Julian colocou o quadro de Darella em uma parede lisa da cozinha e agora no café da manhã ficava observando o objeto. Ele nunca conseguira entender a arte ou do porque as pessoas jogavam tinta na tela e dizia que aquilo eram seus sentimentos, ele até tentou entender por Darella, mas realmente ele nunca conseguiu.

O de agora ele achava que representava o por do sol na cidade, havia prédios cinzentos e entre eles uma luz alaranjada ia para cima em e se transformava em uma espécie de mistura entre azul e laranja que Julian considerava ser roxo.

— É o por do sol – A voz de Darella invadiu a cozinha quebrando o silencio.

A loira trajava uma das blusas de Julia, uma blusa branca social que era maior que a garota, Julian podia apostar que ela usava nada ou apenas um pequeno short por debaixo da peça, ele balançou sua cabeça tentando fazer esses pensamentos sumirem.

— Finalmente uma coisa que eu entendi – ele falou esticando os braços para cima – Não consigo acreditar que você passou toda sua semana acordando cedo e fazendo isso.

— Meu passatempo – ela falou colocando café em uma xicara e sentando a mesa junto com ele – Além de corta cabeças é claro.

— Você virou uma garota sádica – Julian falou sorrindo.

— Corra antes que eu pegue o chicote.

Julian soltou uma risada baixa e terminou seu café, o moreno olhou as horas em seu relógio e soltou um suspiro cansado.

— Hora do trabalho – ele resmungou.

— É o que os adultos fazem, não é? – Darella não olhava para Julian, ela estava concentrada em passar a manteiga no pão.

Julian se levantou e andou em passos lentos até Darella, a loira observou cada passo com as sobrancelhas arqueadas. Com um sorriso no rosto ele se abaixou e sussurrou na orelha da garota:

— Existem outras coisas que os adultos fazem – ele sorriu e se endireito -, mas infelizmente não posso lhe mostrar agora.

— Estarei esperando essa demonstração à noite, querido Julian – A loira tinha um sorriso bobo no rosto.

O homem depositou um beijo na testa da garota, pegou suas coisas e saiu da casa dando um breve “volto logo” e assim fechou a porta, deixando Darella sozinha em uma grande sala branca decorada com vários quadros dos dois. A loira suspirou e jogou sua cabeça para traz encarando o teto também branco e fechou os olhos por alguns segundos experimentando a paz que raramente tinha.

A paz que foi interrompida por um toque estridente de celular.

— Hora de trabalhar – Darella resmungou e se levantou da cadeira, pegando apenas uma jaqueta preta ela saiu pela porta sem dizer nada.

~

Igor massageava sua têmpora fortemente, havia virado a noite procurando e lendo documentos que poderiam leva-lo até a bastarda do rei e achava incrível o quanto pouco existia sobre a garota, alguns registros médicos, certidão de nascimento, documentos escolares e uma foto de sua formatura. Além do documento que mostrava que Megan havia morrido a cinco anos atrás.

Aquela garota estava vivendo sozinha a cinco anos? Igor soltou grunhido e jogou a ultima pasta de documentos em cima da pilha que havia sobre a mesa, apoiou seus cotovelos na escrivaninha e enterrou sua cabeça em suas mãos.

Ele nunca achou que uma jovem de dezoito anos seria tão difícil de achar, era como se ela tivesse sumido do mundo depois do ensino fundamental ou até mesmo trocado de nome. Talvez ela não estivesse nem mesmo no reino e sim em outro lugar pelo mundo.

Afinal suas notas escolares eram boas, ela poderia muito bem ter ido estudar em alguma academia no exterior, o que tornaria o trabalho de Igor mais difícil.

O rangido da porta fez Igor sair de seus devaneios, ali na sua frente estava parada Cassandra, sua filha mais nova.

— Sabia que estava acordado – ela deu um sorriso travesso.

— Que horas tem? – Ele perguntou se recostando na poltrona.

— Esta para chegar ao meio-dia – Ela falou olhando para o relógio em seu pulso – Você virou a noite e também não tomou o café da manhã, mamãe esta uma pilha de nervos.

Igor suspirou pesadamente e voltou seu olhar para sua filha.

— Diga que não é só um trabalho, mas também um pedido do meu irmão – Ele falou cruzando os braços.

— Quem você esta procurando?

— Uma prima sua.

— Prima? – Cassandra arqueou as sobrancelhas – Cátia não esta desaparecida, ou está?

— É um assunto complicado e sensível, agora papai precisa trabalhar.

— Agora você precisa almoça com a gente, hoje o Lucio vai vir em casa – Cassandra andou até a escrivaninha numa tentativa de ver a foto de sua nova prima.

— Bom, então vamos – Igor falou e rapidamente guardou os arquivos do caso – Você não deveria se interessar por essas coisas.

Cassandra reclamou baixinho e frustrada saiu da sala sem dizer nada e sem ao menos olhar para traz. Enquanto sentia um alivio o invadir ao ver ser filho retornando para casa, ao mesmo tempo em que teve uma ideia.

~

Se Darella não tivesse prendido seu cabelo em um rabo de cavalo alto ele provavelmente estaria todo sujo de tinta vermelha, assim como sua roupa e o lugar onde ela estava. Foi descuidada e quase perdeu a vida nesse jogo que ela tanto se acha a melhor.
O homem a sua frente já estava morto há muito tempo, mas mesmo assim ela continuava a encara-lo, arfando como se estivesse acabado de fazer uma corrida longa, mas nenhum pingo de suor brotava em seu rosto.

Ela limpou um pouco do sangue que havia em sua bochecha com a costa da mão, não foi muito eficiente, afinal a macha vermelha apenas se espalhou mais em vez de se extinguir.

Darella não considerava matar uma coisa difícil, na verdade, ela até se espantou com a facilidade que uma vida miserável poderia acabar por um causa de outras pessoas, maus contatos e até mesmo palavras ditas em locais errado.

Esse homem tinha feito um ato horrível e ela estava feliz com o pagamento que receberia por sua miséria.

— Acho que terminei por hoje – Ela sussurrou e finalmente se mexeu.

A loira se abaixou ao do corpo e olhou por algum detalhe no corpo, limpo apensar de todo o estardalhaço que ocorreu no local, mesmo tendo feito o que fez ele ainda lutou por sua filha. Ela entalhou na bochecha do homem uma estrela de quatro pontas.

Aquilo seria o suficiente.

Sem chamar a atenção ela saiu da casa pela mesma porta que havia entrando, a porta dos fundos e caminhou lentamente e cuidadosamente pelo gramado até chegar a um carro preto que estava estacionado perto da cerca que indicava o fim do terreno. Ela abriu a porta e rapidamente se jogou dentro do automóvel.

Além do motorista que não mostrava seu rosto havia uma mulher dentro do carro, ela soluçava baixinho e se chega-se perto o suficiente dava para ver que ela tremia, assim que Darella entrou no carro a mulher a encarou com os olhos arregalados, analisou sua roupa e depois desviou os olhos encarando algo no chão.

— Obrigada – A mulher resmungou, não havia sequer emoção em sua voz.

Eles deixaram a mulher em um lugar qualquer da cidade e seguiram viagem.

— Estamos aceitando encomenda agora? Por acaso fazemos pizza e fazemos entregas a domicilio também? – Darella perguntou olhando para o motorista pelo retrovisor.

— Ela é uma amiga próxima de uns dos puxa saco do chefe, sabe como é – O homem falou, tirando a mascara que cobria seu rosto, revelando inexpressíveis olhos castanhos – Agora da para você trocar de roupa, o cheiro de sangue me incomodar, ainda mais sendo o sangue de um estuprador.

— Fresco! – Ela falou – Isso é resultando de um trabalho bem concluído.

— Como uma pessoa tão jovem como você pode ser experiente nesse ramo? – O homem arqueou a sobrancelha.

— Eu poderia dizer que a vida foi cruel comigo e que eu me tornei um completo ser das trevas por causa disso, mas estaria mentindo – Ela falou, pegando algum tipo de sacola que havia no banco do passageiro – Eu fui burra, isso sim, no entanto quando se entra em um lugar como esse é difícil sair, pequeno Sebastian.

Sebastian apenas a encarou sem dizer nada e ela agradeceu ao pelo fato de ele não fazer mais perguntas como outras pessoas já fizeram. Era verdade isso, ela foi completamente burra ao confiar nas pessoas erradas e acabar em uma ordem de pessoas contra o governo e depois em uma rede nacional de assassinos de aluguel que era conhecida por ser sangrenta e sem escrúpulos, o que ela considerava extremamente exagerado.

Julian tentou ajuda-la, tentou tira-la de tal lugar, mas ela já estava até o pescoço e envolvida demais para conseguir sair viva daquele lugar. E a única coisa que ela pode fazer foi impedir que Julian sucumbisse a essa miséria que era a vida de alguém que age nas sombras. Mas ela tinha que admitir, o salario era bom, ela conhecia pessoas interessantes, sabia de coisas sigilosas e perigosas e até mesmo fizera algumas amizades confiáveis nesse ramo.

Mas infelizmente tudo isso tinha um preço bem alto, sua sanidade. As vezes ela se pegava perguntando para si mesa ‘’Por que não acabar com isso de um forma mais simples?’’, mas então Julian entra em sua mente e ela volta si.

A roupa que estava dentro do saco era algo bem diferente, um vestido branco de alcinha com estampa de flores, o vestido perfeito para uma garotinha usar em um dia de verão ou em um piquenique com seus amigos de escola, além de parecer algo que somente uma criança rica usaria hoje em dia. Darella pegou o vestido e olhou para Sebastian com as sobrancelhas arqueadas.

— Não fui eu que escolhi – O homem falou dando de ombros e voltando sua visão para a estrada.

— Algum dia eu vou matar o Steve – Darella resmungou e ouviu Sebastian dar uma pequena risada.

Relutante a loira vestiu a roupa e descartou a suja dentro da mesma sacola, ela não sabia para onde essa roupa iria e muito mesmo queria saber. Deixando a sacola de lado ela olhou novamente pra Sebastian.

— Onde é a próxima parada?

— Não é nada de mais, apenas um sequestro – Ele deu de ombros – Samuel disse que vai ser uma coisa fácil.

— Sequestro? Achei que tínhamos parado com essas coisas.

— Encare mais como se fosse um resgate – Sebastian arriscou olhar para traz e deu sorrisinho.

— Estamos virando um centro de caridade agora?

— Não é algo desse jeito, o alvo em questão aparentemente é um vendendo de informações e os rumores dizem que ele tem informação sobre alguém que vocês procuram há muito tempo.

Marcos, esse foi o primeiro nome que vem na mente da garota. O antigo líder da organização havia sumido a alguns anos atrás, deixando tudo na mão de seu pupilo favorito, Samuel.

O mesmo passara todo esse tempo procurando informações sobre o homem e sobre o que poderia ter levado o mesmo a sumir sem nem mesmo explicar suas decisões. Agora Darella era a mão direita do atual líder, a mão assassina e assim como ele estava confusa e buscava resposta sobre tal ato.

O que fez Darella criar esperanças no seu coração. Ela queria saber mais sobre o homem que ela considerava como pai.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.