A Seleção-Novo Mundo
3 Capítulo 3
Notas iniciais
O dia das noivas se baseia em uma antiga tradição do novo mundo, onde os príncipes se casam com garotas de todas as partes do mundo de 16 para cima. Como tenho 16 anos, estou apta para ser convocada a comparecer na prefeitura da cidade, e aceitar as conseqüências desse ato, que seria ser casada com os filhos dos reis e rainhas.
Após a tragédia, foi achado adequado ter reis ao comando, já que religiões foram destruídas e as pessoas queriam alguém para aclamar e seguir um estilo de vida parecido. Eu até acho que foi adequada esta escolha, pois o rei do norte é muito bom, apesar de quase toda a população ser pobre, ninguém passa fome.
Mas a questão preocupante é que no Dia das Noivas, são requisitadas noivas de todos os lugares quaisquer para os três reinos, Norte, Centro e Sul, e eu... Eu sinceramente não sei nada a respeito dos outros reinos, a não ser que são muito mais ricos que o meu.
- Então hoje seria tipo o seu.. Segundo grande dia, não?- Loras disse, enquanto tentava abrir a lata de azeitonas verdes. Fuzilei-o com os olhos. – Isso não tem graça... Você acha que eu estou feliz com o fato de ter que me candidatar para ser uma esposinha mimada? EU ESTOU ODIANDO TUDO ISSO!!!- disse, dando um soco na parede branca e desgastada atrás de mim. Dei um berro de dor, essa doeu!
- Ei, você não precisa se machucar se machucar para mostrar que esta com raiva. – pegou minhas mãos com delicadeza e as examinou então olho dentro de meus olhos, e eu conheço esse olhar, é tipo de olhar que pode ler sua alma. — Eu sou a pessoa mais próxima de você, só pelo fato de termos vindo ao mundo juntos... Eu sei quando você está com raiva.
Assenti com a cabeça, e Thales beliscou minha bochecha. É incrível como realmente temos essa grande conexão. Por algum motivo, enquanto estávamos no exército dos rebeldes, eu, minha mãe e Zuzete fomos mandadas para a parte leste do Norte, a fim de sermos enfermeiras, e meu pai e Thales foram mandados para o centro de treinamento, que ficava em uma parte que antes era conhecido como Pólo Norte, mas atualmente muitos o conhecem como Extremo Norte. Como a maioria das pessoas que são mandadas para lá não costumam se aventurar, por justamente ser um dos lugares mais frios do mundo, ninguém, inclusive meu pai, deu muito importância quando meu irmão não voltou da patrulha. Fui eu que pressenti que algo estava errado e que ligou pergunto por ele, e como meu pressentimento já dizia, Loras estava perdido na imensidão branca, e foram necessários dois dias e um helicóptero para encontrá-lo.
- Laur, você não sabe o que papai me disse! – Zuzete disse, descendo as escadas correndo, com seus cabelos negros e ondulados ao vento. Ela se sentou no meu colo e deu a mãozinha a Loras, que já havia muito desistido de abrir o pote de azeitonas.
- O que foi que ele disse?- perguntei, tirando um fio de cabelo de sua boca. Zuzete abriu um enorme sorriso e disse aos cantos – Você tem um liiindo vestido agora!- deu uma risada aguda – Papai comprou para você, quando você for se apresentar na prefeitura.
Sabia que isso era o que eu mais temia o tal vestido que papai prometera o ano inteiro, mas mesmo assim não fiz cara feia, sabia o quanto ele tinha sacrificado para poder me comprar esse tal vestido. – Bom, então me deixe ver!- e assim, Zuzete me pegou pelo braço e fomos correndo escada à cima para o nosso pequeno quartinho.
Quando entrei no quarto, mamãe estava alisando com as mãos o vestido no cabide, que estava pendura no cabideiro marrom ao lado da cama de Loras. Abri a janela para que pudesse ver melhor, e.. Sim, devo admitir que o vestido era o mais bonito que eu já avia visto.
- Minha filha linda, vai ficar mais linda ainda nesse vestido!- disse mamãe, acariciando meus cabelos. Então comecei a me despir enquanto Zuzete abria o vestido para mim então mamãe passou o vestir pela minha cabeça e ajustou os pequenos amassados que se formaram. E tive que admitir, estava tão linda, como uma princesa...
O vestido era de um tom pastel, mais puxado para o branco. Era justo até a cintura e era longo. Suas mangas faziam um caimento que deixava o vestido como se fosse um tomara que caia, e o colo ficava a mostra, mas não de um jeito vulgar, de um jeito elegante.
- Você parece uma noiva. – Zuzete sussurrou. Olhei para ele com um sorrizo zombeteiro. – Mas não era essa a intenção? – indaguei, e ela revirou os olhos azuis.
Mamãe segurou firme em minhas mãos e olhos fundos em meus olhos. – Esta pronta, meu anjo?
Fale com o autor