A Sétima Torre

1 O verão de Augusto


Notas iniciais
Oi pessoas lindas!
Espero que vocês gostem da história!
Sugestões são bem vindas!
Boa leitura!

O dia na Sétima Torre brilhava, imagine você e seus melhores amigos deitados na grama verde, o sol radiante no céu, as garotinhas do Ensino Infantil andando de bicicleta, as garotas de vestido com o cabelo solto sentadas no banco da Praça Principal, e vocês aproveitando o gosto de chiclete de maçã. Era assim, o primeiro dia de verão na vida de Augusto e de seus amigos.

-Garotos, esse verão vai ser o verão de Augusto! — Augusto sentou – se na grama, seu rosto brilhava ao sol, ele era invejado pelos outros garotos do Colégio Particular Sétima Torre, seus olhos azuis e seu cabelo loiro que pendia para o lado direito, o fazia dele o garoto mais desejável da Sétima Torre. – Vai ser o melhor das nossas vidas. – Ele sorriu um sorriso puro, inocente, ele queria fazer daqueles três meses de verão o melhor e inesquecíveis dias da vida dele.

As menos se ele tivesse a oportunidade.

-Não Augusto, esse vai ser o seu verão e não o nosso. – Charlie também sentou – se na grama e olhou na direção oposta de Augusto. Desde que o conheceu, no quarto ano do Ensino Infantil, Charlie e Augusto nunca brigaram, porém ultimamente isso tinha virado rotina, os dois faziam confusão para tudo, por qualquer coisa. – Você disse que seria o verão do Augusto, não o “Verão dos melhores amigos”. – Charlie olhou com desprezo para ele, ultimamente a amizade de Augusto era tão insuportável quanto à aula de Francês III que tivera.

-Para de ser tão dramático Charlie, isso é coisa de criança. – Augusto revirou os olhos para a direção de Charlie, e logo depois fechou sua expressão, parecia que a amizade dos dois estava realmente por um fio. Charlie somente respirou fundo e olhou para alguns esquilos subindo a arvore ao lado de sua casa, certamente ele conhecia todas as cartas que Augusto usava, mas as que ele conhecia não eram nem a metade. – Nick? – Augusto chamou a atenção do garoto de estatura baixa, branco como a neve, sua aparência era tão indefesa e sensível que ninguém resistia à doçura de Nicholas. – NICK!

-Aconteceu alguma coisa? – Nick era um dos garotos mais belos da Sétima Torre, a única diferença era a mente do garoto tão complicada, filho de artistas renomeados e conhecidos em todas as Torres, Nick também tinha os dois pés, ou melhor, o corpo todo afundado na Arte, o menino era apaixonado por literatura, em três anos leu todos os livros da biblioteca do Colégio, porém, como todo artista, Nicholas era o garoto mais sentimental do seu grupo de amigos, mas ao mesmo tempo não conseguia expressar direito o que ele sentia.

-Sim! Largue esses livros! Isso atrapalha a nossa reputação nessa Torre. – Augusto olhou profundamente para o livro que Nick estava lendo e depois fez uma careta de reprovação para ele, Nick segurou o choro, no começo de sua amizade com Augusto, tudo estava normal. Mas logo que eles passaram do Ensino Infantil para o Ensino II, Augusto queria controlar tudo, as roupas, a comida, até o formato do corpo ele queria mudar, e Nick foi o que mais sofreu com essas consequências, ele não vestia o que ele realmente era, parecia mais um tipo de jovem que diz: “Eu tenho dinheiro e o mundo aos meus pés”, do que ele próprio, um artista. Augusto retirou o gorro vermelho que Nick estava usando, o cabelo castanho claro deu suas formas, deixando Nicholas mais belo. – Quantas vezes eu vou ter que falar que você precisa parar de usar esses gorros? Fica parecendo um gnomo. – Augusto deu uma risada, mas de humilhação.

-Augusto, chega! Me deixe em paz! Não sou seu boneco! Quantas vezes eu vou ter que te falar isso? – Mesmo Nick sendo fraco emocionalmente, ele era o único que não tinha medo de enfrentar Augusto. – Me perdoa Augusto, mas eu não sou como você.

-Certo Nick, você está certo. – Augusto levantou a cabeça, a ergueu como se fosse alguém superior, talvez um governador. – Não existe ninguém como eu. – Nick e Charlie olharam para Augusto e reviraram os olhos. Até que o celular de Ian tocou.

-Meninos, eu preciso ir embora. – Ian era um ano mais velho que os outros, forte, considerado o menino perfeito e típico da Sétima Torre, seu cabelo ruivo caia sobre o rosto, parecia ter saído de um catalogo de modelos, ele estava iniciando sua vida no Exercito da Sétima Torre, a família inteira havia sido parte, e desde criança Ian já sonhava em ser piloto de avião do Exercito, hoje seria sua ultima aula e logo depois passaria para o Estagio II, faltando somente um para ele fazer parte do melhor exercito de todas as torres.

-Mas já? – Charlie olhou para Ian. – O sol está tão gostoso, fica mais um pouco.

-Não posso. Hoje é minha última aula. – Ele pegou sua bolsa carteiro e saiu andando. – Até mais garotos.

-Hey Ian! – Gritou Augusto.

-Pode falar. – Ian olhou para trás e percebeu um sorriso em Augusto, Ian era o único menino que não tinha motivos para brigar ou odiar Augusto, a amizade dos dois era a mais antiga e profunda do que os outros meninos, então, sempre que pudesse defende – lo, ele fazia, mas ultimamente teve realmente admitir que Augusto estava passando das linhas.

-Hoje nós vamos para a cabana, certo meninos?

-Por mim... Tudo bem! – Gritou Ian. – Nos vemos lá à noite. – Ian saiu andando até que os garotos não pudessem ver ele, somente as árvores da Praça Principal.

-Posso dar um jeito Augusto. Meus pais tem uma exposição hoje e eu vou estar com eles, mas depois eu vou direto para a cabana. – Nick começou a retirar algumas folhas que estava na grama. A natureza na Sétima Torre era divina, sem nenhum defeito, o lugar era cheio de bosques, parques, cachoeiras, florestas, era uma Torre perfeita.

Talvez perfeita.

-Charlie? – Augusto olhou para ele, mesmo com suas diferenças e tensões, Augusto odiava ver Charlie longe, era como se fosse proteção para Augusto, ele se sentia bem com Charlie por perto.

-Sim, pode contar comigo. – Charlie riu, Augusto o abraçou mesmo a amizade estando a beira de um penhasco, Augusto realmente precisava de Charlie.

-Obrigado Char. – Augusto pegou na mão dos dois garotos que haviam ficado. – Essa noite vai ser inesquecível. – Eles se entreolharam e começaram a sorrir, era bom se sentir assim, mesmo com todas as brigas e confusões, eles estavam ligados e nada podia cortar isso.

E sobre a noite ser inesquecível, iria ser mesmo.

Inesquecível para toda a Sétima Torre.

A cabana ficava na floresta que era a fronteira entre a Sétima e a Oitava Torre, ninguém sabia da existência daquele lugar, foi feita por Ian e Charlie porque Augusto realmente pensava que eles precisavam de um lugar só para eles.

Já era o mais tardar da noite, certamente as vinte e três, Charlie, Ian e Nicholas já estavam na cabana, o lugar era cheio de almofadas e cobertas, a iluminação era fosca, na parede havia fotos e frases como: “NICK E A GAROTA QUE NÃO DEPILA AS PERNAS” em cima da foto que era Nick e Bethany se beijando, Bethany era uma das garotas mais belas e populares do colégio, mas havia boatos que ela não depilava suas pernas e que os pelos eram grossos e enormes.

Os três meninos estavam bebendo cerveja, mesmo que a regra fosse para maiores de 21 anos, Augusto sempre conseguia comprar bebidas alcoólicas, nada era impossível para o garoto.

Afinal, ele era o único filho do governador da Sétima Torre.

Bebendo, eles começaram a falar sobre as garotas do colégio, sobre Lindsay e suas lindas pernas, ou como Camila, seu corpo ficava lindamente delicioso no vestido Chanel prata que ela usara no baile de primavera, ou quanto linda era realmente Amanda, líder de torcida, a garota mais popular e sexy do colégio, que deixava qualquer garoto e até garotas excitadas de tanta beleza. Não demorou muito, e depois de algumas latas de cerveja, os garotos já estavam dançando ao som de uma música eletrônica.

-Onde está Augusto? Ele está demorando demais! – gritou Charlie.

-Aqui está tão divertido, ele está perdendo tudo isso. – Nick riu e começou a movimentar seu corpo, numa dança quase obscena.

-Estou preocupado, ele nunca chega atrasado. – Ian parou de dançar, Augusto nunca fora de atrasar, ele mesmo dissera que era desprezo e por ele até pecado chegar atrasado a qualquer lugar.

-Tomara que ele esteja bem. – Nicholas andou e tocou no ombro de Ian.

-Isso, que ele esteja... – Charlie foi perto dos garotos tropeçando no ar, se apoiou em Nick, o menino sentiu seu hálito e quase caiu para trás com ânsia de vomito.

-Charlie, quantas cervejas você já tomou? – Nick sentou Charlie no sofá.

-Umas cinco.

-Mas você está me mostrando sete dedos. – Nick começou a rir, até que um barulho começou a estrondar na porta. Nick olhou para Ian, e os dois começaram a se aproximar da entrada, era o som de alguém batendo na porta, e cada vez mais que eles chegavam perto, o barulho ia ficando cada vez mais grave.

-Augusto? – Gritou Ian.

O barulho na porta havia parado, Ian olhou para Charlie que estava dormindo por estar embriagado.

-Augusto, é você?! – Nicholas andou para perto da porta. – É você Augusto?

-Para de perguntar! – Sussurrou Ian. – Pode ser outra pessoa, assassino, alguém fugindo de alguma Torre, sei lá. – Ian correu para desligar o aparelho de som, e apagou as luzes. – Fique em silencio.

Nicholas cobriu a boca com a mão, não queria nem ouvir sua respiração, o medo tomava conta do seu corpo, ninguém sabia o local da cabana, se fosse Augusto, ele teria aberto. O pior passava pela mente dele, e se Augusto estivesse com a pessoa do lado de fora? E se essa pessoa fosse um assassino? Um psicopata?

Nicholas queria evitar, mas o pior passava pela sua mente.

E se Augusto estivesse... Morto?

Um chute foi dado na porta e fez Nicholas e Ian dar um pulo, o medo tomou conta inteiramente de Nick, suas mãos suavam, as pernas tremiam e lágrimas já escorriam de seu rosto pálido. “Fique calmo, vai dar tudo certo”, Nick dizia para si mesmo.

Ian somente pensava em Augusto, se ele estava em casa deitado, ou colocando uma roupa para ir à cabana. Ele ouviu a respiração forte de Nicholas, concluiu que ele estava chorando, e Charlie estava num sono profundo, então Ian era o líder agora e tinha que fazer algo.

Os chutes na porta ficaram intensos, Ian e Nicholas começaram a andar para trás, e os chutes pararam.

-Charlie, eu sei que você está aí! – A pessoa que estava do lado de fora, deu um chute na porta, a voz era grossa, era um homem. – Charlie, por favor... – Outro chute na porta foi dado.

-Quem é? – Sussurrou Ian para Nicholas

-Charlie... Tem algo acontecendo aqui fora, por favor, é assustador. – Ian começou a andar para perto da porta, Nick estava paralisado pelo medo. – Char, por favor. – Ian respirou fundo, contou até três e abriu a porta. Ele não acreditou quem era a pessoa, tudo ficou esquisito e assombrado, o clima ficou tenso e pesado quando Ian olhou nos olhos do homem.

-Peter?

-Ian? – Peter era o irmão mais velho de Charlie, os garotos não gostavam muito de Peter, Augusto havia dito que ele o havia chamado de “mentiroso, enganador e ladrão de namoradas” e que Peter o havia ameaçado de morte. Mas naquele inicio de madrugada, Ian conseguia ver o medo no rosto de Peter, ele estava assustado. O frio tomava conta do lado de fora da cabana, e Peter somente estava com uma regata branca. – Posso falar com o Charlie?

-Ele está dormindo. – Ian estava bloqueando a visão de dentro da cabana, Peter começou a passar as mãos nos seus braços, e começou a chorar.

-Posso entrar Ian? – Peter sussurrou, Ian franziu a testa, Peter nunca pareceu tão assustado e frágil, o coração de Ian amoleceu, ele olhou para dentro da cabana e acendeu a luz. – Entre. – Ian deu passagem para Peter entrar, ele deu um sorriso fraco e somente entrou.

-O que ele está fazendo aqui? – Nicholas estava sentado na cama improvisada perto da janela e vermelho de tanto medo que agora revoltado por ter Peter dentro da cabana. – Ian, o que ele está fazendo aqui?

-Calma Nick, eu não vim para machucar ninguém. — As mãos de Peter tremiam, seus olhos percorriam o local todo da cabana, até que parou eles em Charlie que estava deitado no sofá. – O que vocês fizeram com ele?

-Ele só exagerou na bebida. – Nick voltou a encarar seus pés fingindo que a presença de Peter não existia.

-Bebida? Vocês são menores de idade! Se seus pais souberem disso...

-Nossos pais Peter? Isso é o que importa agora? Pelo visto aconteceu algo mais grave, o que aconteceu com você Peter? Por que você está tão assustado? – Ian chegou perto de Peter, e começou a andar em volta do garoto como se fosse um interrogatório.

-Eu não posso dizer, não ainda. – Peter passou a mão no seu cabelo castanho – claro, colocando os fios para trás.

-Como assim não pode dizer? – Nick se levantou. – Como você descobriu a cabana? Por que você está tão assustado? Fala! – Nick deixou o nervosismo tomar conta dele, o medo e a ira estavam ligados no cérebro dele.

-Para de gritar! O Charlie está dormindo, não quero colocar ele em risco. – Peter olhou novamente para o irmão que estava no sono profundo. – A única coisa que posso falar, é que algo terrível está acontecendo agora, a nossa Torre está em jogo e vocês deviam se proteger.

-Se proteger do que? – Augusto estava parado na porta, um trovão caiu do céu avisando que ia chover. – O que você está fazendo aqui Peter? – Augusto olhou furiosamente para Peter e fechou a porta. – Ninguém sabe da existência dessa cabana, como você chegou aqui? – Ele levantou a cabeça e encarou intensamente Peter.

-Não sei Augusto, não sei de nada. – Peter abaixou a cabeça, como se tivesse rendido às perguntas de Augusto.

-Certo. Desculpa-me a demora garotos. – Augusto continuou a encarar Peter. – Aconteceram algumas coisas em casa, tive que ficar lá por bom tempo.

-Que seja. – Ian olhou confusamente para Peter e Augusto. — Eu vou dormir, estou cansado. – Ian deitou em cima de algumas almofadas, e virou para o lado da parede, tentando compreender o que havia acontecido naquela madrugada.

-Eu também vou. Estou com dor de cabeça. – Nicholas voltou a deitar na sua cama improvisada ao lado da janela. – Boa noite garotos.

-Você deveria ficar também Peter, está chovendo lá fora. – Augusto deitou ao lado de Ian e Peter ao lado do irmão.

Depois de minutos todos os garotos estavam em sono profundo.

Um trovão barulhento caiu do céu e a chuva estava forte. O frio dominava dentro da cabana porque a porta estava aberta. Charlie acordou e foi fechar a porta. Outro trovão forte caiu, acordando Ian e Nicholas.

Ian observou o local, e levantou rapidamente da cama.

-Charlie, você viu o Augusto?

-Não, ele veio? – Charlie estava encostado na porta observando a chuva cair.

-Veio, você dormiu, caiu num sono pesado. – Ian olhou em todos os lugares da cabana.

-Onde está Peter? – Nick sussurrou para Ian. – E Augusto?

-Não sei. – Ian olhou assustado para Nick e logo depois foram para perto de Charlie que ainda estava na porta.

A verdade era essa:

Augusto e Peter estavam fora da cabana, e ninguém sabia onde eles estavam.