A Roda Da Fortuna
4 Capítulo 4
— TEM CERTEZA DE QUE É AQUI? — PERGUNTOU DIANE AO TAXISTA, seu tom de voz denunciando sua insegurança.
— É a única residência que não está à venda nesta quadra — murmurou o taxista, fitando Diane pelo retrovisor — Se é mesmo um consultório, como você disse, então precisa haver alguém morando aí dentro, certo?
Diane continuou calada, analisando a casa de dois andares em tons vermelho e branco. O jardim extremamente florido tornava a fachada da casa quase convidativa, a não ser pelas janelas completamente vetadas por cortinas grossas e escuras. Seja lá quem morasse ali, não apreciava a luz do sol no fim de tarde.
Sem muitas opções, Diane pagou o dinheiro registrado pelo taxímetro e saiu do veículo. Não tinha certeza se a desculpa que dera a Melissa, dizendo que conheceria a cidade, colaria por muito tempo. Por alguma razão, Diane não queria que sua irmã soubesse que ela estava à procura de respostas sobre o seu passado, já que Melissa teimava em dizer que nada importante acontecera nos últimos meses, além do fato delas terem conseguido um emprego, ido a algumas festas, feito alguns amigos e Diane... estar prestes a se noivar com seu próprio chefe, Michael Gold. Mas ainda assim, parecia um resumo muito descabeçado para a desconfiança de Diane ser totalmente solvida; ela não desistiria da procura até ter absoluta certeza de que sabia a verdade.
Se aproximando da varanda da residência, Diane notou a quantidade de folhetos espalhados no quintal, todos igualmente impressos em folha rosa, com os mesmos dizeres: “Você, transformando-se na chave que desvenda seu passado e futuro. Saiba como indo ao endereço abaixo...”, seguido pelo endereço que ela anotara no dia anterior da internet... O lugar onde ela estava pisando naquele exato momento.
— What the fuck?! — cuspiu Diane, quase em um sussurro. Mal acreditava que havia revirado sua casa inteira atrás de dinheiro para se consultar com uma vidente ou algo do tipo... Pior que isso; ela havia mesmo marcado em sua agenda que iria ali? Sua vida parecia cada vez mais bizarra à medida que ela descobria mais sobre si mesma. Olhou para trás; o táxi já havia partido. Sem celular, como faria para voltar para casa? A única opção que lhe parecera viável era bater na porta da casa que adquirira um aspecto muito mais sombrio agora.
Fechou a mão em punho e hesitou antes de bater na madeira que compunha a porta da casa. Notou que havia batido leve demais, e voltou a bater, desta vez mais forte. Ouviu o barulho de algo se quebrando no interior da casa; sinal de que alguém estava ali. Analisou a varanda da residência enquanto ninguém surgira para abrir a porta.
Depois de vários segundos agonizantes, Diane pronunciou um “tsc” de frustração e se aproximou da escada para ir embora... Mas parou ao ouvir o som da porta se abrir abruptamente. Olhou por cima do ombro e encarou um belo par de olhos azul celeste, que a encarava com curiosidade, através de uma pequena brecha.
— Com licença... — disse Diane, aleatoriamente.
A moça de olhos azuis fechou a porta rudemente; ouviu-se o som de trancas sendo destrancadas e o barulho metálico de correntes chacoalhando. A porta abriu-se, desta vez, totalmente. Uma mulher surpreendentemente jovem, de cabelos loiros claros, olhos azuis e lábios vermelhos contrastando com sua pele pálida avançou um pequeno passo; antes de ultrapassar o limite da porta, parou e analisou Diane da cabeça aos pés.
— Você é Moira Young? — perguntou Diane, quase pausadamente.
A mulher loira a fitou em silêncio por alguns segundos, seu rosto sem expressão.
— O que está fazendo aqui? — perguntou a figura, seu tom de voz neutro.
— Eu... — Diane balbuciou enquanto pensava em uma resposta. Provavelmente nem ela mesma sabia o que estava fazendo ali — Eu... Vi o anúncio, e resolvi vir aqui — completou por fim, ao notar que ainda estava com um dos anúncios que catara do chão nas mãos.
— Não estou mais trabalhando disso — murmurou Moira, seu tom de voz suave e educado — Se é só isso, você já pode ir embora — completou, voltando ao interior da casa.
— Espere! — exclamou Diane, notando o quanto pareceu mal-educada ao berrar quase de forma desesperada, fazendo com que Moira voltasse a fitá-la — Meu táxi já foi embora... Eu não estou com o meu celular. Será que eu poderia entrar e chamar outro?
Moira lançou em Diane um olhar cético, duvidando de suas intenções.
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