A Seleção-Novo Mundo
14 Capitulo 14
Notas iniciais
– Você está tão linda que no momento estou pensando por que eu decidi virar gay! – Galeso cantarolou. Eu estou linda, pensei, tão linda quanto a rainha.
O vestido de casamento era todo branco com rendas florais. Do corpete para baixa a renda era revestida por cima de um forro branco de cetim. O decote do vestido era em V que deixava o colo elegante e as mangas de renda vinham até um pouco depois dos cotovelos. Metade do meu cabelo foi puxada para trás e foi preso com varias presilhas de diamantes e formatos de flores e a ponta dos meus cabelos foi cacheada. Eu ainda usava o conjunto de colar e brincos de diamantes que Damien havia me dado mais cedo. Eu estava simplesmente... Linda!
– Galeso, eu fico espantada com as maravilhas que você faz. – eu sussurrei ainda me olhando boquiaberta na penteadeira.
– Magina minha magnífica, metade da perfeição é sua de nascença! Agora minha querida queira me dar licença, pois tenho que me arrumar. – ele me deu um demorado beijo em minha bochecha e foi embora, me deixando sozinha. Olhei paro os lados, em busca de encontrar alguma coisa para fazer ou me distrair, mas tudo o que eu focalizava era as paredes douradas.
Estava aflita, achava que meu coração poderia sair voando do meu peito a qualquer instante. Já era oito e meia e o céu já estaria um breu, se não fosse pelas luzes espetaculares que vinham dos jardins. Alexia não era minha mais a minha assistente, de modo que Kyla passou a ter novamente toda a sua atenção, mas mesmo assim, Alexia viria me chamar na hora certa acompanhada de Loras. Loras... Eu talvez entrasse na nave do grande salão de baile aos seus braços chorando de felicidade, todos achariam que motivo fosse Damien, mas na verdade seria por Loras. E ninguém precisaria saber disso.
Mas meu principal motivo de desespero seria minha tão esperada noite de núpcias. Muitos jovens do Sul e do Centro adotam o voto de castidade até o casamento, mas no Norte essa pratica era rara. Eu mesmo continuei virgem por opção. Não que perder a virgindade seria menos doloroso ou embaraçoso com alguém que eu amo, mas entre uma pessoa que eu confio e conheço e entre Damien, certamente a situação seria mais confortável com uma pessoa confiável. Nunca tive oportunidade de conversar isso com minha mãe, pois ela nunca tacava no assunto e sempre mudava de assunto quando eu tocava nele. Loras perdeu sua virgindade com alguma nortenha rebelde quando foi mandado para o extremo norte, mas ele também nunca entrou em detalhes.
A verdade é que por mais que dezesseis anos seja a idade legal para se casar, não é uma idade mais madura. Eu sou uma criança, e por mais que eu fiquei furiosa quando alguém me chama ou me trata como uma essa é a mais pura verdade. Eu não estou pronta... Mas Damien está, e ele mesmo disse que me pouparia até nosso casamento.
Alguém bateu a porta. Olhei o relógio, já marcava quinze para as nove. Levantei-me cuidadosamente por causada da longa cauda do vestido e fui abrir a porta. Loras estava esperando do outro lado, com seu sorriso torto e olhos azuis mais brilhantes do que nunca, seu cabelo liso todo desgrenhado estava repletamente penteado e deixava-o muito lindo e elegante, ainda mais em seu terno preto bem ajustado. Ele parecia que iria chorar de tanta felicidade, me atirei nele e o apertei bem forte.
– Lauren... Você está linda! Como é bom te ver de novo.
– Loras, eu ouvi sobre sua prisão e sinto tanto... Queria estar lá para que isso não tivesse acontecido! – eu disse secando uma lagrima que escorreu. Ainda bem que Galeso usou uma maquiagem que segundo ele não iria sair de jeito nenhum, apenas com seu demaquelante. Ele me afastou um pouco e deu uma boa olhada em mim, e depois se voltou para os meus olhos.
– Esse tal príncipe, ele é bom para você? Você gosta dele? – Loras perguntou preocupado. Não podia dizer que meu futuro marido era bipolar, me dava medo e que tinha tendências a ficar louco.
– Ele é ótimo eu o amo. – eu disse automaticamente, talvez automaticamente demais. Loras olhou com desconfiança mas não perguntou nada, me ofereceu o braço e então começamos a descer as grandes escadas.
Quando chegamos na entrada do salão de baile, eu suspirei alto. Estava tão lindos, o tema da festa era de flores brancas. As cortinas formavam uma seqüência de dourado e branco, havia muitas flores brancas de todos os tipos espalhas. As grandes portas do salão de baile estavam fechadas, e dois guardas vestidos elegantemente estavam na frente delas.
– Laur você esta linda! – Kyla disse para mim. Ela vestia um vestido parecido com o meu, mas sem mangas e sua renda imitava as ondas do mar e seu cabelo estava preso no alto. Dei um sorriso amarelo para ela.
– Você também está Kyla! Amei seu cabelo.
– Quem é esse gatão? – Kyla sussurrou talvez um pouco alto, pois Loras tentou reprimir um sorriso. Sorri e encostei minha mão no ombro de Loras.
– Esse é o Loras, meu irmão gêmeo. – eu disse. Kyla estendeu a mão e Loras a pegou e a beijou, fazendo Kyla corar.
– É um prazer conhecê-la. – Loras disse.
– O prazer é todo meu. – ela respondeu. Ouvi alguém bufar e todos nós seguimos o som, que pertencia a uma Kendra que estava muito dourada com seu vestido de noiva com rendas douradas. Não sei por que, mas parece que tentaram valorizar o cabelo dourado dela, ao contrario do meu que já é mais puxado para o platinado.
– Você está linda, Kendra. – eu disse amigavelmente. Ela pegou a mão do pai e deu um sorriso amarelo para mim.
– Eu sei! – ela disse. Não vou agarrar o pescoço dela, pensei, tenha calma.
– Tudo bem senhoritas — Alexia começou -, vocês estão perfeitas. Agora a ordem será do mais novo até o mais velho, portando Kyla será a primeira a entrar no salão, e vocês vão poder vê-la nesse televisor – apontou para um grande televisor na parede – e quando eu chamar o nome de vocês, vocês devem se dirigir, prontas?
Todas nós fizemos um “sim” em coro, então a marcha nupcial começou a tocar e o televisor se ascendeu. Alexia sussurrou o nome de Kyla, então o dois guardas abriram as grandes portas do grande salão de baile e então Kyla entrou acompanhada de seu pai. Voltei-me para o televisor. O lugar estava cheio, e imitava uma igreja. Todas as testemunhas se levantaram enquanto Kyla ia passando na nave. Olhei para Forrest, que parecia o sol, de tanta alegria que esbanjava.
A cerimônia foi rápida, afinal tinha mais duas. Kyla não conseguiu dizer “sim”, pois chorava muito, então fez um pequeno sim com a cabeça, antes de Forrest a puxar para um beijo extremamente romântico.
Kendra se manteve a ser mais com uma “diva”, parecendo uma verdadeira princesa, enquanto Elijah permanecia tão sensual quanto. Ele a beijou de uma forma que deve ter feito todas as garotas do Sul gritar de emoção.
– Lauren Pierce. – Alexia sussurrou, e por mais que eu tivesse demitido ela ainda hoje, ela não parecia estar brava comigo.
Respirei fundo, já sentindo calafrios na boca do estomago. Loras me manteve bem apertada ao seu lado, ele provavelmente sentiu meu desespero. As portas se abriram e Loras começou a andar. Todos se levantaram, com seus sorrisos e lagrimas nos olhos. Apertei minha mão no braço de Loras, e ele colocou sua mão livre por cima. Então chegamos ao altar, então Damien desceu e para me buscar. E tão antigo quando o antigo mundo, Loras pegou minha mão e a colocou sobre a mão de Damien, simbolizando que agora eu era dele.
Damien me levou até o altar e então ficamos frente a frente, enquanto o padre começava com seu discurso costumeiro em casamentos. Olhei para o rei e a rainha, que estavam sentados ao trono em seu pedestal, ao lado do altar. O rei tinha uma expressão meio entediada, enquanto a rainha parecia que iria começar a chorar a qualquer momento.
– Lauren Pierce, — o padre falou, olhei para Damien – você aceita se casar com Damien Bekaham, na saúde e na pobreza, na felicidade e na tristeza, até que a morte os separe?
Damien tinha seus olhos vidrados nos meus, e eu nos dele. Não estávamos como os outros casais antes de nós, nós não sorrimos, nem mesmo um sorriso torto, era como se isso tudo fosse apenas negócios, mas algo na expressão de Damien me fez crer que era o meu dever.
Damien é bondoso como todos pensam, e pode até ser misericordioso, mas ele não é um Deus como todos acham. Damien está muito longe de ser algo divino, todo sedutor, me levando a fazer coisas impensáveis e agir de maneiras estranhas. Damien me assustava, mas também me fascinava.
– Aceito.
– Damien Bekaham, — o padre continuou – você aceita se casar com Lauren Pierce, na saúde e na pobreza, na felicidade e na tristeza, até que a morte os separe?
– Aceito. – ele disse, com sua voz tão aveludada que pareceu um ronrono de um gato.
– Eu os declaro marido e esposa. Já pode beijar a noiva. – o padre disse, reprimindo o sorrisinho. Damien me puchou e me girou, me sustentando em seus braços, e então me deu um beijo terno. Todos aplaudiram e assobiaram, então peguei na mão de Damien e juntos caminhos de volta pela nave, enquanto os convidados aplaudiam e jogavam pétalas brancas em nosso caminho.
Fomos até os jardins da frente, onde foram montadas varias tendas com luminárias fortes e românticas, tudo sem sair do foco branco. Estava lindo, e um banda tocava no meio dos jardins, e o grande lago que ficava em frente ao palácio foi iluminado e tinha cisnes dentro dele. Damien passou o braço em cima de meu ombro, então olhei para ele.
– Gostou? – ele perguntou.
– Está lindo! Sempre teve cisnes aqui ou eles chegaram hoje? – perguntei ainda olhando para os cines. Paramos em frente ao lago e nos sentamos num banco de mármore, olhando as luzes que pareciam que dançavam com a água.
– Eles ficam no jardim dos animais, nos jardins do fundo. Elijah o mostrou para Kendra e ela se apaixonou por eles, então eles vão ficar aqui agora.
– Vocês têm tipo um zoológico aqui? – perguntei. Eu já vi fotografias de zoológicos em algumas fotografias das apostilas da minha escola, mas nunca visitei um. Na verdade havia uma grande variedade de animais que apareciam no bosque ao lado da minha casa. Cervos, lobos e até um urso já apareceram por lá.
– Sim, não se compara com os zoológicos, mas temos animais muito interessantes, gostaria de ver? – ele disse, já se levantando e me estendendo a mão. Peguei sua mão então fizemos o caminho até os jardins do fundo.
O zoológico, que na verdade era um espaço de cerca viva fechado, ficava um pouco mais perto do palácio. Ele sacou uma chave do bolso do da calça e abriu o portão de ferro. Os bichos se agitaram e ouvi alguns rugidos.
– Esses são leões – apontou para uma jaula com um leão e duas leoas, que estavam dormindo -, com o terremoto muitas espécies foram reduzidas e outras extintas. Estamos fazendo um programa de preservação. Esses são os tigres... Os ursos...
– Há eu já vi um urso de perto! – eu disse interrompendo sua fala. Damien olhou abismado para mim.
– Como assim? Foi em um zoológico não é mesmo?
– Não, eles vinham de vez em quando no bosque ao lado da minha casa. Tínhamos que chamar a guarda florestal para tirar eles de lá. Também já vi lobos, e uma vez já peguei um filhote de lobo no colo, eles são muito fofos! – eu disse, sorrindo com a minha lembrança de eu segurando aquele filhotinho. Damien assentiu.
– Então você morava praticamente no meio da floresta, não é mesmo?
– Bom... O Norte é uma floresta praticamente. Mas tudo bem, eu gostava, a natureza é muito bonita.
– Talvez você passe a gostar daqui algum dia então... – ele sussurrou. Franzi o cenho.
– Eu gosto daqui, aqui é muito bonito também.
– Eu quero dizer gostar de ficar aqui comigo. – ele parou de andar. Eu fiquei o encarando novamente, com reprovação, estávamos indo tão bem.
– Você não pode simplesmente me dar jóias e esperar que eu o ame. Essas coisas levam tempo Damien...
– Lauren, eu quero que você me prometa que você vai aprender a me amar, assim como eu sempre tento não perder a cabeça com você. – ele disse. Como que se aprende a amar? Ele é louco?
– Damien eu já te falei que eu não sei nada sobre o amor, eu não sei como descobrir esse tipo de coisa. – eu disse, podendo sentir as lagrimas se formar em meus olhos, mas as forcei para dentro, não iria chorar de novo.
– É claro que você não sabe, você é uma criança... – sussurrou e começou a andar sem olhar para trás.
– Então por que você me escolheu então se eu sou uma criança? – eu gritei para ele. Ele parou e se virou para mim, seus olhos azuis que são da cor do céu agora estavam sombrios.
– Porque eu vi alguma luz em seus olhos, algo que faltava em mim. Pensei que você seria o caminho para eu tomar algum rumo na vida, mas as aparências enganam, a luz dos seus olhos pode ter sido por outro motivo, para um outro alguém... Eu esperava que alguém tão jovem pudesse amar alguém com tanta intensidade ou com tanta facilidade, mas vejo que eu me enganei. Não peço para que você me ame, mas peço para que você... Nutra algum sentimento por mim.
Eu já tenho um sentimento por você Damien, e ele se chamam medo e pena.
– Eu me pergunto por que meus irmãos e suas esposas se gostam, e nós mal podemos ficar juntos sem discutir. – ele disse, colocando as mãos no bolso do terno, notei que o tempo já começara a esfriar demais, e que eu estava tremendo de frio.
– Eu me pergunto por que você só vê isso... – eu murmurei não alto o bastante para ele ouvir. Ele percebeu que meus ombros sacudiam então tirou o terno e o colocou sobre meus ombros.
– Vamos, eles devem estar nos procurando.
ﻼ
– Você P-R-E-C-I-S-A vir até a minha casa de campo um dia! – Colette disse. Estava conversando com a irmã mais nova da rainha já havia um tempo, e eu descobri que ela era muito legal. Já era duas horas da madrugada, e a festa ainda continuava firme e forte, com varias atrações como show de fogos e malabarismos com bolas de fogo. Conheci toda a família do rei e da rainha, e tive o prazer de simpatizar com quase todos, mas em especial com Colette, que era idêntica a rainha Ivy.
– É só me convidar, adoraria ver o interior do Sul!
– Há é lindo, você vai se apaixonar, Damien gosta. – ela disse sorrindo para mim. Um vento passou por noz e me fez tremer, estava muito frio para eu ficar aqui fora só com o me vestido de noiva.
– Colette, eu adorei conversar com você, mas estou congelando, acho que vou entrar um pouco.
– Há tudo bem querida, entre mesmo, não queremos que você fique resfriada! E trate de dar uma bela bronca no meu sobrinho, é muito deselegante ficar bêbado no dia do seu próprio casamento. – ela me abraçou e foi embora.
Damien... Brigou comigo e depois bebeu mais do que deveria, foi até levado para dentro do palácio após cair de bêbado. Queria gritar com ele, mas gritar não adiantaria nada. Olhei para Kyla e Kendra, que dançavam alegremente nos braços dos maridos, e as invejei. Eu não o amo, não o trato bem, esse é o meu carma, mereço tudo isso.
Entrei no grande salão principal, sem saber exatamente o que fazer. Conhecia a maioria dos cômodos, mas havia um que eu não havia entrado até agora: a sala do trono.
Conhecia o caminho, apenas seguir reto em dois corredores e abrir as duas enormes portas. Entrei e me assustei ao ver que Damien estava lá, literalmente jogado no trono do pai, com uma garrafa na boca, cantando uma musica.
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição
De morrer pela pátria
E viver sem razão
Sua voz era linda, tão linda que me fez ter vergonha da minha. Ele parou no meio da canção e deu mais um gole da garrafa, pigarreou um pouco e voltou a cantar.
–Damien, o que você está fazendo? – corri até ele, levantando a bainha do vestido para subir os degraus do pedestal. Ele limpou a boca com a manga da camisa social – seu terno estava jogado no chão – e então se levantou, mas caiu no trono novamente.
– Eu estava aqui pensando que eu não vou poder transar com você hoje, eu bebi demais. – ele disse com a voz arrastada.
– Mas é claro que não! Damien se levante o senhor seu pai vai ficar muito bravo se o ver nesse estado.
– Meu pai, — soluçou – ele prefere o Audrey. E o Audrey morreu... Então ele me odeia. – tomou mais um gole. A garrafa já estava pela metade, e pela falta de reação que ele tinha quando bebia suspeitei que já de tanto bebesse ele nem sentia mais a ardência.
– Isso não é verdade... Seu pai ama você, ele só está chateado ainda, não deve ser fácil perder um filho... – eu disse tentando não fazer contato com seus olhos, pois eles me hipnotizavam. Damien se levantou e deixou a garrafa cair no chão, que se espatifou. Ele me pegou pelos meus maxilares e colocou meu cabelo para trás, olhando profundamente em meus olhos.
– Eu quero ter um filho com você, você é linda! – ele disse e me beijou forte. Estava tão bom, seu beijo era tão quente, seu abraço era tão apertado que me permitir ser fraca por um momento. Entrelacei meus braços em volta de seu pescoço e o puxei para mais perto, e acariciando sua nuca. Não queria parar de beijá-lo, mas tive que respirar, e quando fiz isso ele seguiu um rastro de beijos da minha orelha até minha clavícula, me tirando suspiros.
Damien passou a mão pelas minhas costas e começou a tatear por ela, então finalmente conseguiu soltar um botão. Empurrei-o, arfando alto, como seu meu coração tivesse azas e elas batessem rapidamente.
– Mas eu quero! Você não me ama, mais eu te amo! – ele me puxou novamente para seus braços e me beijou. Pelos céus como era bom, mas não podia fazer isso, não agora. Virei o rosto para o lado, criando uma distancia segura entre nós.
– Você quer mesmo fazer isso na sala do trono? Não Damien, e é melhor você voltar para o seu quarto e tomar um belo banho, você está fedendo a bebida.
Escutei uma comemoração do lado de fora, todos dizendo “viva!” ou “que os céus os abençoe” , então me toquei que esa deveria ser a hora dos agradecimentos, também conhecida como a hora em que os noivos iriam ter sua primeira noite juntos como casados. Olhei para Damien, que estava indo se sentar no trono de novo.
– Pensando bem, — peguei sua mão e o levantei com força – vamos receber as ultimas bênçãos. Peguei sua mão e corri com ele pelos corredores, e porta a fora, até chegarmos ao jardim, na tenda real, onde o rei fazia um discurso sobre amor, enquanto segurava a mão da esposa. Ele nos focalizou e sorriu para mim, e quando viu o estado do filho, fez um pequeno sacudir com a cabeça.
– E vejo que meu filho e minha nova nora acabaram de chegar! – o rei disse, fazendo um gesto com a mão para nos aproximarmos. Peguei a mão de Damien novamente e o puxei para de trás do rei, onde os outros príncipes e... Princesas estavam.
– Então eu e todos nós agradecemos a presença de todos! E que meus filhos tenham muitos filhos. – o rei vociferou e então todos aplaudiram menos Damien, que encarava o pai com raiva. Ele deu um paço a frente, mas eu segurei sua mão fortemente ao meu lado e sussurrei “não vale à pena”.
Todos gritaram “viva” então uma enxurrada de jovens homens e mulheres – que aparentavam ter mais ou menos a minha idade – pegaram nossas mãos e nos guiaram de volta para o palácio, enquanto faziam piadas sujas sobre sexo. Estavam nos levando para outra escadaria, para um novo corredor, então olhei para trás, e vi Kyla e Forrest sendo empurrados para dentro do quarto, então bateram a porta e ficaram com as orelhas coladas na porta, dando risinhos. Fizeram a mesma coisa com Kendra e Elijah e então nos empurraram para dentro do quarto.
Estava escuro e não sabia o que fazer então a coisa mais obvia que me pareceu no momento foi começar a bater na porta, implorando para me deixarem sair. Então as luzes se ascenderam e Damien começou a gargalhar. Há claro, me levaram para o quarto dele, estou no corredor dos príncipes.
– Mas que fôlego você tem. – Damien disse, e logo roçou os lábios nos meus. Queria beijá-lo mais, mas o cheiro de bebida forte estava me deixando enjoada.
– Você precisa de um banho. – eu disse, pensando onde deveria ficar seu banheiro. Ele assentiu e caminhou meio arrastado para dentro de uma porta, que deveria ser o seu banheiro. Ele deixou aberto, mas então pareceu se lembrar de algo e apontou o dedo para mim, como se eu fosse uma criança bisbilhoteira.
– É feio espionar. – então fechou a porta, rindo consigo mesmo. Sacudi a cabeça, deixando escapar uma risada, dando uma boa olhada no quarto de Damien. Logo ouvi o chuveiro ser ligado.
Era do mesmo tamanho do meu quase, talvez mais amplo. Havia duas portas janelas que levavam para a enorme sacada, onde tinha uma mesinha de chá. A cama de colunas altas ficava em uma parede virada para a varanda, e notei que ele não tinha uma porta de closet, apenas grandes armários luxuosos, em um canto onde ficava a porta do banheiro. O papel de parede e os doseis da cama eram dourados, mas coisas como roupas de cama, as almofadas nas duas poltronas – que estavam voltadas uma para outra perto da lareira – e o tapete eram azul marinho. Uma ótima combinação, pensei.
Caminhei até a sua me sentei nela, logo depois me deitando, descansando a cabeça nos travesseiros macios. Escutei murmúrios do lado de fora e tive que racionalizar um pouco para perceber que os tais jovens maliciosos ainda estavam do lado de fora, tentando ouvir alguma apimentada do que acontecia de dentro dos quartos.
Não podia reclamar, pois no Norte as tradições para a noite de núpcias são mais constrangedoras e evasivas. Os noivos são acompanhados pelos seus convidados, e os convidados tiram as roupas dos noivos ao caminho do quarto de núpcias, de modo que quando eles chegam ao quarto, já estão nus.
Escutei o chuveiro ser desligado, então a água parou de cair. Era agora. Levantei-me e fui até a varanda, tentei abrir as portas-janelas, mas estavam trancadas. Então me voltei para a estante de livros, que ficava perto da cama de Damien. Tinha uma variedade impressionante, mas nem se quer comparada a uma biblioteca. Peguei um livro azul, com o titulo chamado “A verdade das rosas”.
De repente a luz se apagou, só tendo a luz da lua e então escutei o som de Damien se aproximando e me virei para ele, que estva seminu, apenas com uma toalha enrolada na cintura. Ele deu seu meio sorriso de dentes muito brancos e perfeitos – resultado de um bom (e caro) tratamento dentário – e se aproximou de mim, pegando os livros em minhas mãos.
– Esse é o meu livro favorito. Não conta sobre pessoas exatamente, conta sobre pássaros e sua liberdade relacionada a uma flor. – ele girou o livro nas mãos e me entregou. Segurei o livro apertado junto ao peito.
– Você gosta de ler? – perguntei.
– Só livros que eu procuro. Os livros que são recomendados eu ler por causa do meu cargo são legais, mas não prendem o meu foco. Livros sobre o antigo mundo, sobre a mitologia grega prendem o meu foco de modo que me torno um devorador de livros. E você, gosta de ler?
– Nunca tive tempo para ler algo que eu gosto. Só li livros da escola, você sabe como é. – eu disse tentando soar o mais futurista possível, Damien estava perdido em pensamentos. Ele sussurrou a palavra escola, então lembrei que Damien – assim como é de costume entre os nobres – nunca estudou em uma escola, ele sempre teve excelentes tutores e foi ensinado no palácio.
– Creio que você terá bastante tempo e variedades para ler livros de seu agrado. – ele sussurrou olhando para o chão.
Coloquei o livro de volta ao seu lugar e olhei sem jeito para Damien, eu não sabia o que fazer, o que devia esperar...
Ele então pegou gentilmente minhas mãos e me aproximou dele, para o que pareceu ser mais um abraço, sem entrelaçar nossos braços um no outro, então encostou novamente os lábios nos meus, passando a língua entre meus dentes. Seu beijo era muito bom, passei a ponta da língua nos seus lábios, simplesmente para sentir a maciez, e consegui tirar um gemido de sua boca.
– Eu te quero Lauren. Aqui e agora, por favor. – ele disse ofegante entre os beijos. Ele não esperou por minha resposta, me virou de costas para ele e começou a desabotoar os botões um por um, enquanto eu tirava a presilha do cabelo e a jogava em cima da poltrona. Ele conseguiu desabotoar todo o vestido então o senti ficando folgado até que Damien me ajudou a sair dele. Estava só com meu sutiã tomara que caia branco – já que Damien tinha certas aversões contra o justilho – e uma calcinha branca de renda.
Não sei por que, mas lagrimas começaram a rolar pelas minhas bochechas, sem que eu percebesse. Damien pegou uma lagrima com o polegar, que parecia uma pedrinha brilhante faiscando na luz do luar, então voltou seu olhar para mim, e então passou os polegares nas minhas bochechas.
– Pelo o que você chora?
– Pelo desconhecido.
– Mas se você descobrir... Então não será mais um desconhecido, será?
– É ai que está, tenho medo de não simpatizar com esse estranho. – eu disse com ironia, mas deixei escapar um riso. Ele riu um pouco e se aproximou bastante de mim, encostando os lábios na minha orelha, me fazendo cócegas.
– Ouvi dizer que muitos simpatizam.
Ele levantou meu queixo com o indicador e levou minha boca até a sua, sugando todo o meu medo e desespero. Ele vinha me empurrando para traz enquanto me beijava e quando senti a cama na parte de trás dos meus joelhos parei. Ele começou a tatear pelas minhas costas, até achar o fecho do meu sutiã e o abrir. Ele se afastou um pouco e ficou observando meus seios, não que ele já não tivesse os vistos, mas isso era novo para mim e ainda me constrangia, e muito.
Ele se ajoelhou a minha frente e lentamente foi deslizando minha calcinha para baixo, até que por fim eu estava completamente nua. Eu tentei me proteger, mas foi em vão, Damien mantinha minhas mãos grudadas ao lado do meu corpo. Ele se levantou, inclinando-se um pouco para ficar na mesma altura que eu. Coloquei minhas mãos sobre seu peitoral escultural e comecei a descer as mãos até sua cintura, e sem avisos tirei sua toalha e a joguei no chão, eu tentei não olhar para o seu membro, pois sabia que me intimidaria e me faria andar para trás. Ele me levantou e me deitou na cama, subindo em cima de mim, colocando seus braços um de cada lado dos meus, sustentando assim o seu peso.
– Me avise se algo acontecer. – ele disse olhando profundamente em meus olhos. Beijou minha testa e com uma mão separou bem minhas pernas, e então introduziu seu membro para mim.
Dor. Foi isso o que eu senti. Soltei um gemido de dor e agarrei seus ombros com força, enquanto as lagrimas rolavam. Escondi meu rosto em seu ombro e cerrei os olhos, contando que isso passaria logo.
E passou. A dor se transformou em prazer, como quando comemos algo agridoce, esse era o prazer. Nossas respirações ficavam mais ofegantes e ele gemia cada vez mais alto, quando finalmente atingiu seu auge, caindo ao meu lado, sua respiração descontrolada. Ele olhou para mim e então beijou minha testa, me puxando para seus braços e descansando a cabeça sobre a minha.
– Vou te irritar até você sentir falta de mim. Vou cantar até você sonhar com minhas canções. Vou fazer você se apaixonar por mim até você ter lembranças inesquecíveis que duraram para sempre. – ele sussurrou e voltou a dormir.
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