A Reviravolta -Amity Chicago Virtual
9 O Encontro
Thalyta está linda. Usa uma blusa vermelha com uma saia lisa amarela que vai até os calcanhares, e para me deixar sem forçar está usando sua arma mais poderosa. O sorriso. Que sorriso, nunca vira na vida um sorriso com tamanha beleza. Branco como as nuvens em um dia de sol e contagiante como a brisa do dia.
–Só não baba. –Thalyta fala ao se aproximar. Nós dois rimos, mas eu ri para disfarçar, era verdade, eu devia estar com uma cara de bobo. –Trouxe isso aqui. –Thalyta estende a mão com o que parece ser um antigo binóculo, eu vi uma vez com meu avô. –É para observar as estrelas... –Fala ao se sentar.
– Olha o que eu trouxe. –Falei apontando para o vinho.
– Como você conseguiu? – Ela fala sorrindo.
–Tenho meus contatos. –Pisquei para ela.
–E... Então? O que você pretende fazer hoje?
– Que tal observar um pouco as estrelas? Comer um pouco... Conversar. –Falo sorrindo.
–Posso saber por que escolheu esse programa específico? –Thalyta fala com um tom interrogador e ao mesmo tempo cômico.
–Talvez por que toda vez que olho as estrelas lembro-me de você... –Olhei para ela. — Elas são o mais próximo que eu posso chegar do céu. É uma obra natural. Lindas assim como você.
–Olha uma estrela cadente. –Ela fala apontando para o céu. –Faça um pedido, rápido!
Por alguns segundos nós contemplamos quietos aquela estrela passar no céu. Fechei os olhos e fiz um pedido.
–O que você pediu? –Perguntei.
–Se eu contar não vai se tornar realidade. –Ela fala pegando uma balinha que tinha entre as outras comidas que eu trouxe. –Se você contar eu conto o que eu pedi.
–O. K. –Arrumei o cabelo o olhei ela — Eu pedi que fosse muito feliz aqui na amizade. Bem, isso já está se tornando realidade. E você?
–Isso. — Ela se aproximou e tentou me beijar, mas recuou. –Ah! Desculpe, esqueci que você era da Abnega... –Não deixei terminar. Vou me aproximando lentamente, coloco minha mão no seu pescoço, faço carinho, coloco a outra mão em sua face, olho em seus olhos, me aproximo um pouco mais e sinto sua respiração, encosto nossos lábios, um beijo sem línguas, inocente, como se fosse o primeiro, movimento os lábios te inclinando aos poucos, acaricio seus cabelos, seguro sua cintura, parando o beijo em leves selinhos, abro os olhos e sorrio. Então ela sorri.
+ + +
Acabamos adormecendo ali sob a luz do luar. Não podíamos voltar ao quarto, descobririam que não respeitamos o horário de se recolher. Agora que acordei, estou sozinho, há apenas um bilhete ao meu lado.
“Adormeci olhando o céu de estrelas,
imaginando o teu olhar em cada uma delas,
descansei em teus braços, sonhei com um anjo lindo,
sonhei que era ali o meu lugar. –Thalyta”
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