ruivo assustar-se. — Taiga, eu não sei quando nos veremos. E eu sei que jovens tem espírito volátil... Quando nos vermos, se você estiver apaixonado por outro garoto ou só não estiver mais por mim, saiba que eu vou te entender, certo?

— Não tem como isso não ser um fora. E você nem vai me dizer porquê. — Kagami tinha vergonha de olhar o rosto do outro, e nem o chão poderia olhar porque aqueles pés o impediam, seu olhar vacilou pelos cantos. — Não tem como eu simplesmente deixar você para lá.

Um sorriso irônico rachou a dimensão.

— Nem paixões nem amores são eternos, Kagami. Não acredite em Hollywood. — Kuroko mordeu o lábio. — Você é jovem demais, cuidado para não pensar que tudo é para sempre.

Kagami sentia um mal estar, uma sensação ruim na boca do estômago. Quase tremia, suava. Estava nervoso, e seu campo de pensamento, que já não era tão incrível, estava fragmentado agora.

O calor daquele corpo o atraía, mas os sentimentos o repeliam. Todos os primeiros amores eram feitos para darem errados? Levantou-se em um tontura, só para sentir-se sendo puxado para baixo.

Suas costas e cabeça contra a parede áspera e fria da igreja. Nuvens em formato de dedos lhe acariciaram o rosto, as bochechas, mesmo ele sabendo que pinicaria pois não fazia a barba há pouco mais de dois dias.

Abriu os olhos para encontrar-se com a expedição galáctica que eram aqueles olhos azuis o tragando. Lábios sem cor, mas quentes, flamejantes, vulcânicos. Não perdeu-se nos olhos, mas a Via-Láctea o invadiu pela boca, pelo toque de línguas. Por um calor que dissipou a ânsia negra que tomava seu estômago, mas que mesmo assim o faria cambalear-se e jogar-se para trás.

Em algum momento a ideia que era beijado veio a sua mente, e ele tornou-se quase consciente. Mas aí vieram os dedos, pelo pescoço, por baixo da camiseta, até abrir seu zíper e tocá-lo de uma forma que sempre o faria gemer.

— Kagami, cuidado com o volume, as estrelas podem ouvir.

E lá estava a gênese de um país inteiro, desperdiçada e escorrendo entre os dedos belos e a mão delicada e firme de um leitor de livros.

Notas finais
O fragmento de poema no começo do capítulo é de Catulo, e tem relação mais com o tema do capítulo. Nada com morte, vamos com calma. UAHUAHUAHUA. Foi traduzido pelo João Angelo Oliva Neto, professor da USP e cara fodão. Dá para ver que o título é uma música do Caetano né? Eu amo ele, e a ideia desse capítulo veio quando eu estava ouvindo aquela versão maravilhosa da Bethânia dessa música. Aquela que ela canta no DVD dela, e que procede a uma declamação de Vinicius de Moraes. Gente, se alguém não viu, tem no Youtube. É muito amor. Agora: A história acabou. Yup!! Sim, sim. Acabou. Falta o epílogo, mas essa é a história, e eu gostei desse tom inacabado dela. Então tô meio em dúvida se vai haver um epílogo, mesmo. Me digam o que vocês acham, se deve ou não ter epílogo, para esclarecer as coisas, ou eu posso deixar assim, a cargo de suas imaginações. Eu quis esse final por causa de um dos meus escritores favoritos, o Kawabata. Ele tem esses finais que não parecem finais, mas que são. A primeira vez que li um livro dele, achei que tinha pego um volume incompleto, porque me recusei a aceitar aquilo como final. E se você olhar no texto, mesmo, tu vai ver que eu explico o porque disso, que é a forma como eu vejo uma história. Um detalhe sobre esse capítulo: Ele tem referências demais, nossa, até eu achei que forcei dessa vez. Mas em especial, tem a minha visão de tempo que eu peguei do Marleau-Ponty, um filósofo francês, que estudou com Sartre e Simone, e se não me engano, até fez parte do círculo interno de amigos deles. Eu conheci essa teoria do tempo, que o Aomine fala, há um tempo e vale a pena dar uma olhada, é bem legalzinha. Curiosidade: Sartre ganha o Nobel de literatura em 1964 (data que sempre vou considerar muito triste pelo GOLPE militar acontecido aqui no Brasil) e Kawabata em 1968. A ironia é que, levando em conta o mês de maio de 1968 em Paris, 68 seria uma data bem mais simbólica para o Sartre ganhar o Nobel. Bem, nem importa, o Sartre recusou o nobel mesmo. AUHAUHAUHAUHAUHAU. Gente, Agora sério. SUPER OBRIGADO PELOS 25 FAVORITOS. CÊs são muito amores, e pelos comentários todos que recebi. Sei que demorei horrores para atualizar, mas juro que tentei fazer o meu melhor aqui. Espero que vocês tenham gostado da história, eu super me diverti escrevendo e conversando com vocês todos. Eu terminei a história em uma gozada, sim! Terminei porque sou desses, há modo melhor de terminar as coisas na vida? Pois é. Se alguém tem alguma questão sobre a história, ou sobre esse capítulo, se alguém achou uma merda, uma bosta, ou achou algo interessante, venha falar comigo, eu adoro falar com vocês. Detalhe: Essa história foi pensada como um presente para minha Onee, e ela vai fazer aniversário dia 7/setembro. Ou seja, em breve ela faz de novo, e eu não sei se vou escrever outro presente. UHAUHUAHUAHUA. Anyway, agradecimentos especiais a você, querida Hobbit, que tem porre para me aguentar. E é isso. Valeu pelo tempo gasto comigo, see you~.