A Salvatore

20 Capitulo 20: Meus Garotos Perdidos


Notas iniciais
Oiii! o capitulo está pronto tem mais de uma semana, mas por falta de comentários e inicio de aulas só decidi postar agora! Vejo vocês lá embaixo...

A Salvatore

Flash Back on:

Mystic Falls, 1864…

Minha garganta queimava como fogo, uma agonia enorme tomava conta de mim.

Eu andava sem rumo pela floresta, eu ainda não acreditava no que Katherine havia feito comigo, ela havia me transformado no que eu mais odiava, ela me transformara em uma vampira.

O sol queimava minha pele e machucava meus olhos, minha cabeça doía tanto que eu mal podia aguentar, e eu estava andando sem rumo pela floresta.

Tudo que vinha a minha cabeça era o sorriso sádico de Katherine, e a imagem do meu bebê carbonizado e jogado no chão como se não fosse nada, como se eu e ele não fossemos nada.

Cai no chão em um choro desesperado, eu não estava aguentando era pressão demais em minha vida e tudo que eu mais desejava naquele momento era estar morta, Katherine definitivamente havia tirado tudo de mim, meu Damon, meu bebê e minha vida.

Eu entendia pouco de vampiros, mas a lógica era que se eu ficasse sem tomar sangue eu acabaria morrendo pois minha transição não estaria completa, e era com isso que eu contava, me escondi em um canto da floresta rezando para que nenhum humano aparecesse e ali eu ressecaria até minha morte...

Flash Back off

— É tão difícil vê-lo preso aqui – Elena comentou, tirando-me de meus pensamentos

— É horrível – concordei, não era fácil ver Stefan daquela forma preso

— Vocês que o prenderam – Damon tentou parecer frio

— Você ajudou – retruquei

— Não podia deixar ele ficar se alimentando de pessoas. Enquanto a cidade está caçando vampiros podia? – respondeu todo cheio de si, como sempre escapando de sentimentos, seu apoio quando prendemos Stefan demonstrava que as coisas não eram exatamente assim

— Não foi por estar preocupado com ele. – Elena especulou

— Isso é coisa de você duas garotinhas. Não minha – revirei os olhos para a indiferença que Damon fingia sentir

Damon saiu do lugar bancando o irritadinho, ás vezes ele pesava muito nessa coisa de ser o “sem sentimentos”.

— Ele foge bastante não é? – perguntou Elena

— Sempre foi assim... – comentei

— Como é estar sempre ao lado deles? – me perguntou, Elena parecia um tanto quanto curiosa

— Sabe que nem sempre estive ao lado deles. Passei quinze anos afastada, forjei minha morte... Na verdade eu a forjei duas vezes – comentei

— Stefan me contou a primeira, mas esperava teve outra?

— Sim... quando eu morri de verdade.

Flash Back on:

Mystic Falls, 1864…

A ardência em minha garganta aumentava cada vez mais, eu sabia que já estava próxima da morte, pelas minhas contas um dia havia se passado, eu me sentia ressecada por dentro como se fosse morrer a qualquer momento.

Decidi voltar para o lugar ao lado de meu filho, eu sabia que alguém devia estar me procurando, e quando me encontrassem, eu adoraria que fizessem justiça por mim, então deitei-me no chão ao lado de meu feto e fechei os olhos.

De olhos fechados rezando para a morte chegar logo, senti um cheiro forte e quente, era tão bom. Minha boca encheu-se de água minha garganta passou a queimar mais uma sede louca tomou conta de mim, eu tinha ideia do que era isso, resisti com todas as forças que me restavam para não ir atrás da infeliz pessoa que passava por perto, cerrei meus lábios e meus olhos para nem mesmo correr o risco de procura-la. Mas o cheiro só se intensificava aumentando a minha dor.

— Aahhh! – a pessoa gritou em desespero e eu abri meus olhos

Era um soldado, provavelmente um desertor fugitivo, sua roupa estava em frangalhos e de seu ombro jorrava uma coisa vermelha e extremamente atraente para meus olhos sedentos, ele se aproximava de mim de forma assustada.

— Achei que a Srta estava morta, está bem? – e então o pobre homem se ajoelhou, seu ombro sangrento ficou perto demais de meu nariz

Senti minha gengiva coçar, provavelmente as presas querendo sair, meus olhos pareciam querer saltar das orbitas e queimavam de forma estranha, minha garganta coçava e pedia por aquilo, a famosa sede.

— Srta? – o homem chamou mais uma vez e dessa vez se aproximou mais de mim, o maior erro que ele poderia cometer na vida uma gota de seu sangue caiu em meu peito e eu sabia que ali seria minha perdição

Levantei-me de forma tão rápida que o homem se assutou, ele deveria ser um bom homem parar assim para ajudar uma mulher caída no chão no meio da floresta, por isso sentia tanto pelo que eu estava prestes a fazer, mas eu não podia mais aguentar, a fome, a sede a vontade eram muito mais fortes dentro de mim.

-Me desculpe por isso – implorei em um sussurro e ataquei o homem a minha frente

Eu nunca havia experimentado algo parecido, o frenesi, o gosto quente e meio adocicado do sangue, a forma como aquilo matava a minha sede e me saciava por completo, a sensação de poder enquanto a presa aos poucos desfalecia em meus braços, perdendo mais e mais sangue, até que acabou.

O desespero me tomou por completo, eu havia me transformado em vampira, eu não acreditava nisso, como eu fui capaz? Era pra eu estar morta e agora tinha vida eterna? O desespero simplesmente tomava conta de mim.

Olhei para o corpo do homem sem vida jogado no chão, e notei que um pequeno espelho caia de seu bolso, quando olhei para a mulher ali me choquei. Seus cabelos estavam soltos e desgrenhados como os de uma selvagem, a pele suja de terra e sangue, assim como os lábios que pareciam tingidos de vermelho o redor de sua boca também completamente sujo, aquilo não era a Isabelle, que havia sido miss Mystic Falls um dia desses, o reflexo daquela pessoa no espelho era de um monstro, era isso que eu havia me tornado. Um monstro.

Eu não sabia o que fazer, só sabia que precisava fugir dali o mais rápido possível, primeiro porque amanheceria e vampiros morrem quando expostos ao sol, depois porque pelo que eu sabia ainda estava ocorrendo a caça aos vampiros por aqui e eu não queria dar a desonra de morrer como vampira, Willian não merecia tamanha humilhação.

Nesse momento tive a brilhante ideia, fiz uma fogueira com rapidez, minha força e agilidade eram assustadoras, mas seviram para que eu conseguisse jogar o homem morto na fogueira, arranquei todos os seus pertences e os enterrei a quilômetros dali, rasguei pedaços de meu vestido os jogando ao redor do lugar. Deixei alguns pedaços queimarem também junto ao corpo.

O corpo estaria carbonizado o suficiente para que ninguém desconfiasse que não era eu ali e assim forjei minha morte.

Apanhei o pequeno corpinho carbonizado de meu filho e fui para o mais longe que eu poderia, o enterrei com o máximo de dignidade que pude, e então tomei uma decisão, eu morreria de verdade ali ao lado dele, ainda haviam chances de eu me matar, era só esperar o nascer do sol que estava próximo e ele me queimaria. Fiquei de pé no lugar onde as árvores menos tampavam o cel e abri os braços esperando que os raios me queimassem...

Quando os abri de novo, o dia já estava claro, e porque eu não havia morrido? Eu não entendia.

Ao que parece as histórias de vampiros tinham mais mitos do que eu poderia imaginar, eu era tão desgraçada na vida que desperdicei a única chance que tinha de morrer e agora teria que suportar a vida eterna.

Decidi que sairia da cidade, eu precisava mudar daquele lugar, quem sabe recomeçar a vida, eu vi como esses vampiros conseguiam conviver em sociedade e não parecia tão difícil. Mas eu não iria agora, não sem antes ver tudo que acontecia na vida de meus primos.

Flash Back off

— Uau! Eu não imaginava que você tivesse sofrido tanto – Elena comentou impressionada

— As coisas nunca são fáceis para mim, até hoje não são. Veja bem, eu vim para me vingar de Damon e agora tenho que trabalhar com ele, na verdade ele tem sido meu maior parceiro desde que cheguei aqui – eu odiava admitir, mas eu e Damon mais havíamos trabalhado juntos do que um contra o outro desde que eu voltara a Mystic Falls – Falando nisso preciso ajudar Damon, com aquele maldito artefato de sua família – falei enquanto subia as escadas

-Já era hora de parar de velar o sono de Stefan e vir me ajudar – ele disse olhando para a pequena coisa de metal, que não fazíamos ideia do que era

— Não seja tão dramático Damon – respondi virando os olhos – Um tempo a mais ou a menos que passei com Stefan, não vai mudar o fato de que não temos a mínima noção de com o que estamos lidando.

— Já descobriram o que é? – Elena perguntou curiosa

— Não, mas seja lá o que for, não funciona – respondeu Damon frustrado

— Pearl não falou nada? – ela perguntou para nós

— Ela achou que estava roubando uma bussola de vampiros, mas é só um relógio de bolso. Aquele Johnatan Gilbert era um cientista maluco. – respondi frustrada, definitivamente a única pessoa que eu gostava dos Gilbert era Elena, e ela nem era uma Gilbert mesmo

— Tem falado com seu tio? – Damon perguntou a Elena

— Estou evitando, para ser sincera – ela respondeu, eu não discordava deveria ser o inferno ter um idiota como John Gilbert como tio – E também estou aqui a maioria das noites. – Elena não havia saído um dia sequer desde que prendemos Stefan, se aquilo não era amor eu não imaginava o que mais poderia ser

— Ficará aqui hoje à noite? – perguntei

— Tem algum problema? – ela perguntou parecendo meio preocupada, eu estavas prestes a dizer que não mas Damon tomou minha frente

— Sim, você é muito inconveniente – ele respondeu, olhei para Elena negando para que ela o ignorasse e foi o que ela fez

— Vejo vocês mais tarde – ela disse pegando sua bolsa e então saiu

— Você deveria ir para a escola não deveria? – perguntou me olhando curioso

— Tirei licença. Ao que parece ter um tutelado “doente” – fiz aspas no ar – Te da dias de licença, para que possa cuidar do pobre adolescente doente – respondi fazendo cara de pena

— Nunca pensei que tiraríamos algum proveito da loucura de Stefan – respondeu Damon divertido, e eu dei um tapa em seu braço

— Pare de zombar! – ouvi um barulho vindo debaixo – Stefan acaba de acordar, precisamos alimentá-lo.

— Pode ir... – respondeu entediado

— Damon... você prometeu – olhei séria para ele

— Você estava chorando Isabelle... Eu fiquei com pena, não sei lidar com mulheres chorando – então ele deu seu típico sorriso malicioso – Na verdade até sei, mas você arrancaria a minha cabeça se eu tentasse te levar para a cama naquele momento... – fiz uma expressão raivosa para Damon, que finalmente calou a boca e concordou em ir comigo

— Sangue de esquilo saindo no capricho – falou indo pegar a garrafa no freezer, e eu reprimi a vontade de rir

— Hora de se alimentar – falei, assim que Damon me deu a garrafa com sangue de esquilo

— Estou sem fome – respondeu ele de cabeça baixa

— Sabe o que acontece se não beber? Fica todo poder e nojento – Damon disse fazendo careta, porque eu pedia sua ajuda mesmo?

— Stefan você tem que se alimentar – insisti

— Já disse que estou sem fome – respondeu o teimoso

— Claro que está, nossa fome é eterna. – disse Damon e então tomou a garrafa de minha mão e apoiou-a sobre as grades da porta – Pegue

— O sangue humano já se foi. Quer me dizer por que ainda está se culpando tanto? – eu não podia suportar a fase de depressão de Stefan, ele se culpava demais por tudo, aquilo me enlouquecia

— Vamos beba... – insistiu Damon, dessa vez jogando a garrafa no chão da cela

Meu primo olhou para a garrafa e em seguida abaixou a cabeça novamente, Damon bufou irritado, eu sabia que ele tinha perdido a cabeça com meu primo mais novo.

— Está bem, morra de fome. O que me importa? – disse de forma fria saindo andando

— Damon! – o repreendi indo atrás

Ouvi meu telefone tocar, era um número desconhecido, decidi atender mesmo assim, ultimamente não dava para deixar nada passar desapercebido.

— Alô – falei e Damon me encarou curioso

Oi, aqui quem fala é Alaric Saltzman – estranhei, como o professor sabia como me encontrar, Damon se aproximou mais interessado no teor da conversa

— Como conseguiu meu numero? – perguntei curiosa

É um mistério... – respondeu tentando parecer divertido — Ouça, pesquisei sobre o tio de Elena. Está interessada? – perguntou

— Fala que sim – disse Damon sendo totalmente indiscreto, revirei os olhos para meu primo, era obvio que estava interessada

— Que tipo de pesquisa? – perguntei eu precisava saber do que se tratava antes de aceitar

Um velho amigo, estudamos criminologia juntos, digamos que ele se tornou um bom detetive. – respondeu simplesmente

— Ele encontrou algo? – perguntei curiosa, percebi meu primo inquieto ao meu lado

Vi uns registros de John, ele recebeu uma ligação do mesmo numero que Elena usou para encontrar Isobel. Mas estava desabilitado – respondeu

— Isobel está com John, já sabíamos disso – falei, me desanimando um pouco

Mas depois disso recebeu ligações de outro número e pedi pro meu amigo rastrear. Peguei o endereço, é um apartamento em Grove Hill. – ok, agora o assunto havia se tornado totalmente interessante

— Isobel está em Grove Hill? – isso era realmente perto daqui

Não sei. Pensei em irmos checar, se quiser pode chamar o Damon, que parece ansioso para ajudar ai do lado – respondeu, até mesmo o professor do outro lado da linha havia percebido a ansiedade de meu primo

— ótimo – concordei – Passe o endereço.

Para irem sem mim? Não mesmo. – discordou o professor, ele era realmente esperto

— Ele tentou me matar – reclamou Damon

Avise ao Damon que ele me matou. – olhei para Damon concordando com o que Alaric tinha falado, e ele revirou os olhos para mim

— Você dirige, nos pegue em uma hora. – falei para o professor

- Feito. – concordou Rick

— Você realmente vai se juntar ao professor de história? – perguntou Damon contrariado

— Qual é Damon! Você mesmo disse que formávamos um bom trio esses dias... – provoquei-o

— Eu estava tentando ser legal – ele respondeu virando os olhos

— Então continue com esse espirito dentro de si, eu preciso arrumar umas coisas, te vejo em uma hora – falei já subindo as escadas em direção ao meu quarto

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Flash Back on:

Mystic Falls, 1864

Eu nunca imaginei que veria meu próprio enterro, todos estavam lá até mesmo meus primos.

Willian era o que parecia mais abatido, e por mais incrível que parecesse meu tio também, mas nos olhos de Damon e Stefan eu só via uma coisa e isso se chamava culpa, obviamente que devido as vezes que foram compelidos para se afastarem de mim os impedia de ver isso claramente, mas no fundo não havia como fugir.

Era difícil ficar tão próxima de humanos, tudo que eu queria era atacar seus pescoços e drená-los, como eu fazia com os pobres soldados perdidos que eu achava, eu sabia que não podia matar tão loucamente, estava em meio a um caça vampiros, mas eles eram tão deliciosos, reprimi minhas vontades, e parei para ouvir uma conversa baixa.

— Vamos salvá-la hoje a noite. – disse Stef

— Espero que dê tudo certo – Damon concordou

Eles iriam salvar Katherine! Agradeci por ela ter sido capturada novamente, ela merecia morrer queimada depois de tudo que acontecera comigo, e eu não deixaria que meus primos salvassem a vadia.

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Persegui meus primos pelo resto dia, quando chegava a noite era a hora da caçada, passei horas perseguindo a carruagem em que eles, Johnatan Gilbert e outros homens estavam, vi quando armaram uma emboscada para tirar a Katherine da parte de trás da carruagem.

E eles conseguiram, nesse momento eu praguejei, não sabia como impedi-los, e seu tentasse fazer algo e acabasse morrendo junto? Achei melhor observar, e nesse momento o primeiro disparo ocorreu acertando Damon.

Seus olhos azuis se arregalaram e por um momento eu achei que ele havia me visto.

— Damon! – gritou Stefan desesperado

Eu também gritaria se tivesse forças, mas ver Damon cair morto no chão foi forte demais para mim, era como se eu perdesse todas as minhas forças, meu coração doía e eu fiquei sem ar, o cheiro de seu sangue era atrativo demais... Mas eu não podia ataca-lo ali, então fui me afastando correndo só deu tempo de ouvir outro desparo, infelizmente a morte de Stefan a qual não pude evitar.

Flash back off

— Como assim Stefan disse que quer morrer? – indaguei curiosa, descendo as escadas, eu ouvira Elena contar a Damon da conversa que tivera com meu primo mais novo minutos antes

— Ele está só dramatizando – Damon banalizou

— Por que ele diria isso? – perguntou Elena preocupada

— Ele se sente mal por machucar aquela garota. – opinou Damon

— De certa forma Damon tem razão. Stefan tem um jeito de se atormentar, ele se culpa demais pelos acontecimentos. Ate mesmo os que estão fora de seu alcance – expliquei, eu tinha Phd em Stefan

— Vai passar... – Damon falou de forma tranquila, e eu esperava do fundo de meu coração que ele estivesse certo

— Sério? Porque parece que ele está sentindo muita dor. – Elena disse de forma preocupada, nesse momentos é que eu sentia falta de Stefan ela sabia cuidar dele em uma recaída como ninguém

— Isso vai passar apenas quando ele comer. – informei, eu esperava que Elena realmente o fizesse beber aquela maldita garrafa

— Não quis dizer física – Elena falou olhando-me séria

— Sei o que quer dizer... As coisas são difíceis, Stefan sempre foi sensível, mas uma hora passa, ele ficará bem de novo, ele tem a mim e a você e de alguma forma torta a Damon. – notei meu primo fazendo uma careta, mas no fundo ele sabia que era verdade

— Obrigada Isabelle, você é a única que consegue me acalmar – eu sentia que aquilo era uma espécie de indireta para Damon

— Precisamos sair Belle – lembrou-me Damon, cotando o momento sentimental

— Você ficará bem se sairmos? – olhei para ela preocupada – Temos uma espécie de missão com o professor...

— Professor? Alaric? Agora ele e Damon são amigos? – ela perguntou confusa

— Eu não tenho amigos, Elena – respondeu ele bancando, o durão, fiz uma careta para Elena que riu – Eu vi isso Isabelle...

— Vamos Damon... O professor chegou – falei ouvindo barulho de carro

Saimos da casa e lá estava o carro do professor nos esperando.

— Sabe você confia demais em Stefan... Deixando Elena aqui sozinha e tudo mais.

— Você também, senão nem a deixaria aqui sozinha. – respondi piscando para ele, que bufou irritado entrando no banco da frente do carro

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Chegamos ao apartamento, paramos em uma vaga por perto e então caminhamos até o local.

— É aqui. Os registros mostram que pagaram 3 meses adiantado. – olhei para a porta receosa

— É aqui que fica complicado. Talvez eu e Damon não possamos entrar. – alertei Alaric

— Como é que funciona? Sempre tem que serem convidados? – perguntou, as vezes eu notava que o professor ainda nos olhava como se fossemos pedaços de uma pesquisa cientifica

— Pelo dono ou morador. Casas alugadas por pouco tempo e hotéis são tipo zona neutra – respondeu Damon intrometendo-se, e em seguida ele caminhou até a porta para tentar abri-la

— Podemos não matar ninguém hoje, por favor? – perguntou olhando para mim e para meu primo, eu realmente não era boa em manter esse tipo de promessa muito menos Damon

— Você só nos trouxe pela companhia? – perguntei tentando fazer uma brincadeira, eu queria suavizar o clima, não por mim, mas por Damon e Alaric

Meu primo mais velho finalmente conseguiu abrir a porta, e Alaric tomou nossa frente.

— Parece que ninguém esta em casa. – comentou o professor

— Primeiro as damas – Damon fez uma falsa reverência indicando para que eu tentasse passar pela porta

Coloquei meu pé aos poucos e comemorei mentalmente ao perceber que não havia nenhuma barreira que me impedisse de entrar.

— Tivemos sorte por hoje – comentei enquanto Damon entrava na casa, em seguida ele fechou a porta atrás de si

— Aparentemente, nenhum residente permanente – comentei com Rick que havia parado para nos esperar

Passamos a vasculhar o apartamente, como o local era pequeno eu resolvi ir na mesma direção que o professor, estava cansada de me estressar com Damon, ele no caminho para Grove Hill, mesmo na frente do professor, não se importou de me zoar várias vezes pelo repentino desaparecimento de Jacob.

Abri a geladeira curiosa, eu tudo que vi foram milhares de bolsas de sangue lá dentro e no fundo um pote de azeitonas e algumas latas de cerveja.

— Rick, temos companhia – avisei o professor, era estranho chama-lo pelo apelido, mas seu nome era complicado demais de ficar repetindo

Mal terminei de falar e vi um vampiro de cabelos pretos partir para cima de Rick, antes mesmo que eu pudesse correr para ajuda-lo ele acertou o vampiro, esse professor realmente era ágil.

O vampiro caiu no chão mas irritado tentou voltar a atacar, Damon o afastou de Rick e eu me juntei aos dois.

— Garotos, já é o bastante – disse Damon, era estranho vê-lo apaziguando as coisas mesmo que fosse por um único motivo que era arrancar informações do vampiro folgado – Eu o conheço. – Damon disse analisando, o garoto caído no chão

— Damon? Isabelle? – o garoto se levantou, e eu finalmente pude reparar as feições daquele garoto não me eram estranhas, eu apenas não lembrava seu nome

— Você é o Henry, estava na tumba – disse Damon o reconhecendo de vez

— Sim, senhor, o que estão fazendo aqui? – perguntou confuso

— Viemos parar aqui por causa do John... – os olhos do garoto ficaram animados

— Você são amigos do John? Por favor sentem-se – o menino disse todo cortes e então eu me sentei em uma cadeira, Damon e Alaric me acompanharam sentando-se também – Há quanto tempo o conhecem?

— Um bom tempo, é um bom amigo. – respondeu meu primo de forma irônica

— Como conheceu ele? – perguntei de forma desinteressada

— Conheci ele logo que sai da tumba, ele tem me ajudado. – respondeu

— Ajudado como? – Alaric perguntou, ele não tinha tanta paciência quanto eu e Damon para fingir simpatia

— A se adaptar. É um novo mundo... Carros, computadores, sites para pesquisa. Muita coisa para aprender. Ele me ajudou a conseguir esse lugar. – o menino explicou, ele falava com admiração de John, santa mãe da inocência

— Então você vive sozinho aqui ou tem mais alguém?- Rick continuou a perguntar, o menino estranhou sua curiosidade

— Esse é o jeito agressivo do meu amigo perguntar... conhece uma mulher chamada Isobel? – perguntei curiosa, eu estava me divertindo em conversar com esse garoto, além de tudo ele era o único vampiro da tumba que pelo visto não me odiava

— Não, não conheço nenhuma Isobel. – respondeu Henry – Conheço John. Ele é meu único amigo. Ele me ensinou muita coisa. Como usar o micro-ondas. Separar minhas roupas brancas –esse garoto deveria rever seus conceitos de amizade

— O que mais faz por ele? – perguntou Damon

— Ajudo a manter os olhos em tudo. Sabe, com os outros – ele respondeu de forma tranquila

— Os outros?- Damo continuou confuso

— Da tumba. Estão furiosos ainda com as famílias fundadoras por tentar queimá-los vivos. – ele respondeu, um calafrio passou por meu corpo, eu não duvidava nada que eles quisessem se vingar de mim também, então o menino olhou para mim meio temeroso – Eu sou do bem, até perdoei você. Mas os rapazes da tumba querem vingança. – ele explicou, era incrível quanto eu e Damon parecíamos afundar cada vez mais em problemas

— O que Johnathan fez com eles? – perguntou Rick

— Ele está apenas de olho neles. Se certificando que ficarão longe de problemas. –explicou o menino

— É o John rapazes. Ele é uma alma caridosa – falei de forma irônica

O telefone de Henry tocou e o garoto o tirou do bolso checando seu visor.

— É o John – ele anunciou de forma animada

— Deixe-me falar com ele – disse Damon se levantando da cadeira

— Certo. – concordou Henry, dava pena enganar alguém desta forma, Damon pegou o celular da mão dele e o deixou tocar

— Vai atender? – perguntou o menino parecendo ansioso

— Vou atender? – perguntou Damon olhando para mim e para Rick, então negamos

O menino passou a nos olhar de forma desconfiada, finalmente o pobre tinha notado.

— O que está havendo? – Henry perguntou, o telefone continuava a tocar, quando finalmente ele percebeu que estava em uma armadilha

Nada burro tentou atacar o mais vulnerável que tinha na cozinha, indo para cima de Alaric, em um salto fiquei de pé ajudando Damon a puxar o vampiro imbecil que tentava por os dentes em Rick, quando o garoto se virou para nós, Rick enfiou uma estaca de madeira no peito de Henry, que finalmente morreu.

— “Não vamos matar ninguém essa noite” – falei olhando para o professor de forma irônica – Suas palavras...

— Vamos vasculhar a casa e Damon, cuide do corpo – falei enquanto saia em direção a um dos quartos

— Desde quando você assumiu o comando da missão? – Damon reclamou, mas obedeceu

Eu e Rick vasculhamos a casa por todos os cantos, quando voltamos encontramos Damon vigiando o corpo de Henry.

— Acharam algo? – perguntou ele

— Não, olhamos em todos os lugares. O lugar está... O lugar está vazio – Rick respondeu se sentindo tão frustrado quanto eu

— Achei isso na geladeira – Damon jogou uma garrafa de vinho em minhas mãos, eu logo a abri e dei um longo gole

— Foi um verdadeiro beco sem saída – comentei estressada, esses dias tem sido bem difíceis, Rick suspirou concordando

— Eu não ficaria me lastimando por isso. O que acharam que encontraríamos? – Damon apesar de tudo era o mais realista dali

— Isobel com charutos e chinelos? – tentei sendo um tanto quanto sarcástica, Damon e Alaric começaram a rir, passei a garrafa para o professor ele realmente precisava de uma bebida

— Tenho que parar. Não posso continuar procurando ela. – Rick falou meio decidido, eu não sei como ele tinha paciência para procurar tanto essa mulher que o abandonou

— Sério? Depois de dois anos? – Damon pegou a cadeira sentando-se, pelo visto faríamos uma pausa por ali, então me acomodei colocando os pés sobre o sofá – Pouco saudável isso...

— Sério que você quer julgar Damon? Há quanto tempo está nessa mesmo 146 anos? – perguntei tentando ao máximo controlar a acidez em minha voz, Rick riu da minha tentativa

— A marca de 200 é provavelmente uma boa parada – ele continuou em tom de brincadeira, e eu tomei mais um gole da garrafa rindo

— Ás vezes é melhor do que ter que ficar perseguindo pessoas vivas em função da procura de ambos – revirei os olhos, mas era verdade toda a minha vida eu havia seguido Damon e Stefan e até mesmo quando tirei folga, acabei voltando a essa vida parecia minha sina

— Nenhuma resposta é suficiente. Fico pensando. Quero saber o porquê. O momento preciso. Quando minha esposa decidiu que a vida comigo não era o suficiente... – eu tinha dó do professor, mesmo com as mentiras da mulher não havia sequer um momento que ele não falasse dela com uma espécie de adoração, agora era cheia de amargor, mas ainda tinha adoração, na verdade sentia um pouco de inveja

— Ela me encantou, sua esposal Isobel – Damon disse, e eu me surpreendi com sua sinceridade

— Descendente de Katherine....- cantarolei e Damon olhou para mim virando os olhos – Ela mandou bem, cara. Ela era esperta. E tinha essa emoção nos olhos. Devia ter visto que tinha algo de diferente com ela, algum vinculo com Katherine – outra feiticeira de homens, que ótimo

— Basta, Damon. Não quero mais ouvir. – Rick pareceu irritado, mas também meu primo estava falando para o cara novamente que ele era corno – Só não quero mais perder a minha vida, procurando respostas as quais eu não quero. – ele respondeu e em seguida respirou fundo – Estou cansado da Isobel... Estou cansado de tudo isso – Alaric levantou-se do sofá, e saiu andando

— Deixe ele pensar por um tempo – falei olhando séria para Damon – Você deveria aprender com ele, sobre buscas que não valem a pena... – falei e em seguida matei a garrafa em um gole só

— E quem você quer que eu espere Isabelle? Você? – ele disse em um tom agressivo e grosseiro

Me levantei do sofá irritada, pronta para sair do apartamento, o melhor que faríamos era ir embora logo daquele lugar. Eu estava saindo quando Damon puxou meu braço.

— Espere Belle, me de Descul... – eu não o deixei terminar de falar

— Não precisa pedir desculpas Damon. Você acha que sou o que uma adolescente que acredita que o príncipe encantado vai se tocar da merda que está fazendo e magicamente me perceber e vivermos felizes para sempre? Primeiro eu tenho algo chamado amor próprio que vem antes de qualquer sentimento que eu tenha. Segundo você é meu primo agora, exatamente como Stefan e nada mais. Terceiro você está mais para sapo. – falei e deixei meu primo sozinho na sala

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Chegamos finalmente na porta de casa, a volta no carro foi silenciosa, todos parecíamos estar enfrentando nossos próprios fantasmas. Alaric pensava sobre sua esposa Isobel e a falta de pistas. Eu pensava sobre minha conversa com Damon. Eu não fazia ideia do que se passava pela cabeça psicopata de meu primo mais velho, mas ele me pareceu bem mexido com minhas palavras.

Não podia negar eu havia notado uma certa mudança em Damon, ele estava diferente, não matava mais ninguém e por mais que negasse ele estava unido a mim e a Stefan, parecia se importar o suficiente conosco, eu só esperava que dessa vez as coisas continuassem desta forma.

Abri a porta de casa encontrando Elena no sofá, ela parecia distraída lendo um diário provavelmente o de Stefan, eu admirava a persistência dela, a garota não desistiu de meu primo, e de certa forma era bom que tivessem outras pessoas além de mim que pensassem desse jeito.

— Ainda está aqui? – perguntou Damon, como sempre inconveniente

— Esperava algo diferente? – ela respondeu na lata

— Não – meu primo disse sentando-se no sofá ao lado dela

Me acomodei na poltrona em frente aos dois, eu queria conversar com Elena, saber como estava meu primo mais novo e se eu teria que segurar a cabeça dele e enfiar o sangue a força.

— Então , como foi a missão? – perguntou Elena

— Fútil... –respondi frustrada

— Embora, testemunhamos o professor tendo uma crise existencial... – só Damon poderia achar isso algo legal – Stefan comeu? – me surpreendi com a pergunta de Damon, tanto quanto Elena

— Pensei que não se importasse... – provoquei

— Curiosidade mórbida – fingiu-se de desentendido

— Acho que ele está quase conseguindo – ela respondeu esperançosa, e eu sorri, finalmente meu primo estava voltando a si e isso era ótimo, Stefan me fazia falta demais – Ele tem muita culpa para lidar... – sinceramente todos nós tínhamos — E o fato de você passar os últimos cento e quarenta e cinco anos o punindo por Katherine ter sido pega, não ajuda. – ela olhou de forma repreensiva para Damon, mas espera tinha algo de errado nessa história...

— É minha culpa agora? – perguntou Damon confuso, na verdade era

— Não Damon, talvez seja minha – respondi irônica

— Talvez seja, mesmo porque quem entregou os vampiros foi você, então nada teria acontecido se você não tivesse aberto essa sua enorme boca... – eu estava pronta para revidar a resposta de Damon quando Elena nos interrompeu

— Parem! Não é culpa de ninguém. Embora vocês não sejam exatamente inocentes. Tem feito como missão de vida deixa-lo infeliz, a Isabelle também, mas ela consegue reagir melhor a você. E você também Isabelle, desde o dia que você se transformou quando não tentou se vingar de alguma forma? – agora Elena havia virado nossa psicanalista?

— Espere... Em toda essa importante busca pela alma, e limpeza dos demônios do passado do Stefan, você já conseguiu o resto da historia? – perguntou Damon, levantando-se do sofá irritado, eu sabia do que meu primo falava

— Ele disse que havia mais. – ela respondeu confusa

— Stefan e suas práticas de eufemismo... — meu primo aliviava demais as coisas com medo de assustar Elena

— Contem-me então... – quase implorou Elena

— Você é melhor nisso do que eu. –falei olhando-o sério, até porque eu não tinha acompanhado tudo

Mas enquanto Damon começava com a história, minha cabeça foi longe lembrando-se.

Flash Back on:

Mystic Falls, 1864

Minha cabeça rodava, eu já havia deixado alguns corpos, um quando finalmente decidi achar uma roupa descente por ali, a culpa me tomou ao ver o corpo da pobre garota frio e caido no chão, mas por outro lado seu sangue era tão saboroso que deveria ser um pecado e junto se foi a família dela, pai, mãe e o pobre irmão que havia sido gentil em me achar na floresta oferecendo abrigo. Eu ainda não podia suportar a dor em meu peito, meus dois primos mortos no mesmo dia e tudo culpa, daquela maldita Katherine.

Eu estava um pouco além dos limites da cidade, meu plano era fugir logo, antes que pudessem me encontrar, mas eu não entendia o porque ainda relutava em deixar Mystic Falls.

O rosto de Damon ao ser baleado seus olhos azuis arregalados de susto que pareciam ter me visto em seus últimos segundos de vida, aquilo simplesmente não se apagava de minha mente, eu perdi tantas coisas em tão pouco tempo, e foi nesse momento que um estalo veio a minha mente, Katherine não os deixaria morrer, certa vez em uma festa eu havia flagrado Damon com a boca suja de sangue, essa vadia devia estar dando sangue a eles há semanas, havia uma grande chance de meus primos estarem vivos, e eu ia arriscá-la, não importa o quanto eles me odiassem eu precisava ver Damon e Stefan mais uma vez.

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Meus instintos me levaram até o lugar onde meus primos estavam, eu os encontrei perto de um local abandonado próximo a um rio, Stefan havia acabado de trazer uma moça junto com ele, disse que a daria de presente Damon, foi quando eu entendi, meu primo mais velho se recusava a se alimentar, ele queria morrer.

— Damon escuta. Eu fui visitar o papai, não conhecia minha própria força. Havia sangue em toda parte. Ele estava morrendo. O sangue era muito forte. Eu precisava. Eu tinha que tê-lo. – eu entendia o que Stefan estava falando, mas espera Stefan matou meu tio? Eu estava horrorizada

— Você se alimentou. – concluiu Damon

— Sim, e é incrível. – Stefan disse empolgado, eu entendia muito bem essa euforia era como eu me sentia, segundos depois de sentir pena de minhas vitimas – Meu corpo está explodindo com o poder, Damon – nada se comparava com a sensação de poder que sentíamos – Posso ouvir coisas de longe. Posso ver através da escuridão. Posso me mover como se fosse mágica. E a culpa, a dor, Damon. Posso desliga-la – agora estava explicado o porque quando as emoções era demais eu simplesmente conseguia respirar fundo e parar de pensar – Katherine estava certa. É outro mundo lá fora. – meu primo mais novo tentava convencer Damon, mas porque diabos Damon não queria se transformar? Seu amor por Katherine era tão grande assim? Ela não havia fugido da tumba com a ajuda deles?

— Katherine está morta, Stefan. Não há porque viver sem ela.Isablle... – ouvi Damon dizer, aquilo me atingiu no peito como se fossem várias facas afiadas, ele ainda se importava demais com aquela maldita mulher, ele não sabia que ela tinha matado o filho dele? Reprimi um grito de ódio, minha vontade agora era arrancar o pescoço de Damon, eu queria que ele tivesse completado a frase porém Stefan o interrompeu

— Não. Pode desligar isso também. Não precisa mais sentir dor. – Stefan parecia nervoso, ele queria muito convencer meu primo a completar a transição

— Não quero isso. – Damon falou simplesmente, a ideia de viver sem Katherine era repugnante demais para ele e isso estava me deixando cada vez mais furiosa

-Você está fraco. Morrerá logo. Você precisa disso – Stefan segurava Damon pelo colarinho de sua blusa, ele parecia ansioso para que meu primo mais velho se tornasse logo um vampiro e eu também estava

— Não. – Damon negava veemente

— Você irá morrer. – Stefan insistiu

Notei que a garota estava sem medo algum dos dois embora, ela andasse impaciente pelo lugar, fiz um barulho para que ela se aproximasse de mim, sorri de forma educada para ela, eu estava vestida descentemente agora, não havia porque ter medo de mim como as outras vitimas tiveram.

— Está tudo bem? – ela me perguntou confusa, olhei-a de forma convincente

— Você não vai gritar nem expressar nenhuma reação – e ela assentiu

Ataquei o pescoço da menina, deixando que seu sangue escorresse livremente por sua roupa, a pobrezinha não demonstrava nenhuma expressão, notei que Stefan sentindo o cheiro enlouquecedor do sangue logo me achou e Damon acompanhou seu olhar, logo ambos ficaram como estatuas e expressões chocadas.

Eu faria Damon se alimentar a qualquer custo, eu não suportaria vê-lo morrer não novamente, e seu fui obrigada a me transformar sem querer e ia ficar dessa forma pelo resto da vida, Damon também seria, afinal nada disso teria acontecido se eles não tivessem se apaixonado por Katherine.

— isabelle! – Damon foi o primeiro a se pronunciar assustado

— Surpresos por me ver – falei me aproximando, enquanto ainda segurava a menina pelo pescoço – incrível como é a vida não, uma hora você está em sua casa tranquila e na outra acorda morta na floresta... – eu não pude conter a acidez em minhas palavras

— Como? – perguntou Stefan confuso – Nós te enterramos.

— Talvez vocês devessem contar a Katherine. Opsss, ela está morta – sorri de forma maldosa, isso normalmente não era de meu fetio, mas eu gostava dessa minha nova capacidade de ser má, Damon me olhou com raiva e Stefan apenas continuava confuso

— É tudo culpa sua! Você entregou os vampiros ao conselho, você deveria ter sido queimada também – gargalhei com a raiva que Damon expressava isso de desligar as emoções era realmente interessante

— O mundo é dos espertos querido. Mas vamos a parte que você não quer se transformar...- falei me aproximando cada vez mais dos rapazes, Stefan parecia prestes a atacar o pescoço da pobre moça, então andei mais para a direção de Damon – Não podemos deixa-lo morrer, você tem que se alimentar!

— Sim. Damon, agora que Isabelle está viva não estamos completamente sozinhos, podemos fazer isso, juntos. Não resista- Stefan falava desesperado

— Vamos Damon... uma mordidinha não doi – eu falei levando o pescoço da menina praticamente até a boca de Damon

E finalmente ele se alimentou, eu sabia qual era a primeira sensação, era tão boa e tão poderosa que mal dava para se conter, e por isso deixei-o desfrutar de seu momento.

E ali eu sabia que estaríamos os três ligados para sempre.

Flash Back off

Elena parecia chocada com o que Damon acabara de contar, eu me sentia um tanto quanto envergonhada, era verdade, eu naquele momento tomada por milhares de emoções, havia provocado a transformação de Damon junto com Stefan, e esse é um dos motivos de eterno conflito entre eu meu primo mais novo e ele.

— Quando Stefan experimentou sangue humano pela primeira vez, ele se tornou uma pessoa diferente, assim com eu. – falei abaixando os olhos, eu não gostava de lembrar de certos momentos

— Acho que deveria agradecer a vocês. Foi uma jornada e tanto – Damon, havia pego um uísque enquanto contava a história e fez sinal de brinde a mim, uma coisa era certa, atualmente Damon gostava mais de ser vampiro do que eu e Stefan

De uma maneira torta ele havia conseguido sua vingança.

— Meu Deus. Ele disse que queria morrer. Por isso não se alimentava. Mas agora eu entendo o porquê, mas... – Elena parecia meio perdida

— É a escolha dele. Se for estupido o suficiente para fazer isso, que faça. – Damon disse indiferente, e olhou para mim em forma de desafio, acho que ele me conhece o suficiente para saber que eu planejava enfiar sangue guela abaixo de Stefan, nesse momento perdi a paciência

— Não faça isso Damon. Não finja que não se importa. Você sabe que importa, já parou para pensar se fosse você na situação contrária? – perguntei de forma irritada, e percebi que Elena saia da sala, pelo visto ela não aguentava mais esses conflitos familiares

— Onde ela está indo? – perguntou meu primo confuso, tentando fugir do assunto

Ouvimos Elena correr pelas escadas, e esperamos atentos seja lá o que fosse tinhámos que ajuda-la.

— Stefan sumiu... – ela falou desesperada, o anel que o protegia do sol estava em sua mão

— Para onde ele pode ter ido? – perguntou Damon nervoso

— Eu não sei! – Elena parecia desesperada

— Espera... acho que sei onde ele pode estar. – falei olhando séria para Damon, que assentiu sabendo do que eu estava falando

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Flash Back on:

Mystic Falls 1864

Stefan ainda me olhava assustado. Damon havia ido para um canto para se recompor da sujeira que o sangue havia feito em suas vestes.

— Isabelle... – Stefan me chamou, e eu o olhei, tentava ao máximo conter o que eu sentia ao olhar para ele, o abandono do primo que eu mais confiava o que eu cuidei – Eu queria te pedir desculpas, por tudo. – olhei-o desconfiada

— Eu me lembro de tudo agora... Vampiros tem a capacidade de compelir as pessoas a fazerem o que elas querem, e eu fui compelido a me afastar de você, agora eu me lembro de cada detalhe. Você é a minha melhor amiga eu nunca quis me afastar de você – enquanto Stefan falava, uma onda de emoção me tomou e sem pensar eu corri para abraçar meu primo, que devolveu o abraço de forma emocionada

— Stefan eu só não entendo uma coisa... Como eu não queimei no sol? – eu estava confusa sobre isso

— Esse anel – ele mostrou o anel em seu dedo – Me protege de queimar no sol, ao que parece você também tem um. – ele olhou para meu dedo apontando, me choquei ao perceber que o anel que Damon me dera há anos atrás estava em meu dedo

— Eu não entendo... – disse confusa

— Ao que parece alguém queria você viva... – ele comentou, não tive mais tempo para falar nada pois Damon vinha em nossa direção

— Vejo que vocês fizeram as pazes – comentou Damon de forma seca, se Stefan se lembrava de tudo, então o desprezo de Damon por mim era real, porque ele me ignorava, me separei de Stefan encarando Damon, ele possuía outra expressão totalmente diferente de quando eu o encontrara – Você tinha razão Stefan. É um mundo totalmente novo. – respondeu

— Podemos explorá-los juntos – Stefan sorriu de forma verdadeira, apesar de todo o lado sombrio do momento, meu primo não perdia seu modo de ser

— Conseguiram o que queriam... Nós juntos pela eternidade. – Damon nos olhava de forma amarga – Mas é o seguinte... Farei dela uma eternidade – ele se aproximava de onde eu e Stefan estávamos seus olhos azuis eram intenso e raivosos – De sofrimento para vocês... – ele nos olhou e então saiu andando

Eu tinha muito medo de que ele honrasse isso, e foi olhando para aquele lago, que a promessa que nos uniria por um século foi feita.

Flash Back off

Damon não quis ir, mas deixei Elena exatamente no lugar onde me lembrava que tudo tinha acontecido, e então voltei para casa mais leve, com a esperança que ao menos as coisas com Stefan dessem certo.

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Voltei para casa e lá estava Damon sentado no sofá vendo o fogo da lareira crepitar, seu típico uísque na mão e expressão pensativa.

— Mais um dia difícil – suspirei, servindo-me de um copo de uísque

— Você acha que Elena vai conseguir? – ele perguntou, ele se fazia de indiferente mas eu sabia a realidade

— Eu sinceramente... Não sei, mas tenho esperanças. Sabe... Stef é diferente de nós, ele se culpa muito, ele sente as coisas. Enquanto nós apenas empurramos tudo para baixo do tapete – comentei, eu e Damon eramos muito parecidos, sempre movidos por algo além da emoção

— Isso o mata. Um brinde a turma do coração gelado – falou irônico

— Você é realmente impossível – eu revirei os olhos me sentando ao seu lado no sofá

— Você preferia ser como Stefan? A culpa te corroendo por tudo que faz? – perguntou me encarando sério

— Eu não sei, talvez eu me sentisse mais humana dessa forma...

— Você não é mais humana, supere. – disse com escarnio

— Acho que preciso superar mesmo... – falei suspirando, hoje foi um dia especialmente nostálgico

— Escute... sobre hoje mais cedo. – olhei para Damon surpresa, ele estava tentando se desculpar de novo?

— Não precisa dizer nada, eu sei que você é um idiota – sorri olhando para ele, não adiantava entrar em conflito naquele momento, porém os olhos azuis de Damon também me encaravam e nossos olhos se prenderam

— Você parece gostar de idiotas – abriu um sorriso malicioso

— Talvez essa seja a minha característica mais humana – sorri divertida, tentando amenizar o clima que do nada havia se tornado quente

— A minha talvez seja essa... – sem que eu esperasse Damon me puxou para perto e beijou-me

Meu corpo inteiro se arrepiou e descargas elétricas passaram por meu corpo, sua língua era quente e sensual sobre meus lábios e em seguida ele deu uma leve mordida me levando a loucura, retribui tudo isso com maestria puxando os cabelos de Damon com força e arranhando suas costas. Eu já estava deitada no sofá e Damon encontrava-se entre minhas pernas, nosso beijo era quente e despudorado cheio de vontades reprimidas, e como reprimíamos nossa vontade.

Damon estava prestes a tirar minha blusa... A porta se abriu dando tempo apenas para que nos afastássemos o máximo possível e agíssemos como se nada tivesse acontecido. Stefan e Elena entraram na sala, e ela pareceu notar na hora, porém foi discreta assim como meu primo.

— O garoto perdido – comentou Damon

— Estarei lá em cima ok? – avisou Elena, ao que parece ela queria dar privacidade ao momento família

— No fim não somos todos perdidos? – comentei, assim que Elena saiu da sala me levantei correndo para abraçar Stefan ele retribuiu o abraço carinhosamente

— Nunca mais faça isso comigo, meu coração de vampira não aguenta – implorei, e meu primo mais novo esboçou um leve sorriso

— Obrigado. – ele agradeceu olhando para o lugar onde Damon se encontrava, eu simplesmente continuei abraçada ao meu cabeçudo favorito

— Não Stefan, obrigado a você. Voltou para o sangue de bambi e sou o irmão malvado de novo. – sempre assim, Damon nunca podia abaixar a guarda

— É sério – ele encarou Damon sério, Stefan era o único com paciência o suficiente para isso — Por ajudar a Elena e Isabelle. Por cuidar de mim –insistiu Stefan, Damon revirou os olhos, ele parecia querer que o assunto acabasse o mais rápido possível

— Você se remói demais. Nem tudo no planeta é culpa sua – Damon tinha razão no que acabar de falar – Minhas ações, o que faço, não é culpa sua.

— Nem as minhas Stef. A gente passou por muita coisa juntos, e também foi culpa minha, do universo, eu sei lá, mas nem tudo é culpa sua – completei o que Damon falara

— Eu as comando. Elas pertencem a mim. Não está permitido sentir a minha culpa – Damon falou sério

— Você sente culpa? – perguntou Stef curioso

— Se eu quisesse, ela está lá. Emily esperou eu me transformar para contar que teve sucesso em proteger a Katherine com seus feitiço. Não queria que eu soubesse da tumba. Achou que afetaria minha decisão. – revirei os olhos, era obvio que isso afetaria a decisão de Damon

— Ela não queria que vocês se transformassem – falei simplesmente

— E como você sabe disso? – Damon me encarou curioso

— Stefan me perguntou há meses atrás, o que eu queria com o meu velho anel que me protegia do sol, aquele que nunca descobrimos o que aconteceu exatamente ou quem o enfeitiçou. Damon se lembra bem, ele era enorme e possuía um fundo falso. Emily foi atrás de mim e me deu o feitiço de como impedir Damon de abrir a tumba, seria minha eterna vingança contra ele impedi-lo de ver Katherine, eu só mudei o curso de meus planos quando li a carta que Will me deixou. Nela falava que Katherine não estava na tumba. – eu finalmente contei toda a historia, tirando o peso de meus ombros

— Não sou o único que persegue algo há cento e quarenta e cinco anos então – Damon me olhou de forma irônica

— Emily me disse que nossa transformação seria uma maldição – Stefan comentou, provavelmente voltando a sua função de apaziguar as coisas

— Bruxas... Julgando detalhes. – Damon ironizou

— Por que nunca nos contou nada? – perguntou olhando para mim

— Não é obvio Stefan? – revirei os olhos

— E você Damon? – meu primo mais novo o encarou sério

— Porque não queria que soubesse. Porque odiava você e ainda odeio. E Isabelle é vingativa de alguma forma eu imaginava que ela é ardilosa o suficiente para isso. –olhou-me irritado, nossos momentos de trégua pelo visto haviam acabado

— Eu sei. – Stefan abaixou a cabeça, eu já nem ligava para o ódio de Damon

– Mas não porque me forçaram a me transformar. – eu e Stefan trocamos olhares surpresos com a revelação de Damon

— Por que então? – indaguei confusa

— Stefan... Ela transformou você. Deveria ser só eu... – olhou com raiva para meu primo e em seguida para mim

— Já você... – seus olhos estavam conectados aos meus mas não de uma forma boa – Te odeio por uma série de razões que mal posso nomear... – e simplesmente saiu da sala

Stefan colocou a mão sobre meus ombros em forma de apoio, e eu simplesmente respirei fundo soltando o ar devagar, era tanta pressão que eu mal podia aguentar.

— Acho que precisamos descansar – ele falou

— Concordo. Boa noite Stef – falei dando um singelo beijo na bochecha de meu primo

— Boa noite Isabelle. E obrigada por nunca desistir de mim.

— Eu nunca vou desistir de vocês... – respondi simplesmente

E era verdade, esse era meu grande defeito eu nunca desistiria de nenhum dos dois. Por mais difícil ou estressante que se tornasse, eu sempre lutaria pelos meus garotos, por mais perdidos que eles estivessem.

Notas finais
Gente quero avisar que a frequencia de postagem vai diminuir, porque a autora tem vestibular para estudar. Espero que gostem! Comentem! Beijos Lili