Notas iniciais
Aquele que faltava... Aquele que todos queriam ver.

O Lord vermelho já podia ver a casa zodiacal de sagitário. Ele deu uma breve olhada para trás e contemplou uma grande parte do santuário. Teve de abrir um sorriso surpreso, já que, a única cosmo energia que sentia agora, pertencia ao seu sobrinho Hórus.

Pelo visto, até Konshu acabou derrotado, mesmo usando o seu modo divino. Só que ao invés disso amedrontar o líder das tropas do Deus sol, isso apenas o motivava mais a lutar.

Ele apertou o passo e sentia a adrenalina correndo em sua corrente sanguínea. Cada vez que a nona casa zodiacal entrava mais em foco, suas pupilas dilatavam de excitação e uma tempestade de areia o envolvia.

― CAVALEIRO DA NONA CASA DO ZODÍACO! ― vociferou ele, logo que adentrou a casa dourada. ― EU SOU O CAPITÃO DAS TROPAS DE RÁ! VENHA E ENCARE-ME EM BATALHA.

Seth esperou e a sua única companhia era o eco da sua voz pela casa que parecia estar vazia. Ele ergueu uma sobrancelha, estranhando aquela atitude e resolveu avançar. Ele notou que a casa era diferente das outras, porque esta, possuía um segundo andar com sacadas. Seus olhos percorriam todo o perímetro, mas além de não ver ninguém, ele não conseguia sentir a cosmo energia de nenhum cavaleiro.

Avançou mais um pouco e chegou a uma anti-sala, que diferente das outras, possuía uma espécie de mensagem entalhada nas paredes. Ela era iluminada por duas tochas suspendidas por artes douradas. Seth sentia como se todos que frequentassem aquela casa ou se atrevessem a ultrapassá-la, deveriam, primeiramente, ler aquele mensagem.

Não. Era um testamento.

― “Aos jovens que aqui chegarem, confio Atena aos seus cuidados”.

Seth torceu o nariz e virou o olhar, logo após de ler. Ele olhou ao seu redor e chegou a conclusão de que aquela casa estava vazia por algum motivo. Ficou decepcionado, já que, ouvira que o cavaleiro de sagitário era o cavaleiro mais fiel à sua deusa.

― Agora, você entende, meu caro deus egípicio, o porquê dos seus soldados divinos terem caídos, um a um? ― Seth arregalou os olhos ao sentir aquela voz grossa, segura e imponente as suas costas.

O Lord vermelho já virou-se invocando uma tempestade de areia da palma de sua mão e sorriu observando o cavaleiro de ouro sendo lançado para o ar com ela. Apenas estranhou, percebendo que ele não exibia qualquer reação de dor ou medo, ele apenas abriu suas asas douradas e confortavelmente pousou como um pássaro sobre o parapeito da varanda.

Como eu ia dizendo... ele parecia ignorar o deus que o encarava de dente trincados de raiva. ― Eu mesmo atravessei as doze casas, há alguns anos atrás. Eu cheguei a essa casa depois de diversas batalhas, desafiando o poder dos cavaleiros de ouro, que como hoje, são os cavaleiros mais poderosos de Athena.

― Pouco me importa a sua história! Vamos lutar, sagitário.

― É isso que eu quero dizer. ― Seth pareceu não entender o ponto do dourado. ― Os guerreiros que deram suas vidas contra os deuses, possuem o mesmo espírito de luta do dono desses testamento. E se ele desafiou os deuses para proteger o amor e a justiça, nós também desafiaremos.

― Pouco me importa as suas convicções. Eu só quero lutar e pegar a cabeça de Athena.

O cavaleiro de sagitário abriu suas asas novamente e jogou-se do segundo andar, aterrissando de joelhos no chão. Ele levantou-se e limpou suas mãos com duas palmas. Seth começou a elevar a sua cosmo energia e uma tempestade de areia começou a soprar pelo interior da casa de sagitário.

― Que decepção. ― desabafou o Lord vermelho. ― E pensar que eu fiquei empolgado para enfrentar você que na era mitológica era conhecido como o matador de deuses. Onde está o verdadeiro cavaleiro de sagitário? Onde está o verdadeiro....

Seth foi interrompido por um golpe dourado e certeiro na face. Foi como um brilho, um feixe de luz dourado que seus olhos não puderam acompanhar. Ele foi arrastado por alguns metros e chocou-se contra uma pilastra, penetrando um pouco em sua estrutura.

Seth abriu um sorriso prazeroso e limpou o filete de sangue que escorria pela bochecha esquerda. Ele enracava o santo dourado que permanecia imóvel, de olhos fechados e queimando levemente a sua cosmo energia.

― Então, você estava escondendo o seu jogo? Conte-me, matador de deuses. Qual é o seu nome?

― Essa alcunha pertencia ao guerreiro da minha primeira constelação: Pégasus. ― o homem de pele queimada foi abrindo os olhos lentamente, como se, em sua mente, ele relembrasse das centenas de batalhas sangrentas até aqui. ― Mas hoje, eu sou apenas o líder dos cavaleiros do santuário abaixo da vontade do grande mestre! Sou a flecha dourada da esperança ― Seiya de Sagitário.

― Assim que eu arrancar a sua cabeça, eu irei contar a sua história em todo antigo Egito.

Seiya viu que o Lord vermelho desapareceu numa densa tempestade de areia. Ele não podia ver um palmo diante do seu nariz, mas habilmente, inclinou o pescoço, desviando de um soco e defendeu-se de um chute, levantando o seu ante-braço direito.

Seus reflexos estão ótimos! Vamos aumentar a dificuldade?

― Não tenho tempo para brincar! ― a cosmo energia dourada cintilou e abrindo as asas, Seiya criou um turbilhão dourado. ― Suas ventanias não terão efeito nenhum sobre mim!

Seth sentiu o vento girando na direção contrária e de repente, toda a sua tempestade foi sugada para dentro do vórtex do sargitariano. Ele abriu um sorriso travesso e apenas estalou os dedos, fazendo com que os grãos de areia criassem uma explosão em cadeia, fazendo o vórtex pegar fogo com Seiya, em seu interior.

― Não me subesti...

Turbilhão de Sagitário! ― ele escutou a voz grossa no meio do fogo e logo em seguida, começaram a sair feixes dourados de dentro do vórtex, até que a cosmo energia explodiu violentamente.

Seth protegeu os olhos da grande luz, mas não conseguiu evitar ser levado pela explosão de luz e areia que o lançou contra algumas pilastras e em seguida contra a parede da anti-sala. O deus das tempestades teve seu elmo arrancado e ele deslizou pelo chão de pedra para a saída da casa de sargitário.

Ele viu a escadaria que levaria a Aquário e socou o chão com vergonha e ódio. Ele olhou para o seu inimigo e viu Seiya parado tranquilamente e sem um arranhão sequer.

― Ninguém nunca antes conseguiu dominar a minha primeira onda de caos.

― Primeira? ― sargitário parecia surpreso.

― Sim! ― a energia de Seth tremulou e mudou para um tom avermelhado e ainda mais agressivo. ― Areia e Ventos é a primeira forma de caos... A segunda são as chamas ardentes. Uma benção pessoal do Deus Sol!

Seiya quebrou a sua pose serena e se colocou em guarda. Seth socou o ar com as duas mãos e dois turbilhões de chamas atacaram o sargitário. Seiya elevou seu cosmo e bateu suas asas, na tentativa de invocar o seu turbilhão.

― Não pode ser! ― ele exclamou ao ver que as chamas de Seth destruíram as suas asas douradas. ― Impossível...

― Depois de ficar horas ouvindo Nactanebo falar sobre as armaduras de vocês, não tinha como esquecer que a maior parte do poder delas vem da luz do sol! ― Seth começou a se aproximar e Seiya pela primeira vez, parecia estar amedrontado. ― A segunda forma do caos é a expressão pura do poder do sol, logo as armaduras douradas por mais fortes e poderosas que sejam, jamais resistiram ao poder básico para a sua criação.

Mais um turbilhão veio na direção do antigo Págasus, mas ele saltou e elevou o seu cosmo, desferindo uma rajada de cometas douradas que buscavam acertar o deus das tempestades.

― Eu esqueci de dizer! ― Seiya arregalou os olhos ao ouvir a voz do inimigo às suas costas. ― Quando a forma de caos muda, meu poder também aumenta!

Um jato de fogo a queima roupa foi disparado lançando o cavaleiro de sargitário contra o chão, violentamente. Suas costas fumegavam e as queimaduras de segundo grau não eram piores, porque a armadura o protegeu.

Seth aterrissou e cuspiu sobre o corpo do seu adversário e pisou em sua cabeça violentamente. Ele deu uma pequena gargalhada, voltando ao seu estado natural de soberba.

Aos jovens que chegaram aqui, entrego Athena aos seus cuidados! ― Seth lera novamente o testamento do antigo sargitário do século XX, mas com uma prosódia debochada. ― Queria que você estivesse aqui — oh antigo cavaleiro dourado de sargitário para ver quão boas são as mãos, as quais você deixaste sua preciosa deusa.... O quê?

O capitão das tropas solares sentiu um pequeno comichão em seu pé. Ele olhou para baixo e percebeu que todo o corpo do dourado emanava uma aura pura, poderosa e quente. Seth levantou o seu pé e preparava-se para um pisão que esmagaria o crânio do ex-Pégasus, mas infelizmente, seu pé afundou no chão pedra puro.

Seus olhos o procuraram ao seu redor, mas o brilho dourado atraiu os seus olhos para cima. Seiya brilhava como uma estrela e encarava o Lord vermelho, seriamente.

― Por que não deixou que eu acabasse com o seu sofrimento? O que está tentando provar?

― Eu até posso ter o meu corpo despedaçado, posso ter meu espírito incinerado, mas eu jamais permitirei que um falso deus zombe do sacrifício de Aiolos. ― Seth voltou a se preocupar ao ver que novas asas de pura luz se formaram nas costas do cavaleiro. ― Assim como você, eu não tenho apenas as minhas asas ao meu favor. Na verdade, além de ser uma herança de Aiolos é uma forma deu honrar a minha primeira constelação.

― Não importa o que está tramando, Seiya. No fim, o fogo solar de Rá irá consumir sua carne, ossos e espíritos.

Seiya estendeu o seu punho direito e ele começou a brilhar, trazendo um grande tremor a casa de sagitário. Seth lutava para permanecer-se de pé e ainda encarar o seu inimigo.

― O que está acontecendo?

Obrigado Aiolos... ― orava o ex-Pégasus. ― Tudo no universo, Seth, inclusive o sol, é formado pro átomos. E nós, cavaleiros do zodíaco, somos capazes de obrigar os átomos a reduzirem-se a uma párticula ainda menor ou incerá-los completamente.

― E por que está me contanto isso, seu desgraçado?

― Por que você zombou do testamento de Aiolos e será pela técnica dele que eu vou reduzí-lo a menor partícula que existe em todo universo! ― o Deus das tempestades arregalou os olhos ao perceber que a casa de sargitário era tomada pelo cosmo dourado. ― Desapareça dessa Terra, Seth! TROVÃO ATÔMICO.

Foi quando tudo se fez luz.