A Queda Do Sequestrador Divino
3 Uma Possibilidade Improvável
O garoto subiu os degraus da varanda e inclinou a cabeça num sinal de saudação. Pulei da cadeira e ofereci para ele se sentar.
–Nós devemos cuidar dos irmãos.
–Espera, – ele falou – irmãos?
–Sim. Acho que Quíron já te explicou. Sou Daiane, sua meia-irmã, filha de Poseidon. – ele ficou em silêncio – Sabe, para existir uma boa conversa entre parentes, as pessoas devem se apresentar.
–Ãh, desculpe. Sou Leonardo Radavelli.
–Ok, vou te chamar de Léo. Nossa, que cara morta, tudo bem com você?
–Sim, eu só precisaria tomar um banho e trocar de roupa.
–Eu te levo para o chalé. Depois posso te mostrar o acampamento.
D se mexeu na cadeira.
–Ei, Rodavelha, você está nas melhores mãos possíveis. – Deu uma piscadela e entrou na Casa Grande. Quíron se despediu, foi atrás e fechou a porta.
–Vamos, Cara Morta. Vamos para o Palácio. – Comecei a descer os degraus.
–Palácio?
–O chalé, Cara Morta, o chalé. Você tem alguma afeição por essa lança?
–Não. – Eu ofereci a mão, ele me deu a arma quebrada. Nós chegamos na área dos chalés.
–Então você não se importa se eu jogá-la fora?
Ele deu de ombros. Peguei a lança e a joguei na fogueira.
-Vamos. É esse ali.
Abri a porta, deixei Léo entrar e fechei novamente.
–O Palácio.
–Daia? – Isabel chamou do nosso beliche.
–Sim, sou eu. Trouxe mais um meio-irmão.
–Hum, oi – ela sentou na cama de baixo.
–O nome dele é Leonardo, mas chama ele de Léo.
–Sou Isabel. – ela se virou pra mim — Ele não fala? – ela pergunta com a voz meio sonolenta.
–Falo sim – ele diz. – Só estou meio cansado.
–Ah, é. Dá a volta por ali fora, você vai achar os banheiros. Depois volte aqui, para o tour.
–Ok.
Ele abriu a porta e saiu no sol do meio-dia. Isabel fez “psiu”.
–Oi. –disse, já me sentando ao seu lado.
–Poseidon? Mesmo?
–Sim, eu vi o símbolo, por quê?
–Será que é proibido namorar meio-irmãos? – ela falou, com aquele sorriso estranho estampado no rosto.
–Acho que não, já que os deuses são... – dei um sorrisinho — espera, sua safadinha.
–O que foi? Eu só pensei. – ela gargalhou – Será que eu poderia te acompanhar no tour?
–Tudo bem. Mas nada de exagero, ok?
–Ok.
Léo abriu a porta.
–Onde eu posso guardar minhas coisas?
Apontei para as gavetas ali perto.
–Eu durmo aqui em cima – apontei para a cama do alto do beliche. A Isa dorme aqui, então você pode dormir ali.
Apontei para o beliche do outro lado do chalé. Léo foi até lá.
–É melhor ele ficar longe de você – sussurrei para Isa.
Nós sorrimos. Léo falou:
–Então, posso ver o que é que tem de tão legal nesse acampamento?
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