A Royal Couple
7 O ataque à Coroa
Notas iniciais
O dia não foi nada agradável para Lesrade. A preocupação não lhe sai a da cabeça e nem sequer pôde contar com a presença de Mycroft que ficava sempre confinado em seu escritório tentando localizar qualquer atividade suspeita ligada ao grupo de terroristas que os estavam perseguindo.
Sherlock e John até tentaram por muitas vezes animar o inspetor, mas nada conseguia remover o semblante pesado do policial.
A noite chegou lentamente e o marasmo daquela casa estava tirando Greg do sério; o seu completo desânimo foi interrompido pela saída brusca de Mycroft do escritório, seu semblante também estava cansado, mas sua expressão era altiva quase sorridente, bastante parecida com a de Sherlock quando solucionava um caso.
– My, o que houve, não te vi o dia inteiro!
– Estava tentando em vão localizar aqueles bastardos, já ia desistir por hoje, mas ao que me parece, superestimei a inteligência de simples terroristas arruaceiros!
– Por quê?
– Houve uma tentativa de invasão no nosso apartamento em Londres; a MI6 também estava de prontidão lá e o sistema de defesa da casa bloqueou a saída do invasor. Temos um criminoso em nosso poder, agora, saber a localização dos outros é questão de tempo!
– Aonde você vai?
– Para Londres; não se preocupe vou levar alguns da MI6 comigo e deixarei alguns por aqui; por tudo o que é mais sagrado, se ouvir alguma coisa estranha ou sentir que alguém está tentando invadir, vá ao nosso quarto e leve o meu irmão e John; aperte um botão vermelho que está abaixo do meu lado da cabeceira; isso vai fazer aquele quarto se transformar numa coisa muito parecida com um quarto do pânico e sempre que esse sistema de defesa é ativado a MI6 recebe um aviso... A ajuda chegaria rapidamente.
– Você vai me deixar aqui protegido enquanto enfrenta tudo sozinho e me pede para não me preocupar?!
– Por favor entenda... Se você fosse comigo, eu ficaria preocupado o tempo todo, incapaz de pensar direito, isso poderia ser muito perigoso!
– Entendo... Não quero ser nenhum peso para você! Pode ir...
Mycroft abraçou fortemente o seu amado, beijou sua testa e começou a sussurrar em seu ouvido:
– Não pense nas coisas por esse lado... Pense que eu ficaria desesperado demais só pela possibilidade de te perder e isso é que me colocaria em risco... É isso o que você quer?
– De forma alguma... Eu te amo! Perdão por me comportar como uma criança birrenta! Pode ir, mas toma cuidado My!
– Claro Greg; vai ficar tudo bem! Avise a meu irmão e a John o que ocorreu, e esteja atento meu bem!
– Tudo bem, pode confiar!
Mycroft saiu apressado e entrou num helicóptero que acabara de pousar no gramado do jardim, partindo rumo a Londres.
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A chegada ao apartamento em Londres foi rápida e Mycroft pôde confrontar aquele que tentara invadir sua casa, mas estava no momento em poder dos agentes da MI6.
O homem usava roupas bastante sociais e apesar do clima bastante tenso, não demonstrava qualquer sinal de medo. Seus traços não pareciam em nada com pessoas vindas do Oriente o que fez Mycroft ficar um pouco desconfiado. O interrogatório começou sem mais delongas:
– Acho que vocês foram com muita sede ao pote dessa vez... Não que terroristas sejam conhecidos por sua cautela, mas achei que seriam mais observadores em suas ações.
– Pode ser que sim... Ou quem sabe fomos muito mais observadores do que você imagina!
– O que você quer dizer com isso?
– Há quanto tempo saiu de seu esconderijo, Mycroft Holmes?
– Não importa... O que você está insinuando?
– Mesmo que você tenha saído há pouco do seu esconderijo, o tempo já deve ter sido mais do que o suficiente... Quantos agentes você deixou em Surrey para proteger a casa, Holmes?
Mycroft gelou ao perceber que eles já haviam descoberto o local exato do esconderijo. Imediatamente o plano dos terroristas veio completo à mente do político; eles estavam mesmo querendo tirá-lo de Surrey, forçando-o a diminuir o contingente e deixando Lestrade e os outros desprotegidos.
– Vamos voltar para Surrey imediatamente; prendam-no, ele já me deu tudo o que eu queria!
Os agentes da MI6 foram rápidos em atender as ordens do homem de gelo e tão rápido quanto vieram, já estavam novamente levantando voo.
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Em Surrey, Lestrade estava tentando não pensar no que poderia estar acontecendo com Mycroft, tentava manter a mente quieta enquanto assistia a um noticiário qualquer com Sherlock e Watson. Decidiu, por fim, que precisava de um banho para literalmente esfriar a cabeça.
Ao sair do banheiro e caminhara até a sala aonde estivera, o já cansado detetive foi tomado por uma avalanche de novas informações; Sherlock e Watson estavam caídos e inconscientes enquanto um homem de aparência tenebrosa apontava uma arma em sua direção.
– Olá inspetor!
– Isso é impossível, Como você conseguiu entrar aqui!
– Os seus guardinhas estavam preparados para tudo, devo admitir... Mas ninguém suspeitou de um ataque com gás... Realmente esperava mais da MI6...
Assim que Lestrade ouviu o que o criminosos lhe dissera pôde sentir, mesmo que fraco, um cheiro estranho pairando no ar.
– A casa está cercada; ninguém entra aqui, a não ser seu namoradinho... Voou matar você lentamente na frente dele; quem sabe assim ele não para de se meter onde não é chamado.
Lestrade passou os olhos por toda a sala; a sua arma certamente estava no quarto, não poderia contar com ela, pelo menos não agora. Estava tão concentrado que mal pôde ouvir o som do helicóptero de Mycroft pousando.
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Mycroft nem esperou seus agentes o acompanharem, foi direto à casa que parecia cercada:
– Não deve ir agora chefe; não percebemos nenhum sinal dos nossos agentes; eles já devem estar mortos a essa altura!
– Não me venha com essa agora! Eles não podem estar mortos!
Mycroft continuou a correr e para sua surpresa, sua entrada na casa foi feita sem nenhum tipo de resistência.
No interior da casa, Mycroft presenciou a cena que mais temia: Lestrade estava completamente rendido com uma arma apontada para si; Sherlock e Watson encontravam-se amarrados um ao outro no chão.
– Finalmente o homem de gelo chegou... Bem a tempo de começarmos a festa! – disse o homem que estava em poder da arma.
– Sei que seu problema é comigo... Solte meus familiares agora!
– Oh não Mr. Holmes, eles vão sofrer pelos seus atos e você não vai se mexer nem um milímetro ou mato a todos aqui!
O criminoso começou então a bater em Lestrade. Primeiro com uma coronhada em sua nuca, depois com sucessivos chutes; Lestrade estava indefeso; gritava a cada vez em que era acertado.
Mycroft não sabia o que fazer, estava em pânico ao ver seu amado ser torturado de uma forma tão covarde.
– Pare! Pode me matar, mas por favor, pare com isso!
– Seu desejo vai ser atendido Mr. Holmes, mas não significa que eu vou poupar seu namoradinho!
Mycroft estava desesperado, tudo o que lutou para evitar estava acontecendo na sua frente; já ia investir contra o criminoso mesmo sabendo que de nada adiantaria, quando Sherlock o fez.
Estavam tão concentrados em si mesmos que não perceberam que Sherlock e Watson haviam conseguido se soltar; agora os dois haviam conseguido dominar o criminoso, ajudados pelo efeito surpresa que conseguiram causar.
Os terroristas do lado de fora perceberam o embate e começaram a se mover para entrar na casa; mas dessa vez os agentes da MI6 agiram mais rápido e começaram a atirar, impedindo a movimentação dos criminosos.
No interior da casa, o terrorista estava rendido e Mycroft pôde finalmente ir ao encontro de Lestrade:
– Greg! Perdoe-me! Eu devia ter me antecipado... Eu devia...
– Para My! Você não precisa saber de tudo... Agora está tudo bem!
Mycroft acolheu Greg nos braços apoiando seu corpo, severamente machucado, e esperou até que todos os outros criminosos fossem rendidos. Seu coração ficou ainda mais apertado quando Lestrade perdeu a consciência.
Watson logo foi a seu encontro a fim de examiná-lo:
– Ele está bastante machucado, Mycroft, precisa de um hospital urgente; os traumas causados pelos golpes podem ter desencadeado alguma hemorragia interna; temos que ser rápidos!
– Muito obrigado, John, Vou levá-lo de helicóptero; está tudo seguro agora.
– Claro, vá!
Mycroft pegou Lestrade nos braços e seguiu rapidamente a seu helicóptero rumo ao St. Bartholomew’s.
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