–Já lhe disse. Lady Ártemis não está recebendo visitas. – A caçadora cruzou os braços e avançou, impedindo-nos a passagem. – Você deveria falar com nossa tenen...

–Ah, que ótimo! – Uma voz familiar soou atrás de mim. Uma voz nada feliz. – Meu dia acabou de piorar, como se não bastasse levar uma surra de um urso do mal.

–Ah, sim. Falarei com sua tenente. – virei para o lugar de onde viera a voz. – Como é bom revê-la, Thalia.

–Gostaria de poder dizer o mesmo, Daiane. – Sua voz deixava bem claro que ela não queria conversa.

–Ah, qual é! Você ainda está ressentida? Quando vai deixar de lado isso e me escutar? – falei um pouco mais alto do que o pretendido.

–Talvez quando você pedir desculpas. – Thalia mexia no cabelo rebelde. Minha impressão era que a qualquer momento ela poderia pegar seu acessório que se transformava em arco e me fulminar com uma flecha.

–Desculpas por uma coisa que não disse? – repliquei irritada.

Ninguém falou. Por fim, me cansei dos joguinhos e disse:

–Certo. Desculpe por... ferir seus sentimentos e falar mal do seu modo de viver...? – Cheguei mais perto. – Você tem que acreditar em mim. Essas palavras nunca saíram da minha boca. Eu respeito vocês. Eu... eu queria fazer parte disso. –gaguejei – Você não vê do que os deuses são capazes de fazer para terem o que querem? Acredite, eu faria qualquer coisa para conhecer o mundo ao lado de uma deusa. Gosto da ideia de ser imortal.

Um vislumbre de um sorriso passou pelo rosto de Thalia.

–Você e seu ego. Eu sempre acreditei, mas não parava de pensar em como havia soado real toda a história. Venha aqui.

Thalia abriu os braços e eu a abracei.

–Como é bom conversar com você, velha amiga. – soltei-a – Falando nisso, qual a sua idade agora? Vinte e três?

–Olha, a última vez que comemorei estava com quinze. – Nós duas sorrimos. – Vamos para dentro.

Thalia olhou para a caçadora que falara comigo alguns minutos atrás.

–Os garotos também podem vir. – deu de ombros – Sempre há uma excessão.


...


No terreno haviam duas casas para as caçadoras, que haviam multiplicado seus números desde a última vez que as vira. Entramos na casa mais próxima, onde Thalia avisara que encontraríamos Ártemis.

Depois de um almoço muito gostoso, fui até uma sala para esperar a deusa.

–Toc, toc. – Thalia entrou e se sentou em uma poltrona de couro. Por um momento ficamos em silêncio. Eu sabia o que viria a seguir e não estava nem um pouco ansiosa.

–Então, sobre o que você falou antes... Você ainda gostaria de se juntar a nós? – Thalia ficou na ponta da poltrona.

Várias imagens passaram em minha cabeça. Alguns anos antes, quando eu ficara maravilhada com a ideia de caçar monstros em vez de ser caçada. E os últimos acontecimentos que mexeram comigo, como uma tempestade em alto mar.

–Eu, eu... não sei.

Thalia abriu a boca, mas qualquer coisa que pretendia falar foi interrompida. Uma garota entrou na sala e senti um formigamento percorrendo meu corpo. Fiz uma reverência, o que achei estúpido, mas aprendi a não ser grossa com os deuses. Eles são muito poderosos.

–Lady Ártemis – disse Thalia à minha direita.

–Thalia. Daiane. – me perguntei como ela sabia meu nome – Fiquei sabendo que você quer ajuda para achar um deus menor.

–Ah, sim. Gostaria da sua permissão para levar Thalia conosco. Ela sabe onde podemos encontrar esse deus menor.

Thalia virou-se para mim com uma expressão do tipo “Sei? Espera, por que eu?”.

–Contanto que a traga de volta logo. – A deusa sorriu.

–Ah, sim... Prazos. Preciso cumprir um até hoje à noite.

Ártemis assentiu.

–Se vocês acabarem antes do pôr do sol ficarei feliz em levá-los até o Olimpo com minha carruagem.

–Certo. – virei para Thalia que estava com a testa franzida. – Podemos ir então?


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.