A Saga Crepúsculo por: Emma Anderson
3 Capítulo II - Os Cullen
Notas iniciais
"There is house built out of stone
Wooden floor, walls and window sills
Tables and chairs worn by all of the dust
This is a place where I don't feel alone
This is a place where I feel at home..."
(To Build a Home — The Cinematic Orchestra)
O som suave do piano me fez abrir os olhos. É uma bela música para se acordar. Eu sempre amei pianos e a história que eles contam. Tive aulas com a melhor pianista que já conheci na minha vida.. minha mãe, Mary. Ela simplesmente encantava todos ao seu redor quando tocava e eu amava isso nela mais do que tudo. A paixão pelo instrumento logo tomou conta de mim, mas depois do acidente, nunca mais tive a coragem de tocar outra vez.
Olhei para a pequena janela que não tinha cortina. Estava uma manhã bem nublada, porém sem chuva. Novidade. Apesar de não me importar com isso, não posso negar que esse tempo me faz querer ficar em casa e matar aula. Hoje é o meu primeiro dia na Forks High School. Uma escola de apenas 357 — agora 358 — alunos. Confesso que isso não é muito animador. Mas ainda assim, estou ansiosa para o que me reserva hoje.
Depois de fazer todas as minhas necessidades matinais e me arrumar, desci para tomar o café da manhã com meu pai. Surpreendentemente, a mesa já estava posta, contendo pãezinhos, frutas, leite, suco e meu amável café. Estranho, muito estranho.
— Bom dia filha — disse -, dormiu bem essa noite?
— Sim — a minha cara de interrogação devia estar ótima — posso saber o que está acontecendo? Estou na casa errada? Onde estão os cereais e o cappuccino pronto?
Ele riu da minha cara. Ótimo, agora virei uma palhaça.
— Para de besteira Emma, eu só quero que se alimente bem para o seu primeiro dia de escola. E bom, não temos Starbucks por aqui. Além do mais, tenho novidades. Acho que irá gostar.
Fiz um aceno com a cabeça para ele continuar falando.
— A primeira é que você não vai ser a única aluna nova hoje. Lembra dos Swan? A filha do Charlie, Bella, veio para cá e vai estudar junto com você. É uma ótima oportunidade para retomarem a amizade que vocês tinham. E, a segunda e não menos importante, é que seu carro vai chegar amanhã à tarde.
É incrível o quanto a nossa mente consegue bloquear as memórias que nos fazem mal. É claro que eu lembro da Bella. Minha amiga de infância. Ela costumava passar os verões em Forks, mas depois de um tempo, não voltou mais. Bem.. não mantivemos contato, naquela época eu não tinha celular e nem ela. Eu fiquei muito chateada com aquilo, e quando a minha mãe morreu, tudo o que eu precisava era de alguém para me consolar e que me entendesse. Mas Bella não estava aqui. Tinha ido embora, e sem despedidas.
— Emma!
— Desculpa.. me perdi em meus pensamentos. Sim, eu me lembro dos Swan. Fico feliz por saber disso, odeio ser o centro das atenções — pausei para respirar -, já que meu carro só chega amanhã, você vai me levar hoje?
— Então, essa é outra surpresa. Eu tenho horário para chegar no hospital hoje e não vou poder te levar, daí pedi ao Charlie ontem para perguntar se Bella poderia te dar uma carona até a escola. Ela aceitou. Em poucos minutos deve chegar aqui. É isso filha, preciso ir, beijos e boa sorte hoje!
— Mas .. — tentei contestar.. tarde demais. Argh! Só o meu pai mesmo para forçar essas situações. Chegar mais cedo no hospital? Que desculpa mais esfarrapada! Não me levem a mal, não é que eu queira evitar a Bella ou algo do tipo, mas é que ainda não superei o que aconteceu e esperava reencontrar ela casualmente, e não assim.
Bebi uma caneca cheia de café para espantar quaisquer resquício de sono. Adoro me sentir ativa e alerta com tudo ao meu redor. Ao terminar, guardei o que não havíamos consumido e subi para escovar os dentes. Do quarto, ouvi a buzina do que parecia ser um carro bem antigo. Bella.
Peguei a bolsa e desci. Quando abri a porta de saí, deparei-me com uma picape alaranjada, bem desbotada e velha parada na calçada. Se meu pai não tivesse me dito que ela iria me dar uma carona, não reconheceria a pessoa que estava no volante. A não ser pela palidez, Bella sempre foi branca de mais. Não que eu possa falar muito, também não sou o exemplo de miss verão. Mas o que posso dizer, moro em Seattle. Morava.
— Em — disse Bella assim que entrei na picape, chamando-me pelo apelido que só ela me chamava -, quanto tempo!
Pude perceber que ela estava um pouco desconfortável com a situação, mas ao mesmo tempo parecia estar feliz ao me ver. Bem.. acho que estou na mesma.
— Oi Bella. Sim, muito tempo. — respondi a avaliando -, você mudou bastante. Não tem mais o cabelão que tinha e nem o rosto meio arredondado, mas ainda continua branquela.
— Acho que o tempo me fez bem, apesar de não ser um exemplo de beleza comparando-se a outras garotas da nossa idade. Você por exemplo, está mais linda do que antes — pausa dramática -, mas ainda continua branquela.
Rimos. Como senti saudades desses momentos. Nossas risadas juntas. Mal me lembrava de como costumava ser até a reencontrar. Nunca procurei relembrar.
— Ah para, você é linda, e não quero mais escutar o contrário.
Ela me retribuiu com um sorriso tímido e ligou a picape, dando a volta e nos levando rumo a escola. Não demoramos para chegar, apesar do laranjão ser bem lento e barulhento. Em alguns minutos pude avistar o colégio, que mais parecia um sítio com vários alojamentos. Era um conjunto de casas iguais, construídas com tijolos marrons. Havia tantas árvores e arbustos que no início não consegui calcular seu tamanho. Olhei para Bella e parecia estar se perguntando o mesmo que eu: onde estava o espírito da instituição? Cadê as cercas de tela, os detetores de metal?
Estacionamos na frente do primeiro prédio, que tinha uma plaquinha na porta dizendo: secretaria. Achei estranho não ter mais carros ali, mas não questionei. Provavelmente tínhamos chego cedo demais. Ou o resto dos alunos foram sequestrados pelo pé grande. Mas que merda! Ri internamente. Eu sou muito besta mesmo!
Saímos do carro e entramos na secretaria. Até que por dentro é bem iluminado e quentinho. Olhei ao redor e vi uma moça ruiva atrás de um galpão.
Fomos lá e logo ela abriu um sorriso perguntando se éramos Emma Anderson e Isabella Swan. O que não me surpreendeu, Forks é tão pequena que ela deve conhecer cada rosto que estuda aqui. Além do mais, as fofocas correm rápido.
— Isso mesmo — respondi educadamente -, será que poderia nos dar os nossos horários?
— Mas é claro, aqui estão. Ah! E há também um mapa da escola e cadernetas que vocês devem entregar aos professores para carimbá-las.
— Obrigada — Bella agradeceu por nós duas e aproveitou para perguntar -, podemos estacionar aqui? É porque foi o primeiro lugar que eu vi e não sei onde fica o estacionamento.
A ruiva de óculos explicou onde era o estacionamento e saímos da secretaria depois de agradecer novamente. Entramos no carro e fomos conversando banalidades até chegar lá. Logo, vi que tinham alguns veículos estacionados e outros chegando. Por incrível que pareça, a picape não divergiu muito com o restante, a não ser por um em especial, um Volvo reluzente.
Espantei esses pensamentos fúteis e procurei pegar o mapa para tentar memorizá-lo. Bella fez o mesmo.
— Confesso que estou com um pouco de medo.
— Eu estou morrendo — respondeu -, mas ao menos estamos juntas.
Sorrimos uma para a outra e saímos da picape.
Bella na tentativa inútil de não chamar a atenção, escondeu a cara no capuz de seu casaco preto e simples, mas acho que ela deve ter esquecido de que aqui todo mundo se conhece. Nós somos as intrusas.
Depois de chegar ao refeitório, foi fácil de acharmos o prédio 3. Rumamos para lá. Nossos horários estavam semelhantes, exceto por algumas aulas.
A sala de aula era pequena. As pessoas foram entrando e pendurando seus casacos, mas eu preferi continuar com o meu, diferente de Bella que seguiu elas e repetiu o gesto. Fui falar com o professor, ri internamente quando ele se apresentou. "Sr. Mason". Um xará do meu pai. Entreguei a caderneta para ele, que me deu boas-vindas e uma bibliografia, mandando-me sentar no fundo da sala. Bella sentou ao meu lado.
— Você já leu todos? — perguntei ao ver que ela parecia bem entediada ao ler a bibliografia.
— Sim. Por um lado é reconfortante, mas por outro, me sinto entediada. E você?
— Quase. Ainda não li Chaucer.
Continuamos conversando baixo para o professor não perceber e quando me dei conta, o sinal bateu, fazendo a gente levar uma baita susto. Odeio quando isso acontece. Argh.
Um garoto magricela, de cabelo preto e óculos se inclinou para falar conosco.
— Vocês são Isabella Swan e Emma Anderson, não são? — Ele parecia o presidente do clube de xadrez. Não duvido nada.
— Bella — minha amiga corrgiu. Todo mundo num raio de três carteiras se viraram para nos olhar.
— Quais são as próximas aulas de vocês? — perguntou ele.
Bella respondeu que teria aula com um tal de Jefferson. Não prestei muita atenção, estava ocupada encarando os olhares que nos lançavam os outros alunos. Eric, o garoto magrelo, disse que ajudaria Bella a encontrar o prédio e me perguntou se eu queria ajuda também. Respondi que não, encontraria a aula de trigonometria sozinha. Não queria atrapalhar ninguém.
Quando cheguei na sala, o professor — Sr. Varner -, me fez se apresentar na frente de todo mundo.
— Ée.. Meu nome é Emma Anderson, tenho dezessete anos e vim de Seattle. — jura que eu tinha que gaguejar? Droga.
O resto da manhã se passou do mesmo jeito. Consegui reconhecer alguns rostos depois de umas duas aulas e uma menina, na aula de trigonometria, se sentou ao meu lado e me ofereceu para a acompanhar no refeitório. Jéssica o nome da garota. Apesar de ser um pouco fútil, parecia ser uma menina legal. Ficou encantada pelos meus olhos.
Fomos para o refeitório. Chegando lá, sentamos em uma mesa com mais algumas pessoas. Dentre elas, estava Bella e Eric, que acenou para mim. Sentei ao lado dela e perguntei se ainda estava viva. Ela respondeu que sim e rimos. Jessica nos apresentou o pessoal que estava na mesa, mas não prestei muita atenção.
Foi quando os vi pela primeira vez. Estavam os cinco sentados em uma mesa isolada das outras, como se fossem da realeza. Um mais lindo que o outro, acho que nunca vi tanta beleza junta. Os que mais me chamaram a atenção foram o grandalhão que parecia um lutador de MMA, e a loira que com certeza se não era, poderia ser uma modelo. O de cabelos claros e cor de mel, parecia estar sentindo dor. Ao lado dele, estava uma garota que parecia um personagem de conto de fadas. Baixinha, magrela e de feições típicas de uma boneca de porcelana daquelas bem cara. E por último, um garoto que parecia ser o mais novo, de cabelo cor de bronze. Vi que ele olhava para Bella quando a mesma perguntou:
— Quem são eles?
— São Edward, Emmett e Alice Cullen. Os outros dois são Rosalie e Jasper Hale. Todos moram com o Dr. Cullen e sua esposa Esme. — respondeu Jéssica, sem disfarçar a olhada para a mesa de lá.
— Eles são... muito bonitos. — disse Bella.
— É — concordou Jéssica com uma risada. — Mas todos estão juntos... Emmett e Rosalie, e Jasper e Alice, quero dizer. E eles moram juntos. — Sua voz trazia toda a condenação e choque da cidade pequena.
— Como assim? — perguntei, estranhando o sobrenome Cullen.. Acho que já tinha escutado em algum lugar. — Eles não parecem parentes.
— E não são. O Dr. Cullen é bem novo, deve ter no máximo trinta e poucos anos. Todos foram adotados. Os Hale são mesmo irmãos, gêmeos... os louros... e são filhos adotivos. Estão com a Sra. Cullen desde que tinham 8 anos. Ela é tia deles ou algo do tipo. Ao que parece, ela não pode ter filhos.
Não gostei do tom de Jéssica ao falar sobre isso. Fiquei decepcionada com a tamanha falta de respeito e de consideração pela Sra. Cullen. Além disso, não havia nada demais em adotar.
— Eu acho que é uma atitude muito nobre. É bem legal... Eles cuidarem deles e tudo mais. Queria que existissem mais pessoas assim. — ao dizer isso, posso estar meio paranoica, mas senti como se estivesse sendo observada.
Depois dessa minha resposta, o clima ficou meio tenso, então procurei ficar calada. Bella ainda perguntou sobre o garoto de cabelo ruivo. Jéssica respondeu que ele era o tal Edward, e que era lindo, mas pra não se iludir pois ele não namora e acha que nenhuma garota do colégio é boa o suficiente para ele. Mas acho que posso compreender, afinal, até agora não conheci nenhuma menina aqui que seja legal e verdadeira, além de Ângela.. mas ela é muito calada e pude perceber as suas olhadas para o magrelo, Eric. Pensei que Jessica fosse diferente, mas acho que me enganei depois de escutar todas as suas acusações.
Olhei para o garoto ruivo e vi que ele e Bella estavam a trocar olhares. Bom... talvez agora tenha uma que valha a pena. Eu até me candidataria, mas Edward por mais lindo que seja não faz o meu tipo, e minha amiga parece ter gostado dele. Enfim... depois eu falo com ela.
O pessoal foi saindo da mesa e percebi que o horário de intervalo tinha acabado. Minha próxima aula era de inglês e depois teria Educação Física. Nessa, Bella estaria comigo.
A aula de inglês acabou e fui rumo a próxima aula. Ao chegar, avistei Bella conversando com um garoto atlético, que parecia ter saído daqueles filmes americanos. Ela me viu e me chamou com a mão.
— Emma, esse é o Mike — pausa -, Mike, essa é a Emma, minha amiga.
— Uau, e eu achando que não poderia existir alguém mais bonita que Rosalie Cullen. — disse me encarando como se eu fosse uma miragem. — Seus olhos são lindos! Você tem aquela coisa... eu esqueci o nome!
— Heterocromia. E obrigada, mas não sou isso tudo. Bella, vamos pro vestiários nos trocar. Até, Mike.
Fomos pro vestiário e percebi que ela estava um pouco abatida, com uma olhar triste e confuso.
— Ei, o que houve com você? — perguntei preocupada.
— Aquele garoto... Edward. Acho que me odeia, não sei. — explicou confusa, parecia prestes a chorar. — Tive aula de Biologia II com ele e mal me olhou, e quando o fez, transmitia raiva no olhar. Além disso, passou a aula toda sem falar nada comigo e parecia não querer respirar. Achei que estivesse cheirando mal, mas não.
— Que tremendo babaca! Não liga pra ele. Deve ser só mais um desses que se acham o fodão e esnobam todo mundo. — disse, tentando a acalmar. — Relaxa, você cheira muito bem e é nova aqui, não tem motivos para ninguém te odiar, além disso, mesmo que se fosse alguma antiga, ainda não haveria pois é uma pessoa muito doce. Sério mesmo.
— Obrigada Emma — agradeceu com os olhos marejados. — Senti sua falta. Como sempre me protegendo.
A aula passou rápida até. Fiquei tão preocupada com Bella que não conseguia pensar em mais nada além de formas para matar Edward Cullen lentamente. Meio sanguinário, eu sei, mas não posso evitar. Argh!
Depois desse episódio, saímos da quadra e fomos para a secretaria entregar nossas cadernetas. Infelizmente, quando chegamos lá, o tal Cullen estava discutindo com a secretária ruiva que me atendeu de manhã. Falou alguma coisa sobre trocar o horário de Biologia. Senti Bella estremecer ao meu lado. A ruiva lhe respondeu que não tinha como.
De repente, a porta se abriu com uma menina entrando que tinha apenas ido para entregar um bilhete. Nisso, Edward percebeu que não estava sozinho e olhou em nossa direção, mais precisamente para Bella. E pude perceber seu olhar... não sei porque, mas não me parecia ódio, e sim dor. Parecia estar se auto controlando. Mas para o quê?
— Então deixa para lá — disse asperamente numa voz de veludo. — Estou vendo que é impossível. Muito obrigado por sua ajuda. — Virou-se, desaparecendo porta afora. Mas, antes, captei seu olhar para mim de compreensão. Devo estar ficando maluca.
Após entregar ambas as cadernetas, fomos embora, rumo a picape de Bella.
— Ei, esquece o que aconteceu. Tenho certeza de que ele pode ter tido algum problema. Ele não te odeia. Não poderia.
Ela balançou a cabeça em sinal de positivo, no entanto, não falou mais nada. Não questionei, sabia que o dia não tinha sido fácil para ela. Mas ao menos, ficamos amigas de novo. Era bom saber que tinha alguém para compartilhar minha vida nova em Forks. Não que eu tenha esquecido de Hanna, jamais. Porém, Bella mora aqui. Então tudo se torna mais fácil.
Ao chegarmos em minha casa, nos despedimos, eu entrei... papai ainda não havia chegado do trabalho e eu estava muito cansada. Sem nada pra fazer, resolvi ir dormir. Apaguei num instante.
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