A Sociedade Rubi

27 Ferido pelo mal


Notas iniciais
Olá pessoal! Hoje vou fazer um pedido a vocês. Existe uma história aqui no Nyah que é uma das que mais amo, mas ela vai entrar em Hiatus, vamos fazer um movimento lá para isso não acontecer?? O nome é Herdeiros de Hirion e é de um dos meus leitores, DarkMaldaloriaN (não sei se escrevi certo). Bora ler pessoal!

Abrimos rapidamente a porta da sala de jantar que dava para os fundos da casa. Lá estava Doc, que havia acabado de pular o muro. Corremos até ele e eu não imaginava o que estava acontecendo. Muito menos o que havia acontecido.

– Tem um... – ele estava cansado e arfando demais. – Um monstro... – Doc estava desesperado. – Um monstro lá fora.

– O que? – Corea perguntou enquanto segurava o invocador pelos ombros.

Aproximei-me mais de Doc e pude notar em detalhes o seu estado. Estava repleto de hematomas e um corte na testa que sangrava. Os olhos estavam arregalados e inchados. As mãos tremiam e estavam extremamente sujas. O cabelo estava bagunçado e sujo visivelmente. Ele não estava bem, não parecia a pessoa que havia visto poucas horas antes.

– Por Drácula, o que fizeram com você? – Corea o soltou.

– Medo. – Jasper respondeu. – Pressão psicológica. Isso que fizeram com ele. Síndrome do Pânico num nível novo. Ele está vendo o que querem que ele veja. Alguém lançou uma magia poderosa nele. E não sei quanto tempo pode durar.

– Dá pra desfazer? – perguntei.

– Dá. – Corea respondeu. – Hank pode cuidar disso. Se tivermos sorte. – ela respirou fundo. – Estão vendo cavaleiros? As coisas não estão do jeito que imaginaram.

Levamos Doc para dentro da casa e ele estava num estado de choque. Repetia as mesmas palavras e deixava claro sempre que havia algo lá fora. E nós sabíamos que não tinha.

Corea chamou Hank. Era um cara branco e magro, usava óculos e uma jaqueta de couro negra que já estava cinzenta. Não chamava a atenção de todos, era o mais normal ali, mas só aparentemente. Ele era um especialista em magia, assim como Yves.

– O que houve com ele? – Hank perguntou com as mãos nos bolsos.

– Magia forte. – Jasper respondeu. – Jogaram uma magia bem forte nele.

– Que tipo de magia? – ele ajeitou os óculos e se abaixou, encarou Doc e suspirou. – Medo. O pior medo. Mas que droga em?! Quem fez isso conhece bem a magia negra, então não foi nós e provavelmente nenhuma das outras sociedades. Imagino que nem os nossos visitantes.

– Quem acha que foi? – perguntei.

Hank olhou para os lados. Parecia procurar alguém. Em seguida olhou para Corea e sorriu, depois olhou para Jasper e ergueu as sobrancelhas.

– Nossa inquilina. – ele respondeu quase como um sussurro. – Conhecem as razões.

Como eu havia me esquecido de Valentina? Todos desconfiam que ela fosse ruim. Mas agora, pensando bem. Ela não me parece dessa forma. A garota parece interessante e misteriosa. Boa. Uma pessoa legal. De verdade.

– Não. – Jasper riu. – Não pode ser ela.

– O que? – Hank gargalhou. – Se esqueceram das desconfianças?

– Que desconfiança? – perguntei.

O invocador foi até a janela e bloqueou os primeiros raios de sol. Olhou para nós e balançou a cabeça negativamente.

– Onde está a garota? – ele perguntou. – Andem, respondam. Onde está Valentina?

– Não sabemos. – Corea respondeu de cabeça baixa.

– E o que aconteceu que vocês sumiram a noite e só voltaram agora? – Hank perguntou. – Relacionem isso.

Olhei para Corea e ela sorriu. A invocadora caminhou até Doc e tirou algo do bolso do invocador.

– Aquela vadia! – Corea exclamou e todos naquele cômodo olharam para ela. – Acho que sei o que houve. Ela não voltou até agora e eu não me lembro de nada que ocorreu para eu estar naquela mata. Tem relação com ela. Sem dúvida tem.

– Não diga bobagem. – falei.

Um pequeno silêncio tomou conta. Até que passos foram ouvidos e despertaram a curiosidade.

– Preste atenção Hooper. – disse Yves entrando na sala.

Ergui a cabeça para ela e meu coração palpitou. A invocadora olhou diretamente para os meus olhos.

– Mostre o que encontrou no bolso de Doc. – Yves pediu a Corea.

A invocadora abriu as mãos e ali estava uma pedra vermelha, escura como sangue. O medalhão de Doc brilhou no pescoço do invocador. Naquele momento todos os cavaleiros se afastaram. Algo estranho estava acontecendo.

– É magia antiga. – disse Hank. – Doc é esperto e anda com uma pedra de proteção para todos os lugares. Ele se lembra do que aconteceu ontem, basta tirarmos ele desse transe de pânico que colocaram nele. O que fizeram com Corea, Jasper e Hooper é pior do que o que está acontecendo com Doc. – ele pegou a pedra vermelha e colocou no chão. – Assim que eu quebrar esta pedra, Doc voltará ao normal. Se afastem, pois todos vão ter uma experiência igual a dele. Acho que não será agradável.

Caminhei até Yves e ela segurou meu braço. Parecia preocupada. Mas sem dúvida, os outros também estavam.

Hank olhou para nós e começou a contar com os dedos, para todos prestarem atenção e não fazerem barulho.

Um. Dois. Três. De repete eu estava tendo a mesma visão que Doc no dia anterior.

De longe podia ver Hiden e Valentina saindo juntos para a floresta e de repente Doc gritou, pedindo para esperarem.

E naquele instante o tempo passou lento. O olhar de Valentina era de nervoso e se chocou com o de Doc.

Desprezo.

Ódio.

Nojo.

Parecia que Doc ia atrapalhar algo.

Logo o tempo voltou ao normal e Doc seguiu com eles.

A tarde caía. E eu comecei a me lembrar do que havia feito. Naquela hora, Corea e eu estávamos arrancando informações de Mc Duu. E os três passaram ao lado da cabana.

Dava para escutar nitidamente o que estávamos fazendo. Nunca me odiei tanto por gritar. Provavelmente Corea passava pelo mesmo que eu.

Valentina olhou para a cabana e seus olhos negros pareciam faiscar, mesmo sendo vazios. Ela havia percebido muito bem e ia fazer algo.

Os três entraram na floresta. Hiden parecia ansioso e Valentina preocupada. Mas Doc andava apressado. E muito mais preocupado que a garota.

– O que houve? – Valentina se virou para ele e seus olhos negros e vazios estavam fixos em Doc.

– Sei o que você é. – Doc respondeu. – Não tenho medo de você.

Ela gargalhou. Segurou o braço de Hiden e balançou a outra mão. Algo ia acontecer.

– Tem certeza disso invocador? – ela estava provocando Doc.

– Ela é uma invocadora Hiden. – Doc tentava ajudar o colega, mas algo estava errado. – Uma invocadora de bruxas, como Morgana.

O invocador estava fora de si. Não escutava nenhuma palavra que Doc dizia.

O sorriso de Valentina aumentava cada vez mais. Em seguida ela bateu palmas. E gargalhou. Divertia-se com aquela situação.

– Não vou perder meu tempo com você. – disse Valentina.

Das sombras uma outra figura surgiu. Uma mulher de pele branca como a de Valentina e olhos negros, vazios. Era outra invocadora de damas da noite.

– Há pessoas vindo atrás de você Valentina. – disse a mulher.

– Leve Hiden. – disse Valentina. – Vou cuidar desse invocador desgraçado.

Doc não conseguia se mover. Estava paralisado apenas com a energia da presença de seres tão fortes. Era uma pressão psicológica intensa e mortal. Ele podia morrer e sabia disso.

A mulher sumiu com Hiden, entrando nas sombras e deixando os dois ali.

Valentina caminhou até Doc. Olhos negros e vazios. Medo. Muito medo. Era isso que Doc sentia, era isso que eu senti.

– Nunca mais mexa com uma invocadora de damas da noite. – disse Valentina. – Vou te mostrar do que sou capaz.

E o mesmo que ela fez comigo, fez com Doc.

A magia antiga.

Do começo.

Do meio.

E do fim.

O medo em formato de beijo.

Um beijo mortal que deixou Doc num estado de pânico, como uma defesa.

Graças a uma pedra de proteção.

Caímos no chão. Jogados por uma fumaça negra que em seguida se espalhou. Saindo pelas janelas.

Jasper em seguida foi fechando tudo. Ele estava muito nervoso. Desesperado na verdade. E não dá para negar, todos nós estávamos.

– Droga! – disse Ramone. – Não sabia que era tão ruim assim.

– Parabéns! – disse Corea com toda a ironia. – Prêmio por velocidade mental mais acelerada.

– O que aconteceu? – alguém perguntou assustado.

Em seguida Yves bateu na própria testa. Estávamos não dando importância a algo que estava bem na nossa frente. Yves tirou do bolso um medalhão negro e com os olhos firmes nele falou:

– Valentina é uma invocadora de damas da noite e levou Hiden para um sacrifício.

Notas finais
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