A Seleção-Novo Mundo
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Boa leitura ;)
É meia noite e mamãe ainda não chegou, em um mundo como o meu isso é muito ruim. Não é ruim só pelo fato de morarmos no norte, onde todos os pobres se localizam e criminosos buscam asilo, não. O principal fato de isso ser uma coisa ruim é porque eu e minha família somos desertores de um exercito rebelde, ou seja, se nos pegarem... Estamos ferrados.
Após todo esse caos que foi o terremoto, muitas pessoas tentaram ser Deus, alguns dizendo que a vida deve continuar, e outros dizendo que a vida deve acabar. Os que foram contra os avanços da vida, se intitularam como “rebeldes”, que não passavam de grupos secretos de jovens religiosos, formando exércitos para destruir todos aqueles que contribuíam com os avanços tecnológicos, médicos e entre outros. Os que foram a favor, se intitularam “revolucionários”, que eram o grupo de ricos sobreviventes, que investiram todo o seu dinheiro e investimento em busca de melhorar e aprimorar o mundo que lhes foi deixado.
- Lauren, não fique muito tempo com a luz acesa, não queremos chamar atenção!- disse o meu pai, sentado no chão em frente a lareira improvisada, tentando ler um jornal sem mostrar muita preocupação quanto o atraso de mamãe, mas pela ruga que forma entre suas sobrancelhas, posso ver claramente o quão preocupado ele esta.
- Me desculpe, só estou um pouco preocupada, você sabe, por causa dos rebeld... — NÃO DIGA ISSO EM VOZ ALTA!- meu pai me alertou. – Você sabe muito bem que paredes têm ouvidos, e já conversamos sobre isso. Não quero que você mostre preocupação, não posso permitir que nada aconteça a você e a seus irmãos, se os rebeldes descobrirem onde estamos eles iram nos mat..- uma batida discreta interrompeu nossa discussão, fazendo eu e papai gelarmos.
Papai se levantou sorrateiramente, colocando o dedo indicador nos lábios e fazendo um “shiu” para mim. Minha freqüência cardíaca a essa altura estava tão alta que tive que respirar pela boca para não fazer barulho. Papai se aproximou da porta a passos largos e silenciosos, olhando para mim zangado quando viu que eu não havia saído do lugar, e logo reconheci que devia me esconder. Corri para atrás do armário onde mamãe guarda suas porcelanas e tentei fazer o mais silencio possível. Logo, papai abriu a porta para minha mãe, que carregava um monte de folhas em seus frágeis braços.
- Onde você esteve esse tempo todo, Rose? Não sabe o quanto ficamos preocupados?!- papai disse enquanto dava um abraço apertado em mamãe. – Sinto muito, David, mas tive que ficar mais tarde na firma para pegar estes papéis, eu não pude dizer não ao meu chefe.
Sai aos tropeços de meu esconderijo. – Ainda bem que esta tudo certo então, fiquei muito preocupada!- me aproximei e lhe dei um beijo. – Tudo bem, meu anjo! Agora vá descansar, você tem um grande dia amanha. – disse mamãe, retribuindo meu beijo na bochecha. Assenti rapidamente e me dirigi ao meu quarto, um espaço pequeno, porem aconchegante que divido com meu irmão gêmeo Loras e minha irmã casula de 10 anos, Zuzete.
Abri espaço para mim na cama de casal que divido com Zuzete, que parece mais com um anjo do que com uma garotinha enquanto dorme. Após me aconchegar, fechei os olhos e tentei dormi, mais toda a angustia dessas ultimas horas me mantiveram acordada. Então tentei me concentrar na respiração profunda e constante de meu irmão, que é tão parecido comigo. Temos o mesmo cabelo dourado e liso, e as mesmas feições finas que puxamos de nossa mãe. A nossa única diferença são que seus olhos são os azuis de nossa mãe, e eu puxei os olhos verdes do nosso pai.
E de tanto eu ter concentrado minhas energias em sua respiração, finalmente eu cai no sono. Mamãe tem toda a razão, amanha será um dia muito, muito importante, pois amanha será o dia das noivas.
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