-Então, Srta. Horkswald... Poseidon tem uma conta cheia assim pra todos os seus filhos? – Léo perguntou.

-Claro que não. Isso é um fundo de emergência do D. Ele disse que eu poderia usar o quanto precisasse.

-Espera, Dionísio está bancando a nossa missão? – Isabela quase teve um ataque. – Ele realmente gosta de você!

-É, certo. – falei – Vamos, não podemos perder tempo.

Entramos novamente no táxi:

-Pode seguir a viagem. E sim, nós temos dinheiro. – mostrei a ele algumas notas de cem. – Ah, e não tente nada estúpido, por favor. Quando chegarmos lhe pago com uma... gorjeta incluída se você for rápido.

-Sim, senhorita. – o taxista ligou o motor e nós começamos nosso passeio.

-Estou começando a gostar do “senhorita”. – virei para a janela e encostei minha cabeça no vidro, vendo quão linda a cidade era, e adormecendo.

...

Estranhamente não tive sonho algum. Foi um sono pacífico e pareceu muito rápido. Rafael balançava meu ombro e chamava meu nome.

-Ei, nós paramos.

-Onde está todo mundo? – perguntei, vendo o táxi vazio.

-Eles foram para a lanchonete. – respondeu – Ahn, Daiane... Feliz Aniversário.

Quando processei as palavras, pensei em três coisas: Primeira, não sabia ao certo que dia era. Segunda, como ele sabia que era meu aniversário. E terceira: Deuses! Ele me desejou feliz aniversário.

-Hum, obrigada. Mas como você sabia? – perguntei ainda confusa.

-Dia 23 de junho, certo? No meu primeiro verão eu vi o Sr. D. te parabenizando.

Ele estava no acampamento há três anos e ainda lembrava-se disso...

Nesse momento imaginei como estava meu rosto. Vermelho. Confere.

-Certo. Lanchonete, não é? Estou faminta. – foi tudo que consegui dizer.

-Sim, vamos.

De acordo com meus cálculos, estávamos fora do Acampamento há dois dias. Saímos de Nova York lá pelas onze horas da manhã. Como era dia 23, presumia pela luz fraca do amanhecer que eram umas cinco horas da madrugada. A lanchonete à frente ficava em um local meio deserto. Entrei pela porta e senti um cheiro delicioso e difícil de esquecer. Panquecas.

Sentamo-nos à mesa junto com o taxista e nossos amigos meio-sangues.

-Onde estamos? – perguntei.

-Na saída de Orlando. A fome era muito grande para esperar. – disse o taxista.

Uma garçonete veio até nós e anotou os nossos pedidos. Depois de minutos de silêncio, ela voltou com a comida.

Eu realmente estava com fome. E panquecas, bem... Eram panquecas. Detonei a comida num piscar de olhos.

Depois de pagarmos o “café da manhã”, entramos no carro e continuamos nossa viagem.

Eu ainda estava tentando entender como pude dormir por dezoito horas, quando reconheci a paisagem por meio de fotos que Thalia me mostrara. Estávamos perto da floresta. O táxi parou.

-Ahn, essa rodovia é privada. – o taxista informou.

-Tudo bem, continue. Você pode nos deixar na Transocean Office Center e voltar. De lá, eu tenho carona para o museu. – disse sem pensar.

-Mas... – ele se interrompeu – tudo bem.

De Orlando até o escritório foram quase três horas. Paguei pela viagem e esperei o táxi sair de visão.

-Por que nós paramos no meio do nada? E quem você conhece aqui? – Isabela perguntou.

-Não conheço. Vamos. – comecei a andar pela rodovia.

-Seria bom se você explicasse aonde vamos. E por que você não deixou o táxi nos levar ao Museu? – Isabel se juntou a mim.

-Porque nós não vamos ao museu. Está vendo aquela coisa lá na frente? – apontei para um local onde havia casas junto de muros brancos. – Nós vamos até lá.

Eles cederam e me acompanharam. A caminhada demorou uns 30 minutos. Quando parei em frente ao portão, virei para o mar e respirei fundo. Fazia muito tempo que não via Thalia.

-Avalon Beach? – Rafael perguntou.

-Sim. O mar eu não sei explicar, mas faz sentido o refúgio das caçadoras ser no meio da floresta em uma rodovia privada, não? – respondi.

Léo, que ficou quieto o caminho todo, falou:

-O que fazemos agora?

-Não é óbvio? Apresentamos-nos. – dei de ombros.