A Rosa Fantasma
3 Planeta dos Humanos Ingratos Pt:I
01
13:50 P.M – Floresta de Caaporã
***
Um caminho estreito que cortava o centro da floresta.
O topo das árvores tropicais pareciam tocar o céu. Seus cipós e galhas possuíam formas assustadoras, mesmo com o sol brilhando no alto. O ar húmido tinha o cheiro forte de mofo e capim. O som dos insetos só eram sobrepostos pelas vozes de duas pessoas que caminhavam lentamente pela estrada lamacenta.
Dois jovens, um homem e uma mulher.
O garoto tinha por volta de 18 anos. Suas vestes, um sobretudo, calça e chapéu, eram completamente pretos. Seus cabelos também seriam se não fossem aqueles três fios brancos que pareciam propositalmente tingidos. Sua feição era serena. Seus olhos dourados mostravam um certo interesse pela floresta misteriosa a sua volta.
A garota alguns centímetros mais baixa aparentava ter 16 anos. Sua pele pálida demonstrava uma fragilidade que não combinava com a sua postura. Ela vestia um vestido azul escuro, cheio de babados e costuras finas, que corriam até pouco abaixo de seus joelhos. Seus cabelos brancos como neve pendiam até o meio de suas costas. Sempre que pisava em uma poça de lama a garota resmungava.
“Quando você me disse que iriamos viajar, não avisou que seria para o fim do mundo! Estou suja, cansada e com fome. Sem contar que estamos a mais de três horas perdidos nesta floresta idiota! Owen, seu imprestável, você deve ter estrume no lugar do cérebro para aceitar um serviço desse?!”
O jovem chamado Owen deu um sorriso cínico para a garota.
“Acredite... Ver você nessa situação deplorável realmente me deixa arrasado, mas lembre-se. Foi você quem insistiu em me acompanhar, dizendo coisas como, ‘estou morrendo de tédio’, ‘não quer me levar por que na verdade está fugindo para algum bordel’, e blá, blá, blá. Quanto a comida, ninguém mandou você acabar com tudo que tínhamos de uma só vez, sem se importar com depois.”
A garota de cabelos brancos mordeu seu lábio inferior e chutou a perna esquerda de Owen, que pulou e gritou imediatamente.
“Huh!”
Owen não ameaçou repreender a garota. Ele de certa forma já estava acostumado com as atitudes infantis dela.
“Por quanto tempo vai continuar ai parado, Owen?! Você ainda é capaz de caminhar, não?”
A garota continuou sua trajetória sem esperar por Owen, que apenas endireitou sua postura e suspirou.
“Certo, certo.”
Ele levou sua mão para dentro do bolso de seu sobretudo, retirou de lá uma maça verde e à arremessou para a garota. Os olhos dela brilharam por alguns segundos, mas ela quase que imediatamente se recompôs. Claramente se negando a agradecer.
“Não pense que poderá me comprar com uma simples fruta, Owen! Eu valho muito mais que isso!”
Owen deu uma risada breve.
“Seu veneno continua doce como sempre, Ellen. E acho que esse é o momento mais adequado para acrescentar o seguinte fato: sua roupa extravagante e esse clima quente definitivamente não combinam. Você está fedendo.”
Ellen corou levemente, franziu a testa e dessa vez chutou a perna direita do Owen. Diferente de antes, ele não pode segurar sua onda de raiva.
“BRUXA! DÁ PARA PARAR DE ME BATER POR QUALQUER MOTIVO?!”
“NÃO! Isso vai acontecer toda vez que você abrir a boca para falar alguma besteira. E já avisarei com antecedência, na próxima vez garanto que irei acertar num lugar que fará você ficar agonizando no chão por um bom tempo.”
Owen suspirou novamente, e mancando continuou seguindo a garota.
Antes mesmo de Ellen dar a primeira mordida na maça, um par de portões de madeira tomou forma por detrás das copas das árvores. Esses portões possuíam quase 10 metros de altura, cercados por muralhas do mesmo tamanho.
Owen assobiou.
“Como esperado de uma cidade construída por imigrantes. Sempre tão exagerados...”
Diferente das outras grandes cidades, não haviam homens guardando o lado de fora, o que deixou Owen desconfiado, mas foi Ellen ao seu lado que se pronunciou.
“Estranho. Uma cidade-estado deste porte deveria estar cheio de pessoas, mas ao que parece ninguém vive aqui há séculos. Eu não os culpo, afinal não existe alguém capaz de viver por muito tempo nesse fim de mundo.”
“Se tudo que dizia naquela carta era verdade... Bem, eu já imaginava que as coisas estivessem feias por aqui.”
“Feias o suficiente para contratarem um mercenário de terceira como você, Owen.”
“É em momentos como esse que me pergunto o motivo de você estar sempre ao meu lado, bruxa.”
Owen deu um sorriso zombeteiro e prosseguiu.
“Deixando isso de lado, como vamos entrar neste lugar?”
Os portões não possuíam um batedor, ou qualquer coisa que pudesse ajudar Owen a se comunicar com qualquer pessoa que pudesse estar do lado de dentro da muralha.
“OLÁ?! CIDADE DE JOTHENVILLE? ALGUÉM VIVO?”
Não houve uma resposta imediata. Apenas quando Owen ameaçou gritar uma segunda vez foi que alguém do lado de dentro respondeu com um tom incerto.
“Quem está ai?!”
“Owen e Ellenia! Fomos enviados pela Legião de Mahyra.”
Imediatamente outras vozes ecoaram. Sussurros, cochichos, alguns animados, outros desconfiados.
“A Legião! Abram os portões! Abram os portões!”
As trancas eram retiradas vagarosamente. Apenas 10 minutos depois os portões começaram a serem abertos.
O lado de dentro podia ser comparado há um campo de batalha após uma guerra violenta. A cena era tão avassaladora que Ellen sentia uma pontada em seu coração. Jothenville estava completamente destruída, e diferente do que ela imaginava, uma multidão já os esperavam na entrada. Homens, mulheres e crianças, sujos e vestidos com trapos. Claramente fazia muito tempo desde a última vez que alguém cruzara esses portões.
Owen encarava aqueles rostos, um por um. No fundo daqueles olhares cansados e desconfiados, ele podia enxergar um pequeno traço de esperança.
Uma criança atravessou a multidão aos empurrões. Quando seus pequenos olhos castanhos encontraram Ellen e Owen, um sorriso iluminado tomou seu rosto. Era como se aquela criança estivesse frente a frente com seus heróis favoritos. Ellen aproximou-se da criança e bagunçou seus cabelos. Em seguida entregou a maçã que recebera de Owen.
“Obrigado senhorita!”
Uma vontade de ajudar agora queimava progressivamente na sua mente. Ellen devolveu o sorriso e voltou-se para Owen.
“Por que você ainda está parado como um poste, Owen? Vamos acabar logo com isso para que eu possa tomar um banho!”
Owen não pode segurar um sorriso em resposta a atitude peculiar da garota. Ele então dirigiu-se até um dos guardas que os observavam.
“Onde podemos encontrar o responsável pela cidade de Jothenville?”
Mas antes que o guarda pudesse responder, Ellen antecipou-se.
“Eu já posso imaginar onde ele possa estar.”
Ellen encarou a grande construção que sobrepunha-se as casas humildes. Aquela única residência era equivalente a no mínimo vinte casas ao seu redor. Mesmo estando a quase um quilômetro e meio de distância, o casarão era visível.
Owen sorriu enquanto testemunhava a clara diferença social existente numa cidade que aparentemente deveria ser rica e prospera.
“As engrenagens giram sempre da mesma maneira, não é mesmo Ellen? O rei e seus súditos.”
***
02
14:10 P.M – Centro de Jothenville
***
A carroça parou em frente à entrada daquele nobre casarão. Ao saltar para fora, Owen observou com curiosidade a quantidade de guardas que vigiavam o local. Assim que ele bateu na porta, uma mulher de meia-idade os atendeu. Apesar de ser apenas uma serva, ela estava muito bem vestida. Seus cabelos castanho escuro possuíam alguns fios brancos. Seu rosto enrugado e suas olheiras entregavam seu cansaço.
Ela se curvou gentilmente e segurou a ponta de sua saia, em reverência.
“Em que posso servi-los?”
Owen retirou seu chapéu e o apoiou em frente ao corpo.
“Estamos aqui para ver o senhor Marcos Arthmael. Fomos enviados pela Legião de Mahyra, a fim de investigar a carta que ele supostamente nos enviou.”
Os olhos preto acinzentados da serva arregalaram-se por um breve momento. Ela hesitou antes de convidar Owen e Ellen para entrar.
“Por favor, me acompanhem.”
O casarão de Marcos Arthmael dava a impressão de ser ainda maior por dentro. Owen e Ellen seguiam a empregada, cruzando a enorme sala de estar até chegarem a duas escadas. Uma direcionada ao sótão e outra ao segundo andar. Owen encarava maravilhado os quadros gigantes nas paredes, e as reluzentes lamparinas de cristal. Ele podia jurar que essa casa possuía mais de trinta cômodos. Já o que o intrigava, era o fato de um lugar tão grande estar tão vazio.
A cada poucos passos a serva direcionava olhares rápidos para Ellen, que permanecia em silêncio com uma feição entediada no rosto.
Os três subiram as escadas, e atravessaram um longo e iluminado corredor, até pararem de frente a uma enorme porta de madeira maciça, que possuía desenhos dourados de duas assas entalhadas. Um símbolo geralmente usado por cientistas, formados pela igreja.
“Meu amo, um jovem chamado Owen está aqui para vê-lo. Ele diz ser um enviado da Legião de Mahyra.”
Passos apressados soaram de dentro da sala, e poucos segundos depois a porta foi aberta ferozmente. Um homem de aproximadamente 60 anos saiu para o corredor. Suas roupas e joias aparentavam ser caras. Sua cabeça possuía poucos fios dourados, e seu corpo não estava em forma. Assim que encontrou os recém chegados seus olhos brilharam. Esse homem correu para cima do Owen e segurou sua mão com força, sacudindo-a várias vezes.
“Ooh, oh! É um prazer conhecê-lo, Sr. Owen!!”
Os olhos do Marcos pararam sobre Ellen, que permanecia emburrada.
“E quem é a dama ao seu lado?”
Por um segundo Owen pode sentir um tom pretencioso na voz do homem, mas decidiu ignorar.
“Essa é Ellenia Gweneth. Minha...”
Owen pensou por um momento o melhor [e o que deixaria Ellen menos irritada] modo de apresentá-la.
“...Assistente.”
Marcos estendeu sua mão direita para a garota de cabelos brancos, mas ela o ignorou completamente. Poucos segundos depois ele deixou sua mão cair com uma expressão desconcertante no rosto.
“Eh... Bem, entrem. Temos muito a discutir.”
Marcos acenou com a cabeça na direção da empregada, que virou-se e começou a caminhar de volta ao primeiro andar.
Owen e Marcos entraram na sala primeiramente, mas Ellen ficou parada do lado de fora por mais alguns segundos encarando as costas da empregada. Desde que eles entraram nessa casa, ela tinha a forte sensação de estar sendo vigiada por uma pessoa oculta.
A sala do Marcos era ampla e clara. Provavelmente aquele lugar por si só já valeria por uma casa inteira. No centro da sala havia uma enorme mesa, com vários livros grossos espalhados por cima. Nas paredes laterais haviam estantes e prateleiras igualmente carregadas de livros empoeirados. Em um canto da sala havia uma pequena mesa de chá, com quatro cadeiras em volta. No chão se estendia um enorme carpete feito de pelos de animal. Owen permaneceu de pé, enquanto Ellen sentou na primeira cadeira que encontrou.
“Então Sr. Owen. Creio que você já esteja a par da situação.”
“Na verdade a carta que o senhor enviou para a legião dava a entender que Jothenville estava tendo problemas com ataques de lobos, nada mais que isso.”
Owen ficou ao lado de Ellen, que ainda parecia desconfortável, como um pequeno animal se encolhendo para enganar um predador.
“Para falar a verdade ainda estou tentando entender o motivo para o senhor ter contatado a legião. Afinal, situações desse tipo não fazem parte da nossa jurisdição. Para falar a verdade o conteúdo de sua carta era realmente muito suspeito, quase como um trote. Então no fim acabou completamente desacreditada por todos. Estou aqui hoje apenas por que fiquei curioso sobre o verdadeiro motivo por trás daquela carta. Não pode ser algo tão simplista como uma praga de lobos, não é?”
Owen encarou Marcos com um olhar firme.
“O senhor fez uma viagem de 6 horas movido apenas pela curiosidade? Sr. Owen, você é uma pessoa interessante, e, está certo. Não é uma simples praga de lobos. O verdadeiro problema é que todos os habitantes de Jothenville estão presos atrás daqueles portões.”
Marcos ficou em silêncio por um breve momento, enquanto coçava preguiçosamente seu queixo mal barbeado.
“Essa cidade depende inteiramente da importação de materiais e alimentos vindo de cidades produtoras. Como o senhor deve saber, Jothenville não possui espaço suficiente para cultivar o alimento necessário para todos os habitantes consumirem, então acabamos dependentes dessas importações. Sem isso minha cidade não pode sobreviver.”
Nesse momento Owen já podia deduzir onde Marcos queria chegar. A cidade de Jothenville era conhecida por seus valiosos criadouros de cavalos de guerra, e sua renda vinha quase que inteiramente do dinheiro recebido por cada cavalo vendido para a República do Rio (Capital de toda a Aliança Sul-americana). E por ser uma metrópole, não sobravam áreas para grandes plantações.
“...Onde quero chegar é que dezenas, talvez centenas de lobos estão impedindo a chegada de mantimentos a Jothenville. Todos os comboios de alimentos que os produtores nos enviam são atacados e completamente destruídos antes de chegarem a nós.”
“Destruídos?”
Owen encarou Marcos, incrédulo.
“Isso é no mínimo antinatural. Lobos atacam para se alimentarem, ou, proteger seus territórios. Eles não atacariam apenas para destruir. E mesmo que seja para proteger território Isso ainda me soa de uma forma estranha. Sr. Marcos, esses lobos já chegaram a atacar alguma pessoa que estava presente nesses comboios?”
Marcos coçou o queixo novamente enquanto pensava.
“Não. Até agora ninguém chegou a ser atacado por um lobo.”
“Então proteção de território é mesmo uma hipótese descartada...”
“Ah! E não é só isso! Há algo ainda mais estranho acontecendo!”
Owen direcionou toda a sua atenção para Marcos, sem tentar esconder sua curiosidade.
“Em três ataques, incluindo o primeiro, alguns guardas e habitantes relataram ter visto uma pessoa... com um capuz vermelho cobrindo o rosto.”
“Um capuz...?”
“Infelizmente nenhum deles pode ver o rosto da tal pessoa. Dizem por ai que ele ou ela estava controlando a alcateia, como se fosse algum tipo de lobo alfa! Bem, no primeiro ataque essa pessoa de capuz ameaçou matar qualquer um que saísse para fora dos portões. É claro, no início tentamos montar um exército para sair e exterminar os lobos, mas sempre acabamos encurralados e obrigados a recuar por causa da quantidade absurda de animais. Após várias tentativas apenas o medo crescente foi o suficiente para impedir que qualquer um tentasse sair para fora e encarar Floresta de Caaporã.”
Os olhos do Owen estavam arregalados de tanto entusiasmo. Um sorriso tomando seu rosto.
“Os ataques dos lobos ocorrem a qualquer hora do dia e da noite?”
“Sim... Já tentamos sair em vários horários diferentes.”
“Há quanto tempo esses ataques começaram?”
“Hoje faz exatamente uma semana.”
“Sete dias...”
Owen agora entendia boa parte do que estava ocorrendo, e o porquê de um pedido tão importante chegar a ele por meio de um pombo-correio em vez de um mensageiro. Ninguém na Legião de Mahyra teve interesse em fazer uma viagem tão longa e cansativa para investigar tal mensagem, mas Owen acabou ficando curioso com o assunto tratado na carta. Lobos. A população de uma das cidades mais ricas do Sudeste trancados dentro de sua própria fortaleza. Uma pessoa misteriosa com poderes impossíveis...
Esse mistério parecia excitante demais, mesmo com o risco de voltar para casa com as mãos abanando por culpa de um possível trote.
“Bom, esse parece ser exatamente meu tipo favorito de trabalho Sr. Marcos. Então o aceitarei.”
Marcos deu um sorriso breve, mas Owen sentiu que era um sorriso forçado porém.
“Obrigado Sr. Owen. Se precisar de algo é só falar comigo que providenciarei imediatamente. Quanto mais rápido nos livrarmos dessa peste, mais rápido tudo voltará ao normal.”
“Normal?!”
Ellen, que até então havia permanecido calada, grunhiu e levantou de sua cadeira com uma expressão de fúria em seu rosto.
“Quando você diz ‘normal’, você se refere ao dinheiro que costuma cair no seu bolso, não é?! O conteúdo do seu cofre vai encher novamente e voltar ao ‘normal’, não é isso?!”
Owen colocou uma mão em frente ao rosto e resmungou baixo. Ele já imaginava que uma situação como essa poderia acontecer. Principalmente se tratando de Ellenia e sua personalidade incontrolável.
“Se não há comida sua cidade entra em colapso! E como consequência acaba perdendo seu ‘prestigio’. Com poucas pessoas ‘comprando’ seus animais o prejuízo financeiro é imensurável. A falta de dinheiro acaba destruindo tudo, inclusive o fundo do seu querido bolso!”
Ellen deu uma risada curta.
“E pensar que apenas uma semana foi o suficiente para deixar você desesperado.”
Ellen encarou Marcos, que estava claramente irritado com as acusações.
“Até agora, em nenhum momento vi você mostrar preocupação com a população da sua cidade. Que segue você! Que morre de FOME, enquanto você se preocupa apenas com o dinheiro que está perdendo!”
“Ellen...”
Owen tentou interrompê-la, mas Ellen não se permitiu censurar.
“CALADO! Eu ainda não acabei.”
Owen apenas deu uma risada e levantou os dois braços em sinal de desistência. Às vezes ele gostava quando Ellen gritava para todo o mundo tudo o que ele desejava falar, mas não conseguia.
“Marcos... Se eu fosse você, permaneceria bem longe dos lobos enquanto eu estiver por perto. Pois pode apostar que serei a primeira pessoa a te usar como isca viva!”
Ellen deu as costas e saiu, fechando a porta com um baque. Owen suspirou e sorriu.
“Senhor, perdoe a atitude impulsiva da minha companheira. Ela é meio... incompreensível às vezes.”
Owen deu um sorriso gentil.
“Enfim, voltando ao assunto, tenho um pedido a fazer. Eu preciso que o senhor encomende alimentos e peça para entregarem o mais rápido possível. Preciso ver o que está acontecendo com meus próprios olhos.”
“Oh, certo! Farei isso. Até amanhã de manhã no máximo eles virão.”
Owen retirou seu chapéu e o segurou em frente ao peito enquanto fazia uma breve reverência.
“Estarei esperando. Com sua licença.”
Owen se dirigiu à porta, mas antes de sair voltou-se novamente para Marcos.
“Só mais uma coisa senhor. Eu concordo com minha companheira. Você é um idiota.”
Com um sorriso malicioso Owen saiu, deixando Marcos boquiaberto para trás.
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