A Refém De Hades

1 Capítulo 1 - Sierra Durter


1 — Sierra Durter

O despertador toca. Estico minha mão sem olhar para a claridade procurando o danado e paro o alarme. Suspiro e abro meus olhos, a calor está fraco, típico de um dia de inverno. Meu quarto, eu penso, meu simples quarto. Ele é todo cor de salmão apenas com o teto branco. Tem uma escrivaninha rosa, ármario antigo, minha cama, uma penteadeira e o banheiro. Voltei ontem de viagem da França, iria ficar mais alguns dias lá, mas não foi muito legal e então decidimos voltar para Nova Iorque. Você deve estar se perguntando: decidimos? É que eu moro com minha mãe. Meu pai morrera antes de eu nascer, em um acidente minha mãe me diz. Eu tenho um irmão mais velho, só que ele mora no Chile com a nossa avó maternal. Bocejo e me espreguiço, me levantando suavemente da cama e deslizando meu pé para dentro de uma pantufa azul.

Ando em direção do meu banheiro, me desviando da bagunça que eu deixara antes de dormir ontem à noite, quando eu havia chegado em casa de viagem. Vou terque arrumar tudo, penso e suspiro. Paro em frente à um espelho e solto de um coque, meu cabelo ruivo e ondulado nas pontas, ele cai lisamente, por causa da escova que fiz ontem. Eu tento sorrir, mas o danado do despertador me acordou no meio de um sonho que eu tive. Nele havia um senhor, ou melhor, um homem que aparentava ter vinte e quatro anos. Ele estava com o cabelo curto e preto voando pelo vento, em direção ao mar da praia de Montauk. O homem tem olhos verde-água, iguais aos meus olhos. Ele vestia uma roupa simples, short de praia branco e uma regata bege. Ele me fitava, e então, o danado me acorda e eu não consigo sonhar mais.

Vou em direção à pia e pego minha escova de dente azul-marinho. Coloco pasta nela e escovo meus dentes. Assim que termino, enxaguo minha boca e a escova e a guardo num pote dedicado à elas. Pego minha escova azul e penteio meu cabelo de cima para baixo, delicadamente. Eles estão lisos e então não me deixaria desapontada hoje. Entro no box e tomo meu banho. Termino minha higiene matinal e troco-me de roupa: Um colete jeans claro, saia preta e uma blusa branca. Hoje terá aula de natação, então estou com meu biquíni de peixes azuis em meu corpo. Calço uma sapatilha branca com flores coloridas e pego minha mochila.

Desço as escadas e minha mãe não está hoje em casa, dirijo-me para a porta da frente e meu ônibus aparece, subo-o nele e me sento nos últimos bancos, ainda há dois livres ao meu lado. Minha mãe é médica e então quase não para em casa, e quando para é apenas alguns minutos, mas tento aproveitar ao máximo os minutos com ela. O nome dela é Angelica, tem cabelos ondulados na ponta e ruivo — como o meu — e olhos pretos, para mim é a mulher mais bonita que eu já vi.

Olho pela janela do banco de trás para fora, pensando em como meu pai foi terrível em deixá-la. Eu suspiro, me dá vontade de procurá-lo se ele não estivesse morto, eu tiraria umas contas com ele. Eu balanço a minha cabeça, tentando mudar de pensamento e bato na minha testa, até chegar alguém e sentar ao meu lado, olho rapidamente para saber quem é e volto a olhar pela janela. É um garoto. Ele tem olhos azuis e cabelo curto e cacheado loiro, deve ter uns dezessete ou dezesseis anos. ELe deve ser novo na escola, nunca tinha visto-o antes.

Me ajeito no banco e não tento perguntar se ele era novo ou outra coisa. O ônibus para e eu olho para frente, tentando procurar o motorista. Ele está parado me encarando, do lado da primeira fila de estudantes. Ele manda todos saírem. Apenas eu e o novo garoto ficamos sentados, já que ele nos obriga.

O motorista começou a se transformar em algo mais ou menos como uma fúria da mitologia grega, eu presto muita atenção nas aulas de histórias. Eu tento levantar, mas o garoto põe a mão na minha frente e com um único movimento, tira uma espada da mochila e me joga para trás, ficando em pé para 'lutar' com o monstro. Ele desferiu um golpe contra o monstro, acertando-o na cabeça e transformando-o em um pó dourado.

O garoto guarda a espada na mochila e ajeita-a nas costas, ele se vira para mim e faz um gesto com a boca:

– Não aconteceu nada aqui. — Ele diz saindo e eu suspiro. O quê eu realmente vi? Uma fúria se transformar em pó dourado porque foi atingida por uma espada de um garoto. Eu ajeito minha mochila nas costas e saio, procurando Jennifer, minha amiga. Ela aparece abraçando um garoto, o Alex do 3° ano do Ensino Médio, o quase namorado dela. Ela se vira e corre até mim.

– Você não sabe quem veio para escola hoje? — Ela pergunta eufórica. Jennifer tem cabelo loiro e olhos castanhos claros, quase cor-de-mel. Ela usa uma saia de torcida rosa e um top branco. Seu cabelo está preso em um rabo-de-cavalo para trás. Eu nego e ela continua. — Jason Mandisson, um garoto da nossa turma. Ele é um gato!

– Mas, você não está quase namorando o Alex? — Eu pergunto e ela pensa assentindo. — Sei. Bem, estou indo para a aula de natação, beijos. — Digo indo para a aula. Fico apenas de saia e biquíni. Jason está lá, tentando parecer um novato legal, mas eu não tento fazer uma amizade com ele.

A aula de hoje é de dupla, terão que nadar debaixo da água o máximo que puderem, pegando os peixes de borracha que estão no fundo da piscina. Queria poder fazer dupla com Jennifer. Hoje seria as três turmas do Ensino Médio juntas.

– Jennifer e... Carter. — Carter é uma garota que dá em cima de Alex, e é da mesma turma que ele. — Alex e... Sierra. — E por acaso Sierra sou eu, se eu não havia contado. Jason e Jennifer olham para mim e eu tento fazer despreso de Alex, o garoto mais bonito e despresável do 3° ano.