A Salvatore
22 Capitulo 22: Impasse
Notas iniciais
A Salvatore
— Esse vestido machuca – reclamou Elena enquanto eu apertava o maldito espartilho, achei legal a garota ter me pedido ajuda para se produzir, a única parte assustadora é que não conseguia olhar para ela sem constantemente ter flashes de Katherine
— E acredite você nunca se acostuma a ficar sem ar – respondi em um tom brincalhão, já ajeitando seus cabelos que estavam impecavelmente cacheados, Elena riu
— Está explicado a razão de sua cintura anormalmente fina – ela disse e eu sorri, nesse momento eu me encontrava apenas de top e short, preferi primeiro me concentrar na missão de transformar Elena em uma dama dos anos de 1860
— Não posso negar, eu pedia tanto mais tanto para minhas criadas apertarem isso. Aqui nos Estados Unidos as mulheres em geral eram mais fartas, mas eu nasci na Itália e via milhares de retratos de minha mãe e em todos ela estava impecavelmente alta e com uma cintura invejável – era bom ás vezes ter esse tipo de papo de garota
— Fico imaginando como foi para você, cresceu em uma casa rodeada por homens e criadas – seu tom era curioso
— Nem sempre foi fácil, mas eu superei. Cuidava de Stefan como se fosse meu bonequinho, e aprendi a lidar com as molecagens de Damon cedo, ele se tornou um grande parceiro com um tempo... – respondi lembrando-me vagamente de minha infância, a época em que tudo era fácil e só fui descobrir anos depois
— Você e Damon tem uma história linda juntos, típica de um romance, não está nem um pouco apreensiva por lembrar tudo isso hoje? – ela se referia ao fato de ele ser meu par e estarmos vestidos exatamente como antigamente
— Estou mais assustada com você para falar a verdade, você está tão parecida com ela – falei olhando Elena de cima a baixo, ela se encontrava com um vestido em tons de verde no estilo vitoriano, arrumei seu cabelo da maneira que mais se usava na época cacheado e sua maquiagem estava bem suave, era incrível como por se tratar de Elena eu conseguia ver uma tremenda beleza ali
— Desculpe? – ela disse brincalhona
— Você não tem culpa de nada, mas agora acho que vou precisar da sua ajuda, tenho um vestido gigante para vestir, a sorte é que meu cabelo já está pronto – apontei para meu vestido
— Foi um milagre Carol te liberar para usar um vestido que não fosse do acervo – comentou Elena, eu me recusava a usar qualquer uma daquelas peças, fazia questão de usar meu vestido de miss Mystic Falls era uma forma de ironia
— Quando ela descobriu que era o vestido da primeira miss, não pode negar, na verdade ela queria para ela. Só que sou muito apegada as minhas roupas e considerando que muitos vestidos que as meninas vão usar hoje eram meus... – comentei Elena não parecia surpresa, provavelmente Stef já havia comentado algo com ela
— Ele é realmente lindo – disse Elena observando, o vestido, seus dedos passavam pela manga de tecido fino e branco quase transparente
— Acho melhor a gente ir logo ou vamos nos atrasar – falei e Elena começou a me ajudar com o longo e tortuoso trabalho que seria me vestir
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Quando terminamos eu não podia acreditar, assim que vi minha imagem no espelho parecia que eu havia voltado no tempo. O mesmo vestido branco cheio de bordados e absurdamente apertado na cintura, meus cabelos presos apenas na parte de cima e solto em cachos que iam até a cintura (precisei comprar um apliquei considerando o tamanho de meu cabelo na época). A maquiagem era leve e delicada, apenas um blush rosado, a sorte é que nunca precisei de pó já que minha pele sempre fora branca, quase translucida, o batom vermelho que deixava meus lábios cheios como o único ponto chamativo, exatamente como no dia do concurso há cento e poucos anos atrás.
— Você está encantadora – Elena parecia desconcertada, e ela estava certa, eu estava absurdamente linda, talvez mais do que naquela época
— Temos que ir agora... os rapazes nos esperam.
— Mal posso esperar para ver a reação de Stefan – comentou Elena empolgada e um tanto apreensiva, ela sabia que sua semelhança com Katherine era um fator agravante
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Chegamos no local onde todos estava reunidos para o desfile, eu procurava os meus primos em meio a multidão de pessoas fantasiadas, mas foi quando olhei para Damon que meu coração parou de vez.
Seus cabelos penteados para trás exatamente como na época, o traje preto, parecia exatamente com o meu Damon e aquilo mexeu com meu coração de forma inexplicável, caminhei até meus primos sem prestar atenção em mais nada, porém não pude deixar de ouvir sua última frase.
— Não estamos em 1864 – e então eles finalmente olharam para frente avistando a mim e a Elena, e percebi a ironia desta frase ao olhar suas expressões pasmas
— Cumprimento-os da forma que eu ensinei – falei baixinho para Elena
Ambas demos um meio sorriso, e fizemos uma leve menção usando o vestido, a cara de meus primos estava cada vez mais abobalhada, eu só não sabia se encarava isso como algo bom ou ruim.
— Bom dia rapazes — sorri estendendo a mão para Stefan que a beijou prontamente e em seguida para Damon que antes virou os olhos para a situação, mas em seguida beijou minha mão
— Queria uma maquina do tempo também priminha? – perguntou Damon irônico e eu sorri
— Não aprovou meu visual? – perguntei inocente dando uma leve rodada
— Gosto com menos roupa – sussurrou em meu ouvido, exatamente como ele sempre fazia inclusive em nossa época de namorados – Acho que precisamos sair daqui. Stefan tem algo para te contar Elena... – e então meu primo jogou a bomba e me puxou pelo braço deixando um Stefan furioso
— Sério Damon? – perguntei incrédula
— Ela precisa saber e você sabe como Stefan é. – respondeu simplesmente
— Isso não interessa Damon. Seria escolha dele a hora que vai contar. Você não pode controlar isso, ele namora com ela e não você – tentei ser dura
— Eu e Elena somos amigos. Aliás ela é a única amiga que tenho, então acho justo eu querer ajuda-la –respondeu, a parte de “única amiga” me magoou um pouco mas eu já estava acostumada com Damon sendo mal agradecido
— Ah mas é claro, quando você ia reconhecer os esforços meus e de Stefan...
— Seus esforços em se vingar você quer dizer? – ele retrucou de forma dura
— E você tem alguma moral para falar de vingança, Damon? – perguntei tentando não ficar por baixo, mas ele havia pego em meu ponto fraco
— Não Isabelle, mas só para lembrar eu não escondo nada de ninguém...
— Ótimo, porque isso deve te redimir de tudo o que você faz – eu não podia deixa-lo se achando com razão
— Escute... se você está nervosa com o fato de que Elena é minha única amiga, sinto muito mais ela é a única pessoa que me importa no momento e estou pouco ligando para o que você ou Stefan acham... – ele revirou os olhos – Não são algumas noites que vão mudar séculos
— Que bom agora você deixou sua opinião bem clara, obrigada – falei, eu estava prestes a caminhar para o lado contrário de meu primo imbecil, quando Carol Lockwood parou a nossa frente
— Vocês já deveriam estar em cima do carro, andem – falou apressada, Hitler perto dessa mulher hoje era um amor
— Vamos... – falei de forma seca e Damon apenas me seguiu
— Aliás... belo trabalho ela está igualzinha a Katherine. – ele comentou, mas eu já estava de saco cheio demais para responder qualquer provocação
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— Vamos aplaudir a corte das meninas candidatas a Miss Mystic Falls e seus adoráveis acompanhantes – Essa era Carol apresentando a entrada do carro em que estávamos, eu e Damon nos encontrávamos ao lado de Caroline em Matt, coisa que não agradou muito a loirinha — Essa é nossa atual Miss Mystic Falls, Caroline Forbes. – a irritante acenou com entusiasmo até demais – E ao seu lado está a professora Isabelle Salvatore, que auxiliou muito no comitê desse ano – acenei da forma mais classuda possível, e não teve como não rir dos milhares de assovios e gritos por parte dos alunos principalmente do sexo masculino
— Isso porque você está vestida – comentou Damon, era impressão minha ou havia um tom hostil em sua voz
— Não da para negar que sou linda – respondi entre sorrisos afinal eu tinha que manter a pose
— Linda e perigosa... – ignorei o comentário do imbecil e continuei a sorrir e acenar de forma irritante, ao menos na minha época não havia toda essa imbecilidade.
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O desfile havia acabado, e eu sinceramente não tinha mais paciência para ficar ali, ao que parece meu período de paz com Damon havia terminado. Caminhei até o vestiário perto do Mystic Grill que havia sido montado para as meninas e já estava vazio.
Sentei-me em frente a penteadeira considerando seriamente a possibilidade de rasgar o vestido, estava incomodando demais, tanto anos usando roupas curtas que eu havia me esquecido o quanto era ruim usar esses malditos espartilhos.
Com dificuldade tentei desamarrar o primeiro laço, mas ao que parece Elena havia amarrado bem, e apesar de toda minha irritação eu não queria estragar o vestido.
— Acho que precisa de ajuda... – era Damon entrando pela porta, já estava trocado, trajando sua costumeira jaqueta de couro e calça preta
— Acho que precisa parar de me importunar – retruquei
— Ei... Belle, hoje é dia de festa para que brigar? – perguntou em um tom brando posicionando-se atrás de mim, dessa forma eu só conseguia vê-lo refletido pelo espelho e sentir sua respiração próxima de minha pele, seus dedos já desfaziam o primeiro nó de meu vestido
— Damon... acho melhor sair daqui, alguma das meninas podem entrar e eu não quero confusão para o meu lado. – falei tentando ser dura, ele tinha que entender que não podia ser rude comigo e magicamente aparecer dando uma de bom moço
— Estão todas trocadas já, ao que parece você demorou para vir se arrumar e perdeu a ajuda, aposto que nesse momento, Jasmine faz falta – ele disse enquanto erguia meus cabelos e os colocava para o lado na tentativa de facilitar as coisas para abrir meu vestido, tentei controlar o arrepio que isso me causou, mas por sua expressão foi bem perceptível, tudo que fiz foi rir para amenizar a situação
Jasmine era uma de minhas criadas, ela era bem ciente de meus casos com Damon e vivia nos ajudando com isso, eu amava aquela mulher como uma mãe.
— Jasmine, aquela mulher era uma santa – falei e vi Damon assentir – Eu demorei porque estava atrás do prefeito, ele anda ocupado demais para mim e eu estranhei isso, ele me falou de um plano mas aquela mal amada da Carol chegou bem na hora e não consegui terminar de falar com ele – bufei frustrada, Damon estava desfazendo os nós bem rápido, eu já até mesmo respirava melhor, não que eu precisasse disso para viver é claro
— Ela está bem atenta ao caso de vocês dois. Mas você desconfia sobre que tipo de plano ele está falando? – percebi, senti a parte de trás do vestido se abrir de vez e a sensação libertadora de minhas costas nuas, segurei o vestido pela parte da frente e virei-me para encará-lo
— Não faço ideia. A questão é que com John Gilbert aqui, tudo é possível e isso está me frustrando. Aquele maldito conseguiu afastar o prefeito de mim. – eu estava terrivelmente frustrada com a falta de controle que eu tinha da situação
— Precisamos descobrir... – ele disse claramente pensativo
— Me espere então e saímos juntos... – falei pegando uma bolsa onde estavam minhas roupas
— Vai ficar nua na minha frente?- perguntou ele divertido
— Como você mesmo diz... nada que você nunca tenha visto – retruquei no mesmo tom ficando de costas para ele e finalmente deixei o vestido cair, o alivio era gigantesco, estava pegando o sutiã de dentro da bolsa quando sinto mãos percorrem minhas costas
— Sabe que está toda marcada não sabe? – perguntou-me, eu sabia que ele estava tentando me provocar, Damon sabia que eu tinha fortes arrepios justamente onde ele tocava
— É como você se lembra, espartilho machuca demais – respondi tentando ser pratica e me afastar
— Você lembra que costumava ser uma brincadeira nossa? Eu passava horas fazendo com os dedos os caminhos que as cordas deixavam – eu não entendia o porquê esse momento nostalgia
— Me lembro bem Damon... até Katherine chegar e estragar tudo. Então porque não pulamos esse momentos “lembranças” – falei repudiando a ideia e dessa forma me vesti rapidamente
Coloquei um jeans preto justo, e uma bata preta levemente decotada, o dia estava gelado então aproveitei e coloquei uma jaqueta de couro por cima e um cachecol cinza para quebrar o preto, uma sandália de salto no estilo bota completou o look. Soltei os grampos que prendiam meu cabelo na parte de cima o que fez com que eles se soltassem cacheados, o mais engraçado é que meu cabelo estava praticamente na bunda devido ao aplique, porém decidi deixar desta forma e apenas retoquei o batom vermelho. Damon me observava quieto, a essa altura eu já esperava que ele tivesse ido embora, mas ele estava estranho.
— Eu e Stefan discutimos... – ele finalmente falou
— Elena novamente? – perguntei, Stefan estava realmente afetado com o que Isobel havia falado
— Eu fui defender Elena já que aquele estupido do irmão dela está a tratando mal e ele viu e não gostou. – respondeu, Damon esperava o que? Uma opinião minha a favor dele?
— Ele não está errado Damon. Você não percebe o que está fazendo? – perguntei encarando-o seriamente
— Não Isabelle, o que estou fazendo?
— Você está transformando tudo isso em 1964. Pare de tentar, Elena não é Katherine e ela não vai se apaixonar por você – falei de forma irritada
— E quem disse que eu quero que ela se apaixone por mim? – perguntou virando os olhos
— Está obvio. E você está sendo ridículo, pare de querer atrapalhar a vida de Stefan. Deixe os dois em paz – falei de forma irritada
— Escute Isabelle se você e Stefan não querem acreditar é um problema de vocês, mas tudo que estou tentando fazer é ajudar Elena – respondeu de forma dura
— E o dia que você fizer algo sem segunda intenções o mundo acaba – retruquei
— Você só está agindo assim por ciúmes. Como sempre a garotinha mimada, qual é Isabelle aposto que se todo esse meu esforço fosse por você, não haveria reclamações. Pare de ser tão ciumenta me supere. – aquelas palavras arderam em meu peito
— Eu já te superei Damon, sabe o que você não supera? Esse seu ego enorme e idiota. – falei de forma irritada – E quer saber para mim já basta. Acho melhor nos separarmos aqui, fim da nossa parceria, cada um por si agora e sinceramente espero que você se dê muito bem se a garotinha mimada – sai batendo a porta antes que a briga se agravasse mais
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A noite havia chegado, confesso que tentei tirar de minha cabeça por um tempo a confusão toda que estava minha vida, principalmente relacionada a meu primo mais velho. Por isso, tomei milhares de doses de tequila e agora aqui estava eu embriagada e sozinha, já que Jacob fez o favor de sumir da minha vida de vez.
Percebi que estava caminhando, na direção onde Damon estava, porém quando ia dar meia volta, fui puxada por um braço magro e forte que me deixou ao lado de Damon que encarou-a surpresa, a proposito essa era Anna, a vampira que estava sumida desde a morte de sua amada mamãe.
— Você ainda está aqui?- perguntou meu primo, e então ela nos puxou pelo braço novamente para um lugar mais reservado, realmente ser mais velha contava muito
— Tem algo. Os vampiros da tumba estão planejando um ataque esta noite. – a revelação de Anna me deixou pasma, porém meu cérebro bêbado ainda tentava assimilar
— Como sabe disso? – perguntei, foi então que notaram que falavam com uma pessoa alcoolizada, minha voz estava mole demais
— Você está bêbada? – perguntou o imbecil
— Não importa, deixe-a falar – pedi, tapando a boca de Damon com as mãos
— Eles acham que estou com eles. Mas não estou. Eles querem as famílias fundadoras mortas, e isso inclui a Srta. Cana brava aqui – ela apontou para mim, nesse momento me senti até mesmo mais sobrea devido o arrepio que passou por meu corpo, o olhar de Damon por segundo pairou sobre os meus e depois voltou para Anna
— Quando isso? – perguntou Damon
— Quando os fogos começarem... –respondeu ela, parecia meio desesperada
— John Gilbert que usar a invenção contra eles. – falei entendendo finalmente os planos de John
— Então não podemos ficar aqui. – Anna disse
— Ela não funciona. Foi desativada. – respondi, eu ainda estava meio em choque, realmente era um ótimo momento para estar bêbada
— Então muitas pessoas vão morrer. – disse Anna assustada
— Onde eles estão agora? – meu primo perguntou, eu não sabia se estava vendo demais ou se ele se aproximava de mim cada segundo mais
— Já estão aqui – respondeu ela de forma conclusiva, e mais um arrepio passou por meu corpo
— O que eu faço? – perguntei em desespero
— Temos que procurar Ric – disse Damon, e me puxou pela mão, agora eu seria arrastada como se fosse uma boneca?
— Damon pare de me puxar... – reclamei irritada
— Pensasse nisso antes de beber como uma idiota – retrucou irritado
— Ric – ele chamou assim que identificou o professor na multidão
— O que? – perguntou o professor
— Ainda tem aquelas armas contra vampiros no carro? – perguntou
— Tenho porque? – perguntou assustado, percebi que ele olhava curioso para a forma que Damon me segurava pelo braço
— Porque essa praça está cheia de vampiros da tumba. E eles querem me matar, então precisamos de algumas estacas para sabe puuuff – Damon e Ric me olharam incrédulos, eu precisava fazer piada
— Ela decidiu encher a cara em um dia bem propicio – disse meu primo virando os olhos
— Beleza... – respondeu o professor e saiu em direção ao estacionamento
Nesse momento ouvimos a risada de Elena, meu primo virou-se imediatamente em direção a ela que vinha ao lado de Stef. E mais uma vez fui carregada por Damon, percebi que meu primo mais novo estranhou a situação.
Então Damon me pegou por uma mão e segurou a de Elena com a outra, percebi o estranhamento da garota e de Stefan principalmente.
— O que está fazendo? – perguntou ela confusa
— Salvando a sua vida, e tentando salvar a dessa daqui. – ambos olharam confusos para nós – Em poucas palavaras... vampiros da tumba estão aqui. Familias fundadoras e essa bêbada ao meu lado são o alvo. – bufei para o jeito que meu primo falava de mim, eu já estava até mesmo melhorando
— Tire-as daqui. Agora – mandou Damon, colocando minha mão na de Stefan, eu parecia uma criança que os pais compartilhavam a guarda
— Espere... espere... – Damon não deixou Stef terminar de falar
— Eu disse poucas palavras Stefan. Fique de olho em Isabelle ela decidiu que queria dar trabalho hoje e mal consegue falar – respondeu já saindo andando
— Eu não fiz nada – falei de forma inocente e recebi olhares reprovadores de Stefan e confusos de Elena
Stefan pegou mais forte em minha mão e começou a caminhar quando Elena nos parou.
— Jeremy está aqui em algum lugar. – falou meio desesperada
— Vamos encontra-lo – disse meu primo e então saímos correndo, e então no meio da corredeira acabou por soltar minha mão
Merda! Agora eu estava sem Damon e sem Stefan e com os reflexos um tanto quanto alterados, por isso mesmo decidi que o melhor seria me esconder, decidi pegar a chave do meu carro e só ai notei que havia esquecido minha bolsa no Grill. Quando entrei por aquela porta dei de cara com Matt, Caroline e Tyler saindo, avistei o prefeito Lockwood com uma expressão preocupada, ao que me parecia ele sabia de tudo.
— Isabelle – ele me chamou, merda a ultima coisa que eu queria era falar com ele bêbada, tentei manter a postura, enquanto pegava minha bolsa que felizmente estava em cima de uma cadeira – Não é um bom momento para estar aqui, recomendo que vá para casa – pobre prefeito mal ele sabia que tentava proteger uma vampira, porem ele nunca havia acertado tanto
— O que está acontecendo? – perguntei com uma expressão preocupada, notei que ele notou uma alteração leve em minha voz mas ignorou
— Eu não posso explicar agora. Mas vá para casa e proteja-se – falou já saindo do Mystic, era realmente o que eu precisava proteger-me
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Eu estava caminhando um tanto quanto perdida quando percebi estava perto de minha antiga casa eu sempre recorria a esse lugar em momentos de desespero, senti uma mão me puxar, instantemente empurrei a mão com toda a minha força já preparada para atacar.
— Parece que a bebedeira passou – comentou Damon – Stefan te abandou?
— Acabou me soltando na multidão para procurar Jeremy – respondi
— O que você está procurando? – perguntei
— John. Venha – ele me puxou para dentro de uma casa
E lá estava nosso objeto de ódio John Gilbert.
— Você tem ideia do que fez? – perguntei irritada finalmente o efeito do álcool havia passado
— Na verdade sei exatamente o que estou fazendo. – respondeu e então mexeu no dispositivo
O que eu não esperava é que o maldito dispositivo desencadeasse um barulho insuportável em minha cabeça, Damon parecia sentir o mesmo. Caímos no mesmo instante nao chão gritando de dor, enquanto John nos olhava com um sorriso divertido. Era desesperador o barulho, tentava me concentrar em qualquer outra coisa, até que finalmente consegui me levantar. Damon encontrava-se caído no chão ainda, puxei-o pela mão usando toda a minha força, eu sabia que não aguentaria por muito tempo. John pareceu irritado com minha reação, e eu abri a porta do local saindo o mais rápido que podia e correndo o mais rápido que podia consciente de agora quem arrastava meu primo era eu.
O baque só fui quando eu estava um pouco longe demais e Damon não me seguia.
— Damon! – gritei em desespero, não era possível eu estava puxando ele
Nesse momento não aguentei o som insuportável e cai em um canto escondido, era insuportável demais para aguentar, eu mal entendia como havia conseguido resistir por tanto tempo.
O barulho finalmente havia cessado, só então reparei que me encontrava em um beco, longe de onde estávamos, e na hora meu coração se acelerou eu precisava achar Damon.
Sem pensar muito corri até minha antiga casa, e nesse momento o desespero tomou conta, o cheiro de fogo era forte, e eu tinha quase certeza que John havia conseguido pegar Damon e ele estava queimando lá dentro. Soltei um grito de agonia eu não perderia outro amor da minha vida para o fogo eu preferia morrer a isso. E então tomei pela segunda vez a decisão mais louca de toda a minha vida e entrei dentro de uma casa em chamas, o fogo me deixava fraca, mas eu tinha que resistir, eu ouvia gritos de agonia vindo do porão, e as labaredas vinham daquele lugar.
— Damon! – gritei desesperada em meios as chamas minha voz saiu entrecortada devido a fumaça que entrava por minha garganta
— Aqui – ouvi sua voz enfraquecida falar
Corri em direção a sua voz até finalmente encontra-lo jogado no chão.
— O que houve? – perguntei preocupada
— John injetou verbena em mim – ele respondeu, olhei para o lado e vi o prefeito Lockwood morto
— O que está havendo? – perguntei assustada, já pegando meu primo pelos braços – Vamos sair daqui...
Estava quase impossível de sair do local, eu não sabia se eu e Damon conseguiríamos, minhas pernas começaram a fraquejar ao subir as escadas, a casa parecia prestes a desabar e o fogo prestes a nos tomar.
— Se salve Isabelle. Você tem forças para sair daqui. – a voz de meu primo era grogue
— Não seja estupido Damon – respondi com a voz fraquejando, parecia que cada degrau que eu subia tornava-se impossível
Mas enfim consegui sair da pior parte e corri para fora. Me assustei ao notar a presença de Elena, Bonnie e Stefan que estava prestes a entrar na casa. Sentei no chão exausta ao lado de Damon.
— O que aconteceu? – perguntou Stefan
— Ao que parece fomos enganados – respondi olhando de forma dura para a bruxinha
— Alguém pegou vocês? – Stefan me perguntou preocupado
— Eu consegui fugir, mas John pegou Damon e eu tive de resgatá-lo – respondi minha voz estava ofegante e Damon ainda aparentava estar fraco
— Precisamos sair daqui – disse Elena
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Damon havia se recuperado, e se afastado como sempre, o que me restou foi voltar para casa, eu estava toda chamuscada de fogo, precisava de um banho e pensar na loucura que havia sido meu dia.
Tomei o banho devagar eu precisava daquilo, toda a carga emocional o fato de novamente me deparar com uma casa em chamas e alguém que eu amava muito prestes a morrer.
Vesti uma camisola, tudo que eu preciso é de uma bolsa de sangue e dormir, então aproveitei minha reserva no frigobar, e sentei-me na cama tentando relaxar.
— Isabelle... – estranhei o fato de Damon hesitar em entrar no quarto
— Você está bem? – perguntei abrindo a porta, eu não me importava em parecer desesperada, não nesse momento, durante o choque que eu havia sofrido fui extremamente fria, mas agora já passada a adrenalina, minha vontade era abraça-lo
— Estou. Na verdade eu vim agradecer... – aquilo não era uma atitude comum de Damon
— Você sabe que não precisa. – falei
— Você poderia se vingar, afinal você ainda acha que eu matei Alex... – fechei os olhos e pontadas de dor tomaram meu peito, eu não queria mais lembrar disso, mas eu agora tinha certeza que não havia sido Damon
— Eu não acho mais isso. Mas será que por essa noite nossa trégua pode voltar?- perguntei
— Eu não quero brigar, e sobre o que eu falei hoje, me desculpe. – me surpreendi ao ouvir suas desculpas, uma emoção inexplicável tomou conta de mim
— Estou acostumada com você sendo um idiota. – sorri brincalhona
— É a minha sina – ele respondeu – Boa... agora vou deixar você em paz. – falou praticamente já saindo pela porta
— Damon? – chamei-o, eu não ia aguentar eu precisava agir com a emoção nesse momento, eu precisava ter certeza que ele estava ali perto de mim e vivo, porque não adiantava eu guardar para mim, eu amava Damon o amava mais que minha vida e esconder isso não estava adiantando
— O que? – ele entrou novamente e eu corri para abraça-lo
No começo Damon ficou simplesmente parado, mas em seguida suas mãos tomaram minha cintura, senti seus lábios em meu cabelo, afundei meu nariz em seu pescoço, sentindo seu cheiro, o cheiro do homem que eu mais amava no mundo, e ele estava ali seguro e ao meu lado, por mais imbecil que fosse, por mais que me magoasse, ele estava ali.
— Fico muito feliz que você está aqui – disse com a voz abafada por seu pescoço
— Isabelle... – ele parecia bastante desconfortável
E antes que ele falasse qualquer coisa que estragasse o momento eu o beijei, e esse foi o primeiro beijo que demos, sem aquela atração louca que sentíamos, foi calmo e carinhoso, nossas línguas trocavam caricias, minhas mãos passavam pelo rosto de Damon e Damon me apertava pela cintura com suavidade, quando esse pequeno momento cheio de significados passou senti apenas um beijo e minha testa e em seguida ele havia partido.
Fechei a porta de meu quarto e escorreguei por ela sentando-me no chão, lágrimas tomavam meus olhos, eu amava aquele homem e não fazia ideia do que fazer, e mais uma vez estávamos ali naquele impasse que perdura há 150 anos e eu não fazia ideia de quando ia acabar.
FIM DA PRIMEIRA TEMPORADA
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