A Sociedade Rubi

10 A lei das criaturas


Notas iniciais
Olá pessoal! Agradeço ao DarkMandaloriaN por ter favoritado e a todas as pessoas que estão acompanhando (mas comentem pessoal!). Hoje o capítulo vai explicar mais sobre os vampiros e o Doc. Espero que gostem ^_^.

Chegamos ao casarão assim que o sol nasceu. O único que já estava acordado era Doc. Ele sorriu assim que nos viu chegando juntos. No olhar dele, percebi que estava pensando algo errado. Doc se aproximou de mim e Yves foi para a cozinha.

– Está começando a lembrar? – ele perguntou.

– O que? – perguntei.

– Yves ia todos os dias na frente da sua casa. – Doc respondeu sério. – Ela chegava a faltar missões só pra ficar lá. E ela sempre ia sozinha, não aceitava que alguém acompanhasse. Aos poucos vai lembrar, Perry amigo de Rhodes lembrou.

– Mc Duu já me disse isso. – falei.

Jasper desceu as escadas e comia uma maça. Seu olhar estava abaixado e assim que percebeu o assunto se meteu.

– Finalmente Yves parou de ir pra sua casa. – e ele passou reto.

Fiquei em silêncio, esperando alguém mais descer e comentar o mesmo assunto.

– Todo mundo sabe? – perguntei.

– Menos Gillis. – Doc respondeu. – Ele não é muito bom em perceber as coisas. Não é um garoto de dons, se é que me entende.

Fomos para a sala de jantar, onde o café da manhã seria servido. Eu ainda não havia entrado na cozinha e segundo Doc, era falta de respeito entrar lá enquanto a comida ainda estivesse sendo feita. Yves era a única que quebrava as regras.

A mesa estava lotada como sempre esteve. Tortas, pães, bolos e algumas comidas estranhas que eu nem sabia que existia. Sucos variados e café. Na situação que estava, café foi a melhor opção. Yves estava sentada de frente para mim, tomando café e comendo um pedaço de torta. Doc era um dos que comiam comidas estranhas, o que não me surpreendeu.

Todos nós já estávamos comendo quando a pessoa que faltava apareceu. E era Gillis, com cara de sono e cabelo bagunçado. O que também não me surpreendeu.

Rhodes esperou ele se sentar e começou a falar:

– Bom dia, invocadores. Hoje temos um novo invocador na nossa mesa. Hooper deixou de ser um iniciado e agora é um invocador de vampiros. Receba os parabéns de todos nós e que sua vida seja dedicada a verdade.

Todos os invocadores se levantaram e ergueram seus medalhões. Era um cumprimento. Uma forma de desejar sorte. Fiquei de pé, apenas observando. Os olhos avermelhados de todos diziam muito mais que boa sorte, aqueles olharem significavam união.

Os invocadores sentaram e voltaram a comer. Eu já havia terminado, mas fiquei ali, esperando. Os lacaios cinza tiraram a mesa e todos nós continuamos sentados. Rhodes se levantou novamente.

– Invocadores de vampiros, temos um caso importante. – disse Rhodes. – Como sabem os vampiros não apenas se alimentam aqui, como também se acasalam. Do conhecimento de vocês, sabem que um vampiro só pode procriar com um humano. Sei que alguns de vocês não gostam dessa parte, mas essas coisas acontecem e por conta disso, deixarei vocês escolherem com a equipe encarregada disso.

Jasper levantou a mão.

– Podemos fazer isso. – disse Jasper. – Nosso grupo nunca pode fazer parte dessa missão, acho que agora podemos.

Yves olhou para ele com um olhar ameaçador, como se ela não quisesse fazer aquilo. Doc olhou da mesma forma e Gillis se manteve calado. Eu apenas observei, seja o que fosse, não parecia coisa boa.

– Tem certeza disso? – Rhodes perguntou. – Vocês sabem como as coisas são e devem saber quando algo dá errado.

– Tenho conhecimento senhor. – Jasper respondeu. – Zelamos pelo mundo e conhecemos as leis das criaturas.

Rhodes suspirou, como se temesse aquilo, como se não gostasse. Vendo aquela reação, eu soube que também não deveria gostar. Olhei para Yves, ela parecia tensa, assim como Doc. Todos na mesa estavam sérios e Paris encarava Jasper de olhos cerrados.

– Boa sorte. – disse Paris. – A mulher já está com dois meses de gravidez e ela acabou de descobrir que está grávida. Espero que tudo ocorra como deve ser.

Doc se levantou de cara fechada e saiu da mesa. Levantei logo em seguida e Yves também veio atrás. Corremos atrás de Doc e ele não olhava para trás, nem parava. Ele havia entrado na floresta e Yves achou melhor parar de segui-lo.

– O que houve com ele? – perguntei.

Ela balançou a cabeça negativamente, como se fosse difícil contar. E era.

– Hooper, não é só você ou eu que temos um passado no qual temos que lembrar ou manter. Doc também tinha uma vida antes de vir pra cá, ele não era um órfão como Jasper. Ele tinha uma vida muito boa, você nem tem noção.

Fomos para a sala de estar e ela por sorte estava vazia. Sentamos no chão, com as costas encostadas na parede. Yves encostou a cabeça na parede e olhou para cima.

– Doc tinha uma vida melhor que a de qualquer um de nós. – Yves começou a explicar. – Ele tinha dois irmãos, mas os dois já haviam casado e ele já era até tio. Os pais eram empresários e mesmo assim passavam muito tempo com ele. A família feliz e perfeita. Doc é um gênio, havia conseguido ingressar no exército graças ao avô. Mas aí você já deve imaginar o que aconteceu.

– Chamas? – perguntei.

Yves assentiu e olhou para mim.

– Ele estava namorando, um casal perfeito também entende. Bom, ele diz que não namorava com a garota, mas todos nós sabemos que sim. Doc diz que era uma amiga, mas depois que as coisas aconteceram, ficou claro que era diferente.

– O que aconteceu quando as chamas vieram?

– Ela esqueceu de tudo, assim como você. – Yves respondeu. – A família inteira dele morreu num incêndio. A garota esqueceu de tudo, todos que conheciam ele esqueceram, porque é isso que acontece quando você é invocado. Você é esquecido, deixamos de existir no mundo dos humanos.

Abaixei o olhar. Então eu havia deixando de existir para os meus amigos. Eu havia desaparecido, deixado de existir.

– A questão é que Doc, assim como eu, não aceitou essas coisas. Todos os dias ele fazia a proteção da casa da garota. Na verdade, ele era muito pior que eu, pra ser sincera. Doc chegou a falar com a garota, mas ela não se lembrou dele. Foi difícil pra ele, mas ele aguentou. Foi aí que aconteceu.

– O que aconteceu? – perguntei.

Ela segurou os joelhos, como se fosse algo difícil de dizer. Mas era exatamente o que eu devia saber.

– É a lei. – Yves respondeu. – Vampiros apenas se acasalam com humanos. E pra isso acontecer eles devem chupar muito sangue, muito mesmo. Quanto mais chupar, mais vai se parecer com um humano. E quando as asas recuem, a pele fica dourada, os dentes recuem e os músculos se definem, é a hora do acasalamento.

– Quer dizer que...

– Me deixa falar curioso. – ela respondeu. — Um vampiro estava pronto e seduziu a amiga/namorada de Doc. E ele viu tudo. Resumindo, para os humanos foi um estrupo, para nós invocadores, é a lei das criaturas. Mas isso ainda nem é a pior parte. A garota ficou traumatizada e chorava todos os dias. O mesmo aconteceu com Doc. Ele ficou agonizado com tudo, não acreditava. E nós não podemos fazer nada. É a lei e devemos segui-la, Doc sabia disso e era o que doía mais nele. A garota estava tão perturbada por ter sido estuprada e engravidado que decidiu abortar. Hooper, essa é a pior decisão que ela tomou na vida.

– Por quê? – perguntei.

– Quando um vampiro engravida uma humana, o filho deve nascer para manter o número de vampiros. Mas quando uma humana aborta a criança vampira, nós não podemos fazer nada, apenas deixar a lei ser cumprida. Aí vem a pior parte, quando esse vampiro não nasce, quando a mulher aborta, o vampiro volta para tirar a vida dela.

– Nós não podemos fazer nada? – perguntei. – Doc não fez nada?

– A lei diz que não devemos interferir. – Yves respondeu. – Se interferimos, nós morremos. A raça humana inteira pode morrer.

– Isso não faz sentido! – eu estava nervoso.

– Claro que não faz. – ela também estava. – Mas é a lei e nós simplesmente a respeitamos. Não dá pra mudar isso. Na verdade dá, mas nossa geração e nem a de Rhodes ainda teve a chance.

– E como mudamos isso? – perguntei.

– Falando com Drácula, o convencendo. – Yves respondeu. – E não fazemos ideia de quando ele voltará. Nós não podemos atravessar o portal sem permissão. Acredite, Doc tentou e não acabou bem. Ele entrou num estado de coma e só voltou um mês antes de você ser iniciado.

– Não quero fazer essa missão. – falei.

Yves ficou em silêncio, podia escutar sua respiração. Ela estava séria e com o olhar levantado. E aquele silêncio deixava claro que ela também não queria.

– Relaxa, Rhodes não vai dar essa missão pra nós. – disse Yves. – Ele sabe que Jasper estava apenas provocando Doc, é isso que aquele desgraçado metido sabe fazer.

Ficamos minutos ali, sentados e olhando para o teto de madeira. Nossa respiração era alta e as folhas lá fora balançavam no mesmo ritmo. Eu ainda estava tentando me lembrar de Yves, mas ela insistia que ainda não era hora de me ajudar.

A porta se abriu com um rangido fraco. Doc entrou de costas e de frente para ele estava Rhodes. Ambos conversavam e o que Yves havia dito se confirmou.

– Fique calmo Doc. – disse Rhodes. – Não vou dar pra vocês essa missão. Na verdade vamos ter uma pequena alteração de equipe.

– Como assim? – Yves perguntou enquanto se levantava.

– Eu tive uma reunião com os senhores das outras sociedades. – disse Rhodes. – Eles também receberam recados de Demônios Ceifadores. Entramos num acordo.

– Que acordo? – perguntei.

– É uma decisão para a segurança humana. – ele explicou. – Sabemos que o que pode vir vai causar desiquilíbrio.

– Qual decisão que tomaram? – Yves perguntou.

– Um representante de cada sociedade irá para outra sociedade. – Rhodes respondeu. – Paris, Marie, Loo e Richard vão para as outras sociedades.

– E aqui? – ela perguntou como se já soubesse a resposta.

– Como aqui é mais calmo, eles decidiram mandar os novos invocadores, os que chegaram ontem. – Rhodes respondeu.

Rhodes já ia saindo da sala quando virou-se para nós e falou:

– E por conta disso, vocês todos terão de voltar a escola. Boa sorte no terceiro ano.

Notas finais
Oii de novo! Gostaram povo??? Então comentem! Não gostou? Então também comente!