2 — Sierra Durter

Alex mostra um sorriso mas eu o ignoro, ele não faz o meu tipo. Eu dou ombros e ele chega e fica ao meu lado, tento não olhar na cara dele. Alex é do tipo de badboy, ele só é bom com Jennifer, mas quando ele é persistente com algo, ninguém consegue livrá-lo daquilo. O apito soa, Alex e eu pulamos na água, Alex me empurra contra a parede da piscina, tentando me beijar, o que seria improvável de acontecer.

Eu tento me afastar dele, mas não consigo. Eu tento dizer para ele pegar os peixes de borracha, mas ele ignora. Alex me puxa para o fundo da piscina, que deveria ser uns três à quatro metros a baixo. Era incrível como Alex tinha bastante folêgo igual à mim. Não sei como, mas Alex consegue bater com tanta força em meu braço que chega a me machucar, eu acho que fraturei. Na hora em que Alex iria me beijar, alguém o puxa para cima. Alex já não está na piscina, tento criar forças para subir e consigo, Jennifer me puxa para cima. Meu braço dói por dentro.

Tento não fazer muitas caretas de dor. O tal garoto novo Jason, está discutindo com Alex. Me levanto com dificuldades e me desvio de todos ao meu redor indo em direção ao Jason e Alex. Eu os separo com o braço direito que não está machucado e grito para eles:

- Parem seus... seus idiotas! — Digo e eles param me encarando. — Não aguento mais nenhum dos dois e nem brigas o tempo todo. — Digo e bufo. Não aguento e ponho minha mão sob meu antebraço esquerdo e faço uma careta de dor. Eu suspiro e me retiro, percebo que Jason fica me fitando e Alex sorri, paro onde eu estou e encaro a piscina. Queria que Alex se ferra-se, penso.

Alex caí no chão e eu me viro, ao lado dele tudo está molhado. A água tinha o derrubado com suas forças, eu sorrio e saio em direção à enfermaria com o professor. Alex e Jason acompanham a diretora, até a sala dela. O enfermeiro termina de enfaixar meu braço esquerdo e ele me despensa com um atestado apenas. Assim que saio, a diretora me chama para a sala dela com Alex e Jason, caminho com ela.

Eu me sento na ponta de um sofá, enquanto Alex e Jason estão em pé. Eu suspiro, Jason toda hora me fita e Alex sorri.

- Bom, Sierra pode nos falar o que aconteceu debaixo da água? — A diretora olha em meus olhos. Crio coragem para falar o que houve.

- Bem, Alex queria me beijar e me puxou até o fundo da piscina e... não sei como conseguiu fraturar meu braço e logo isso, Jason o puxou para cima. — Eu digo e Jason sorrin desconfortável, não retribuo nada apenas ignoro. A diretora nos dispensa também, apenas com Alex de uma suspensão de um mês e Jason de três dias.

Saio da diretoria em direção ao meu ármario, pegando minha mochila e ajeitando-a em minhas costas. Vou até o ponto escolar e subo em um ônibus, Jason vem logo depois. Volto a olhar pela janela, tantas coisas me aconteceu hoje: A fúria se transformando em pó, o meu braço com fratura interna, Alex tentando me beijar e outras coisas além. Alex que está no banco da frente se vira e diz:

- Desculpe.- O quê? — Eu me viro para ele. Jason nos olha. — Seu imbecil, vai pedir desculpas para outra pessoa. — Digo. Alex tem cabelos castanhos e curtos e olhos castnahos claros. Me viro para a janela, logo para em casa. Eu saio do ônibus e entro em casa. Minha mãe está lá, sentada no sofá.

- Filha! — Ela corre para me abraçar e ficamos paradas na porta, nós nos afastamos. — A diretora me disse o que houve. Tudo bem né?- Tudo sim mãe, calma! — Eu arfo. Ela se acalma. — Eu vou para meu quarto, já desço. — Digo subindo e me jogando na cama. Não aguento o sono e fecho os olhos dormindo.

[...] Acordo com o sol refletindo em meu rosto, era como se alguém me chamasse. Estou com a mesma roupa do dia anterior, me viro e há um homem ao meu lado sentado na cadeira da minha escrivaninha. Ele tem cabelos loiros e curtos, olhos azuis e um aspecto de alguém de dezenove anos. Eu dou um grito, minha mãe não está em casa.

- Quem é você? — Pergunto, tento me acalmar e consigo. Tudo acontece rápido comigo mesmo, então não faria diferença. Ele solta um risinho mas volta ao normal.

- Acho que você me conhece. E você é Sierra Durter, certo? — Eu assinto. — Meu filho me falou sobre você.

- Quem é seu filho?

- Isso te interessa? Você nem fala com ele, nem um oi. — Eu suspiro.

- Quem é você? — Pergunto novamente.

- Apolo, deus do sol e medicina. — Ele diz e eu assinto.

- Agora eu sei porque você tem tanto ego e irônia em suas palavras. — Eu digo e ele me fuzila com o olhar.

- Eu poderia te incenerar a qualquer momento. — Ele diz.

- Mas não pode. — Digo.

- Como?

- Vejo em seus olhos. — Eu comento. Ele se levanta.

- Agora você é vidente ou bruxa? Aprendeu com Hécate? — Ele pergunta e eu rio irônica.

- Não! Seu imbecil. — Eu digo me levantando. Ele ri irônico.

- Agora eu entendi porque você é tão assim. — Ele diz.

- Por quê?

- Não vou dizer ainda, não tenho permissão. — Ele diz. — Tchau. — E some em um pó amarelo. Eu suspiro e vou em direção ao banheiro, em cima de um pano que está sobre a pia, há algo de comer e um bilhete bege. Abro para ler e está escrito:

Querida Sierra, Soube do seu braço quebrado por um filho de Apolo. Há um pouco em cima desse pano ambrósia, para curar sua fratura. Por favor, confie em mim. De: Hermes.

Eu suspiro. Como um pouco da ambrósia e logo me sinto melhor. Tiro o gesso e entro no box. Faço minha higiene matinal e logo me troco: Um short jeans, blusa branca e uma jaqueta jeans. Saio do banheiro e penteio meu cabelo, prendendo-o em um rabo-de-cavalo para trás. Pego minha mochila e ajeito-a no meu ombro e desço, indo em direção para a frente da casa, esperando o ônibus.

Ele chega e eu subo e sento no mesmo lugar, Jason senta ao meu lado.

- Tudo bom? — Ele pergunta e eu nego. — Por quê?

- Quem é seu pai? — Eu olho no fundo dos olhos dele.