A Saga E - A pirâmide Colossal
27 Athena Exclama
Notas iniciais
Hórus encarava o recém chegado que parecia ter interrompido a sua ameaça para admirar o salão das árvores gêmeas. A brisa trazia as pétalas de flores de cerejeira junto com o perfume das próprias. Ele encarou a entrada da sala, que na verdade, era um buraco feito pelo punho de Hyoga, e orou para a alma do grande mestre pedindo desculpas.
― Eu que sou filho de um Deus, sei o quanto este lugar é sagrado.
― Filho de um Deus, ahn! ― Hórus debochou. ― E o que está fazendo ao lado de Athena?
― Ela me lembra alguém especial! ― O deus falcão sentiu o seu peito tremelicar. O coração do seu receptáculo parecia aflito. ― Eu decidi seguí-la para cumprir uma promessa que fiz, há muito tempo atrás.
Éden olhou de soslaio para trás ao sentir um toque em sua ombreira. Hyoga o segurava firmemente, mas o ex-cavaleiro de Órion livrou-se dele e começou a elevar o seu cosmo dourado.
― Não me venha com um sermão orgulhoso sobre ensinar algo as próximas gerações. Eu vou lutar sozinho. Não me atrapalhem!
― Mas Éden...
E antes que Kiki pudesse continuar o brilho dourado estalou e, tanto o cavaleiro de ouro de aquário, como o de Áries, ficaram perplexos ao notarem a imagem do deus falcão dividida ao meio. O braço de Éden estava reto para cima com seus dedos enfileirados, sendo que seus olhos estava fechados e rosto levemente inclinado para baixo.
O cavaleiro de ouro de Capricórnio saiu do estado inerte e abaixou-se para desviar de um soco e notou que a imagem que cortara, não passava de um holograma. Hórus estava com um sorriso louco empunhado no rosto e seu olho dourado estava ativado.
― MORRA SEMIDEUS! ― uma esfera de cosmo surgiu na palma da sua mão e explodiria o rosto de Éden. ― Eu avisei você.
― Pedra Saltitante! ― Hórus parecia confuso.

A explosão do ataque abriu uma cratera no chão, mas Hórus sabia que não havia atingido o cavaleiro, pelo contrário, este surgiu às suas costas e encaixou os seus pés debaixo dos dois braços do Deus. Éden abriu um sorriso e atirou o corpo do Deus à uma velocidade absurda para os Ares.
Hórus subia com uma feição assustada, sentindo a pele do seu receptáculo queimar por conta do atrito com o ar.
― A pedra saltatitante é um ataque que o inimigo é impulsionado pela força do seu próprio ataque! ― disse Hyoga assustado. ― Se o inimigo é um deus... Éden tem todo esse poder?
― Hora de retalhar deus... ― o jovem prodígio sacou o seu braço direito e esta eletrificou-se.
Kiki começou a se assustar com as nuvens pesadas que se formaram no céu do salão das árvores gêmeas. Ele podia ver Hórus subindo aos céus, preso pela pressão atmosférica e a caminho da tempestade que Éden estava criando.
― Eu nunca permitirei que forças malignas destruam o mundo que Ária me pediu para proteger! ― o brilho dourado intenficou-se e um raio caiu sobre o cavaleiro de capricórnio, energizando todo o seu corpo. ―Volte ao Duat, deus menor: ELVE EXCARLIBUR.
Éden cruzou seus braços em “X” e de repente um trovão ribombou no céu. Hórus olhou para cima e notou que as variadas nuvens de chuva, direcionavam seus relâmpagos para um ponto específico no céu, onde formou-se uma espécie de aréola.
O Deus falcão amaldiçoou o destino de Éden ao notar que aquela alréola começou a descarregar raios muito maiores e intensos em sua direção. O grito de dor ecoou por todos os arredores, fazendo com que, Kiki e Hyoga encarassem o filho de Marte com mais pavor, do que olhavam para os deuses egípcios.
― Quando foi que o filho de Marte ficou tão forte? ― pensou Hyoga horrorizado com o jovem a sua frente.
O corpo de Hórus caia como um asteróide e atingiu um ponto do jardim com violência. Éden começou a caminhar até ele com um rosto duro e enojado. O Deus falcão estava com a superfície da pele, completamente, carbonizada e desprovido da metade do seu braço direito e perna esquerda. Também havia perdido o canto direito do seu abdomên.
― E-eu vou matá-lo! ― ele praguejava entre-dentes. ― EU VOU MATÁ-LO.
― Hum! ― ele riu de canto. ― Olhe seu estado. Eu iria cortar a sua cabeça para não infrigir-lhe, mas dor, mas eu fiquei curioso em testar os poderes de um deus... Libere seu modo divino.
― NÃO ÉDEN! ― gritou Kiki desesperado. ― VOCÊ NÃO FAZ IDEIA...
― Cale-se, Kiki! ― e com um dedo, ele aprisionou o cavaleiro de Áries com círculos eletrificados. ― Eu não sou fraco como você ou esses cavaleiros, ditos, lendários. Eu sou o filho de um Deus. A arma mais poderosa do santuário.
― Não deixe que a soberba e vaidade de seu pai arruinem tudo, Éden! ― foi a vez de Hyoga.
― Vamos! Mostre-se verdadeiro poder.
― Já que insiste!
Hyoga correu, Kiki teve de elevar o seu cosmo para se livrar, mas aconteceu o inevitável. O receptáculo de Hórus cedeu ao calor de sua forma divina: A figura de uma ave encandescente com uma esfera acima de sua cabeça.
Éden sorria, enquanto empunhava o seu braço direito, admirando o novo dia que Hórus havia criado. Era madrugada no santuário, mas parecia que era meio-dia.
― Morra, filho de um falso Deus.
― ELVE... O quê?
Tudo ao redor começou a pegar fogo. A própria armadura de capricórnio começou a reagir em combustão instântanea, fazendo com que seu cavaleiro temesse o deus à sua frente, imediatamente.
― Onde está a sua arrogância, humano? Eu vou queimá-lo, lentamente para que sofra. Não lhe darei uma morte calma e tranquila, como fiz com o ex-cavaleiro de fênix.
― ESQUIFE ABSOLUTO! ― gritou Hyoga.
― FORTALEZA DE CRISTAL! ― gritou Kiki.
A visão de Éden mudou de alternava de cor, rapidamente. O vermelho, e as vezes, branco das chamas divinas cederam ao azul petróleo da parede de gelo milenar, conjurada pelo aquariano. Logo em seguida, Éden sentiu as costas de seus companheiros, então concluiu que eles haviam acabado de salvar a sua vida.
― Fortaleza de Cristal? ― disse Hyoga em tom admirado. Ele encarou a figura de uma torre que, por vezes, transparente, por vezes liberava um brilho arco-irís, como a superfície de uma bolha de sabão. ― Mú ficaria orgulhoso de você, Kiki.
― Era algo que eu estava aprimorando ainda, mas fico feliz que tenha dado certo.
― Está satisfeito, filho de Marte? ― Éden mordeu o lábio, enfurecido. ― Poderia tê-lo matado, mas deixou que seu orgulho lhe cegasse.
― Baixem suas defesas e eu lhes mostrarei o valor do...
Kiki surpreendeu-se ao ver o aquáriano desferiu um poderoso soco no rosto do capricorniano. Éden voou contra a parede do grande esquife de gelo e caiu sentado no chão. Ele encarou Hyoga com ódio. Ainda mais, quando este erguera-o pelo colarinho dourado, obrigando a encarar os seus olhos azuis enfurecidos.
― QUANDO VAI ENTENDER? NÓS TODOS SOMOS CAVALEIROS DE ATHENA. NÃO INTERESSA SE ESTA SEJA SAORI KIDO OU ÁRIA! ― Éden retesou. ― EU SINTO MUITO PELA MORTE DE ÁRIA, MAS ISSO NÃO SIGNIFICA QUE VOCÊ NÃO POSSA SER FIEL A MAIS NINGUÉM.
― Solte-me, Hyoga ou eu...
― Irá continuar sozinho? Ira se fechar no seu mundo triste e frio? Eu sei como é ser assim, Éden. Eu demorei para me abrir para os meus amigos, para confiar neles, para entender que não estava sozinho.
― Éden! ― foi a vez de Kiki. ― Não há nada do que você precise provar. Somos todos cavaleiros reconhecidos por Athena! Cada vida aqui é importante... Por favor, deixe-nos lutar ao seu lado.
O filho de Marte virou o rosto e sua mente voou para os dias quentes e significativos, onde ele e Ária caminhavam pelos jardins floridos do santuário. Em seguida, a visão de seu pai atravessando-a com sua lança, parecia causar uma pane em seu cérebro, trazendo a tona, as piores emoções que o capricorniando já havia sentido na vida.
Ele sentiu a mão em sua ombreira, mas não encarou Hyoga com o mesmo desdém. Ele assentiu para o cavaleiro de Aquário e arrancou um sorriso dos dois companheiros ali.
― O que é possível fazer para derrotarmos ele?
Hórus sobrevoava o jardim e encarava a defesa criada pelos cavaleiros com alegria. Estava se divertindo, observando-os enjaulados como animais. Não se importava de esperá-los, já que, em seu modo divino, nada poderiam fazer.
― Finalmente.
A fortaleza de cristal começou a desestabilizar, enquanto o esquife de gelo derretia. Pouco a pouco, as figuras dos dourados remanescentes foi surgindo no campo de visão do falcão. Hórus estranhou que em seus rostos, não havia mais dúvida ou medo. Hórus se perguntava: O que havia acontecido lá dentro?
― O que estão planejando? Sabem que não adianta mais nada contra mim, certo? Só lhes resta a morte eminente de seus corpos e almas.
― Na verdade, queremos testar algo, deus falcão! ― disse Hyoga caminhando um pouco mais a frente.
O falcão grasnou em dúvida. Hyoga havia se ajoelhado na frente de Kiki e Éden. Ele estendeu seus braços e em seguida os retraiu, virando as palmas das mãos para frente. Enquanto Éden e Kiki faziam a mesma coisa, só que viravam as mãos para a esquerda e o outro para direita, respectivamente.
― É esse o plano de vocês? Vencerem uma divindade com uma dança pagã?
― Não é exatamente uma dança, deus menor! ― Hyoga sorria, orgulhoso. ― Este é o maior dom dos cavaleiros de Athena. Um ataque proibido desde os tempos mitológicos por reproduzir com fidelidade a explosão que originou o universo como o conhecemos.
― Mais heresias... Deixe-me queimá-los de uma vez.
O salão das árvores gêmeas foi pintado de branco. O trio de dourados permaneceu firme, enquanto tudo ao redor deles queimava, inclusive a superfície das ármaduras de ouro e a pele de Hyoga.
― Saiba Hórus que eu cometi um grande erro hoje. ― o deus pareceu curioso. ― Eu subestimei a nova geração. Eu olhei para as minhas cicatrizes e cometi o mesmo erro deste jovem. Minhas dores não são maiores que as deles e vice-e-versa.
― O que está querendo me dizer, cavaleiro?
― Que hoje caem as barreiras que separavam a antiga geração de cavaleiros, desta nova. Aqui não existe mais: cavaleiros lendários ou cavaleiros novatos. Aqui, só existem... Cavaleiros de Athena!
― Já acabou? Já posso mandá-los para o outro mundo?
― Se morrermos, morreremos levando você conosco! ― pensou Hyoga.
― Mestre Mú... Eu não tenho mais medo. Darei a minha vida pelo amor e pela justiça. ― pensou Kiki.
― Era isso o que você queria, Ária? Que eu tivesse amigos? Companheiros? Acho que mesmo que eu encare a morte agora, pelo menos isso, eu posso te dizer que eu cumpri. ― pensou Éden.
Hórus bateu suas asas divinas e o fogo tomou tudo. Ele riu, mas foi atraído por um brilho dourado no meio das chamas. Ele encarou as três esferas que se formavam entre as mãos dos cavaleiros e ficou assombrado por perceber que a energia delas, se assemelhavam ao brilho do próprio sol.

― Eles conseguiram resistir ao meu modo divino? Que técnica demoníaca é essa?
― Foi uma honra lutar ao lado de vocês, cavaleiros! ― Hyoga chorava, emocionado, acompanhado por Kiki e Éden. ― EXPLODA COSMO!
― EX-CLA-MA-ÇÃO DE ATHENAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!

Hórus gritou ao ver uma massar de puro poder vindo em sua direção. A onda de choque criou um pilar de energia que pode ser visto de todo santuário, atraindo a atenção dos soldados rasos, de Saori Kido e dos cavaleiros remanscentes.
― Hyoga... Kiki... Éden... ― ela balbuciava com seus olhos tremelicantes.
A deusa da guerra e da sabedoria encarou o céu e ajoelhou-se em seu santuário. Suas lágrimas corriam pelo seu rosto, enquanto ela observava o brilho das constelações dos respectivos santos dourados diminuindo consideravelmente o seu brilho.
Fale com o autor