Notas iniciais
Ainda não é o tão esperado casamento, mas vocês já podem ter ideia da bagunça que será. e nossa Lauren mostra que AMA dormir. espero que gostem ;)

A luz da manha me acordou, e nem os grossos dosséis foram páreos para combater a luz do dia. Abri os olhos, dentro da cama com os dosséis fechados parece um show de luzes, tão belas e douradas. Queria sair do meu casulo particular mais estava muito preguiçosa para enfrentar Alexia que como de costume deveria estar me esperando na minha mesinha. Hoje eu vou me casar, pensei.

– Bom dia flor do dia. – Alexia disse, com um bom humor raro. Abri os dosséis e desci da cama, calçando minhas pantufas e colocando o robe, fazia frio hoje.

– Nossa mas que frio! Em que mês estamos? – eu disse me aquecendo com o atrito que eu fazia com minhas mãos. Alexia deu um gole da xícara de chá.

– Estamos em junho. No Norte esse mês é de verão, não é mesmo?

– Mais ou menos, são apenas tempos em que para de nevar. A temperatura sempre parece à mesma. – eu disse. Os meses de verão eram até um pouco mais incômodos, pois o tempo ficava úmido, e quando o tempo está úmido, não tem jeito de se aquecer só com roupas.

– Há sim. Seu vestido chegou, quer dar uma olhada? – ela disse apontando com a cabeça para um cabide onde uma sacola branca estava pendurada nele. Pela bainha do vestido percebi que seria como os pomposos vestidos do Sul

– Não... Não quero amassar ele. – eu disse me sentando a mesinha, na cadeira a frente de Alexia. Hoje é sexta, dia de frutas vermelhas, meu dia favorito. Peguei uma torta de mirtilo e dei uma mordida, estava deliciosa.

– Bom o que temos para hoje? – perguntei após engolir o pedaço da torta. Alexia pegou sua prancheta e a verificou.

– Você pode tirar a sua manha e tarde de folga, esteja livre para usar os jardins ou ficar nos salão das mulheres. Mas procure voltar para o seu quarto no horário da tarde, pois será nesse horário que os convidados irão chegar.

O palácio estava uma loucura nessa ultima semana. Várias pessoas trabalhavam no grande salão de baile, paisagistas ficaram a semana toda arrumando e arrumando novamente os jardins. Mil convites foram feitos e distribuídos e toda e o evento serie televisionada para toda a população ver. A cozinha deve ter sido a que me mais trabalhou, pois foram feitos 10 pratos diferentes para mil pessoas, sem falar nos vários doces que foram feitos.

Kendra tinha regressado com sua família, que acredite ou não, eram mais petulantes que ela. A família de Kyla também havia chegado dois dias atrás. A mãe e o pai de Kyla eram muito parecidos com ela, baixinhos morenos e com grandes olhos azuis, mas o irmãozinho dela tinha grandes olhos negros, tão negros que nem se sabia onde começava ou terminava a íris. Ver todos eles chegando só aumentou minha preocupação e frustração por eu ainda não ter conseguido falar com nenhum dos meus familiares.

– Alexia, eu não consegui falar com a minha família.

– Isso é uma preocupação. Já mandamos alguém os buscar no Norte. – ela disse. Alexia me disse que se eu não conseguisse falar com eles faltando três dias para o casamento eles iriam buscá-los, mas aparentemente isso só aconteceu no dia do meu casamento.

Alguém bateu a porta, e Alexia se levantou para atendê-la. Um criado estava parado em frente a porta, segurando uma caixinha.

– Vossa Alteza, o príncipe Damien, mandou eu lhe entregar esse presente. Ele epera que você o use mais tarde na cerimônia. – o criado disse enquanto entregava a caixinha para a minha assistente. Fui até o lado de Alexia e abri a caixinha. Dentro havia um colar de diamantes, que imitava os galhos das arvores, e os pontos de diamantes delicados imitavam as flores. Também havia um brinco de diamante em formato de flor. Fiquei boquiaberta.

– Pelos céus, é lindo! – eu disse encostando os dedos no colar. Alexia sorria e dispensou o criado, que fez uma reverencia antes de ir.

Damien, meu grande cavalheiro, prometeu poupar minha honra até o dia de nosso casamento. Depois do ocorrido Damien veio me procurar, mas eu o dispensei, dizendo que estava muito confusa por causa do ocorrido, e que precisava tirar ele da minha cabeça por alguns dias. Ele fez algumas objeções, mas concordou, e eu finalmente tive liberdade para ficar perambulando pelo castelo. Conheci a sala de cinema, a piscina, o salão de musica – onde eu descobri ter talento para tocar piano – e andei a cavalo com Kyla.

Não seria mentira que Damien quase arrematou meu coração naquela noite, mas quase. O sentimento de ternura que senti por ele foi substituído pelo medo, ele realmente tinha me assustado naquela noite. Damien também tinha um pequeno roxinho, bem no lugar onde eu havia lhe dado um tapa. Houve murmúrios por todo palácio sobre o motivo daquele roxo, mas Damien apenas disse que caiu da cama. Outra coisa que ele havia me protegido.

O aparelho que Alexia tinha consigo começou a apitar, e ela começou a ler o que estava escrito, e levou um espanto, olhando para mim com preocupação.

– Lauren... Seu irmão foi preso. Ele foi pego roubando e levou um castigo severo na praça publica. – ela sussurrou.

O que esta pessoa estava me dizendo? Loras? Loras meu irmão estava preso? Loras que sempre dissera que o crime era a forma mais baixa de se conseguir as coisas? Agora entendo o porquê que não conseguia falar com eles.

Não disse nada, as lagrimas desceram silenciosas. Levantei-me elegantemente – como era de etiqueta – e caminhei a passos largos até o meu closet, fechando a porta atrás de mim e me encostando-se a ela. Sou fútil, pensei. Sou burra. Se tivesse ligado para eles no mesmo dia em que cheguei nada disso teria acontecido, eles iriam pedir dinheiro e eu iria dar a eles, e assim Loras não iria precisar roubar. Pensei em mamãe, em Zuzete, e me perguntei como elas deveriam estar.

Sequei as lagrimas e respirei fundo, saindo do closet. Chorar não iria adiantar. Alexia falava ao aparelho, e estava ficando vermelha de tão nervosa.

– Como assim? Ela precisa entrar acompanhada de alguém no casamento, seja o pai ou o irmão. Trate de ir até a cadeia e dizer que é uma ordem de estado para que ele seja solto e escoltado até o Sul!

O que tinha acontecido ao meu pai?

– Alexia? – eu disse. Ela se virou para mim e depois se voltou ao aparelho, falando rispidamente “trate disso agora”.

– Alexia o que está acontecendo?

– Aparentemente sua mãe e irmã estavam doentes, então Loras roubou os remédios da casa do Comandante da Cidade, e alguns vizinhos relataram o crime. Ele teria sido morto, mas o Comandante é esperto o suficiente para não matar o irmão da futura princesa do Sul. Seu irmão antes de ser preso expulsou seu pai de casa e sua irmã e mãe estão abrigadas na casa de vizinhos.

Isso sim era uma coisa inesperada. Queria chorar, queria abraçar alguém, queria poder ver um rosto amigo. Mas suspeitava que o abraço de Alexia fosse tão mecânico quanto sua falar, chorar na frente dos outros não era próprio de uma princesa e, dentre o palácio, o único rosto amigo seria de minhas fotografias da minha família.

– Alexia minha mãe e meus irmãos... Eles precisam vir morar aqui comigo.

Alexia mordeu o lábio, parecendo um tomate de tão vermelha que estava. Lá vem tempestade, pensei.

– A rainha não vai permitir que sua família more aqui. Seu irmão é considerado um ladrão. – ela disse colocando a mão no meu ombro. Ela tentou fazer sua melhor cara de dó.

Franzi o cenho e olhei de soslaio para sua mão. Sua falsa, pensei. Todos aqui são ótimos atores. Dei um tapa em sua mão, com as lagrimas já escorrendo pelas minhas bochechas.

– Srta. Lauren! O que pensa que está fazendo? – ela disse elevando sua voz. Reprimi o impulso de me encolher com suas palavras.

– SAIA! SAIA AGORA! – eu gritei apontando para a porta – Você é louca, você não tem idéia do que eu estou passando. Saia!

Alexia caminhou até mim, seu olhar me queimando.

– Queime no inferno, Lauren. Você é uma terrível pirralha mal agradecida. Acho que a pequena princesa Eva tem mais modos que você. Vou terminar meu trabalho para tirar seu irmão da cadeia, e depois disso você ira se explicar para Damien para lhe dizer o motivo de ter demitido outra assistente. Alteza. – ela fez uma reverencia e saiu. Comecei a chorar, e chorar. Mas que merda, eu só choro, choro tanto que nem sei de onde meu corpo está tirando tanta água para isso.

Eu estou errada. Alexia quer me ajudar, a culpa não é dela que ela não sabe fazer uma cara triste. Merda, Damien vai brigar comigo por isso.

Estava com medo, me sentindo cansada por mais que tivesse acabado de acordar. Precisava descansar os olhos, mas não podia dormir na cama como de costume, desconfiava que Alexia estivesse fazendo um escândalo nesse momento e que provavelmente alguém iria vir me ver.

Poderia fazer um montinho com alguns casacos em um dos armários do closet, mas não queria fazer bagunça, então fui tateando entre as paredes do quarto. Ouvi Brienne dizer uma vez que o quarto tinha uma passagem secretas, só precisava descobrir onde ficava.

Após ficar como uma imbecil tateando pelas paredes sem nenhuma congratulação, eu decidi voltar a idéia principal do meu closet. Abri o closet a fechei a porta atrás de mim. Abri uma das portas dos grandes armários e entrei. Não foi preciso forrar o solo com os casacos, pois o interior dos armários era revestido de veludo, o que tornava a situação mais confortável e mais quente até.

Fechei os olhos, e por incrível que parece, adormeci no mesmo instante...

– Srta. Lauren? – uma voz de homem me chamou. Abri os olhos, meio grogue até me dar conta de que ainda estava no armário e que estava confortável demais.

– Srta. Lauren? Vocês não estão procurando ela com perspicácia. – disse a voz aveludada que eu reconheceria em qualquer lugar do mundo. Queria dizer que eu estava aqui, mas não encontrava minha voz.

– Vossa Alteza acha que ela deve ter saído da propriedade? – um homem com uma voz mais dura falou. Ficaram em silencio.

– Continuem a procurar. Ninguém a viu nos jardins. – a voz romântica de Forrest soou. Quanto tempo se passou desde que eu estou aqui? Ouvi a porta do closet ser aberta e me encolhi mais ainda, notando que eu estava em volta em um monte de casacos.

– Eu já procurei ai. – alguém disse. Alguém começou a abrir todas as portas e revirar lá dentro. Fiquei brava, não queria que fizessem bagunça. Por fim, abriram a porta do meu armário. Cerrei os olhos e tentei normalizar a respiração, não queria que percebessem que eu estava acordada.

– Lauren, você me preocupou. – a voz de Damien sussurrou. Ele me puxou para si e me ergueu em seus braços, não aparentando nenhuma dificuldade.

– Eu achei! – Damien vociferou. Escutei suspiros de alívios e algumas perguntas femininas de “ela está bem, o que ouve?”.

– Acho que ela só estava cansada. Avisem para que dirijam a família dela para o quarto de hospedes, e não deixem que eles saibam do ocorrido. – Damien falou. Como assim? Minha família estava aqui? Mamãe, Loras e Zuzete?!

– E nos dêem licença, por favor, quero conversar com a Srta. Lauren em particular. – Damien pediu ainda me carregando em seus braços. Todos deixaram o quarto em silencio e então Damien se sentou na poltrona com eu em seu colo. Ele colocou minha cabeça entre sua clavícula e seu ombro e aproximou os lábios dos meus ouvidos.

– Agora você já pode acordar. – ele sussurrou. Abri os olhos e fitei o arco de sei queixo. Me mexi em seu colo até estar olhando em seus olhos, a lagrimas já escorrendo.

– Me desculpe, eu fiquei com medo de você brigar comigo, é que eu fiquei muito chateada por saber que o Loras havia sido preso, e eu... Eu... – eu estava chorando novamente. Damien me envolveu em seus braços e deu um beijo demorado em minha testa.

– Eu não estou bravo, só estou me perguntando o que há de errado com nossas assistentes. Até pedi que uma assistente de outro reino a acompanhasse. E seu irmão foi solto, e sua irmã e mãe estão bem, porem apenas seu irmão veio.

– Por que elas não quiseram vir?

– Estão se recuperando da doença, e seria ruim fazer uma viagem na condição delas. – ele disse passando os dedos nos meus cabelos, que por sinal já haviam crescido desde a ultima vez que foram cortados.

Só de saber que Loras estavam sob o mesmo teto que eu já me animava. Saltei do colo de Damien.

– Onde está o Loras? Eu posso velo?

Damien sacudiu a cabeça e se levantou da poltrona, ficando frente a frente a mim. Eu era alta, mas Damien era muito alto, mas de um jeito elegante, não estranho. Ele era até mais alto que Loras.

– Temos uma tradição aqui no Sul. O irmão ou o primo mais velho da noiva deve ser o protetor de seu primeiro filho, já que agora eu sou o seu protetor. Ele está em uma cerimônia no momento, e receio que você só o vera na hora do casamento.

Assenti com a cabeça. Loras deveria estar delirando em raiva só de ouvir que seria o protetor do meu filho, ele nunca foi bom em aceitar que um dia eu iria me casar. Olhei paras as altas janelas, a luz estava fraca e o sol já se punha, aparentando serem seis horas.

– Ham... – ele começou – vou chamar o Galeso, você já deve se arrumar.

– Serei a de branco. – eu disse sorridente.

– Espero não confundi-la com as a outras duas então. – ele piscou para mim e se retirou do meu quarto.

Há sim, outra coisa ótima, iria ter que dividir meu casamento com minhas cunhadas.