Notas iniciais
Espero que vocês realmente gostem da história! Quero saber o que vocês estão achando! Boa leitura!

–Depois de quatro dias de investigação, nada ainda se sabe sobre o caso de Augusto Torres. Não foi encontrada nenhuma pista e nenhuma informação sobre o desaparecimento do único filho e herdeiro do governador da Sétima Torre, Richard Torres, a família do governador está angustiada, se você souber alguma informação que ajude no caso, ligue para a polícia urgentemente, qualquer informação é bem vinda. – Charlie desligou a televisão, fazia quase uma semana que Augusto havia desaparecido e os jornais, noticiários só falavam do caso. Nicholas que estava ao seu lado pegou um copo d’água.

–Isso cada vez mais fica assustador! Nada aconteceu até agora. – Nick ainda revirava as memorias da noite da cabana, quando Peter entrou, quando Charlie acordou. O cheiro de chuva com a floresta a ainda era fresca na sua mente. – Tomara que ele esteja bem.

–E vivo. – Peter entrou pela porta da sala de estar, a casa da família de Charlie e Peter era enorme, sete quartos sendo dois para hospedes, dez banheiros, uma sala de estar, duas salas para jogos, uma cozinha que mais parecia um restaurante de cinco estrelas, três escritórios, sauna, piscinas, jardins bem cuidados. Tudo que uma das famílias mais ricas da Sétima Torre podia ter. – O que mais me assusta é como isso foi acontecer. Esse tipo de coisa nunca aconteceu por aqui, é tão espantoso. – Peter escorou na escada e ficou observando a televisão desligada como se algum programa ainda estivesse no ar. Ele encarou Charlie e Nicholas. – Eu vou pro meu quarto. Char?

–Sim Pet.

–O papai e a mamãe voltam hoje. – Os pais de Charlie eram um dos maiores empresários das Torres, e sempre estavam viajando. – Eles querem que a gente tenha segurança. — Peter subiu as escadas e foi para o quarto.

Nick olhou para a porta da sala de estar, a vista era um jardim de rosas, o sol refletia nas flores, bancos e balanços ficavam na passarela entre as divisões das rosas. Nick lembrou que foi ali, a última vez em que estavam todos reunidos, deitados na grama e conversando sobre como seria o verão deste ano, Nick sentiu o gosto de chiclete de maçã voltando em sua boca, ouviu os gritos das crianças que estavam andando de bicicleta.

–Garotos, esse vai ser o verão de Augusto.

E estava sendo, pensou Nicholas, Augusto estava em todos os programas de todos os canais de televisão, mas não como “o garoto mais lindo da Sétima Torre”, ou dando entrevista falando como ter o estilo perfeito, ou até no jornal da Sétima Torre como o garoto mais popular do Colégio.

E sim como o desaparecido, procurado.

–Sabe Nick, deve ser só imaginação minha. – Charlie riu e olhou para o lustre dourado que ficava no centro da sala de estar. – Eu imagino que Augusto trocou de nome, provavelmente um artístico, em outra Torre ou lugar, sendo modelo de alguma revista importante, ganhando a vida nas passarelas, vivendo numa mansão enorme, sentado num divã vermelho, tomando vinho de primeira linha e rindo, sabe aquela risada maliciosa que ele tinha?

–Sei. – Nicholas imitou a risada maliciosa de Augusto, era tão bom imaginar que Augusto estaria vivendo assim. Mas naquele momento ele só pensava em Peter, ele e Augusto haviam desaparecido na noite da cabana, e só Peter deu sinal de vida. Pensar que ele podia ter feito algo de ruim com Augusto o dava ânsia de vomito.

–Charlie. – Nick começou a passar o copo d’água de uma mão para a outra, sendo que nem tinha tomado um gole da água. – Podemos imaginar que Augusto está bem de vida, rico, modelo e rindo da vida. Mas, se Augusto estiver sozinho, machucado, com as roupas rasgadas, o rosto sangrando, os dentes podres, ou...

–Ou até morto?

–Ou até morto. – Nick pensou em Augusto pálido, dentro de um caixão, sua família em volta chorando, a beleza do garoto petrificada e que meses depois o corpo estando somente os ossos.

–Sabe, é tão difícil pensar em Augusto morto. Ele parecia tão imortal.

–Parecia que a morte não existia para ele Charlie. E agora ela assombra a imagem de Augusto, é tão assustador. – Nicholas passou a mão pelos seus braços, à sensação de angustia e medo tomou conta de seu corpo que ele sentiu frio, mesmo no calor que estava fazendo naquele fim de manhã na Sétima Torre. – Eu vou embora Char, amanhã eu te vejo?

–Sim claro. – Charlie deu um sorriso. – Mas antes, você soube algo do Ian?

–Não nada. Ele não me atende desde a noite na cabana, os pais dele não aparecem na porta quando vou a casa dele. Eu não sei Charlie, mas algo está acontecendo com o Ian.

–Estranho. Ian sempre foi o mais forte de todos nós. – Charlie soltou um suspiro. – O desaparecimento de Augusto está assustando extremamente essa Torre, é como se ela estivesse pegando fogo.

Nick sentiu um arrepio nos seus braços novamente, será que Charlie havia descoberto que Peter estava na cabana, no dia em que Augusto desapareceu?

Charlie era o mais inteligente do grupo, talvez ele tivesse questionado a Peter o que havia acontecido, pois ele estava completamente bêbado, ou ele mesmo teria feito sua própria investigação. De qualquer maneira, Nick queria ir embora, não tinha tempo pra ficar pensando. Ele e Charlie se despediram, Charlie subiu para seu quarto e deitou em sua cama, ele não dormia dias porque estava sendo assombrado por um pesadelo.

O pesadelo era o seguinte:

Ele matava Augusto.

E aquela tarde antes da cabana era mais clara na sua mente, quanto o nome inteiro de sua mãe.

–Mãe? – Nicholas entrou pela porta da cozinha de sua casa. – Mãe, você está? – Ele foi direto para a sala de estar, a mãe de Nick, Marin, amava vintage e a casa era inteiramente feita desse estilo, o chão da sala de estar era de madeira, na frente do imenso sofá que estava no centro se encontrava uma lareira que fora do verão, era quente e confortável, quadros de arte dos seus pais estavam por toda a parede da sala, a iluminaria ela fosca e dava um clima agradável e confortante. O cheio da sala de estar era de chiclete de morango e tinta aquarela.

Nick deitou no enorme sofá branco, apoiou sua cabeça na almofada e encolheu o corpo na tentativa de dormir. Mas sua mente parecia disputar uma maratona. E tudo nesta maratona estava em volta de Augusto. Ele se lembrou de como Augusto conseguia tudo o que queria, sua obsessão por beleza e popularidade, suas risadas maliciosas, como Augusto queria que Nick fosse parecido com ele em todos os detalhes. Mas principalmente à noite na cabana.

–A única coisa que posso falar é que algo terrível está acontecendo agora, a nossa Torre está em fogo e vocês deviam se proteger. – Nick via a expressão de Peter, ele estava assombrado, preocupado com o que estava acontecendo do lado de fora. Em seguida, Augusto entrou na cabana e começou uma pequena discussão com Peter. Depois todos dormiram, e horas depois com os trovões barulhentos caindo e Charlie do lado de fora, Augusto e Peter não estavam na cabana. Logo depois, eles decidiram voltar a dormir, mesmo que não quisessem, Nick e Ian pensaram que Peter e Augusto estariam brigando na floresta, ou se Peter foi embora para sua casa e Augusto foi atrás dele para espiona – lo. No dia seguinte, eles foram embora da cabana e Peter estava deitado perto da piscina de sua casa, tomando sol. Já Augusto, não se encontrava em casa.

O estomago de Nick começou a se revirar lembrando-se de cada cena da semana passada, ele queria a ajuda de Charlie para solucionar o caso de Augusto, já que a policia não havia achado nenhuma pista ou recebido nenhuma informação certa. Mas não podia ter a ajuda de Charlie, pois ele e Ian haviam prometido a Peter que não iriam falar para seu irmão mais novo que ele estava na cabana. Era como se fosse uma aliança entre Peter, Ian e ele. E aquilo revirava cada vez mais seu estomago.

Nick virou seu rosto para a almofada, aqueles dias estavam difíceis, sem Augusto, nenhum contato com Ian, parecia que o grupo estava sendo deformado. Na sua mente, ele imaginou todos juntos, terminando o Ensino Principal II juntos, indo para a mesma Universidade, dividindo a mesma casa e logo depois viajando pelas todas as Torres.

Mas ali, deitado no sofá, ele se sentiu sozinho, como se aqueles planos todos, estivessem perdidos no ar.

–Char? – Peter entrou no quarto de Charlie, ele estava dormindo na sua cama. – Charlie? – Peter sentou na ponta da cama de Charlie, seus olhos encheram de lágrimas, ele se sentia pesado, Peter sabia que tudo aquilo que viveu naquela semana era o jogo e ele tinha que jogar certo. – Me perdoa Charlie, eu só quero proteger nossa família. – As lágrimas escorriam, Peter era o irmão mais velho, sempre se preocupava com Charlie desde o seu nascimento, sempre segurava a mão dele para não cair ou se machucar, e estava sempre disposto por tudo para proteger quem amava.

–Me perdoa Charlie, mas vai ficar tudo bem, eu prometo. – Peter passou as mãos em suas bochechas, enxugou as lágrimas e deu um beijo na testa de Charlie, ficou olhando por alguns segundos seu irmão e saiu do quarto.

A verdade era que Charlie não estava dormindo.

Só tentando dormir.

Charlie levantou da cama e colocou pantufas que pareciam patas de leão, foi para a sacada de seu quarto para ver se Peter estava no jardim, mas não estava. Charlie estava com duvidas em sua cabeça, por que Peter estava pedindo perdão? O que ele quis dizer com “tudo vai melhorar”? Charlie desceu a escada enorme que dava acesso à cozinha, e viu o irmão na sala de estar andando impaciente e falando no celular. Charlie encostou-se à parede que separava a cozinha da sala e permaneceu lá, tentando ouvir o que o irmão falava.

–Você sabe que o jogo começou! Não grita comigo! Ele nos escolheu para ajuda-lo. Obvio que é mentira! Ele só demorou, agora eu vejo que isso tudo é uma farsa. Calma, eu sei onde está Augusto. Eu não posso falar nada. Não posso! Você precisa voltar logo. Se eu abrir a boca pra falar alguma coisa, eu morro, parece que estou sendo vigiado, é a única coisa que eu sei. – Peter desligou a chamada e foi para o lado de fora.

Charlie sentiu ânsia e sua visão começou a embaçar, Peter sabia e escondia algo.

Augusto estava vivo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.