A Roda Da Fortuna
3 Capítulo 3
AGORA QUE ESCURECERA, DIANE NOTOU COMO SEU QUARTO ERA mal-iluminado, apesar das duas luminárias do quarto estarem ligadas. Naufragada em sua cama, ela fitava o teto, enquanto pensava na discussão que tivera há algumas horas com a irmã. Melissa nunca foi de fazer tempestade num copo d’água; se ela queria que Diane mantivesse em segredo seu acidente, existia um motivo muito maior por trás disso, definitivamente.
Suspirou enquanto se sentava na lateral da cama. Era sua primeira noite em casa, depois de uma pilha de exames e centenas de iogurtes de chocolate com baixo teor de gordura; se perguntava se não deveria estar feliz...
Foi quando seus olhos pousaram sobre o notebook e a pilha de diários sobre a cômoda... poderia ter algo escrito ou guardado ali que contasse algo sobre os últimos quinze meses que ela passara em St. Claire? Levantou-se e foi desatar os nós cegos que lacravam os diários, mas se surpreendeu ao descobrir que todos estavam completamente em branco.
Avançou para o notebook, sentou-se na cama e começou a procura, mas cada minuto gastado fuçando cada megabyte do computador parecia perda de tempo. Não havia um único arquivo, em nenhuma pasta, em nenhuma biblioteca; era como se o computador tivesse sido formato há poucos dias. Antes que ela pudesse desistir da busca aparentemente paranoica, abriu o navegador e examinou o histórico, que embora tivesse pouquíssimas coisas listadas, talvez guardasse alguma informação útil...
Além de pesquisas no Google sobre vestidos de noivado, havia um link que levava a uma caixa de e-mails; os campos de login e senha já estavam previamente preenchidos, mas na caixa de entrada não havia nenhum e-mail revelador, além de publicidade e coisas do cartão de crédito. Depois de clicar em cem links aleatórios, Diane encontrou uma agenda eletrônica no próprio e-mail, com um planejamento que acabava duas semanas posteriores: a data da festa de noivado. Mas o mais curioso era que, entre aquele dia e o dia da festa, havia um único compromisso marcado...
— Quem é Moira Young? — sussurrou para si mesma, quando viu o nome escrito no planejamento do dia seguinte; junto a ele havia um endereço, mas no local onde deveria estar listado o telefone só havia diversos algarismos zeros... Pesquisando o endereço e o nome no Maps, Diane encontrou um único lugar num raio de 100 km: uma residência aparentemente comum, a quinze minutos da casa mais feia do bairro Bradford... O ícone sobre a residência indicava que se tratava de algum tipo de consultório. Uma terapeuta ou psicóloga? Diane duvidou disso; nunca se submetera a nada do tipo antes — ao menos, até onde ela conseguia se lembrar –, mas mesmo se fosse... Sair de casa e ir à procura de respostas parecia mais sensato que continuar presa em seu quarto, esperando suas memórias voltarem “aos poucos”, como o médico havia dito que aconteceria... E se o compromisso era importante o suficiente para estar em sua agenda, talvez merecesse o mínimo de atenção.
Rasgou uma das centenas páginas em branco dos diários sobre a cômoda e anotou o endereço citado no Maps; no dia seguinte, ela sabia exatamente aonde deveria ir...
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