A Retaliadora
1 Capítulo Um
A Retaliadora
"O dia em que John Ritcher encontrou seu fim"
Capítulo Um
Pai de família, escravo da máfia.
Nova York, seis de maio de 1983. Dia ensolarado e quente.
- Alô!
John Ritcher atendeu ao telefone na cabine ao sul do Central Park, mais precisamente na esquina da West 59th Street com a Eighth Avenue. Bastante movimento, pessoas circulando apressadas carregando pastas e valises. Típica vida em metrópole.
- Ritcher? – pergunta alguém do outro lado da linha. – É você?
- Positivo. Missão.
- Jonhson avistou o alvo seguindo pela principal. Pode chegar até lá a tempo?
- Eu me viro!
Ritcher desligou o telefone e se aproximou sem mais nem menos de um carro que passava, entrando rapidamente e sentando ao lado do motorista como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Hei! O que é isso? – assustou-se o guia.
O pobre homem foi empurrado para fora do carro, rolando pelo concreto da rua. Ritcher pisou fundo no acelerador.
- Nunca mexa comigo! – disse o ladrão para finalizar, enquanto o pobre nova-iorquino dono do carro via seu mais precioso bem, o qual economizara dinheiro por cinco anos para comprar, indo embora de modo tão bizarro.
O automóvel partiu a mil pela West 59th Street. O tráfego estava bem pesado. Hora do rush.
Mas Ritcher era o melhor motorista do pedaço. Apoderava-se de um veículo e vazava rapidinho. Até se Deus tapasse o caminho com a mão. Por isso a máfia o estimava tanto.
No zigue-zague entre veículos particulares, táxis e caminhões, Ritcher virou numa esquina para evitar uma viatura. Não era bobo.
Agora o Cadillac seguia por outra rua. Via agradável, bem arborizada. O motorista alternava os olhos entre o tráfego e os arranha-céus.
Ritcher ligou o rádio. Um discurso do presidente Reagan. Trocou de estação. Rock underground. Adorava.
O motorista foi obrigado a realizar manobra mirabolante para escapar de um ônibus. Pelo visto o que dirigia este devia estar chapado. Nada mais normal.
Contorna mais uma esquina. Avenida. Velocidade perigosa. Outra coisa que Ritcher adorava. Em seus quarenta e dois anos, não queria outra coisa na vida.
- Cuidado aí, filho da mãe! – gritou um motorista estressado.
John sacou sua pistola 9mm e estourou o farol do conversível, sem medo de qualquer represália por parte da polícia. Punição exemplar. Ritcher não tinha medo das autoridades. Nova York para ele era uma cidade sem lei e ele era como John Wayne. Tirando o radicalismo de direita.
A letra da música no rádio cessou para dar lugar a um solo de guitarra sem igual. Verdadeira obra de arte.
O veículo pára no início de um cruzamento. 5th Avenue.
O carro do alvo, o banqueiro Simon Krugger, surgia lá na frente de um restaurante em que John já comera algumas vezes. Alvo sopa.
- Você é meu, filho da mãe!
John cerrou os dentes. Ficou parado na esquina esperando o carro chegar perto. Suas mãos estavam loucas para pegar novamente na 9mm.
- Chegue mais perto...
O carro se aproximava. Euforia.
Logo parou ali mesmo na esquina devido ao sinal vermelho. Era hora de agir. Ritcher saiu do Cadillac e se aproximou do carro de Krugger, com a pistola 9mm em mãos. Medo nenhum.
- Hei! – surpreendeu-se o banqueiro. – Quem é você?
Três disparos atravessaram o vidro do carro e atingiram em cheio o peito de Krugger, que morreu imediatamente, tórax peneirado de balas numa enchente de sangue quente. Várias pessoas viram o ocorrido e gritavam desesperadas:
- Um assassino! Socorro!
Ritcher voltou para o Cadillac, mas era tarde demais: uma viatura da polícia seguia pela avenida na mesma direção tomada pelo carro do banqueiro, vindo a mil na direção do assassino. Hora de fugir.
John pisou fundo e subiu pela rua, com a sirene da viatura gritando atrás.
- Atenção! Suspeito subindo pela 5th! – o policial berrava no rádio. — Solicito reforços!
Ritcher trocou de estação. Começou a ouvir blues dos bons.
A viatura zanzava atrás. Os dois veículos dançavam entre o tráfego.
John virou numa esquina. Por pouco o fugitivo não colide com um caminhão.
O reforço da polícia chegou: uma viatura vinha quente na frente de Ritcher. A colisão só não ocorreu pela razão de John ter subido na calçada, buzinando para que ninguém se ferisse, o que deu resultado, pois as pessoas saíram da frente saltando em desespero.
Agora eram duas viaturas gritando atrás de Ritcher, abafando o som do blues no radinho do Cadillac. Overdose de perigo.
Mais uma esquina vencida. O veículo dirigido por Ritcher ganha agora nova via. Velocímetro quase no máximo.
John saca a 9mm mais uma vez e dispara contra a sirene de uma das viaturas. Vidro voa num estouro. Estava nervoso.
Mais uma viatura entra na perseguição num cruzamento, seguindo o Cadillac junto com as outras duas.
Ritcher subiu mais uma vez buzinando na calçada. O povo foi saindo da frente, apavorado. Um caminhão carregado de galões de água surgiu no caminho...
O Cadillac se esquivou na hora certa, precisão incrível. A viatura que vinha na frente, no entanto, colidiu de frente com a carreta. Entre os galões rolando e a água vazando, asfalto encharcado, as outras duas viaturas continuavam firmes na perseguição.
Nova mudança de rumo.
- Atenção! Suspeito seguindo pela 34th Street! Repito, segue pela 34th Street! Solicito reforços imediatamente!
Ritcher mudou novamente a estação. Começou a ouvir rock pesado de novo.
Vinha vindo um caminhão. Dos grandes. John começou a seguir na direção dele. As viaturas atrás...
No último momento, Ritcher desviou. Apenas uma das viaturas também. A outra se espatifou de frente com o veículo, ferro sendo retorcido e um policial tendo o corpo moído nas ferragens. Vários carros frearam, confusão na rua.
A última unidade da polícia era boa: zanzava entre os carros repetindo exatamente a mesma coreografia efetuada pelo Cadillac. Oficial obstinado. Até que atingiram um cruzamento...
Um ônibus federal cheio de presos vinha por uma rua. Ritcher virou na esquina e passou batido, mas a viatura...
Choque violento. O carro da polícia quase capotou depois de girar feito pião. O ônibus quase nada sofreu, e seguiu em frente sem que o motorista nem ao menos parasse. Almas selvagens.
O Cadillac desapareceu dali. Fuga perfeita, em pleno coração da Grande Maçã.
Notas finais
Logo haverá mais.
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