A Queda Do Sequestrador Divino
10 Recebo um Ultimato
– Νερό – sussurrei, e no mesmo instante a espada e o escudo estavam em minhas mãos, brilhando com o reflexo do fogo que havia entre nós e o Olimpo. É, fogo.
Tudo estava em meio ao caos, com ventis por todos os lados. E claro, um vento insuportável, frio e forte.
-Bem, vamos ajudar os olimpianos – disse.
Isabel ativou sua pulseira-espada, Isabela usou seu brinco e Rafael pegou uma miniatura de espada em seu bolso, que logo se expandiu.
-Droga. Esquecemos de pegar uma espada para o Cara Morta. – reclamei.
-Sem problemas – Léo respondeu com um sorrisinho levado. Retirou um colar que eu não havia notado e BÃ, uma arma estava em suas mãos. – Sabe, ser um semideus é muito legal. Eu nunca poderia sair com isso na rua.
-Que bom. Agora você vai conhecer a parte ruim de ter DNA divino.
Atravessamos o caminho de pedras, subimos a escada em espiral e paramos em frente ao monte original. Cada um pegou um malvado e começamos a lutar.
Neste momento tudo ficou quieto ao meu redor. Quando ativava Adrastea, tudo silenciava. Foco no adversário. Sem distrações. Movimentos cautelosos. E que comece a dança.
Na minha frente estava o monstro mais estranho que eu já vi, ele era diferente só que ao contrário.
Inteiramente humano, menos os pés – horrivelmente desproporcionais – e a cabeça – sem nariz e boca, só os dentes à vista. Notei a espada de duas mãos que ele trazia e gritei:
-Ei, monstrengo, sabe mesmo usar essa coisa? É melhor eu tirar ela das suas mãos antes que você se machuque. – Eu poderia me sair bem melhor, pena eu nunca ter lutado com monstros de verdade. Mas acho que consigo dar conta de você. – desdenhei. Ele estava com cara de quem havia levado um tabefe dos fortes. Pronto, atenção total em minha pessoa.
Ele resmungou algo e respondeu à minha pergunta. Levou a espada ao alto e desabou-a em minha direção. Desviei com uma agilidade incrível, como se eu estivesse dançando em baixo d’água — e as ondas acompanhassem meu ritmo. Adrastea fez cócegas no pescoço do humano-avesso, ele se virou e deu uma estocada, que foi interceptada pelo meu escudo. Olhei ao redor. A bagunça estava diminuindo.
Uma dor horrenda me fez lembrar que eu estava no meio de um duelo. A arma do adversário havia feito um estrago superficial em meu ombro esquerdo e jorrava sangue como se fosse a própria safena aberta.
–Ah, droga, cara. Esse era meu casaco preferido. – Disse, tirando a peça que agora me atrapalhava. A cor da camiseta do acampamento parecia ter cegado os olhos do monstro por um momento. Aproveitei e contra-ataquei.
Baixei a espada em seu joelho. Um liquido dourado correu entre os dedos enormes do homem-avesso. Ele examinou o machucado e depois me fulminou com os olhos. Eu tinha realmente chamado sua atenção.
O monstro completou a distância que havia entre nós e perfurou-me logo acima da cintura. Quanto sangue eu poderia perder?
Antes de focar no duelo, ele me pegou. Senti uma pontada na perna direita e vi que o golpe foi similar ao que eu executei em seu joelho. A raiva subiu à cabeça. Joguei meu braço esquerdo em seu rosto. O escudo meio que amassou a cara dele e antes de poder revidar, fiz um corte profundo em seu abdômen.
O homem-avesso segurou meu corpo pela camiseta e lançou-me ao ar. Estava indo em direção à beirada do Monte. Abri meu escudou, peguei o descanso de copo em meu bolso e molhei-o. Funcione, por favor. No mesmo instante, parreiras enormes me seguraram e colocaram-me no chão:
–Obrigada, D – sussurrei.
A dor era insuportável, e o monstro estava vindo em minha direção, perplexo por eu não estar esborrachada na calçada do Empire State. E então, um pensamento passou em minha mente. O escudo transporta uma quantidade de água para cura ou algo parecido, uma hora você entenderá.
Sem pensar duas vezes, abri a parte interior do escudo novamente e toquei-a. A água parecia completar os cortes, substituindo o sangue com a mesma funcionalidade.
Levantei com um pouco de cuidado e vi o homem-avesso chegando mais perto. Suspirei pesadamente:
–Foi uma viagem meio longa.
Coloquei meu escudo de lado e avancei. Tudo estava quieto novamente e parecia que todos haviam parado para ver o que aconteceria a seguir.
Caminhei mais rápido e logo estava correndo. Gritei, como se aquilo fosse o equivalente ao tamanho de minha força e disparei estocadas por todo o corpo do monstro. Ele recuava e se defendia dos golpes da espada. Machuquei uma de suas mãos e a arma ficou muito pesada para ele. Avancei e fiz o mesmo truque que havia ensinado a quase todos no acampamento, o Xeque. Pousei a minha espada em baixo da sua, joguei-a para o alto e bati lâmina com lâmina. Minha água mortífera tocou o material da arma dele e a mesma tornou-se caquinhos brilhantes como pó.
O homem-avesso havia recuado. Corri até ele e gritei novamente, mais alto dessa vez. Quando vi, Adrastea repartia seu corpo na diagonal e minha roupa ficava empapada de liquido dourado.
Apoiei o peso do meu corpo em minha espada:
–Mate.
Fiquei parada por um momento, até que o silêncio se esvaiu. Ali perto, Isabel ajudava Léo, que estava com a mão sobre o braço. Isabela e Rafael vinham em minha direção.
–Você está bem? – Perguntou Rafael.
–Não importa quão estranho isso pareça, mas sim. Estou ótima. – Isabela deu um sorriso. – Νερό. – sussurrei. O escudo e a espada estavam de volta em forma de tatuagem.
–Nem parece que você quase foi liquidada por um monstro e quase caiu da morada dos deuses.
–É, sinceramente? Eu amo os quases das histórias.
–Eu poderia gostar dele também. – Zeus apareceu em minha frente, acompanhado dos outros olimpianos. — Se estivesse junto com a frase “Minha filha quase foi sequestrada”. Mas como ele teimou em não existir, venha comigo semideusa. Você tem dois dias para colocar as coisas em ordem.
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