A Reviravolta -Amity Chicago Virtual
5 Novas Amizades
Acordei com barulhos no corredor, olhei em volta e não havia ninguém no dormitório, me levantei aos tropeços-eu era acostumado a acordar cedo, mas não desse jeito- saio do dormitório e vejo que todos no corredor estavam dançando, alguém agarra o meu braço e me viro.
– Oi – fala Thalyta.
– Oi, o que está acontecendo? – Pergunto.
– Bem, esse é o jeito que eles acordam aqui.
– Legal – Eu respondo. Na verdade, me sinto meio deslocado com toda essa animação e demonstrações de carinho.
– Hoje começaremos a iniciação após o meio-dia. Você está ansioso? –Thalyta pergunta gesticulando com as mãos.
–Não como pensaria estar–Praticamente cuspi as palavras. –Você está?
–Se eu estou ansiosa? Não. Estou explodindo de emoção. –Sua alegria é tão notável que só por estar perto dela me sinto um pouco melhor. Então ela sorri para mim, e pela primeira vez reparei em seus olhos, eles eram os olhos da Beatrice, de um castanho tão intenso e tão marcante, lindos.
–Quando eu acordei logo mais cedo, o quarto estava vazio. Onde estão os outros?-Eu pergunto.
–Aqui todo mundo acorda cedo para ver o sol nascer, mas não temos horário estimulado para acordar. Aliás, amanhã vou acordar você aos berros se preciso, não vou deixar você perder essa emoção. É lindo! –Ela fez uma breve pausa, como se estivesse se lembrando. –Você já tomou café da manhã? A comida aqui é ótima, ok, eu nasci aqui, mas mesmo assim acredito que seja a melhor de todas as facções. –Thalyta acrescenta.
Certa vez, ouvi meu pai falar que a amizade acrescentava soro da paz no pão da amizade. Melhor ficar longe por um tempo.
–Mal posso esperar. — Falo com um sorriso tímido.
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O refeitório da Amizade é o mesmo em que ontem nos conduziram para o pronunciamento da Johanna. Ela era uma mulher séria, aparentava ter sido uma mulher muito bonita quando jovem, mas agora seu rosto está marcado por uma cicatriz. Passo por algumas mesas acompanhado de Thalyta ao meu lado, que para bruscamente em uma mesa a sua frente. Nela estava Carlos, Pâmela e Laísa. Sento-me ao lado de Pâmela. Ela me cumprimentou com um sorriso, talvez receosa, já que eu fui da Abnegação.
–E ai?! O que achou daqui? –Pergunta Carlos para quebrar o gelo.
–Achei muito... –Carlos me olha e me interrompe.
–Falei com a Pâmela. –Seu modo de falar não foi o que eu esperava para um cara que nasceu aqui na amizade.
Pâmela me olha e acrescenta. –Pois agora quero saber, como você está, Robert? –Pâmela ignorou totalmente Carlos, pelo que pude perceber todos fizeram o mesmo.
–Estou bem, obrigado. –Dei um sorriso largo, somente para mostrar que não estou intimidado.
Depois dessa, todos nós comemos, sem nem olhar para Carlos. Talvez ele não estivesse em seus melhores dias.
+ + +
Uma hora depois, Laísa entra no quarto. Estávamos sozinhos. Então ela me olha e sorri ao se aproximar. Senta na ponta da minha cama, onde eu estava e fala.
–Lá na franqueza, temos que falar toda hora a verdade, mas isso não quer dizer que posso ter meus segredos. Minha mãe me ensinou que quando estivesse me sentindo mal, escrevesse no meu diário. Fiz um para você. –Laísa estendeu a mão com um caderno de couro escrito “Robert”- É simples, mas eu que gravei seu nome aí. –Então me entrega o caderno.
–Nossa Laísa, não sei nem o que dizer. Obrigado! –Ela se aproxima e me dá um abraço, eu retribuo.
Em seguida ela sai do quarto, me deixando sozinho novamente.
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