A Saga Crepúsculo por: Emma Anderson

2 Capítulo I - Bem-vinda a Forks


Notas iniciais
Mais um capítulo. Aproveitem.

Hanna me levou ao aeroporto em seu carro. Nenhuma palavra foi dita durante o trajeto. Eu sabia que ela estava triste por minha partida, eu também estava, por ela. No entanto, não podia deixar de fazer o que meu coração estava pedindo.

Na península Olympic, do noroeste do estado de Washington, há uma cidadezinha chamada Forks, quase constantemente debaixo de uma cobertura de nuvens. Chove mais nessa pequena cidade do que em qualquer outro lugar dos Estados Unidos. Não que eu ligue para isso, já estou acostumada, afinal Seattle não é lá o lugar que faz sol todos os dias. E nem calor, pelo o contrário. Mas eu gosto do frio. Isso me faz lembrar todas as tardes após a escola quando Hanna e eu nos encontrávamos na nossa cafeteria favorita para tomar chocolate quente e falar banalidades.

Eu amava Forks. Adorava a chuva. O frio. As árvores. Tantas lembranças.

— Emma — disse Hanna, pela quinta vez e com os olhos cheios d'água, antes de eu entrar no avião -, vou sentir sua falta. Não vai ter mais graça tomar chocolate quente sem você e muito menos ir pra escola e ter que aguentar o Brad como sombra querendo saber notícias suas. Sério, por que não deu seu número novo pra ele?

Ri pelo nariz. Nem triste minha amiga perde o senso de humor. Hanna e eu somos muito diferentes. Enquanto ela tem lindos cabelos loiros, o meu é de um tom avermelhado, mas às vezes parece um castanho bem claro. Seus olhos são azuis. Já eu, herdei a heterocromia de meu bisavó. É o que mais amo em mim, meus olhos. Um esverdeado, e o outro azul. Não é tão perceptível como a de alguns, mas sempre espanta quem a percebe. Adoro quando as pessoas ficam fascinadas com isso. Eu por exemplo nunca me canso de olhar no espelho. Modesta? Jamais.

— Eu também vou sentir muito a sua falta amiga, mas você sabe, preciso fazer isso — respirei, era difícil pra mim se despedir -, você me entende, né? Mas sempre, sempre que precisar de mim, sabe onde me encontrar. Não exite em ligar, ou aparecer de surpresa ou qualquer coisa. Eu te amo.

Aquilo estava sendo mais difícil que imaginei. Não consegui conter as lágrimas. Sou sensível demais para isso. Uma manteiga derretida.

— É claro que entendo. Me perdoe por tentar fazer você desistir. Foi egoísta da minha parte — disse -, é que por um momento deixei me levar pelo fato de que não terei mais minha melhor amiga todos os dias comigo. Esqueça isso. Vá para Forks, lá é o seu lugar, sua casa de infância, é onde estão as memórias da sua mãe. As suas memórias.

— Obrigada, por tudo.

— Diga ao tio Mason que mandei lembranças — disse -, e não esqueça de me ligar quando chegar em casa. Te amo.

— Claro. Não vou — insisti. — Te amo amiga. E vê se pega leve com o Brad. Ele não é tão mau assim.

Rimos. Ela me abraçou com força e depois entrei no avião, e Hanna se foi.

Por um momento a tristeza quis tomar conta de mim, mas logo tratei de expantar esses sentimentos. Logo eu iria voltar a minha cidade natal, de onde nunca deveria ter saído. Iria voltar a me sentir perto da minha mãe outra vez.

De Seattle a Port Angeles é apenas uma hora de voo, depois uma hora de carro até Forks. Meu pai estava me esperando no aeroporto assim que sai do avião e fui pra área de desembarque. Ele tinha ido para Forks cinco dias antes de mim para resolver minha transferência de escola, a dele pro hospital que trabalhava quando morávamos lá e pelas minhas suspeitas, comprovadas pelo seu semblante cansado e triste, é certo que tenha ido antes pra não me deixar perceber o quão angustiado estava ao voltar depois de cinco anos. Exatos cinco anos em que Mary, minha mãe, havia nos deixado naquele terrível acidente de carro.

Papai me deu um abraço apertado e foi logo pegando uma de minhas malas.

— Como foi o voo filha?

— Foi tranquilo. Até consegui dar uma cochilada — respondi -, e você? Não me parece nada bem. Suas olheiras não me enganam.

— Filha — suspirou -, é difícil pra mim. Muito. Mas estou fazendo isso por você, por nós dois. Com o tempo vai melhorar. Sempre melhora. Vamos..Amanhã você terá o seu primeiro dia de aula e não quero que durma sem jantar, nem que se canse mais.

Fomos até o carro, guardamos as malas e partimos. Não conversamos mais, apenas algumas palavras trocadas. Ficamos olhando pela janela, ele dirigindo, perdido em seus pensamentos. E eu, observando a paisagem, perdida em minhas lembranças. Ambos em silêncio. Logo pude avistar a plaquinha que dizia: Bem-vindo a Forks.

Era lindo, é claro; do jeitinho que me lembrava. Tudo era verde: as árvores, os troncos cobertos de musgo, os galhos que pendiam das copas, a terra coberta de samambaias. Até o ar filtrava o verde das folhas. Fechei os olhos em deleite sentindo o vento bater em meu rosto, sentindo o cheiro de chuva misturada com terra. Ar puro.

Por fim chegamos em casa. Casa. Exatamente igual a antes: a varanda com uma escadinha, as paredes brancas, o telhado marrom e o balancinho na árvore em que eu costumava brincar. Quando me dei conta já estava com o rosto todo molhado, sentindo o gosto salgado de minhas lágrimas entrando em contato com minha língua.

Papai não deu uma palavra sobre isso, e o agradeci internamente lançando-lhe um olhar intenso e cheio de palavras não ditas, mas que eram compreendidas. Ele compartilhava do mesmo sentimento que eu: a saudade.

Adentrei a casa e varri o olhar em tudo, cada canto. Parecia novinha em folha, certamente uma pessoa deveria fazer uma faxina e deixar tudo nos conformes a mando de meu pai. Subi com a mala de mão sendo seguida por ele que carregava as outras duas. Meu quarto ficava no segundo andar, a segunda porta a direita. Fechei os olhos durante um momento, e girei a maçaneta, vendo meu antigo refúgio. As paredes azuis, a cama de casal tão querida por mim. Lembro como se fosse hoje quando finalmente a ganhei, após umas duas semanas perturbando os meus pais por ela. Eu era uma criança mimada, confesso.

— Não tive tempo de mudar o quarto Emma, e achei melhor que você decidisse primeiro o que iria fazer. Mas comprei uma escrivania nova e uma estante, deve chegar amanhã. Assim você pode botar seu notebook, materiais de estudo e bom, suas coisas.

— Tudo bem pai — o tranquilizei -, não quero mudar muita coisa e obrigada! Uma escrivania e uma estante está perfeito. Só de estar aqui, já me faz muito feliz. Me sinto perto dela de novo. Sinto tantas saudades.

— Ah filha...Meu amor, eu também sinto. Não tem um dia que eu não sinta a falta da sua mãe, da minha esposa. — papai me envolveu em seu abraço -, mas isso não quer dizer que ela não esteja aqui. Sua mãe sempre estará conosco. Agora descanse, vou preparar o jantar, você deve estar com fome.

Dormi muito bem naquela noite, mesmo depois de chorar. Quase me esqueci de ligar para Hanna, essa, quase me matou via satélite. Conversamos. Rimos. Choramos juntas. E enfim, parecia que tudo finalmente iria se encaixar. Eu estava em casa. Me sentia feliz. Amanhã seria mais um novo dia, vida nova.

Notas finais
Eaí? Gostaram? Deixem seus comentários. Ninguém gosta de fantasmas! Vou chamar os Winchesters para resolver isso! hahaha Xoxo, Florence.