A Queda Do Sequestrador Divino
9 Socorremos o Mundo Grego ou Quase Isso
O primeiro vislumbre do mundo mortal não foi lá aquelas coisas. Era tudo muito parecido com o acampamento. Tudo muito verde.
–Vamos, Daiane. – Isabela puxava meu braço. O táxi-van estava do outro lado da estrada, esperando.
Coloquei a mochila no ombro, dei uma olhada em meu pulso e sentei no banco do passageiro.
–Para onde crianças?
–Empire State Building – disse Rafael, atrás de mim.
O velho taxista deu uma risada e olhou pelo retrovisor:
–O que cinco crianças vão fazer no Empire State?
–Uma coisa mais importante que seu trabalho. – falei carrancuda – Agora, vá logo. Nós não temos muito tempo.
O motorista ficou quieto o caminho todo. Eu olhava admirada para os edifícios de Nova York. Já havia visto várias fotos e cartões postais, mas nada era tão bonito como quando se via com os próprios olhos.
O “Passeio” foi um tanto demorado, “Porque é a hora do rush, sabe?” como disse o taxista.
Paramos na frente de um prédio bem maior que os outros que o cercavam. Rafael deu o dinheiro mortal ao velho e nós saímos do táxi.
Entramos por uma porta estranha. Nunca havia visto tanta tecnologia!
Rafael foi até um balcão próximo, onde estava sentado um cara alto, com uma roupa azul marinho. No bolso da camisa estava escrito “Guarda”.
Ele voltou logo depois, dizendo que o guarda não podia deixá-los subir.
–Ele disse que estou louco e que é para ir embora.
–Onde fica o Olimpo, exatamente? — perguntei
–Acima do Empire State. 600º andar.
–Ok, vamos ver se posso fazer alguma coisa. – disse, indo em direção ao guarda.
–Espera. – Leonardo puxava meu braço – Posso tentar? Eu já vim aqui antes e talvez ele se lembre de mim.
–Pode ser, mas eu vou junto, Cara Morta. – resmunguei
Fomos até o balcão e Léo começou a falar:
–Olá, seu guarda. Escuta, acho que você se lembra de mim, não? – o guarda balançou a cabeça, afirmando – Bom, pois é. Eu tenho que subir até o 600º andar. Será que você deixaria?
–Não há 600º andar aqui. – ele respondeu com uma voz medonha.
–Nós dois sabemos que há. – Léo deu uma piscadela – E a gente precisa subir, ok?
–Eles mandaram proibir a entrada de qualquer pessoa.
–Eles quem? Os deuses? – Isabela estava atrás de mim, com ar de curiosa.
–Shhh. Sim, os deuses. – o homem sussurrou
–Por quê? Se nós estamos aqui para ajudar...
–Ajudar? Vocês vieram ajudar? – ele me interrompeu
–Sim, queremos descobrir quem é o Sequestrador Divino! – disse irritada.
–Ah, mas se é por isso, então, subam. – ele deu um cartão a Léo.
–Obrigado. Vamos – disse Leonardo.
Fomos até o elevador, Rafael passou o cartão na leitora:
–Ouvi dizer que a segurança mudou muito desde...ãhn...Cronos. – ainda era difícil relembrar a batalha e não me lamentar por não ter ajudado. D falou que era para meu próprio bem. Como se fosse bom ficar “trancada” no acampamento enquanto os outros morriam.
–É – disse Rafael sem entusiasmo, quando o elevador subiu.
Todos ficaram em silêncio até ouvir um solavanco e pararmos.
–Chegamos. – suspirei, sai do elevador e me virei para Isabel. – Como será que é o Olimpo? Cara, estou louca para ver.
Isabel estava com uma cara terrível, como se tivesse visto um monstro.
–Dai, você não gostaria de ver isso.
Virei para frente novamente e estaquei. Era uma cena horrível.
Fiz uma cara meio que “Vou chorar a qualquer momento”.
–Por que não pode ser mais um dia normal e monótono?
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