A Realeza
1 Capítulo 1
As Luzes de teto balançavam e piscavam e cada vez parecia que ia queimar, a enorme janela do cômodo fazia o trabalho de iluminar o local, mas esse trabalho já estava acabado já que o sol lá fora estava se pondo.
Darella colocou o pincel na água a fim de troca a tinta laranja pela tinta preta. A progressão da pintura no cavalete ia bem, apenas faltavam os toques finais, e como sua fonte de inspiração estava indo embora a garota precisaria se apresar. Ela retirou o pincel da água e secou seu avental que um dia fora branco, tocou na tinta preta em sua paleta e deu os retoques precisos para a terminação do quadro.
— Me diz que você não vai demorar muito para termina isso?
A garota se assustou e isso a quase fez borrar no desenho, ela pegou um dos pincéis livres que estavam em cima da mesa ao seu lado e jogou no intruso.
— A claro, isso é muito efetivo — Julian falou sorrindo para a loira com o pincel na mão.
— Você sabe não se deve interromper um artista quando ele estiver criando — a menina justificou.
— Mas sabe, os policias já vão está aqui para fazer a ronda e se eles te pegarem aqui já era — o tom sério do rapaz fez a menina fecha a cara.
— Eu não sou tão procurada assim — ela cruzou os braços
— Não no formato feminino.
Alguns segundo se passaram em silêncio e quando Darella tentava forma alguma coisa em sua mente.
— Bem, eles nunca viram meu rosto então não tenho muito do que me preocupar — A loira falou guardando seus materiais de pintura.
Guardou os objetos em um armário pequeno que ficava no canto da sala, o cavalete era o mais fácil e o menos chamativo, apenas tirou seu quadro do objeto e colocou nas mãos de Julian que fez uma cara feia, depois deitou o cavalete de forma que parecesse que tinham abandonado o objeto ali.
— Não acho que eles iriam te prender, mas fazer outras coisas, ah sim, eles iriam — Julian falou irônico e com um sorriso malicioso no rosto.
— Eles são tão podres quanto seus pensamentos — A garota falou chegando tão perto do garoto que ela já podia sentir sua respiração.
— Mas você adora esses pensamentos podres — Ele sorriu e aproximou o rosto do dela.
A loira pegou o pequeno quadro das mãos do rapaz e caminhou até a porta, parou e olhou para trás com um sorriso.
— No lugar certo e no momento certo — Um sorriso malicioso se formou no rosto da garota que saiu pela porta logo em seguida.
Julian não ficou para traz e tomou cuidado quando fechou a porta. Ele não precisou desligar as luzes, a lâmpada queimou assim que o moreno fechou a porta.
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O Palácio Real não estava em festa, o silêncio se propagara por todos os corredores e nem mesmo os passos dos criados era ouvido. A rainha Melissa se encontrava em choque, sentada ao lado da cama de seu filho, a mulher mantinha as mãos juntas e os olhos fechados.
Quando a porta abriu, a rainha olhou para a entrada e encarou seu marido, de aparência cansada o homem se aproximou da mulher e colocou sua mão sobre o ombro dela.
— Como ele está? — o homem falou em voz baixa.
— Indo de mal a pior, o que faremos Edgar?- A voz da mulher saiu fina, ela enxugou um pequeno filete de lágrima que teimava em escapa de seu rosto — Os médicos disseram alguma coisa?
O Rei fechou os olhos por alguns segundo e negou com a cabeça, ele conseguia ouvir os soluços de sua esposa. Relutante, ele abriu os olhos novamente, seu coração se apertava toda vez que via aquela cena, nenhum pai gostaria de ver aquilo.
O Príncipe estava deitado na cama, seu rosto pálido e fundo, os cabelos que algum dia foram loiros e brilhantes, estavam sem vinda. O peito do jovem subia e descia lentamente, essa era pista dizendo que o garoto estava vivo.
— Eles disseram que não tem cura. — Edgar não queria falar, mas era melhor que iludir a mulher com falsas esperanças — Temos que arranjar um novo herdeiro.
O tom frio e indiferente do homem fez a rainha levantar a cabeça, a maquiagem borrada e os olhos vermelhos mostravam que a mulher chorava.
— Como você pode ser tão indiferente, é seu filho que está morrendo nessa cama e você só pensa na coroa — A mulher começou gritando a frase, mas o final não passou de um leve sussurro.
— Eu sei que é meu filho, e eu estou sofrendo muito com isso, mas não posso parar de pensar no povo.
Um silêncio de poucos segundos se instauro no quarto, nenhum dos dois tinha alguma ideia do que fazer a rainha só queria encontrar uma cura ou ficar o máximo do tempo que resta com seu filho, ela não ligava, ou melhor, não queria saber de política naquele momento delicado.
O Rei fechou os olhos e começou a caminhar pelo quarto e colocou a mão no queixo. Ele se preocupava com o filho, assim como se preocupava com o Reino. Sem um herdeiro digno o povo poderia ficar desamparado.
Ele abriu os olhos novamente e encarou por um tempo sua mulher e novamente seu filho e saiu do quarto sem falar alguma palavra.
Em meio aos corredores e perdido em seu próprio mundo, Edgar andava lentamente com a mão no queixo.
— Se continuar assim, sua cabeça vai pegar fogo. — Alguém falou atrás do homem, que foi retirado brutalmente de seus devaneios.
— Igor, eu realmente não sei o que fazer — Edgar falou, reconhecendo a voz de seu irmão.
— Você sempre foi um bom líder, sabe tomar as decisões corretas, encontrara uma saída — O Jovem colocou a mão no ombro do rei.
Edgar e Igor eram completamente iguais, apensar de Edgar ser apenas dois anos mais velho, os dois tinham os cabelos loiros e os olhos castanhos, muitos diziam que eles eram gêmeos. Depois da morte do antigo rei, quando Edgar assumiu o trono, Igor virou seu conselheiro e braço direito sempre o auxiliando nos piores momentos.
— Você poderia começar a treinar Cátia ou Dimitri — Igor falou, ficando de frente para seu irmão.
— Eu já pensei nisso, mas os dois são muitos novos e também, foram mimados demais, não sabem e não ligam para a necessidade do povo, eles jogariam esse País na lama. — O rei falou com pesar.
Os dois passaram alguns segundos em silencio, olhando para o nada. Diversas vezes Igor abriu a boca, mas a voz não saia e ele voltava a fecha-la novamente. Por fim, ele decidiu se arriscar.
— E... A filha de Megan? — O conselheiro perguntou e se arrependeu no momento em que proferiu as palavras.
O semblante do Rei, que antes era de preocupação, agora virara de tristeza. Megan, a mulher que ele realmente amou em toda a sua vida. A mulher havia engravidado dele e depois que teve a garota simplesmente fugiu. Edgar chegou a conhecer a menina, mas não manteve um laço ou alguma ligação com ela, apenas fora apresentado como pai.
— Quantos anos ela tem atualmente?
— Dezoito anos, quase a idade de Felipe — Igor falou animado pela reação de seu irmão.
— Dezoito? A ultima vez que a vi, ela tinha oito... — Edgar coçou o queixo novamente.
— Então, o que acha da ideia?
— É boa, mas não sei como Melissa irá reagir, afinal, a garota é uma bastarda e ainda por cima é filha de Megan — O rei voltou a ficar preocupada novamente, sua mulher nunca tinha esquecido essa traição e agora, com seu filho mais velho acamado, seria uma facada nas costas da Jovem Rainha — E ainda tem a questão dos ministros, eles são muitos rígidos e carrancudos com esse tipo de assunto.
— Então convencerei cada um, você sabe que eu consigo fazer isso — Igor sorriu confiante e estufou o peito.
— Então, mande procura-la, eu vou querer falar com ela pessoalmente.
Igor concordou com a cabeça, fez uma breve reverencia para o irmão e seguiu seu trajeto para acatar as ordens. Edgar se virou para uma das janelas e observou a cidade, não seria difícil achar a menina uma vez que eles já sabiam onde ela morava. O problema seria as lembranças que ela traria para o homem.
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