Isabel saiu logo depois de Léo, fechando a porta do chalé de Poseidon, e nós fomos em direção ao pinheiro.

–Vamos até a colina, para você ver tudo de cima – disse, andando de costas.

–Ok – falou Léo.

–Depois a gente pode ir até o pavilhão, almoçar. É rápido – pisquei para ele e me virei para Isabel. Ela andava um pouco atrás de Léo, hesitando.

–Eu vou dar um oi para D. Encontro vocês lá em cima. – ela juntou as mãos e formou a palavra “obrigada” com os lábios.

Saí correndo a tempo de ouvir Léo perguntar quem era D e Isabel responder:

–Dionísio, deus do vinho. Daiane não se contenta só com UM pai divino.

Eu dei uma gargalhada e avancei para a Casa azul mais legal do mundo.

Subi os degraus da varanda e abri a porta.

–Olá, alguém ai? – subi as escadas, até o sótão. D estava vendo uma foto e por um momento percebi que caíam lágrimas em sua face. Ele me viu e virou-se, limpando o rosto.

Entrei, peguei a foto e sentei ao seu lado. Havia dois garotos muito parecidos. Pólux e Castor, pensei.

–Você ainda sente falta dele, não é? – Castor foi morto na Batalha do Acampamento, há sete anos.

D sorriu e falou com a voz rouca:

–Ele era um bom filho, tão querido. Sempre defendia os irmãos. Defendeu o acampamento, morreu pelo acampamento.

–É, ele era um bom campista – Abracei D e ele encostou a cabeça em meu ombro.

–Bom, eu só vim dizer oi, preciso mostrar o território para o novo campista. Você vai ficar bem?

Ele fez que sim com a cabeça. Dei um beijo em sua bochecha e desci a escada do sótão.
Saí da casa e subi até a colina, onde Léo e Isabel estavam sentados num silêncio embaraçador.

–Voltei – dei a mão para Isa se apoiar, ela levantou e depois ajudei Léo.

–Vamos ver se você guarda tudo – apontei para a parte “muito verde” do acampamento – Ali é a floresta onde nós jogamos Caça à Bandeira. Eu te explico isso outra hora. Você não vai jogar tão cedo, no inverno não dá nem um time.

Expliquei onde tudo ficava. Léo escutava com muita atenção e as vezes Isa lembrava algum detalhe, só para não ficar em silêncio.

–Vamos ver a Rachel – opinou ela.

–Quem é Rachel? – Léo perguntou.

–A nossa oráculo. Vamos. – chamei.

Rachel estava almoçando no pavilhão. As aulas dela haviam terminado há três dias. Sentamos ao seu lado.

–Olá, Rachel. Esse é Léo, novato de Poseidon.

–Olá – ela apertou a mão do garoto e começamos a comer. Rachel virou-se e perguntou:

–Qual é a história desse? – dei de ombros.

–Acho que é hora de falar sobre você, Cara Morta.

Antes de Léo abrir a boca, Rachel ficou envolta em uma fumaça verde. Parecia enjoada e por um momento achei que ela fosse vomitar.

Mas daí eu lembrei que ela era um oráculo.